Posts tagged Clarice Lispector

Lançada nos EUA, primeira antologia com todos os contos de Clarice Lispector chega ao Brasil

0
Clarice Lispector - Arquivo

Clarice Lispector – Arquivo

 

Lembrada pelos romances, ela escreveu narrativas curtas por toda a vida

Guilherme Freitas, em O Globo

RIO — No início dos anos 2000, quando o americano Benjamin Moser começou a pesquisar sobre Clarice Lispector, o nome da autora de “A paixão segundo G.H.” circulava no país dele apenas na boca de um punhado de especialistas. No ano passado, Clarice foi capa das principais publicações literárias dos Estados Unidos, deslumbradas com seu “estranho coração” (“New York Review of Books”) e com o “sopro de loucura” (“New York Times”) que atravessa sua obra, comparada às de gigantes da literatura universal como Beckett e Mallarmé (“Los Angeles Review of Books”).

Esse percurso deve muito a Moser. Depois de lançar a biografia “Why this world” (no Brasil, “Clarice”), em 2009, ele colaborou com a publicação de cinco romances dela — e traduziu um deles, “A hora da estrela”. No ano passado, organizou o volume que reúne, pela primeira vez, os 85 contos escritos por Clarice. A recepção consagradora da imprensa americana ecoou pelo mundo.

— A grande alegria para mim tem sido assistir à emergência dessa obra na consciência do público de todo o mundo. A partir da edição em inglês, hoje há traduções dela até na Macedônia, na Coreia do Sul, na Turquia — diz Moser, por telefone. — Clarice foi sendo irradiada para vários países.

Agora é a vez de Clarice ser “irradiada” de volta ao Brasil, com o lançamento, na próxima semana, de “Todos os contos” (Rocco). Depois de apresentar a escritora ao público internacional, Moser oferece aos leitores brasileiros um novo olhar sobre ela. Admirada principalmente pelos romances, desde sua estreia com “Perto do coração selvagem” (1943), Clarice escreveu narrativas curtas durante toda a vida. Seu volume de contos mais célebre é “Laços de família” (1960), mas há muitas outras histórias espalhadas por jornais, revistas e livros menos lembrados.

— Mesmo quem acha que conhece tudo da obra de Clarice vai se surpreender com os contos, porque alguns saíram só na imprensa e outros ficaram em segundo plano — diz Moser.

Organizado de forma cronológica, “Todos os contos” começa com as histórias que Clarice escreveu na metade dos anos 1940, quando, depois de emigrar da Ucrânia, onde nasceu, em 1920, e passar pelo Nordeste, já estava radicada no Rio de Janeiro. É dessa época seu primeiro conto conhecido, “O triunfo”, publicado no jornal “Folha de Minas” em dezembro de 1944, já depois do impacto causado por “Perto do coração selvagem”.

A antologia reúne ainda textos dos livros “Laços de família”, “A legião estrangeira” (1964), “Felicidade clandestina” (1975), “Onde estivestes de noite” (1974), “A via crucis do corpo” (também de 1974) e “Visão do esplendor” (1975). E dois contos incompletos publicados em “A bela e a fera” (1979), dois anos depois da morte de Clarice.

Na apresentação, Moser escreve que “Todos os contos” pode ser lido como “o registro da vida inteira de uma mulher, escrito ao longo da vida de uma mulher”. As narrativas revelam a evolução de suas experimentações artísticas, mas também os dilemas de cada momento em que foram escritos: o ímpeto “artístico, intelectual e sexual” da juventude, as alegrias e decepções com o casamento e a maternidade, o confronto com a velhice e a decadência do corpo.

— A beleza dos contos é que, neles, vemos a evolução do olhar de Clarice ao longo de toda a vida. Ler os contos, do primeiro ao último, é como ter a revelação de um espírito.

‘HÁ TAMBÉM A HORA DO LIXO’

Em “Eu e Jimmy”, um de seus primeiros contos, Clarice ironiza o machismo da sociedade brasileira dos anos 1940 pelos olhos de uma jovem impetuosa. Escrito na década seguinte, quando a escritora se entendiava com a vida de esposa de embaixador, “A menor mulher do mundo” retrata, na história de uma pigmeia africana, o silenciamento das mulheres.

