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Nova adaptação de Fahrenheit 451 tem produção arrojada e elenco competente, mas peca na crítica social

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Filme Fahrenheit 451, da HBO, estrelado por Michael B. Jordan e Michael Shannon. Foto: HBO/Divulgacao

Livro foi adaptado para os cinemas no clássico de 1966 dirigido por François Truffaut e, agora, novamente transposto para as telas, em telefilme da HBO

Breno Pessoa, no Diário de Pernambuco

“Ficção científica é uma ótima maneira de fingir que você está falando do futuro quando, na verdade, você está atacando o passado recente e o presente”, afirmou certa vez o escritor norte-americano Ray Bradbury (1920-2012). A máxima se aplica bem à mais conhecida obra do autor, Fahrenheit 451, livro adaptado para os cinemas no clássico de 1966 dirigido por François Truffaut e, agora, novamente transposto para as telas, em telefilme da HBO, lançado mundialmente no canal a cabo e disponível também no serviço de streaming HBO Go.

Com direção e roteiro adaptado por Ramin Bahrani (do bom Goodbye Solo), a nova versão é estrelada por Michael B. Jordan (Creed) e Michael Shannon (A Forma da Água). A trama é ambientada em um local e tempo indefinido, no futuro, quando livros são considerados uma ameaça à ordem e proibidos pelo governo. Eventuais exemplares descobertos são eliminados pelos bombeiros, agora não mais responsáveis por apagar incêndios, mas sim pela incineração dos exemplares.

Exercendo uma função carregada pela literalidade do termo fireman (bombeiro, em inglês), formado pelas palavras fire (fogo) e man (homem), o protagonista Guy Montag (Jordan) encara uma crise pessoal a respeito do trabalho. Os questionamentos surgem quando ele encontra o livro Memórias do subsolo, de Dostoiévski.

As angústias narradas pelo protagonista da novela do autor russo ressoam em Montag, que passa a rever os próprios conceitos. Ao mesmo tempo, ele se aproxima de Clarisse (Sofia Boutella), uma entre os que resistem à repressão e tentam preservar o hábito da leitura. Antes uma espécie de mentor para Montag, Beatty (Shannon), o rígido capitão da brigada de bombeiros, vira um grande opositor para o protagonista.

Em linhas gerais, o drama central desta versão não destoa do romance nem da primeira adaptação cinematográfica. Ainda que a obra provoque inevitáveis paralelos com estados autoritários e censura, Bradbury chegou a declarar que Fahrenheit 451 era um comentário sobre um temor: que as mídias de massa acabem por reduzir o interesse da leitura. Vale lembrar, no entanto, que o título foi publicado em 1953, à época do macarthismo nos EUA, quando a queima de livros considerados impróprios era algo corriqueiro.

Enquanto no livro e no primeiro filme a alienação é representada sobretudo pelos televisores presentes nos lares, o novo longa traz algumas atualizações, incluindo as redes sociais. Logo nos primeiros minutos, vemos uma transmissão ao vivo da queima de livros, com usuários reagindo em tempo real com emojis e comentários, enquanto Montag e outros bombeiros se portam como influenciadores digitais no ambiente virtual gerido pelo governo daquele mundo distópico.

Armadilha
Se a obra original faz uma severa crítica ao consumo da imagem em detrimento do conteúdo, o telefilme da HBO, cai, em certos momentos, nessa armadilha. Há bonitas cenas e capricho no design de produção – ainda que com alguns vícios do gênero sci-fi, com excesso de ambientes muito escuros as telas holográficas popularizadas a partir de Minority report (2002). O apuro estético se sobressai, mas o desenvolvimento da trama fica em segundo plano, enquanto a direção e montagem tentam imprimir dinamismo e grandiloquência.

