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Autores completam romance inacabado de Nelson Rodrigues

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Nelson de Sá, na Folha de S.Paulo

Então com 25 anos, Nelson Rodrigues publicou em abril de 1937 uma crônica no jornal “O Globo”, “O irmão…”, destacando ser “um capítulo do romance ‘Cidade’, no prelo”.

Narra uma visita de Claudio à irmã Branca, num prostíbulo, entre os bairros da Lapa e da Glória, no Rio de Janeiro dos anos 1930. O texto insinua uma atração incestuosa.

Se estava ou não “no prelo”, sendo impresso, o romance nunca chegou às livrarias. E há quase dois anos a Nova Fronteira, que edita a obra de Rodrigues, retomou o projeto.

Convidou André Sant’Anna, autor de “O Paraíso É Bem Bacana” (Companhia das Letras, 2006), para escrever um segundo capítulo, a partir dessa visita do irmão.

Página de "O Globo", de 1937, com o 1º capítulo de 'Cidade' - Reprodução

Página de “O Globo”, de 1937, com o 1º capítulo de ‘Cidade’ – Reprodução

“Eu segui os personagens que ele indicou”, diz Sant’Anna. “Sou muito fã, tive até que tomar cuidado. É uma coisa que li muito e fazer a escrita seria até meio fácil. A tentação é essa: você começa a usar aquele linguajar do Nelson e tal. Aí eu segurei um pouco.”

Procurou algo intermediário, “entre a minha linguagem e a do Nelson”. Escreveu “O Marido da Cunhada do Irmão” e passou o bastão adiante, sem ler mais nada do livro.

“Não sei o que acontece, estou muito curioso, vou ler pela primeira vez no lançamento”, diz. “Cidades”, que resultou numa novela de 128 páginas, será lançada hoje, no Rio.

São seis capítulos. Depois de Sant’Anna escrevem Carlito Azevedo (“O Homem por Detrás do Bigode”), Aldir Blanc (“Da Lapa ao Gólgota”) e Veronica Stigger (“O Concunhado”).

Também Stigger, autora de “Opisanie Swiata” (Cosac Naify, 2013), não leu até o fim e está “curiosíssima para ver”, hoje. “Eu não sei como a história se resolve depois.”

Ela evitou emular Rodrigues, embora use frases. “É coisa que costumo fazer em muitos livros meus, me apropriar de frases alheias, então imagina se não iria nesse, do Nelson.”

Seu capítulo dá “sequência à deixa do Aldir Blanc” e acaba com “a bola picando” para Suzana Flag, pseudônimo usado por Rodrigues e retomado em “exercício editorial coletivo” da própria Nova Fronteira, no capítulo final, “A Verdadeira História de uma Cidade”.

Leila Name, diretora da unidade de literatura clássica do Grupo Ediouro, e as editoras Maria Cristina Jerônimo e Izabel Aleixo fizeram “esse trabalho de costura do texto da Suzana Flag”.

As três vêm se dedicando há mais de três anos, relata Name, à “recuperação do acervo ainda inédito e disperso” do escritor e ao “estudo de suas muitas ‘vozes’ e ofícios”.

Além da homenagem feita agora pelos coautores de “Cidade”, estão previstas mais obras inéditas em livro, da produção de Nelson Rodrigues no jornalismo para crianças às suas lendárias telenovelas.

TRECHO

Claudio ficou, por momentos, em silêncio -olhou a irmã e pensou se ela não seria uma alma para sempre afetada…
-Sim, tens razão; é preciso que fiques aqui -falava com tristeza, mas sem desespero. -Mas eu queria uma coisa, ouviu?… -hesitou e foi com súbita veemência que pediu: -Eu queria te beijar, deixa que te beije na testa, deixa!…
Tinha nos olhos uma súplica infinita. Ela recuou, como ante uma proposta de louco:
-Mas, por quê? Por quê?…
Ficou sem compreender, torcendo e destorcendo as mãos, num desespero indizível.
-Mas que importa? -disse ele com uma exasperação sombria; e ajuntou, incoerentemente: -É melhor que eu vá-me embora…

