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Biografia de Clarice Lispector, de Benjamin Moser, ganha nova edição com caderno de fotos

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Publicado no Leituras da Bel

A biografia Clarice, (Clarice vírgula), escrita pelo norte-americano Benjamin Moser, vai ganhar uma nova edição com caderno de fotos inéditas. Sucesso editorial, o livro foi lançado inicialmente pela extinta Cosac Naify, em 2009. Após o fim da editora, a Companhia das Letras adquiriu os direitos de publicação no Brasil. A nova edição, chamada agora de Clarice-Uma biografia, já está em pré-venda e deve chegar às livrarias no dia 1º de março, quarta-feira. O livro também traz posfácio inédito de Michael Wood.

“Se hoje a autora é uma figura mítica das letras brasileiras — bela, misteriosa e brilhante —, sua vida foi recheada de percalços que a tornam mais complexa do que mostra a imagem oficial. Ao empreender uma síntese inédita entre vida e obra de uma autora clássica, @benjaminfmoser deu uma contribuição de extrema importância para a cultura brasileira”, divulgou a Companhia das Letras no Instagram (@companhiadasletras).

Desde que a crítica estrangeira se rendeu à produção de Clarice Lispector, os jovens leitores encaram uma pergunta: quem é a escritora de linguagem cotidiana e desafiante ao mesmo tempo? Nascida na Ucrânia, ela chegou ao Brasil ainda criança com os pais e as duas irmãs. Passou por Maceió e Recife até tornar-se uma carioca do Leme.

E de 1944 até 1977, anos do primeiro e do último livro publicados em vida, desafiou as pilastras da literatura nacional – encantando o público e dividindo as opiniões dos ensaístas. Mas não é de agora o interesse pelo legado da autora. Por aqui despontam, anualmente, centenas de pesquisas acadêmicas acerca de seus romances, contos e crônicas. E a presença dos livros clariceanos no portfólio de editoras garantiu o alcance fácil para as novas gerações.

Veja a capa da nova edição:

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Katrina Dodson e a nova tradução de ‘Macunaíma’ de Mário de Andrade

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Tradutora em visita à Biblioteca Nacional, da qual participa de um Programa de Residência - Custódio Coimbra / Custodio Coimbra

Tradutora em visita à Biblioteca Nacional, da qual participa de um Programa de Residência – Custódio Coimbra / Custodio Coimbra

 

Tradutora americana foi premiada por sua versão em inglês dos contos de Clarice Lispector

Bolívar Torres, em O Globo

RIO – A californiana Katrina Dodson sempre desejou morar no exterior, mas a necessidade de se distanciar da política conservadora e belicista do então presidente dos Estados Unidos George W. Bush deu o empurrão definitivo para uma mudança de ares. Em 2003, ela resolveu passar um tempo no Brasil — e foi durante esse exílio voluntário que descobriu a literatura de Clarice Lispector, cujos contos veio a traduzir anos mais tarde. Lançado em 2015 com o título de “Complete stories”, a publicação recebeu, em março, o PEN Translation Prize — o mais prestigioso prêmio de tradução dos Estados Unidos. A incursão na prosa labiríntica da autora de “A hora da estrela”, aliás, não é o único fruto da sua relação com o país, já que a tradutora, de 37 anos, acaba de se lançar em um novo desafio. Até 2018, vai verter para o inglês um clássico do nosso modernismo, “Macunaíma, o herói sem nenhum caráter” (1928), de Mário de Andrade. Só há uma tradução do romance, feita há mais de 30 anos pelo americano E. A. Goodland — e que ainda hoje é contestada.

— A tradução dele é muito problemática — diz Katrina, que está no Rio como bolsista do Programa de Residência de Tradutores Estrangeiros, da Fundação Biblioteca Nacional. — Goodland não tem o ouvido de quem escreve, traduz as palavras sem a mágica, sem o ritmo, a poesia e a música que o original tem. Os professores de literatura sabem que há necessidade de uma nova tradução, até porque querem muito ensinar o livro nos Estados Unidos.

Graduada em Letras pela Universidade da Califórnia, Berkeley, Katrina trabalhava como consultora de marketing para empresas de biotecnologia em São Francisco quando resolveu experimentar uma nova vida no Brasil. Depois, voltou aos Estados Unidos para fazer doutorado em Literatura Comparada e desde então tem vindo regularmente ao Brasil. Entre 2011 e 2012, esteve no Rio como bolsista Fulbright para pesquisar sua tese de doutorado sobre a escritora Elisabeth Bishop. Em suas andanças cariocas, conheceu o poeta e professor de tradução Paulo Henriques Britto, que considera seu mentor, e o americano Benjamin Moser, biógrafo de Clarice, que a convidou para traduzir os contos da autora depois de descobrir o seu trabalho.

