Contando e Cantando (Volume 2)

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A faceta literária de Woody Allen

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Bem-sucedido diretor de cinema, Woody Allen usa a literatura para fazer experimentações narrativas.

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Sofia Alves, no Homo Literatus

Quando falamos em Woody Allen, pensamos imediatamente em obras de arte sequenciais. Seus filmes são verdadeiros clássicos do cinema mundial que enchem cinemas com um público bastante variado, de senhorinhas que avidamente o assistiam nos anos 70 aos jovens do século XXI que procuram um cinema onde bons roteiros e jazz predominem. Há, porém, um lado pouco conhecido do diretor que merece tanto destaque quanto sua filmografia: sua literatura.

Dono de filmes com diálogos ácidos, mas ao mesmo tempo delicados quanto aos sofrimentos da vida, o diretor possui uma grande capacidade de articulação de ideias com fina amarração, como podemos observar em seus roteiros. Tal talento extrapola o cinema e chega até a literatura. Sua escrita, como dita pelo próprio, é apenas um hobby. É algo para se fazer ao anoitecer, quando a exaustão de filmar seus longas bate e há a necessidade de um frescor que somente as palavras no papel podem trazer.

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A maioria dos livros publicados por Woody Allen é de contos. Nas breves histórias que o cineasta conta, podemos observar o seu famoso senso de humor vívido e ácido que também o notabilizou nas telas grandes – apenas como curiosidade, Allen declarou que Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, está entre seus cinco livros preferidos. O diretor manifestou em diversas entrevistas o seu gosto pela literatura, por lhe permitir experimentar antes de levar novas histórias para o cinema. Segundo o próprio, sua notabilidade como cineasta diminui a permissividade com qualquer inovação estética diretamente em seus enredos. Por isso, a literatura tornou-se grande aliada de suas experimentações.

Há, inclusive, alguns fãs do autor que leram seus livros e conseguiram perceber tais experimentações literárias em seu cinema. Em um de seus livros de contos, chamado Que loucura!, Allen escreveu uma história denominada O caso Kugelmass. A curiosidade encontra-se na similaridade entre a história e o enredo do filme Meia Noite em Paris, lançado muitos anos depois. As histórias contêm algumas diferenças pequenas, mas apresentam as mesmas ideias e conteúdo, evidenciando então o poder que Woody delega à literatura quando se trata de tentar algo novo.

Woody Allen (centro) no set de filmagem de Meia Noite em Paris

Woody Allen (centro) no set de filmagem de Meia Noite em Paris

A fugacidade do cinema de Woody Allen não passa despercebida em sua literatura. Seus livros são recheados de histórias gostosas que permitem que voltemos atrás algumas páginas para saborearmos novamente tal genialidade, coisa que o timing cinematográfico muitas vezes não permite. Seja nas telas, nas páginas ou nas trilhas sonoras, Woody Allen é um gênio das palavras ditas e implícitas.

Os cem autores indicados por José Mindlin

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Lista de 1993 tem prosa, poesia, clássicos, contemporâneos, História e crítica

Foto: IstoÉ

Foto: IstoÉ

Publicado em O Globo

José Mindlin achava muito difícil escolher só cem livros prediletos. Nesta lista, incluída no livro “A loucura mansa de José Mindlin”, que a Editora USP lança em novembro, ele adotou uma solução intermediária: em vez de cem títulos, escolheu cem autores; e indicou um livro de cada, mas ressaltando que outros livros também podem ser de interesse para o leitor. Feita em julho de 1993, a ideia da lista era é abrangente, incluindo prosa e poesia, clássico e contemporâneos, além de indicações no campo da História e da crítica literária.

Confira:

As Mil e Uma Noites

Adélia Prado – Bagagem

Alain-Fournier – Grande Meaulnes

Alexandre Dumas – Os Três Mosqueteiros

Anatole France – A Ilha dos Pinguins

Antonio Candido – Formação da Literatura Brasileira

Antônio Vieira – Sermões

Balzac – A Comédia Humana

Barbara Tuchman – A Torre do Orgulho

Baudelaire – As Flores do Mal

Beaumarchais – Teatro

Benjamin Constant – Adolfo

Bernard Shaw – Teatro (com prefácios)

