Contando e Cantando (Volume 2)

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Clube do livro: saiba o que os famosos estão lendo

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Veja aqui quais celebridades têm seus próprios grupo de leitura e fique por dentro dos lançamentos literários que agradaram Emma Watson, Oprah e até Barack Obama

Thais Freire, no Destak Jornal

Ler um livro sozinho é bom, mas ter com quem debater a obra é ainda melhor. É com esse espírito que surgiram os clubes de leitura e agora atrizes, cantores e até presidentes têm seus grupos para recomendar e discutir livros.

Nomes como o da apresentadora e atriz Oprah Winfrey, Emma Watson, David Bowie e até o ex-presidente dos EUA, Barack Obama, estão entre as celebridades que ficaram conhecidas por seus gostos literários.

Quer acompanhar o que eles estão lendo? Confira alguns dos clubes do livro e listas de melhores obras com curadoria dos famosos.

Emma Watson
A atriz britânica que ficou conhecida por interpretar a bruxa Hermione, na saga Harry Potter, criou o clube do livro “Our Shared Shelf” (Nossa Estante Compartilhada). É possível acompanhar o grupo pelo Instagram (@oursharedshelf) e pelo site Goodreads, onde são divulgados os novos títulos que serão lidos e onde é possível enviar perguntas para as autoras de cada obra. Notável por seu trabalho como representante do projeto feminista He for She, da ONU, Emma indica livros escritos por mulheres e que debatem questões como relacionamentos abusivos, machismo e racismo.

Apesar de nem todos os livros terem sido publicados no Brasil, alguns dos que ganharam traduções recentemente são “Minha Vida na Estrada”, a biografia de Gloria Steinem, “Fome”, de Roxanne Gray, e agora “Mamãe & Eu & Mamãe”, de Maya Angelou, recém-lançado pelo selo Rosa dos Tempos.

Reese Witherspoon
A atriz americana, vencedora do Oscar por sua performance em “Johnny & June”, indica livros em seu clube, o Hello Sunshine. É possível acompanhar os títulos debatidos pelo Instagram (@reesesbookclubxhellosunshine) e pelo Facebook. Reese tem uma produtora, a Pacific Standard, que está por trás de adaptações de romances como “Garota Exemplar” (Gillian Flynn), “Livre” (Cheryl Strayed) e “Big Little Lies”, de Liane Moriarty, que virou série na HBO.
Um dos títulos mais recentes lidos pelo grupo foi “Pequenos Incêndios por Toda Parte”, de Celeste Ng.

Oprah Winfrey
A apresentadora e atriz americana é a celebridade que tem um clube do livro há mais tempo. Desde 1996, Oprah compartilha com seus fãs seu gosto literário, e frequentemente entrevistou autores em seu programa, que terminou em 2011. Em 2012, o clube foi relançado após passar por uma reformulação, ressurgindo com foco nas redes sociais. Se quiser acompanhar as novidades, é possível se inscrever na newsletter oficial do grupo, onde Oprah compartilha entrevistas com autores, comentários pessoais sobre a obra e outras curiosidades [tudo em inglês].
Nestes mais de 20 anos de clube, Oprah escolheu autores como Maya Angelou, Gabriel García Márquez, Isabel Allende e Toni Morrison.

David Bowie
O músico britânico, morto em 2016, ficou conhecido por suas canções e seu estilo único, mas também por seu vasto gosto literário. Para celebrar o lado leitor do pai, seu filho Duncan Jones decidiu, no final de 2017, criar um clube do livro para ler a lista completa das 100 obras favoritas do cantor e fez o anúncio no Twitter. O próximo livro na sequência é indicado no site oficial de Bowie, e entre as opções há títulos clássicos como “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert, “O Estrangeiro”, de Albert Camus, e “1984” de George Orwell.