Extraído de “O Irmão…”, capítulo de Nelson Rodrigues que abre o romance “Cidade”

Ana Maria Machado diz que prêmio é ‘reparação de injustiça’

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Escritora venceu o Passo Fundo Zaffari & Bourbon com ‘Infâmia’

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

Ana Maria Machado já ganhou muitos prêmios, como o Hans Christian Andersen, o mais importante do mundo para a literatura infantil, e o Machado de Assis, pelo conjunto da obra. Mas nada repercutiu tanto quanto a derrota que sofreu no Jabuti, no ano passado. Ela era a favorita de dois dos três jurados, mas sua obra perdeu por causa desse terceiro, o famoso jurado C, que deu zero para seu livro.

Claudio Tavares/Divulgação A escritora Ana Maria Machado

Claudio Tavares/Divulgação
A escritora Ana Maria Machado

O título em questão era Infâmia (Alfaguara), e a hora dele finalmente chegou. Terça, na abertura da 15.ª Jornada de Literatura de Passo Fundo (RS), ele foi anunciado como o romance vencedor do 8.º Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura, no valor de R$ 150 mil – um dos mais altos do País. Concorreram obras escritas em português e publicadas no Brasil nos últimos anos. Ao lado dela, na lista de finalistas, nomes como João Gilberto Noll e Luiz Ruffato.

“Quando soube do prêmio, a sensação de reparação de uma injustiça entrou forte na alegria”, comentou ontem, em Passo Fundo. “Na vida, as coisas tendem a seguir um equilíbrio. Talvez a linguagem popular dissesse ‘O que é do homem o bicho não come’. Talvez o Zagalo dissesse ‘Tiveram que me engolir’”, brincou a imortal e presidente da Academia Brasileira de Letras.

Baseado em fatos reais, Infâmia fala do limite entre o verdadeiro e o falso. São dois os personagens principais: um embaixador que recebe um envelope com documentos sobre sua filha morta e um funcionário público falsamente acusado de corrupto.

Ana Maria terminou há pouco um infantil, que está descansando “na nuvem”. Entre outubro e novembro lança, pela Objetiva, a novela juvenil Enquanto o Dia Não Chega – uma história que se passa no século 17 e se alterna entre uma aldeia africana e outra portuguesa e um colégio de jesuítas.

Seus leitores adultos, porém, devem esperar um pouco mais por outro romance. “Estava com uma história na cabeça, mas aí alguém publicou um livro sobre o assunto. Desisti do projeto. Mas, com o prêmio, vou poder parar um tempo e financiar um silêncio para mim e ver como dar rumo, ou não, a esse tema que me assombra”, conta.

Ela não revela o assunto por medo de perdê-lo. “O momento de escrever é muito próximo do inconsciente. Pôr em palavras, é dar uma forma verbal a certas sensações que são ainda muito difusas e a certas percepções inconscientes. Na hora de botar no papel, ela perde a espontaneidade”, conclui.

17 livros picantes para adolescentes

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Temática amorosa e pitadas de erotismo podem aproximar adolescente da boa literatura

Aproveite os hormônios fervilhantes dos adolescentes para incentivar a leitura (Foto: Nana Sieviers)

Aproveite os hormônios fervilhantes dos adolescentes para incentivar a leitura (Foto: Nana Sieviers)

Ava Freitas, no Educar para Crescer

Fomentar o gosto pela leitura tem de começar na infância, mas como lidar com o adolescente que não adquiriu esse hábito quando criança? Um bom recurso pode ser apresentá-lo a bons títulos da literatura brasileira e mundial com pitadas de erotismo.

1“Relações amorosas e sexo são temas que fervilham na cabeça do adolescente. Toda vez que usei, em sala de aula, livros que tocam de alguma forma na questão do amor, foi sucesso total. Com passagens mais picantes, então, gerava muita discussão boa”, afirma Claudio Bazzoni, professor de literatura do Colégio Santa Cruz, em São Paulo, e assessor de língua portuguesa da Prefeitura de São Paulo.