Boccaccio – Decameron

Camões – Lírica e Os Lusíadas

Camus – A Peste

Carlos Drummond de Andrade – Poesia Completa

Casanova – Memórias

Castro Alves – Poesia Completa

Cecília Meirelles – Poesia Completa

Cervantes – Dom Quixote

Cyro dos Anjos – O Amanuense Belmiro

Defoë – Robinson Crusoé

Dickens – Grandes Esperanças

Diderot – Jacques, o Fatalista

Dostoiévski – Crime e Castigo

Eça de Queirós – Os Maias

Elisabeth Barrett Browning – Poemas

Emily Brontë – O Morro dos Ventos Uivantes

Emily Dickinson – Poemas

Érico Veríssimo – O Tempo e o Vento

Ésquilo – Teatro

Eurípides – Teatro

Fernando Pessoa – Poesia Completa

Fielding – Tom Jones

Flaubert – Educação Sentimental

García Márquez – Cem Anos de Solidão

Gilberto Freyre – Casa-Grande e Senzala

Gógol – Romances

Gonçalves Dias – Poesia Completa

Graciliano Ramos – Vidas Secas

Gregório de Mattos – Obra Poética

Guimarães Rosa – Grande Sertão: Veredas

Guy de Maupassant – Contos

Helena Morley – Minha Vida de Menina

Herman Hesse – O Lobo da Estepe

Homero – Odisseia e Ilíada

Jane Austen – Orgulho e Preconceito

João Cabral de Melo Neto – Poesia Completa

Jorge Amado – A Morte e a Morte de Quincas Berro d’Água

Jorge Luis Borges – Biblioteca de Babel

José de Alencar – O Guarani

José Lins do Rego – Menino de Engenho

José Saramago – Memorial do Convento

Joseph Conrad – Lord Jim

Julio Cortázar – O Jogo da Amarelinha

Kafka – O Processo

La Fontaine – Contos e Novelas

Lima Barreto – Triste Fim de Policarpo Quaresma

Machado de Assis – Memórias Póstumas de Brás Cubas

Manoel de Barros – Gramática Expositiva do Chão

Manuel Antônio de Almeida – Memórias de um Sargento de Milícias

Manuel Bandeira – Poesia Completa

Mário de Andrade – Macunaíma

Marivaux – Teatro

Molière – Teatro

Montaigne – Ensaios

Montesquieu – Cartas Persas

Nathaniel Hawthorne – A Letra Escarlate

Olavo Bilac – Poesias

Oscar Wilde – O Retrato de Dorian Gray

Oswald de Andrade – Serafim Ponte Grande

Paul Éluard – Poemas

Paulo Prado – Retrato do Brasil

Pedro Nava – Memórias

Platão – Diálogos

Proust – Em Busca do Tempo Perdido

Rachel de Queiroz – O Quinze

Raul Pompeia – O Ateneu

Rimbaud – Poesias

Rousseau – Confissões

Sérgio Buarque de Holanda – Raízes do Brasil

Shakespeare – Teatro

Sófocles – Teatro

Stendhal – O Vermelho e o Negro

Sterne – A Sentimental Journey

Suetônio – Vida dos Doze Césares

Swift – As Viagens de Gulliver

Tchékhov – Romances e Contos

Thomas Mann – A Montanha Mágica

Tolstói – Guerra e Paz

Turguêniev – Romances

Vargas Llosa – Conversa na Catedral

Verlaine – Poesias

Vicente de Carvalho – Poemas e Canções

Victor Hugo – Os Miseráveis

Vinícius de Moraes – Poesia Completa

Virginia Woolf – Orlando

Voltaire – Romances

Os 10 livros recomendados por Bill Gates

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CONHEÇA AS DICAS DE LITERATURA DE BILL GATES (FOTO: GETTY IMAGES)

CONHEÇA AS DICAS DE LITERATURA DE BILL GATES (FOTO: GETTY IMAGES)

Rennan A. Julio, na Revista Galileu

Conhecido pela sua carreira na Microsoft, Bill Gates é um fã de literatura. Mesclando o mundo dos negócios com grandes clássicos, ele acredita que todos deveriam ler estes dez livros:

Confira abaixo!

Meus Anos com a General Motors – Alfred Sloan

“Se você quer ler apenas um livro sobre negócios, esse é o livro a ser lido”.

O Apanhador no Campo de Centeio – J.D. Salinger

“Eu só fui ler aos 13 anos e desde então eu digo que é o meu livro favorito. É muito inteligente, pois mostra como jovens podem enxergar coisas que os adultos não entendem. E eu sempre amei isso”.

Uma Ilha de Paz – John Knowles

“Meu segundo livro favorito é esse. É fenomenal, estive lendo para o meu filho recentemente e é incrivelmente bom.”