Já os contos de “A via crucis do corpo”, escritos em um turbilhão criativo de três dias em 1974, falam com crueza de maternidade e sexualidade na velhice. Na apresentação, Clarice desdenha dos críticos que rotularam o livro de “lixo” e “pornográfico”: “Concordo. Mas há hora para tudo. Há também a hora do lixo. Este livro é um pouco triste porque descobri, como criança boba, que este é um mundo cão”.

Os contos revelam vários outros aspectos da obra de Clarice, diz Moser. O olhar dela para a realidade brasileira está expresso em “Mineirinho”, sobre o bandido carioca morto com 13 tiros pela polícia, publicado na revista “Senhor” em 1962. Popular nas redes sociais, o texto é classificado por Moser como conto por sua linguagem literária e pela força alegórica que Clarice deu ao personagem.

Já textos mais experimentais, como “O relatório da coisa”, lembram a busca incessante de Clarice pela invenção. É essa qualidade que faz com que sempre seja possível encontrar novos ângulos em sua obra, diz Moser.

— A obra de Clarice é uma vertigem da linguagem. Esse é o impulso que a anima desde o início, a sua busca maior.

Clarice Lispector concorre a novo prêmio literário em Nova York

0

n-CLARICE-LISPECTOR-large570

Publicado no Brasil Post

Já é possível dizer que Clarice Lispector tomou seu lugar entre os apreciadores da literatura nos Estados Unidos.

O livro The Complete Stories (“as histórias completas”, em português), publicado pela New Direction em agosto deste ano, reúne cinco romances da escritora em 640 páginas, tem edição de Benjamin Moser e tradução de Katrina Dodson.

E ele acabou escolhido como um dos 100 melhores livros de 2015 pelo The New York Times.

Agora é a vez da publicação se tornar um dos 10 finalistas do Best Translated Book Award (prêmio de melhor livro traduzido), promovido pelo Three Percent, programa da Universidade de Rochester, no estado de Nova York, voltado para tradução de obras literárias.

Clarice vai concorrer na categoria ficção com a italiana Elena Ferrante, a mexicana Valeria Luiselli e o angolano José Eduardo Agualusa. A lista surgiu após a análise de 570 títulos publicados nos EUA no ano passado.

Outra brasileira, a poeta Angélica Freitas, vai concorrer na categoria poesia com o livro Rilke Shake. Angélica concorrerá com a argentina Silvina Ocampo, a chinesa Liu Xia, além de outros três livros.

O prêmio, feito em parceria com a Amazon Literary Partnership, paga US$ 5 mil para o autor e para o tradutor. O anúncio dos vencedores será feito no dia 4 de maio.

4 autoras para ler (e reler!)

0

6600145_kgA70-300x200

Tico Farpelli, no Correio de Uberlândia

Em 8 de março de 1857, um grupo de mulheres ocupou uma fábrica têxtil norte-americana para protestar por melhores condições. Diz-se que foram trancafiadas dentro do local, que foi, posteriormente, incendiado. 130 mulheres morreram em 8 de março, que ficou conhecido como o DIA INTERNACIONAL DA MULHER.

Aproveitando a data e as importantes discussões feministas que tomaram conta de nosso país nos últimos anos, peço que neste dia, você leitor, seja menino ou menina que lê, reflita sobre as atitudes que têm no dia a dia que possam estar vinculadas ao machismo e ao conservadorismo patriarcal que, por meio de um discurso de manutenção da ordem social, silencia as vozes femininas e as transforma em vítimas de agressões físicas e morais, muitas vezes invertendo valores e as colocando como causadoras do próprio sofrimento. Não desejo parabéns pelo dia da mulher, desejo respeito, pois cada ser humano merece ter o respeito e a dignidade que lhe são devidas.

Aproveito também esta data para indicar a vocês 4 escritoras que merecem ser lidas. Quer por sua importância histórica, quer por sua habilidade narrativa, cada uma dessas 4 mulheres merece um lugar nesta lista e no seu coração. Confira:

agatha

– Agatha Christie

A mestra do suspense policial na literatura mundial publicou mais de 80 livros durante a vida. Recebeu o apelido de “Rainha/Dama do Crime” e segue como a autora popular que mais vendeu livros no mundo, com 4 bilhões de cóprias vendidas, perdendo em número apenas para Shakespeare e a Bíblia.