João Luís Ceccantini, professor de literatura da Unesp (Universidade Estadual Paulista), no campus da cidade de Assis (SP), também endossa essa tese. “Só que é importante a atuação dos pais, de um professor ou bibliotecário para apresentar o título para o jovem.”

A sugestão de leitura do mediador é, claro, tem de passar pela avaliação da maturidade do adolescente, pontua João Luís Ceccantini.

A convite do EDUCAR PARA CRESCER, o professor Bazzoni elaborou uma lista em que mesclou sugestões mais “light” com outras com sexualidade mais explícita. Confira!

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1. Dom Casmurro

Autor: Machado de Assis

Clássico da literatura brasileira, a obra gira em torno do romance de Bentinho – narrador da história – e Capitu e o ciúme doentio que decorre desse amor. O professor Claudio Bazzoni destaca o capítulo A Mão de Sancha, em que Bentinho se pega desejando loucamente a mulher do melhor amigo, Escobar. O sentimento o faz a começar a duvidar da sua fidelidade e a dos outros.

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2. Missa do Galo

Autor: Machado de Assis

No conto, o sr. Nogueira, já adulto, relata um acontecimento de quando tinha 17 anos. Morando na casa do senhor Meneses para estudar, o jovem se vê seduzido pela mulher de seu protetor, dona Conceição. Sabidamente traída pelo marido, ela premedita um encontro com o adolescente na noite da Missa do Galo. “É um texto carregado de sensualidade”, comenta Bazzoni.

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3. Uns Braços

Autor: Machado de Assis

Com o mesmo tom de Missa do Galo, nesse conto, Inácio, um garoto de 15 anos, fica fascinado pelos braços de dona Severina, mulher de seu padrinho. Em conflito com o desejo proibido, um dia na rede, o adolescente sente a aproximação de sua amada e deixa os leitores na dúvida se a beijou ou não.

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4. As Ligações Perigosas

Autor: Choderlos de Laclos

Na sociedade aristocrática de antes da Revolução Francesa, a marquesa de Merteuil e o visconde de Valmont, ex-amantes, mostram por meio de uma intensa troca de cartas que seus passatempos favoritos são manipular pessoas e colecionar aventuras sexuais.

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5. Na Alcova – Três Histórias Licenciosas

Autores: Denon e Guilleragues e Crébillon

O livro reúne três novelas de ficção escritas – todas com um tom sensual – por três autores franceses diferentes. O professor Bazzoni destaca Por uma Noite, na qual uma mulher adúltera leva seu amante para a “câmara secreta de prazeres” na propriedade rural de seu marido.

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6. Vestida de Preto

Autor: Mário de Andrade

O conto está no livro Contos Novos. Nele, Juca relembra o clima de descoberta das primeiras experiências amorosas com a prima Maria e a frustração de ter sido interrompido por Tia Velha. Os personagens voltam a se encontrar na maturidade.

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7. Vestido de Noiva

Autor: Nelson Rodrigues

Peça de teatro que se desenrola em três planos: realidade, alucinação e memória. Alaíde é atropelada e está entre a vida e a morte. Enquanto os médicos tentam salvá-la, ela entabula uma conversa com Madame Clessi, sua heroína, que foi assassinada vestida de noiva. Alaíde rememora uma discussão que teve com a irmã, Lúcia, no dia em que se casou com Pedro. Lúcia a acusa de roubar seu amor. Apesar da concretização do casamento, Alaíde descobre que é vítima de uma conspiração de Pedro e Lúcia, que querem matá-la para ficarem juntos. “Ao explicitar desejos reprimidos dos personagens, o texto provoca no leitor afetos intensos”, diz Bazzoni.