O Grande Gatsby – F. Scott Fitzgerald

Bill Gates já se fantasiou como Gatsby e possui uma citação do livro na porta de sua biblioteca pessoal.

Leia aqui (em português)

A Vida é o que Você Faz Dela – Peter Buffet

“Melinda [sua esposa] e eu lemos e gostamos muito. É um livro tocante que planejamos passar para nossas crianças”.

SuperFreakonomics: O Lado Oculto do Dia a Dia – Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner

“Eu recomendo esse livro a todos que gostam de não-ficção. Foi muito bem escrito e está cheio de grandes ideias”.

That Used to be Us [sem tradução] – Thomas Friedman

“Esse é um livro fantástico e eu realmente encorajo as pessoas a lerem. Ele fala sobre como o mundo está mudando, focando principalmente nos desafios dos Estados Unidos”.

For the Love of Physics [sem tradução] – Walter Lewin

“Esse livro mostra o intelecto extraordinário, a paixão pela física e como Lewin é um professor brilhante. Espero que traga ainda mais pessoas para a ciência”.

O Instinto da Linguagem – Steven Pinker

10 Mandamentos para Fracassar nos Negócios – Donald R. Keough

“Don possui uma combinação especial de experiência, sabedoria, confiança e consciência. Seus mandamentos poderão ajudá-lo nos negócios muito mais do que uma estante cheia de livros”.

A odisseia literária de Claudia Costin

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A secretária de educação do Rio de Janeiro criou para si mesma um desafio, em contraponto à sua rotina de urgências: ler 138 clássicos da literatura. Sem pressa

Ariane Abdallah, na Época Negócios

bv-01Quando Claudia Costin completou 50 anos, definiu duas metas para os anos seguintes. A primeira foi começar a praticar atividade física. Sua motivação surgiu de um jeito nada agradável – ela acompanhava a mãe, portadora de Alzheimer, e soube, por um médico, que movimentar o corpo regularmente diminuiria as chances de herdar a doença. Resolveu fazer sua parte. Hoje, aos 58 anos, a corrida é uma prática diária. “Sempre achei lindo ver as pessoas correndo”, diz. “Mas não treino a ponto de participar de maratonas.”

A segunda decisão está alinhada a um universo com o qual ela tem bem mais intimidade, o das letras. À frente da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro, Claudia listou mais de uma centena de clássicos da literatura mundial e passou a dedicar suas noites e fins de semanas a eles (veja alguns na pág. 107). “São livros de que todos ouviram falar, mas poucos leram”, afirma.

Atualmente, a secretária não sabe o quanto já cumpriu da lista. “Quando gosto de um livro, leio na sequência todos os outros escritos naquele século.” Embora seu método não seja linear – ela, inclusive, lê cinco obras ao mesmo tempo –, tem uma regra inegociável: ir até o fim. “Já acabei livros ruins, mas também descobri alguns desafiadores no começo, que depois se tornam incríveis.”

O mesmo entusiasmo que Claudia expressa ao falar sobre os textos densos que atravessaram os séculos, demonstra ao contar que o dinâmico Twitter é sua principal ferramenta de trabalho. É pela rede social que se comunica diariamente com os professores de sua rede. “É como encontrar as pessoas na rua e ouvir o que elas dizem por aí”, diz. “Não é confortável, mas prefiro saber o que está acontecendo.” Ciente dos fatos, ela pode deixar a imaginação para os momentos de leitura.

A seguir, o universo literário de Claudia Costin


literatura
Obras sem tempo

Uma seleção de mais de uma centena de livros estrangeiros clássicos e dois contemporâneos

Para fazer minha lista de leitura, parti de uma já existente, a The New Lifetime Reading Plan, de Clifton Fadiman. Agreguei sugestões da livraria Cultura e de outras fontes. Além dos 138 clássicos compilados, sempre dou um jeito de incluir, em minha rotina, autores apresentados na Feira Literária de Paraty (RJ). Este ano, a 12ª edição da Flip acontece entre 30 de julho e 3 de agosto.