Florence Welch
A cantora britânica, líder do grupo Florence and the Machine, também tem seu próprio clube de leitura, o Between Two Books (Entre Dois Livros). O nome é uma brincadeira com o título de seu álbum “Between Two Lungs” (Entre Dois Pulmões). As obras escolhidas por Florence podem ser vistas na página de Facebook do clube e os livros da lista ficam arquivados em uma estante virtual.

Entre os títulos já lidos estão “Aqui Estou”, do americano Jonathan Safran Foer, “Só Garotos”, de Patti Smith, e o clássico “O Grande Gatsby”, de F. Scott Fitzgerald.

Emma Roberts
A jovem atriz, sobrinha de Julia Roberts, criou, junto com a produtora Karah Preiss, o clube do livro Belletrist. O grupo, que surgiu em 2017, escolhe todo mês um novo livro e indica ainda uma livraria independente – em geral nos EUA – para que os fãs visitem ou comprem seus livros por lá. Normalmente Emma e Karah também disponibilizam um cupom de desconto para compras nas livrarias indicadas. O Instagram (@belletrist) do clube tem fotos ótimas. A maioria das obras lidas até agora, no entanto, não foi publicada no Brasil.

Barack Obama
O ex-presidente americano indicava, todo ano, sua lista de livros favoritos. Agora, mesmo longe da presidência, é possível acompanhar as indicações de Obama em sua página oficial do Facebook, onde ele também lista as músicas que mais gostou no ano que passou.
Entre os títulos já indicados pelo ex-presidente estão “The Underground Railroad: Os Caminhos para a Liberdade”, de Colson Whitehead, premiado livro sobre o período da escravidão nos EUA. Em 2017, Obama indicou também “O Poder”, de Naomi Alderman, em pré-lançamento aqui no Brasil, e “Um Cavalheiro em Moscou”, de Amor Towles.

Mark Zuckerberg
Como parte de uma meta de fim de ano, o criador do Facebook decidiu, no início de 2015, ler um livro a cada duas semanas, criando assim o projeto A Year of Books. Com uma página oficial em sua rede social, Zuckerberg passou a postar os livros que lia e debater os temas com quem acompanhava o projeto. O sucesso foi tanto que o primeiro livro escolhido,”O Fim do Poder”, de Moisés Naím, esgotou em poucas horas na Amazon americana.

Zuckerbeg terminou o ano com 23 livros lidos, entre eles “Por que as Nações Fracassam”, de Daron Acemoglu e James Robinson. A página não é mais atualizada, mas ainda é possível ler os debates e as sugestões de leitura.

Ler faz bem e é meio caminho para o sucesso. Que o digam estes milionários

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© Neil Hall / Reuters

© Neil Hall / Reuters

Luisa Oliveira, no Visão

Ninguém pode atestar que exista uma relação causa-efeito entre a leitura compulsiva e uma carreira de sucesso. Mas não faltam exemplos de peso, e até um estudo, que apontam para que essa relação seja, no mínimo, forte

Ler. Ler muito. Ler muitos livros. São os três conselhos que algumas das pessoas mais bem sucedidas do mundo dão para se traçar um caminho glorioso, independentemente da idade. Não acredita? Ora leia, pelo menos o que se segue.

Bill Gates, o magnata da Microsoft e o homem mais rico do mundo, por exemplo, dedica-se a um livro por semana. A maioria não é de ficção e essa escolha ajuda-no a perceber melhor o mundo e a forma como as pessoas pensam e agem. Ele assume que, apesar de ter outras fontes de conhecimento, ler “continua a ser o meio principal em que consigo aprender e testar a minha compreensão ao mesmo tempo”.

Há dois anos, o criador do Facebook, Mark Zuckerberg, decidiu ler um livro a cada duas semanas e desafiou o resto do mundo a fazer o mesmo. Nessa sequência, entusiasmou-se e criou um clube de leitura na sua rede social para poder discutir o que acabava de ler com quem estivesse interessado – e foram muitos. Entretanto, a apresentadora de televisão mais influente da América, Oprah Winfrey, teve uma ideia parecida: todos os meses debate uma obra por ela escolhida no Oprah’s Book Club 2.0.