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8. Livro das Mil e Uma Noites

A tradução feita a partir dos originais pelo arabista brasileiro Mamede Mustafa Jarouche, para a Editora Globo, sepulta a ideia comum de que este é um livro para criança. A obra – que tem quatro volumes – começa contando a história de dois príncipes irmãos. Depois de um tempo separados, um deles resolve deixar seu reino e viajar para visitar o outro. No meio do caminho, o príncipe que viajou sente muita saudade da mulher e volta para casa. Ao retornar, encontra-a com o amante e a mata. O jovem, então, retoma a viagem para o reino do irmão. Este, por sua vez, para alegrá-lo, organiza uma caçada. O visitante decide não ir e presencia uma orgia da cunhada com os empregados do castelo. Tudo isso antes de chegar na história de Sheherazade que para evitar ser morta emenda uma história na outra, o que justifica as mil e uma noites do título.

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9. Laila & Majnum

Autor: Nizami

A história do amor proibido dos jovens Laila e Majnun é considerada o Romeu e Julieta do mundo Persa. O livro trata do sentimento avassalador entre os dois personagens e tudo o que conspira para que ele não se realize.

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10. O Banquete

Autor: Platão

Antes de torcer o nariz para esse título, é preciso contextualizar para o jovem que leitor que a obra nada mais é do que a discussão sobre como o amor é gerado, na qual cada convidado do encontro coloca a sua visão do sentimento. Aristófanes, por exemplo, fala do amor heterossexual e homossexual.

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11. Cem Anos de Solidão

Autor: Gabriel Garcia Marquez

Considerada uma das obras-primas da literatura latino-americana moderna, o livro narra a história de Macondo, uma cidade mítica, e a dos descendentes de seu fundador, José Arcadio Buendía, durante cem anos. “O livro tem passagens muito sensuais e eróticas”, comenta o professor Claudio Bazzoni.

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12. Máscaras

Autor: Menotti del’Picchia

No poema lírico escrito em forma de peça, a Colombina está apaixonada pelo Arlequim, enquanto este, na verdade, está obcecado por roubar dela um beijo. Para completar o triângulo amoroso, o Pierrot sofre por não ser correspondido pela Colombina.

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13. Amor Natural

Autor: Carlos Drummond de Andrade

“É um conjunto de poemas de tirar o fôlego”, diz o professor Claudio Bazzoni. Entre as poesias, títulos como “A Língua Lambe”, “O Chão é Cama” e “A Bunda, que Engraçada”, carregados de descrições minuciosas de partes do corpo e do ato sexual.

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14. A Casa dos Budas Ditosos

Autor: João Ubaldo Ribeiro

CLB, uma mulher de 68 anos, conta com detalhes sua intensa e longa vida sexual. A história foi transformada em peça de teatro de sucesso tendo Fernanda Torres como protagonista.

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15. Porcos com Asas

Autores: Marco L. Radice e Lidia Ravera

O professor Claudio Bazzoni classifica como “explosivo” o começo desse livro em que são citados um sem número de nomes para os órgãos reprodutores masculino e feminino. O fio condutor é a história de amor de dois adolescentes e a descoberta da sexualidade.

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16. Noite na Taverna

Autor: Álvares de Azevedo

Reunidos em uma taverna, um grupo de amigos conversa sobre noites passadas em estado de embriagues e no meio de orgias, com histórias surreais como atos sexuais com cadáveres. Publicada após a morte de seu autor, em 1855, em dois volumes, a obra é representante da escola byroniana do Romantismo no Brasil.

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17. Decamerão

Autor: Giovanni Boccaccio

Para fugir da peste negra, no ano de 1348, sete moças e três rapazes resolvem fugir de Florença, na Itália, em direção de um castelo. Para passar o tempo, eles inventaram uma brincadeira que, a cada dia, um deles seria rei ou rainha e teria de contar dez contos. Nas histórias, com um tom de comédia, temas como violência e sexo.

Com doença degenerativa, aluno cria teclado virtual e conclui mestrado

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Claudio Luciano Dusik apresentou dissertação na terça (26) na UFRGS.
No trabalho, apresentou o Mousekey, programa que o auxilia a escrever.