Paraty: a feira literária da cidade é uma das fontes de Claudia para montar o seu acervo (Foto: Agência O Globo)

Livros eternos
Alguns dos títulos que estão na cabeceira de Claudia

• The Histories, Herodotus
(Ed. WW Norton)
• Meditações de Marco Aurélio
(Ed. Kiron)
• A Divina Comédia, Dante Alighieri
(Ed. 34)
• Almas Mortas, Nikolai Gógol
(Ed. Perspectiva)
• Grandes Esperanças, Charles Dickens
(Ed. Penguin-Companhia)
• Pais e Filhos, Ivan Turguêniev
(Ed. Cosac Naify)
• Em Busca do Tempo Perdido, Marcel Proust
(Ed. Zahar)
• Ulysses, James Joyce
(Ed. penguin-companhia)
• O Som e a Fúria, William Faulkner
(Ed. Cosac Naify)
• O Africano, Le Clézio
(Ed. Cosac Naify)


 

Bem Viver (Foto: Divulgação)

Ficção ao pé do ouvido

Todo dia, Claudia passa mais de uma hora no carro para chegar ao trabalho. No caminho, ouve a narração de livros pelo iPad, com o aplicativo Audible


a lista
Amostra grátis

Os comentários da assídua leitora sobre oito títulos indispensáveis. “Os clássicos não são clássicos à toa”, diz

Bem Viver (Foto: Divulgação)

obras de arte
Ponte aérea

As melhores livrarias e centros culturais, no Rio e em São Paulo

Gosto de cultura, em geral. Faço parte do conselho da Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro e tenho meus museus preferidos, onde sempre vou. Também gosto muito de frequentar livrarias. Não só para comprar e folhear as obras, mas para encontrar pessoas que, assim como eu, têm o prazer da leitura.

Bem Viver (Foto: Agência O Globo)

Cultura nacional
Esses livros eu li bem antes de fazer a lista – E recomendo

• Vidas Secas, Graciliano Ramos
(Ed. Record)
• Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis
(Ed. M. Claret)
• Memórias do Cárcere, Graciliano Ramos
(Ed. Record)
• Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa
(N. Fronteira)

10 clássicos da literatura russa além de Tolstói, Dostoiévski e Nabokov

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Luiz Guilherme, no Literatortura

Não descartando os papeis de escritores fabulosos que contribuíram para a divulgação da literatura russa, como Fiódor Dostoiévski, Liev Tolstói e Vladimir Nabokov, o leste europeu pode ficar lisonjeado pelas obras que possuem em seu acervo, haja vista que ela apresenta uma riqueza de livros extremamente importantes para a compreensão da sociedade russa, seja nos tempos do império ou da União Soviética.

Infelizmente muitas destas obras não possuem tradução em português, o que dificulta o seu acesso somado com o fato de que a antiga União Soviética censurou e até puniu alguns escritores que ousassem retratar, criticar ou satirizar o país. Com o fim da Guerra Fria, tais livros paulatinamente foram recebendo a atenção de pessoas de diversas partes do mundo. Hoje a literatura russa não se resume apenas em “Crime e Castigo” ou “Guerra e Paz”, sendo muito mais peculiar, ampla e rica do que isto. Acompanhe alguns livros:

Um Dia na Vida de Ivan Denisovich – Alexander Soljenítsin

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O escritor russo e ganhador do Prêmio Nobel de 1970, Alexander Soljenítsin, foi sem dúvida um dos grandes escritores da literatura russa do século XX. Alexander foi um dos primeiros escritores a denunciar veemente a situação das “gulag” (campos de trabalhos forçados) da União Soviética. Um Dia na Vida de Ivan Denisovich foi uma destas brilhantes manifestações contra a política das “gulag”, haja vista que o livro descreve com detalhes a situação destas prisões. Na obra, Ivan Denisovich é acusado de apoiar os alemães através de táticas de espionagem, levando-o a um campo de trabalhos forçados da URSS. Apesar da vasta crítica dirigida ao regime soviético, Nikita Kruschev apoiou a divulgação do livro para impulsionar o processo de desestalinização que ocorria no país.

Timur and His Squad/ Timur and His Team– Arkady Gaidar

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Haveria sentido afirmar a congruência e harmonia de estilos de Arkady Gaidar em vista de outros escritores infantis oriundos da América ou Europa Central. Todos eles enaltecem a vida infantil com suas particularidades e desafios, deixando transparecer assuntos mais sérios como o patriotismo. A obra centraliza a história de um garoto e de sua turma que se dedicavam a ajudar mulheres e crianças cujos maridos e pais estavam na guerra. Além de ter sido um memorável livro da literatura infantil soviética, Gaidar contribuiu para o início o Movimento Timurite na ex-URSS, que consistia em levar o orgulho à pátria aos jovens soviéticos.