Falta desenvolvimento dos personagens e da questão central do filme. Nem o protagonista parece ciente da real importância dos livros, assim como a transformação dele em defensor da preservação literária é apressada. E a inclusão de elementos contemporâneos pouco acrescenta à narrativa, como a existência de livros digitais e menção a Harry Potter. Há até uma nada sutil referência a Donald Trump, quando Beatty motiva os bombeiros com a frase “burn for America again” (queime pela América novamente), emulando o slogan do presidente norte-americano, Make America Great Again (Torne a América Grande Novamente).

Em tempos de exaltação à superficialidade, a releitura resgata uma importante questão, porém sem o devido peso. Funciona como entretenimento, tem produção caprichada e bom elenco, mas carece de densidade.

3 perguntas // Michael Shannon – ator

Quais são os temas do filme que mais lhe tocam?
Para mim, a questão essencial é: qual o valor do conhecimento? Nós somos melhores com ou sem conhecimento? É difícil aceitar o ponto de vista de Beatty porque a maioria das pessoas está inclinada a discordar dele. Mas enquanto atuava, em certo momento me encontrei concordando com seu modo de pensar. A maioria não sabe lidar com a verdade nem o que fazer com o conhecimento genuíno. E muita gente fica atormentada com isso. De que maneira o conhecimento e a verdade podem se traduzir em ação? Se você quiser ter toda a verdade, e nada além disso, o que fará quando chegar lá? Porque se nós não estivermos preparados para fazermos algo quando sobre isso, provavelmente isso será tirado de nós.

Como você se sentiu ao filmar as cenas em que os livros são queimados?
Acredito que essas cenas foram mais dolorosas para Ramim, porque ele escolheu os livros com muito carinho e selecionou os títulos que mais significavam para ele. Para mim, não foi como se estivéssemos queimando a última cópia de determinado exemplar. Eu sabia que existiam outros livros, então estava tranqüilo com isso. Essas cenas foram rodadas em dias muito quentes e estávamos suando muito, então, minha grande preocupação era não ficar desidratado. Eles fizeram um belo trabalho com os lança-chamas. São realmente impressionantes.

Se você pudesse salvar cinco livros quais seriam?
Nove estórias (J. D. Salinger), que é provavelmente o meu livro favorito. Misto quente, de Charles Bukowski, outro dos meus favoritos. Onze Tipos de Solidão, de Richard Yates. E eu realmente amo Memórias do subsolo, de Dostoiévski. E tudo que (Anton) Chekov escreveu.

Clássico “A Revolução dos Bichos”, de Orwell, foi rejeitado por TS Eliot

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Publicado no Notícias ao Minuto

“As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco.”

O célebre desfecho de um dos clássicos da literatura mundial do século XX, “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, poderia ter ficado apenas nos rascunhos do autor inglês. Eleito um dos 100 melhores livros de língua inglesa pela revista Time, o livro foi rejeitado por T.S Eliot em 1944, um ano antes de seu lançamento.

O então editor, que em 1948 ganharia o prêmio Nobel de literatura, enviou uma carta de duas páginas na qual criticava o romance de Orwell, uma sátira ao regime stalinista. Em resumo, ele considerou o livro como “não convincente”, segundo o jornal inglês Daily Mail.

Antes de publicar o livro, o autor ainda teria sido rejeitado outras três vezes, e chegou a considerar publicá-la em formato de panfletos.

De acordo com o Daily Mail, muitos editores acharam perigoso publicar uma crítica à União Soviética no momento em que o país era um aliado britânico na luta contra o nazismo de Adolf Hitler. Finalmente, em agosto de 1945, a Secker & Warburg decidiu publicar o livro.

Orwell, autor do também clássico 1984, morreu em 1950, pouco tempo depois do lançamento deste último, vítima da tuberculose.

Dicas para quem quer gostar de ler

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Fabrícia de Pelegrini, no Portal Veneza

Muitas pessoas já adultas querem desenvolver o hábito de leitura e nesta busca algumas conseguem descobrir o prazer de ler enquanto outras não se identificam. Cada ser humano tem suas características e acredito que se alguém quer gostar de ler é porque tem alguma identificação com os livros.