Principais Obras: “Assassinato no Expresso do Oriente”, O Caso dos dez negrinhos” e “Cai o Pano”.

jane-242x300

– Jane Austen

Também britânica, Jane Austen é considerada por uma corrente de pensadores como conservadora, entretanto, sua literatura traz algumas quebras de paradigmas que contrasta com a moral da época. Austen criou personagens femininas memoráveis que, em suas pequenas ações, demonstravam o repúdio pela condição feminina de mulher, esposa e moeda de troca por riqueza e influência familiar.

Principais obras: “Persuasão”, “Razão e Sensibilidade” e “Orgulho e Preconceito”.

Clarice-linspector2-207x300

– Clarice Lispector

Nascida na Ucrânia, mas naturalizada brasileira, Clarice Lispector é um grande expoente da literatura nacional. É considerada como uma das mais importantes escritoras brasileiras do século XX. Publicou contos, romances e novelas que retratam, na simplicidade do dia a dia, os aspectos psicológicos que trazem reflexões e momentos de epifania dos personagens.

Principais obras: “A Hora da Estrela”, “A Paixão Segundo G.H.” e “Laços de Família” .

Chimamanda-Ngozi-Adichie

– Chimamanda Ngozi Adiche

Escritora Nigeriana, expoente da literatura africana e feminista contemporânea no mundo. A autora é uma voz forte que atravessa o mundo levando, por meio de suas histórias e postura empoderadora da mulher, um grito que pede por liberdade e respeito.

Principais obras: “Meio Sol Amarelo”, “Hibisco Roxo” e “Americanah”.

10 livros incríveis para quem gosta de crônicas

0

fotolia-83459638-subscription-monthly-m

Obras são opções certeiras para quem gosta de leituras leves e pausadas

Publicado no Guia da Semana

Os livros, sem dúvidas, são portas que nos levam a mundos únicos dentro de nós mesmos. Por eles, conseguimos ir a diferentes países, conhecer diferentes culturas e, principalmente, entrar em contato com os aspectos mais profundos de nós mesmos.

Entretanto, nem todas as pessoas gostam de obras longas e densas, preferindo a leitura mais leve e curta, mas, ao mesmo tempo, intensa. Para essas, a dica são os livros de crônicas, que nos dão respiros entre uma e outra e nos colocam em um universo novo a cada uma delas.

Assim, o Guia da Semana lista 10 livros de crônicas incríveis que você deveria ler. Confira:

PARA ONDE VAI O AMOR?

carpi

No livro “Para onde vai o amor?”, Carpinejar apresenta 42 textos sobre amor, desilusão amorosa, casamento, divórcio, saudade e outros sentimentos que compõem os relacionamentos. Gosta desses tipo de assunto? Então você não pode deixar de ler este livro.

PARA TODOS OS AMORES ERRADOS

5152250

Em “Para todos os amores errados”, Clarissa Corrêa escreve sobre as desilusões de um romance avassalador. Entre os altos e baixos do fim de uma relação amorosa, a história é contada e sentida a partir de desabafos escritos em primeira pessoa. Com citações a personalidades do cotidiano atual, o texto pode adquirir um tom de veracidade e aproximação a cada página, criando uma intimidade com quem já sentiu ou passou pela mesma situação, em que o amar e ser amado não é responsabilidade de um só. Registrando todas as fases de um rompimento, a protagonista chora, se arrepende, fica aliviada, triste de novo, sente saudades, tem muita raiva, volta a amar o mesmo amor, se encontra e se desencontra várias vezes. Chega à etapa de se entender e respeitar, para poder, quem sabe, voltar a amar. Escreve crônicas e poemas que expressam seus sentimentos. Conta os detalhes da traumática separação, classifica os tipos de homem e declara independência

TRINTA E OITO E MEIO

42861532

Estas crônicas, reflexões e desabafos, escritos com curiosidade sem fim, mas também com senso de humor, mostram os bastidores da cabeça e do coração de Maria Ribeiro. A atriz, que confessa, neste livro, o seu interesse (se não mesmo obsessão) pelas histórias dos outros, junta, em ‘Trinta e oito e meio’, textos que escreveu nos últimos anos, e que, com as ilustrações de Rita Wainer, formam um inesperado diário e um guia de viagem pela sua vida.