O Exército de Cavalaria/Cavalaria Vermelha – Isaac Babel

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Assim como Alexander Soljenítsin, o judeu de origem soviética, Isaac Babel dirigiu grandes críticas ao regime da URSS. Os seus livros formavam a sua crítica, visto que observava a política do Leste Europeu com grande ceticismo, o que culminou na sua pena de morte por fuzilamento. Em o Exército de Cavalaria, também conhecido sob o título de Cavalaria Vermelha, Isaac babel relata a brutalidade do exército vermelho durante a guerra russo-polonesa que ocorreu em um período em que a Europa ainda estava fragmentada pela Primeira Guerra Mundial.

Coração de um Cão e Outras Novelas – Mikhail Bulgakov

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Após ser recolhido pelo cirurgião, o senhor Preobrazhenski, Sharik, um antigo cão de rua recebe os órgãos de um homem falecido. Sharik torna-se um cão-homem, recusando-se a aprender os hábitos da Russa imperial, ilustrando o czarismo em detrimento do bolchevismo. Bormental se preocupa com os resultados do experimento. A sátira de Stálin se inicia quando Sharik ingressa na política soviética e passa a exercer práticas dignas de um ditador. Coração de um Cão e Outras Novelas foi proibido na URSS, pelo fato de que as denúncias da política soviética no livro de Mikhail Bulgakov eram realizadas por meio de sátiras.

12 cadeiras – Iliá Ilf e Evguêni Petroff

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Outro retrato satírico da sociedade soviética posterior a Revolução Russa. Ipolit Matveyevich Vorobyaninov está à procura de um tesouro escondido em uma cadeira, o qual foi recolhido pelo governo da URSS. O vigarista Ostap Bender se junta na caça às jóias, no entanto, para alcançá-las terão de primeiro passar por inúmeros obstáculos. Uma excelente recomendação para quem gosta de aventuras e deseja conhecer melhor o leste europeu e os soviéticos em si.

Propaganda Monumental – Vladimir Voinovich

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O título do livro é oriundo de uma estratégia elaborada nos primeiros anos da União Soviética, que tinha como finalidade a divulgação do pensamento revolucionário por meio de monumentos, panfletos e slogans ligados ao comunismo e à Revolução Russa para buscar o apoio de todo o restante da população que estivesse afastada dos ideais do movimento. O livro mostra Aglaia Riévkina, que para exteriorizar o seu fanatismo por Stálin, constrói uma estátua representando o ditador para ser colocada em uma praça. Com a desestalinização motivada por Nikita Krushchev, não existem mais motivos para a colocação da peça monumental na praça. Logo, ela resolve colocar a estátua dentro de seu apartamento.

Doutor Jivago – Boris Pasternak

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Boris recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1958 após ser acusado pelo governo soviético e quase ser enviado para um campo de trabalhos forçados. O romance Dr. Jivago, que posteriormente tornou-se um filme, é um grande clássico não só da literatura russa como também compõe o catálogo de livros que contribuíram para a história da literatura mundial. Infelizmente acabou sendo censurado pela URSS por apresentar ideais contra o socialismo. Nele o médico e poeta, Yuri Jivago, descreve suas aventuras profissionais e amorosas durante o período da Revolução Russa.

Uma Noite Antes do Natal (Christmas Eve) – Nikolai Gogol

Em Uma Noite antes do Natal, um diabo rouba a lua e esconde no bolso, passando a cometer atos de maldade em uma aldeia no leste europeu. Vakula, pintor de retratos, é um morador desta comunidade e apaixonado por Oksana que, entretanto, não o ama. Vakula percebe que a única forma de conquistar Oksana será derrotar o vilão.

Nikolai Gogo é bastante comparado com o escritor dos Estados Unidos, Edgar Allan Poe, ora pela mesma época em que viveram, ora pelos assuntos que tratavam em suas histórias, os quais envolvem eventos e personagens macabros. Até a maneira de escrever em forma de contos tinham como similaridade.

Contos – Mikhail Saltykov Shchedrin

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Uma coletânea de histórias retratando a decadência da sociedade russa antes da revolução. A premissa do livro é oriunda da experiência que Mikhail Saltykov Shchedrin teve quando era funcionário público e se deparava com vários casos envolvendo corrupção e um excesso de burocracia para casos simples de serem resolvidos.

Contos de Odessa – Isaac Babel

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Em Contos de Odessa, Isaac Babel registra o dia a dia das classes sociais mais baixas, bem como de judeus que eram perseguidos em meio aos tempos de intensas modificações promovidas pela Revolução Russa, mostrando vários personagens tentando sobreviver em uma cidade com crises. O realismo com que os seus contos focam o cotidiano dos mais pobres e perseguidos da sociedade russa valeram-no a fama de contista, contudo, rendeu-lhe também a pena de morte.

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