Para quem quer se aventurar nesta descoberta tenho algumas dicas que poderão ajudar.

– A escolha do livro é meio caminho andado. Procure algo que você se identifique, uma história que tem a ver com você.

– Tem muitas histórias boas, por isso conhecer seu estilo é fundamental. Pode ser um livro policial, um romance, uma biografia, autoajuda, literatura fantástica e por que não um terror?

– Não aconselho começar lendo um clássico, estes livros geralmente têm um estilo que requer uma leitura mais demorada e maior concentração.

– Com o livro escolhido, procure um lugar sossegado que irá facilitar a concentração. Para quem está iniciando neste hobby é importante ficar com a TV e o som desligados e deixar o celular longe das mãos para não ter distrações.

– Lembre-se que a leitura é algo solitário, um momento que a pessoa está dedicando para ela mesma. Tem que ser algo positivo e não uma obrigação.

– Depois que começou a ler o livro, ele não pode ficar por dias abandonado porque ao retomar a leitura o interesse já diminuiu. A dica aqui é ler todos os dias, nem que seja uma página apenas, assim a história e os personagens continuam na memória, mantendo o interesse do leitor.

– E claro, um bom chocolate para acompanhar também é um incentivo.

Boa leitura!

Clássico do escritor queniano Ngugi wa Thiong’o é lançado no Brasil

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Nascido em uma vila no Quênia, Ngugi wa Thiong%u2019o deixou o país nos anos 1970 para se exilar nos Estados Unidos depois de trabalhar com teatro comunitário e questionar o governo vigente

Nascido em uma vila no Quênia, Ngugi wa Thiong%u2019o deixou o país nos anos 1970 para se exilar nos Estados Unidos depois de trabalhar com teatro comunitário e questionar o governo vigente

Autor é considerado voz referencial da literatura africana

Pablo Pires Fernandes, no Divirta-se [via Estado de Minas]

O escritor queniano Ngugi wa Thiong’o, de 77 anos, é um militante. Um dos grandes expoentes da literatura africana, sua trajetória é pontuada pelo engajamento político, expresso também em suas obras. Atualmente, é professor de inglês e literatura comparada na Universidade da Califórnia-Irvine (EUA). Deixou seu país no fim da década de 1970, depois de passar um ano na prisão em razão de seu engajamento com o teatro comunitário, que desagradou ao governo. Em entrevista por e-mail, Thiong’o conta que divide seu tempo entre a família, as aulas e a escrita.

Um grão de trigo, seu terceiro romance, escrito em 1967, finalmente ganhou tradução no Brasil e está sendo lançado pela Alfaguara. A narrativa se passa em uma vila no interior do Quênia, onde diferentes aspectos da cultura e da política se entrelaçam. A história de Mugo, tido como herói da rebelião contra a colônia pelos habitantes da vila, ocorre antes da independência do Quênia, em 1963.

As referências políticas e aspectos da cultura local se entrelaçam para exprimir a busca de identidade de um país em transformação, entre o passado e as perspectivas que o futuro abria. É um livro em que a narrativa intercala as referências de outra época, em que a memória coletiva e individual se desvela para evidenciar as dúvidas dos personagens e da própria geração do autor. A vila funciona, segundo ele, como um centro de consciência coletiva.

Thiong’o esteve recentemente no Brasil para participar da Festa Literária de Paraty (Flip). Lá, foi lançado Sonhos em tempo de guerra (Biblioteca Azul), primeiro volume de sua trilogia de memórias. Ele gostou do país, mas afirma que “gostaria de ter visto uma maior visibilidade da cultura negra em todos os aspectos da vida brasileira”. Para não perder sua militância, completa: “Gostaria de ver laços econômicos, políticos e culturais mais estreitos entre o Brasil e a África. Em especial, gostaria de ver maior proximidade entre meu país, o Quênia, e o Brasil, particularmente por meio de artistas negros, escritores, cantores e dançarinos”.