Warren Buffett, investidor e filantropo americano (presidente da Berkshire Hathaway), de 87 anos, não se cansa de repetir que, apesar da idade avançada, ainda passa cerca de 80% do dia a ler, não só livros, mas também jornais. Nos tempos áureos despachava 600 a mil páginas diariamente. E nas cartas anuais que manda aos seus acionistas nunca se esquece de lhes fazer uma recomendação de leitura.

E quando um dia perguntaram a Elon Musk, patrão da Tesla Motors, como tinha aprendido a construir foguetões, ele respondeu com uma frase lacônica: “A ler livros.” Isto depois de explicar que sofreu de bullying na África do Sul, de onde é natural, e que nessas alturas se refugiava nos livros de fantasia e ficção científica.

Frases simples, como esta, ditas por pessoas inspiradoras, fazem mais pelos hábitos de leitura do que muitas políticas nacionais.

Nada disto parece ser um acaso. Pelo menos foi essa a conclusão de Steve Siebold, um estudante americano falido que há 30 anos empreendeu num caminho para se tornar rico – e conseguiu. Tudo começou com uma entrevista a um milionário, depois seguiram-se outras 1200 aos mais ricos do mundo. Nesta sua longa investigação, chegou a um ponto que todos tinham em comum: educavam-se a si mesmos, através da leitura. “Entra-se na casa de uma destas pessoas e a primeira coisa que se vê é uma biblioteca extensa que utilizam para aprenderem” nota Siebold. Na dúvida, comece-se a ler, de imediato.

Biblioteca Parque do Centro do Rio recebe clube de leitura com moradores em situação de rua

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Grupo discute obras da literatura brasileira às sextas-feiras Foto: Fabio Guimaraes / Extra

Grupo discute obras da literatura brasileira às sextas-feiras Foto: Fabio Guimaraes / Extra

Publicado no Extra

Paulo César de Paula, de 41 anos, chega a subir o tom de voz quando fala de “O grande mentecapto”, livro de Fernando Sabino. O homem, em situação de rua desde 1998, é pura empolgação quando conta a história do personagem Geraldo Viramundo — que, como ele, é um mineiro andarilho com o sonho de mudar o Brasil. Paulo César é um dos integrantes de um clube de leitura realizado às sextas-feiras na Biblioteca Parque do Centro do Rio, que reúne a população que dorme nas ruas das redondezas.

— Viver na rua não é fácil, não. A gente vem para cá (biblioteca) para ter um espaço de convivência. Aqui, eles tratam a gente igual a lorde — conta o leitor e aspirante a dramaturgo, que trabalha no roteiro de uma peça baseado na obra de Sabino.

Ele conta que nasceu em Belo Horizonte e vive na rua desde 1998. Entre idas e vindas.

Paulo César está escrevendo uma peça baseada em “O grande mentecapto”, de Fernando Sabino Foto: Fabio Guimaraes / Extra

Paulo César está escrevendo uma peça baseada em “O grande mentecapto”, de Fernando Sabino Foto: Fabio Guimaraes / Extra

 

— A gente faz umas besteiras na vida, né? Mas nunca me envolvi com droga ou bebida. Em 2010, eu desci para São Paulo e estou desde o fim do ano no Rio. Vim ajudar o pessoal de rua aqui. Sou de movimento social. Estou em tudo quanto é reunião para lutar pelos nossos direitos. A situação aqui no Rio está muito difícil. A política social daqui está mais complicada do que nas outras cidades. Mas lutando a gente consegue as coisas. Não é fácil. Mas se Deus quiser esse ano eu consigo alguma coisa no “Minha casa, minha vida” e saio de vez. Estou torcendo, vou tentar — planeja.

Numa sexta-feira deste mês, o grupo de dez moradores em situação de rua discutia “Capitães de areia”, de Jorge Amado. Religiosidade, Bahia, desigualdade social e colonização foram alguns dos temas discutidos. O discurso dos participantes do debate é marcado por um sentimento de injustiça contra Pedro Bala e outros personagens da obra que vivem nas ruas. Até que o olhar se volta para eles mesmos — e a conversa, agora, é sobre as eleições que estão por vir. O tom é de desesperança.