Orgulhosa, a mãe de Claudio sempre garantiu educação e saúde ao filho (Foto: Luiza Carneiro/ G1)

Orgulhosa, a mãe de Claudio sempre garantiu educação e saúde ao filho (Foto: Luiza Carneiro/ G1)

Luiza Carneiro, no G1

Superação é rotina na vida de Claudio Luciano Dusik, 36 anos. Nascido em Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre, foi diagnosticado ainda quando criança com uma doença degenerativa. Passo a passo, venceu obstáculos até concluir com nota máxima, nesta terça-feira (26), o mestrado em educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em sua dissertação, mostrou como estudou e desenvolveu ao longo da graduação um teclado virtual, o Mousekey, que auxilia pessoas com limitação a escrever e se comunicar.

Claudio tem atrofia muscular espinhal (AME), doença que deforma o corpo e limita os movimentos. As impossibilidades causadas pelo transtorno, no entanto, nunca foram barreira para ele desistir. Desde cedo, a mãe Elisa Arnoldo acreditou na capacidade do filho de vencer os obstáculos e, praticamente, implorou para que escolas o aceitassem. “Com apenas cinco anos entrei em uma classe de primeira série e consegui me alfabetizar”, contou Claudio durante a banca, sentado em uma cadeira de rodas adaptada.

Teclado usa movimentos do mouse para formar sílabas e palavras (Foto: Thiago Cruz/UFRGS)

Teclado usa movimentos do mouse para formar
sílabas e palavras (Foto: Thiago Cruz/UFRGS)

Sem acessibilidade, ele passava os intervalos sozinho na sala de aula, pois estudava no primeiro andar e não conseguia descer as escadas para se juntar aos colegas. Ele lembra que só começou a ser aceito e a socializar com os estudantes na 3ª série. “Um professor criou um projeto chamado ‘ajudante do dia’. Foi ali que comecei a ter contato com as outras crianças. Eles me levavam para o pátio e adaptavam as brincadeiras para mim”, lembra, com naturalidade. Na amarelinha, Claudio ajudava a atirar as pedras. Já na corda, os amigos empurravam a cadeira de rodas, assim como no pega-pega. “O pega-pega era a minha brincadeira preferida. Eles me empurravam e muitas vezes caía. Não sabia se chorava pelos machucados ou de felicidade”, disse, arrancando risos de mais de 50 pessoas, entre conhecidos e desconhecidos, que assistiam a sua defesa.

Desenganado desde bebê, a previsão era de 14 anos de vida. As impossibilidades aos poucos foram se transformando em possibilidades para Claudio. Com o avanço da doença durante a graduação de psicologia e a perda do movimento das mãos, sentiu a necessidade de desenvolver algo onde pudesse continuar a escrever textos. Foi dali que surgiu a ideia do Mousekey. “Nos intervalos das aulas, ia para a biblioteca estudar informática”, relembrou. Com apoio da família, desenvolveu o teclado, que funciona principalmente pelo movimento do mouse e cliques, detalha o alfabeto, sílabas, pronomes e sílabas acentuadas.

Após defender dissertação, Claudio é aplaudido de pé (Foto: Luiza Carneiro/G1)

Após defender dissertação, Claudio é aplaudido de pé (Foto: Luiza Carneiro/G1)

Já no mestrado de educação, teve a oportunidade de estudar outros recursos e conhecer pessoas que, assim como ele, também enfrentavam dificuldades no aprendizado. Em um grupo de pesquisa com cinco deficientes físicos garantiu o entendimento dos recursos necessários para a melhoria do aplicativo. “A escrita vai além do contexto escolar. Ela entra no contexto social da pessoa. Estes sujeitos querem também participar da vida em comunidade e terem produtividade”, explicou. “Foi emocionante conhecer estas pessoas. E não somente vi que estava ajudando, mas também percebi que, por muito pouco, não estava ali trancado também. Tenho um orgulho enorme”, emocionou-se.