Como a história do Quênia influenciou sua vida pessoal e sua formação de escritor?

Minha vida pessoal e a história do Quênia estão entrelaçadas. Logo antes de ir ao Brasil, estive em meu país para celebrar os 50 anos da primeira edição de ‘Weep not child’ (Não chores, menino), lançado em abril de 1964. Mas esse ano coincide com os 50 anos da independência do Quênia, que foi uma colônia britânica de 1895 a 1963. E, como em todas as colônias, terra e trabalho sempre estiveram no coração da política do país. Nas minhas memórias, Dreams in a time of war (Sonhos em tempos de guerra), falei sobre meu nascimento, em 1938, literalmente às vésperas da Segunda Guerra Mundial, na qual alguns de meus irmãos estiveram envolvidos do lado britânico, e depois a guerra de libertação, travada pelo Exército Terra e Liberdade do Quênia (KLFA, na sigla em inglês), também conhecido como Mau Mau. Essa guerra afetou todos. Eu cresci durante a guerra e tudo isso causou impacto na minha obra.

Na época da independência, os artistas e escritores se engajaram na busca de formas de expressão nacionais. Como o senhor vê hoje os ideais daquela época?

As aspirações básicas podem ser resumidas em uma frase: garantir sua riqueza, seu poder, sua cultura, sua mente. Era basicamente libertar sua economia, sua política e sua cultura da dominação estrangeira. Esses ideais foram expressos em canções, poesia, dança e teatro. E também em movimentos políticos. Mas a independência política não necessariamente trouxe um empoderamento econômico e cultural dos quenianos comuns. O fosso de riqueza e poder entre a classe média e as massas está se aprofundando e se alargando. Portanto, a luta por essas aspirações continua.

A decisão de mudar seu nome de batismo e de escrever em gikuyu afetou a aceitação de seu trabalho no exterior ou no próprio Quênia?

Meus livros em gikuyu traduzidos para o inglês são bem recebidos. O problema maior são as versões originais em gikuyu. As políticas do governo em relação às línguas africanas não têm sido muito positivas. Pessoas que podem ler e escrever em gikuyu têm diminuído por causa dessas políticas negativas. Menos leitores quer dizer menos venda e implica menos editores querendo investir em línguas africanas. É um ciclo vicioso. Mas não posso desistir.

Como foi a sua experiência com o teatro?

O teatro foi muito importante na minha vida. Ele afetou minha vida mais profundamente do que minha ficção ou minha teoria. O teatro tem uma natureza coletiva. O fato de todos os papéis, grandes ou pequenos, terem a mesma importância é um dos aspectos mais impressionantes do trabalho no teatro. Mas a minha perspectiva sempre foi o teatro baseado na comunidade. Nesse sentido, compartilho muito as concepções do teatro e da pedagogia do oprimido de Augusto Boal e Paulo Freire.

Como a experiência na prisão afetou seu trabalho?

Foi meu trabalho com o teatro no Centro Comunitário de Educação e Cultura Kamiriithu que me levou ao encarceramento na maior prisão de segurança máxima do Quênia, em 1977 e 1978. Nunca desisti. Na prisão, escrevi meu romance ‘Devil on the cross’ (Diabo na cruz), em gikuyu, em papel higiênico. Desde então, escrevo todas as minhas obras em gikuyu. A maior delas é ‘Wizard of the crow’ (Mago do corvo), de 2006.

Como o sr. vê a evolução política do Quênia desde a independência?

A independência em 1963 foi um marco histórico importante. Na era pós-colonial, passamos por períodos ruins, particularmente a ditadura Moi, de 1978 a 2003. Mas agora o Quênia está se recuperando disso e os espaços democráticos estão se ampliando.

Um grão de trigo apresenta uma relação complexa entre os personagens e a forma literária. Como chegou a isso?