‘Capitães de Areia, de Jorge Amado, foi debatido no grupo Foto: Fabio Guimaraes / Extra

‘Capitães de Areia, de Jorge Amado, foi debatido no grupo Foto: Fabio Guimaraes / Extra

 

— Ninguém está nem aí para a gente — reclama Paulo César, um dos mais falantes.

O grupo teve a primeira reunião em maio. A auxiliar de biblioteca Ingrid Santos, de 46 anos, trabalha perto do acervo de gibis, que atrai o pessoal de rua. Com a proximidade, convidou um grupo para discutir músicas. Depois de uma série de encontros, um deles pediu um “texto de verdade”. E nasceu a roda de leitura.

Encontro aberto

O encontro é estrategicamente realizado em áreas abertas. Quem passa se interessa. Só naquela sexta, dois novos integrantes se uniram ao grupo no meio das discussões. Dois exemplares da obra discutida são colocados na roda e amplamente manuseados pelos leitores. Ingrid conduz as discussões.

— Eu abandonei uma visão preconceituosa de que existe leitura menor. Aprendi com eles que toda literatura é importante — conta.

Empréstimo de livros

Fábio Moraes é o mediador social do local. Ele é o responsável por fazer do espaço um local integrado. Além da roda de leitura, a Biblioteca Parque também tem um coral com moradores em situação de rua e um encontro semanal de cinema. Fábio ainda criou um cadastro específico para quem não tem endereço fixo. Assim, eles têm carteirinha como qualquer outro usuário — com direito, inclusive, a empréstimo de livros.

— E a taxa de devolução é mais alta do que entre quem tem comprovante de residências — afirma Moraes.

O conceito de Biblioteca Parque nasceu na Colômbia como um espaço de convivência e promoção de cultura em locais degradados. No Rio, a primeira unidade foi inaugurada em Manguinhos há seis anos. Agora, além do Centro, há na Rocinha e em Niterói.

Alessandro dos Santos, de 40 anos, é um dos que fizeram o cadastro especial. Tem o orgulho de ter trabalhado na obra da Biblioteca Parque de Manguinhos. E se sente em casa na do Centro.

— Gosto de ler os gibis, desde criança — opina: — Mas eu recomendo que as pessoas leiam “O Alquimista”, do Paulo Coelho, porque é muito bonito mesmo.

Fábio Moraes explica que o perfil da população em situação de rua mudou. Antes, problemas de saúde e vício eram as principais causas. Agora, segundo ele, a maior parte dessa população é de gente que vem de longe para trabalhar nas ruas do Rio e acaba não voltando para a família.

— O laço com a família vai se perdendo, mas eles mantém a referência de casa — diz.

Preocupção com o futuro do projeto

A continuidade do trabalho, no entanto, preocupa. É que o estado, falido, não tem dinheiro para custear as bibliotecas. Por isso, a Prefeitura do Rio assumiu os custos. O medo é que a próxima administração não continue com o aporte financeiro.

— Tem que ter continuidade. O modelo que trabalhamos funciona — defende a diretora do local, Adriana Karla.

Livraria Leonardo Da Vinci reabre nesta quinta-feira totalmente reformada

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Daniel Louzada, à frente da livraria desde fevereiro, comandou a enorme reforma na tentativa de tornar o negócio sustentável e agora procura sócio para segunda loja - Fabio Rossi

Daniel Louzada, à frente da livraria desde fevereiro, comandou a enorme reforma na tentativa de tornar o negócio sustentável e agora procura sócio para segunda loja – Fabio Rossi

 