EXPERIÊNCIA DESORIENTADORA

Para a nova tradução de “Macunaíma”, que deverá manter o mesmo título do original, Katrina recebeu R$ 10 mil do Programa de Residência de Tradutores Estrangeiros. O dinheiro está bancando uma curta residência no Brasil, que inclui uma “viagem macunaímica” de um mês por lugares fundamentais para a compreensão dos contextos históricos, culturais e geográficos do livro. Já passou por Rio e São Paulo — onde pesquisou manuscritos e a marginália de Mário de Andrade e trocou ideias com especialistas do autor modernista —, e em breve visitará o Rio Negro, onde o personagem do romance vai buscar de volta a sua consciência. No futuro, ainda planeja explorar o estado de Roraima, local de nascimento do herói mítico.

Até agora, a tradutora terminou apenas dois capítulos do livro de Mario de Andrade, que resgata os mitos indígenas para compor alguns traços da formação cultural do Brasil. Já é o suficiente, porém, para ela saber que terá dificuldade para integrar as palavras tupis do texto à versão em inglês. Outra certeza é a necessidade de um glossário para guiar o leitor pelos termos mais obscuros.

— A linguagem é desorientadora até para o leitor brasileiro, e quero que os estrangeiros tenham esse mesmo tipo de experiência. Por isso vou deixar alguns elementos em tupi, como nome de macacos, de palmeiras, essas coisas — adiantou Katrina. — Alguns ditados e palavras são mesmo muito difíceis de verter. O tradutor anterior transformou a frase característica do personagem, “Ai que preguiça”, em “Oh! What a fucking life!” (algo como “Ai que vida fodida!”). Esse palavrão não faz sentido, porque a preguiça de Macunaíma é uma coisa entre o prazeroso e o preguiçoso.

Paradoxalmente, a complexidade linguística de “Macunaíma” torna a obra mais fácil de traduzir do que os contos de Clarice, acredita Katrina.

— Clarice também tem uma linguagem diferente, mas é muito sutil e precisa. Com ela era como se eu andasse numa corda bamba, tive que me restringir. Já “Macunaíma” é tão impossível de traduzir palavra por palavra que eu posso me soltar e, dentro do espírito dele, inventar mais.

Se a eleição de Bush motivou uma mudança de ares, agora a situação é outra. A tradutora considera a surpreendente ascensão de Donald Trump à presidência uma “emergência enorme” e se sente obrigada a permanecer em seu país.

— É o maior desastre público que já vivi. Sei que preciso ficar e defender o que ficará cada vez mais vulnerável: os direitos, os valores de igualdade e até o próprio planeta. Mas é bom estar aqui nessa curta residência para falar com os brasileiros da situação internacional, de Trump, do Temer, do Crivella, e assim pensar melhor em como o que está acontecendo nos Estados Unidos está relacionado com o resto do mundo.

Livraria Leonardo Da Vinci reabre nesta quinta-feira totalmente reformada

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Daniel Louzada, à frente da livraria desde fevereiro, comandou a enorme reforma na tentativa de tornar o negócio sustentável e agora procura sócio para segunda loja - Fabio Rossi

Daniel Louzada, à frente da livraria desde fevereiro, comandou a enorme reforma na tentativa de tornar o negócio sustentável e agora procura sócio para segunda loja – Fabio Rossi

 

Livraria mantém aposta em acervo e recebe bate-papo com o poeta Antonio Cícero

Leonardo Cazes, em O Globo

RIO – Nos quatro meses de reforma da Livraria Leonardo Da Vinci, a pergunta que o novo dono, Daniel Louzada, mais ouviu foi: “mas a Da Vinci não acabou?”. Não, a livraria não só não acabou como reabre hoje totalmente remodelada e recebendo um bate-papo com o poeta Antonio Cicero. Os frequentadores mais saudosos da loja no subsolo do edifício Marquês do Herval, na Avenida Rio Branco, poderão até sentir falta do ambiente labiríntico de outrora. As paredes foram derrubadas para dar amplitude ao espaço, acomodar melhor os livros e o novo café. Contudo, o amplo acervo de obras de artes e ciências humanas continua lá, agora reforçado por uma seção de literatura. A icônica mesa de Dona Vanna Piraccini, a antiga dona, foi restaurada e coberta de livros.

Louzada conta que seu plano inicial era fazer uma intervenção mais modesta, mas, para o negócio ser sustentável, achou necessária uma grande transformação. O maior investimento foi feito no mobiliário. As mesas agora são móveis e podem ser rearrumadas a depender do evento.

— A Da Vinci era uma livraria que tinha torcida, mas não cliente comprando — diz o livreiro, que por 15 anos trabalhou na Saraiva. — A preocupação foi compreender o lugar da Da Vinci. E o nosso lugar é a alternativa. Não temos como competir com as grandes redes nos best-sellers, mas vamos ter a melhor seleção dentro da nossa proposta.