Um grão de trigo é meu terceiro romance depois de The river between (O rio entre) e Weep not child (Não chores, menino). Escrevi em inglês. Mas tem razão. A estrutura da trama nos meus primeiros dois romances era simples, linear. Mas, em Um grão de trigo a trama se desdobra por meio de diferentes perspectivas dos distintos personagens em diversos tempos e lugares.

Livro ‘Monções, de Sérgio Buarque de Holanda,’ é reeditado com textos inéditos

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A historiadora Laura de Mello e Souza e André Cerqueira que organizaram a reedição de um livro de Sergio Buarque de Holanda.   Lalo de Almeida/ Folhapress

A historiadora Laura de Mello e Souza e André Cerqueira que organizaram a reedição de um livro de Sergio Buarque de Holanda. Lalo de Almeida/ Folhapress

Sylvia Colombo, na Folha de S.Paulo

 

Quando era estudante de história na Universidade de São Paulo, nos anos 70, Laura de Mello e Souza intrigava-se com o fato de o já então renomado e veterano professor Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) andar com pequenos pedaços de papel rabiscados e amassados no bolso.

Quando lhe perguntava em que andava trabalhando, ele respondia: “Estou reescrevendo ‘Monções'”.

O texto, de 1945, conta a história da expansão paulista por meio de expedições fluviais, durante o período colonial.

“Me impressionava por um lado o fato de alguém de idade avançada ainda estar se dedicando a pesquisas de longo prazo. Por outro, que se preocupasse em reescrever um livro que já havia sido lançado havia 30 anos e era considerado canônico”, conta a historiadora em entrevista à Folha.

ATENÇÃO CONCENTRADA

Reeditado agora pela Companhia das Letras, “Monções” foi um dos trabalhos que mais concentraram a atenção do autor de “Raízes do Brasil” (1936) e “Visão do Paraíso” (1959).

Nas quatro décadas que viveu depois de seu primeiro lançamento, Holanda refez viagens, visitou novos arquivos e acumulou mais documentos sobre o tema. Tratamento que não deu a nenhum de seus outros livros.

“A partir de um certo momento, a documentação relativa a ‘Monções’ cresceu tanto que ele pensou em transformar tudo num novo e mais completo livro. Mas não deu tempo”, diz Mello e Souza.

O escritor Sérgio Buarque de Holanda durante entrevista

O escritor Sérgio Buarque de Holanda durante entrevista. Ivanaldo/Folhapress

Em 1976, quando realizou-se a segunda edição da obra, Holanda preferiu manter o texto original, porque ainda considerava necessárias mais investigações.

Já a terceira edição, de 1990, após sua morte, manteve o texto original, mas publicou também como anexo três capítulos que tinham sido reescritos.

Agora, em parceria com o orientando André Sekkel Cerqueira, Mello e Souza preferiu deixar “Monções” como em sua primeira versão, mas fazendo com que fosse acompanhado de outro volume.

PACOTE

O lançamento inclui o livro “Capítulos de Expansão Paulista”, no qual constam os trechos reescritos mais escritos inéditos encontrados no arquivo do autor.

Entre os novos documentos levantados pela dupla, está o pedido de auxílio que Holanda fez à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), em 1965, justificando por que precisava de subsídios para a reedição de “Monções”.

Ele dizia que seu estudo tentaria “esclarecer em alguns de seus aspectos mais significativos a formação da unidade nacional através da ligação das bacias do Prata e do Amazonas”.

“Monções” é hoje considerado um divisor de águas na obra de Holanda. Nele, o autor combina seu talento já conhecido para análises de grande escopo com uma pesquisa documental de primeira mão e muito minuciosa.

Se por um lado detém-se, por exemplo, em explicar o passo a passo da construção de balsas e jangadas usadas pelos primeiros desbravadores da região, também reconstrói com riqueza literária a solidão e a valentia dos sertanistas que venciam rios e cachoeiras “levando água pelo peito”.

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