ESPERO ALGUÉM

5168953

Com “Espero alguém”, Carpinejar, mais maduro, tanto profissional quanto emocionalmente, apresenta crônicas escritas após um período difícil de sua vida – o abandono pela mulher amada. O autor busca comprovar que ninguém está preparado para uma separação. ‘Espero alguém’ trabalha as duas separações do autor. Começa triste e, ao longo das paginas, o ânimo vai melhorando. No final, o alívio. As crônicas tratam da retomada – a superação do luto – provando que tudo passa. Um novo amor é quase uma certeza. E, se você não amar esse amor mais do que amou o que veio antes, provavelmente amará mais a si mesmo. Carpinejar mostra também as contradições do relacionamento – o que cada um precisa e pode fazer pelo outro. A importância da sedução mútua e a convivência com as críticas. Além disso, dá conselhos, como – ‘não fale mal até vinte dias após o termino. Se reatar, você estará desacreditado’.

SIMPLES ASSIM

42987986

Por que complicar ainda mais? Acordou mal-humorado? Respire fundo, abra a janela e pense que no final do dia você encontrará seus amigos para um happy e dará boas gargalhadas. O carro quebrou no meio da rua? Sinalize e espere o guincho em segurança. O namoro está mais para morno? Chegou a hora de pôr um fim a relacionamentos que não levam a nada. Convidada frequentemente para (mais…)

Clarice Lispector entra na lista de melhores de 2015 do ‘New York Times’

0
A escritora brasileira Clarice Lispector (Foto: Divulgação/Rocco)

A escritora brasileira Clarice Lispector (Foto: Divulgação/Rocco)

 

Coletânea de contos ‘The complete stories’ saiu lá fora neste ano.
‘Voz autêntica da América Latina’, diz jornal, citando ainda Machado de Assis.

Publicado no G1

Uma coletânea de contos de Clarice Lispector (1920-1977), publicada em julho deste ano nos Estados Unidos com o título “The complete stories”, entrou na lista dos 100 melhores livros de 2015 feita pelo jornal americano “The New York Times”.

O anúncio foi feito na sexta-feira (27). Quem vota são os editores do suplemento “The New York Times Book Review”. As obras não aparecem em ordem de colocação e se dividem em dois segmentos: Ficção & Poesia e Não Ficção (clique aqui para ver a lista completa).

A editora Rocco planeja publicar a versão nacional de “The complete stories” em abril de 2016. O título da versão nacional ainda não foi definido. Clarice Lispector nasceu em Tchetchelnick, na Ucrânia. Seu nome de batismo era Haia. Ela se mudou com a família para o Brasil em 1922 e aqui ganhou o nome de Clarice.

Em sua lista de melhores do ano, o “New York Times” escreve que “a brasileira foi uma das verdadeiras [vozes] autênticas da literatura latino-americana”. O jornal cita como exemplos desses “inovadores” o argentino Jorge Luis Borges (1899-1986), o mexicano Juan Rulfo (1917-1986) e o também brasileiro Machado de Assis (1839-1908).

O trecho está na crítica de Terrence Rafferty publicada em 27 de julho, na época do lançamento de “The complete stories”, que tem tradução de Katrina Dodson e edição de Benjamin Moser, biógrafo de Clarice.

Na resenha, Rafferty escreve ainda que o livro é “notável” e que “há um sopro de loucura na ficção de Clarice Lispector”.

“Frase por frase, página por página, Lispector é divertidamente e cativantemente estranha, mas as percepções dela surgem tão rápido e desviam tão selvagemente entre o mundano e o metafísico, que depois de um tempo você não sabe mais onde você estão, tanto no livro como no mundo fora dele”, diz o crítico.

A escritora brasileira Clarice Lispector (Foto: Divulgação/Rocco)

A escritora brasileira Clarice Lispector (Foto: Divulgação/Rocco)

Go to Top