Dusik tem doença generativa (Foto: Thiago Cruz/UFRGS)

Dusik tem doença generativa
(Foto: Thiago Cruz/UFRGS)

Atualmente, atua como funcionário da Secretaria de Educação e, agora mestre da área, quer continuar na carreira de professor. Na UFRGS, auxilia alunos no curso de Educação à Distância e divide a rotina entre o trabalho e os estudos. Nos próximos meses irá apresentar a dissertação em um congresso de acessibilidade no México, ao lado da orientadora, a doutora em educação Lucila Maria Costi.
A mãe Elisa é só elogios. “Tenho seis filhos. Uma delas morreu no ano passado e a outra tem a mesma doença que o Claudio. Estou muito orgulhosa e sempre busquei todos os recursos para eles, seja na saúde ou na educação”, disse ao G1.

Em Esteio, um grupo de amigos se reuniu para assistir ao vivo, em um telão, a banca de Claudio. Para o futuro, planeja patentear o produto e especializar-se ainda mais em um doutorado. “Quero escrever p-o-s-s-í-v-e-l nas histórias de prováveis impossíveis”, finalizou a apresentação garantindo aplausos, em pé, dos admiradores.

Livros de autoajuda podem aumentar a motivação; confira dez indicações

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Divulgação/Montagem/UOL

Divulgação/Montagem/UOL

Marina Oliveira e Thaís Macena, no UOL

Títulos que compartilham experiências pessoais são úteis para quem se identifica com o problema, pois além de fornecer conselhos, servem de impulso para o leitor buscar o aprimoramento pessoal

Fenômenos editoriais há alguns anos, os livros de autoajuda continuam conquistando fãs, apesar de também enfrentarem muita desconfiança e nariz torcido por parte do público. A variedade de temas é imensa: há obras para quem precisa vencer a depressão, para quem quer buscar a fé, aprender a lidar com pessoas difíceis, alcançar a tão sonhada prosperidade, salvar uma relação e até educar os filhos. Mas todos têm algo em comum: o propósito de fazer do leitor uma pessoa mais feliz.

“Os livros de autoajuda muitas vezes conseguem colocar em palavras o que o leitor sente, mas não sabe definir. Eles ajudam a nomear o que a pessoa percebe apenas como um incômodo. E isso já é meio caminho andado para a resolução do problema”, afirma o filósofo Jorge Claudio Ribeiro, professor da PUC de São Paulo. No entanto, o conteúdo só será realmente eficiente se estiver alinhado à busca pessoal e ao momento de vida de quem lê. Assim como os remédios receitados pelo médico, um título recomendado por um amigo pode não servir a você.

Veja o álbum dos 10 livros consagrados de autoajuda

Além disso, como em todo gênero literário, existem obras de qualidade superior e outras nem tanto. Para avaliar se a publicação vale o seu tempo, o primeiro passo é analisar a experiência do autor. “Deve-se checar a formação profissional de quem escreve e sua vivência no assunto. O ideal é buscar informações em outras fontes e não tirar conclusões só a partir da descrição que o próprio livro traz”, recomenda o psicólogo Armando Ribeiro, especialista em neuropsicologia pela Universidade Federal de São Paulo.

Doutor em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, o psicólogo Marlos Bezerra concorda que, além da qualificação acadêmica de quem assina o livro, é importante verificar sua experiência na área sobre a qual se propôs a escrever. “O autor pode não ter um título de doutorado, mas falar com autoridade sobre temas específicos, baseando-se na sua experiência prática dele”, pondera.

Títulos que compartilham experiências pessoais são úteis para quem se identifica com o problema, pois além de fornecer conselhos, servem de impulso para o leitor buscar o aprimoramento pessoal. Já as publicações que propõem fórmulas e receitas de sucesso instantâneo devem ser vistas com cautela, de acordo com os especialistas.

Até porque, para realmente funcionar, o autor deve motivar o leitor a tomar a iniciativa. “O bom livro de autoajuda se apoia na trilogia do conhecimento, pense-aprenda-faça”, acredita o psicólogo e instrutor da Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguística, Alexandre Bortoletto. “Todo livro que prega apenas o ‘pense e as coisas irão se resolver’ geralmente não dura no mercado literário”, completa.

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