Apesar de não poder competir com as gigantes nos descontos, os best-sellers estarão à venda, explica Louzada. Só não estarão em destaque. Na estante de literatura estrangeira, por exemplo, é possível encontrar uma farta seleção de Bernard Cornwell e John Grisham e, na de religião, Padre Marcelo Rossi. Já na área de literatura brasileira, há todas as obras de Clarice Lispector.

Encontros e clube de leitura

Logo na entrada, ao lado de uma máquina de escrever, foi criado o espaço “O escritor indica”. Na estreia, o jornalista Mário Magalhães, autor de “Marighella”, escolheu algumas de suas biografias favoritas, como “Padre Cícero”, de Lira Neto. O acervo de ciências humanas, carro-chefe da casa, impressiona: são 1,2 mil títulos de ciências sociais e 700 de filosofia.

Nas paredes estão a inspiração do livreiro: Ênio Silveira, fundador da Civilização Brasileira, e a própria Vanna Piraccini. Uma das séries de encontros previstos, inclusive, será “Reencontros com a Civilização Brasileira”. O primeiro convidado será o historiador Jorge Ferreira. Já a série que marca a reinauguração é a “Papo de quinta”, quando escritores e críticos vão conversar com o jornalista Miguel Conde. A Da Vinci também vai ganhar um clube de leitura e atividades para crianças aos sábados.

Apesar das dificuldades, Louzada demonstra confiança na proposta e afirma que procura um sócio para abrir uma segunda loja:

— Eu acredito na missão civilizadora da livraria. Esse é o papel da Da Vinci. Por isso ela continua aberta, completando 64 anos neste mês.

“PAPO DE QUINTA COM ANTONIO CICERO”

Onde: Livraria Leonardo Da Vinci — Av. Rio Branco, 185, Centro, subsolo (2533-2237)

Quando: Nesta quinta-feira, às 18h.

Quanto: Grátis.

Aplicativo mapeia locais em Recife eternizados por Clarice, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto entre outros

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Estátua de João Cabral de Melo Neto na Rua da Aurora, centro do Recife

Estátua de João Cabral de Melo Neto na Rua da Aurora, centro do Recife

 

Rodney Eloy, no Pesquisa Mundi

Os recifenses e turistas que visitam a capital pernambucana já podem trocar os Pokémons por autores da literatura brasileira. Idealizado pelo cineasta Eric Laurence e realizado por meio do Funcultura, o aplicativo Ruas literárias do Recife tem como objetivo aproximar as pessoas do espaço urbano e da cultura literária da cidade. Com 150 pontos de localização e 82 autores de diferentes épocas e estilos, as ruas da cidade são mapeadas montando um roteiro literário e poético no qual a população pode descobrir como as ruas e suas edificações foram descritas e representadas por escritores pernambucanos. Dentre os autores pesquisados e citados no aplicativo estão nomes como Clarice Lispector, Raimundo Carrero, Ronaldo Correia de Brito, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira e Carneiro Vilela. O aplicativo é gratuito e está disponível para Android e iOS.

via Publishnews

Autêntica investe na literatura brasileira

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Publicado no Impresso

Editora responsável pela caixa de Rubem Braga, Maria Amélia Mello chama a atenção para uma série de lançamentos de literatura brasileira que a Autêntica pretende colocar nas livrarias até meados de 2017.

A obra infantil de Chico Buarque faz parte do catálogo da Autêntica, editora fundada há 18 anos em Belo Horizonte. Em outubro, será relançado o primeiro volume, Os saltimbancos, com ilustrações de Ziraldo.

No fim do ano, para homenagear Clarice Lispector (1920-1977), chega às livrarias O rio de Clarice. A obra, de Teresa Montero (autora de Eu sou uma pergunta – Uma biografia de Clarice Lispector), é um guia sentimental sobre a vida da escritora no Rio de Janeiro. “O livro mostra o trajeto pelos lugares da cidade por onde ela passou – da chegada, nos anos 1920, na Tijuca, até a morte, na Lagoa Rodrigo de Freitas”, comenta Maria Amélia.

Também para este ano, celebrando o centenário de Murilo Rubião, a editora lança a correspondência do autor de O ex-mágico da Taberna Minhota com Otto Lara Resende. Outra efeméride que será comemorada, esta em janeiro, será o centenário de Antônio Callado. Serão reunidas em livro suas crônicas políticas de 1978 a 1985.

Já para meados de 2017, está prevista a publicação de Os três Andrades. O livro vai contar a relação de Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Carlos Drummond de Andrade. A publicação trará pequena antologia dos autores.

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