Livraria mantém aposta em acervo e recebe bate-papo com o poeta Antonio Cícero

Leonardo Cazes, em O Globo

RIO – Nos quatro meses de reforma da Livraria Leonardo Da Vinci, a pergunta que o novo dono, Daniel Louzada, mais ouviu foi: “mas a Da Vinci não acabou?”. Não, a livraria não só não acabou como reabre hoje totalmente remodelada e recebendo um bate-papo com o poeta Antonio Cicero. Os frequentadores mais saudosos da loja no subsolo do edifício Marquês do Herval, na Avenida Rio Branco, poderão até sentir falta do ambiente labiríntico de outrora. As paredes foram derrubadas para dar amplitude ao espaço, acomodar melhor os livros e o novo café. Contudo, o amplo acervo de obras de artes e ciências humanas continua lá, agora reforçado por uma seção de literatura. A icônica mesa de Dona Vanna Piraccini, a antiga dona, foi restaurada e coberta de livros.

Louzada conta que seu plano inicial era fazer uma intervenção mais modesta, mas, para o negócio ser sustentável, achou necessária uma grande transformação. O maior investimento foi feito no mobiliário. As mesas agora são móveis e podem ser rearrumadas a depender do evento.

— A Da Vinci era uma livraria que tinha torcida, mas não cliente comprando — diz o livreiro, que por 15 anos trabalhou na Saraiva. — A preocupação foi compreender o lugar da Da Vinci. E o nosso lugar é a alternativa. Não temos como competir com as grandes redes nos best-sellers, mas vamos ter a melhor seleção dentro da nossa proposta.

Apesar de não poder competir com as gigantes nos descontos, os best-sellers estarão à venda, explica Louzada. Só não estarão em destaque. Na estante de literatura estrangeira, por exemplo, é possível encontrar uma farta seleção de Bernard Cornwell e John Grisham e, na de religião, Padre Marcelo Rossi. Já na área de literatura brasileira, há todas as obras de Clarice Lispector.

Encontros e clube de leitura

Logo na entrada, ao lado de uma máquina de escrever, foi criado o espaço “O escritor indica”. Na estreia, o jornalista Mário Magalhães, autor de “Marighella”, escolheu algumas de suas biografias favoritas, como “Padre Cícero”, de Lira Neto. O acervo de ciências humanas, carro-chefe da casa, impressiona: são 1,2 mil títulos de ciências sociais e 700 de filosofia.

Nas paredes estão a inspiração do livreiro: Ênio Silveira, fundador da Civilização Brasileira, e a própria Vanna Piraccini. Uma das séries de encontros previstos, inclusive, será “Reencontros com a Civilização Brasileira”. O primeiro convidado será o historiador Jorge Ferreira. Já a série que marca a reinauguração é a “Papo de quinta”, quando escritores e críticos vão conversar com o jornalista Miguel Conde. A Da Vinci também vai ganhar um clube de leitura e atividades para crianças aos sábados.

Apesar das dificuldades, Louzada demonstra confiança na proposta e afirma que procura um sócio para abrir uma segunda loja:

— Eu acredito na missão civilizadora da livraria. Esse é o papel da Da Vinci. Por isso ela continua aberta, completando 64 anos neste mês.

“PAPO DE QUINTA COM ANTONIO CICERO”

Onde: Livraria Leonardo Da Vinci — Av. Rio Branco, 185, Centro, subsolo (2533-2237)

Quando: Nesta quinta-feira, às 18h.

Quanto: Grátis.

Clubes de leitura se espalham por SP

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Foto: Nilton Fukuda/ Estadão

Foto: Nilton Fukuda/ Estadão

 

Grupos se reúnem mensalmente em bibliotecas, livrarias e instituições culturais; pesquisa aponta que três em cada quatro participantes são mulheres

Edison Veiga, no Estadão

“Ler é muito solitário. Então, quando a gente tem a possibilidade de trocar experiências, fica um hábito mais completo.” A afirmação da servidora pública Leila Costa Pereira, de 40 anos, resume bem o que leva cada vez mais paulistanos a frequentar clubes de leitura – há dezenas espalhados por bibliotecas, livrarias e outras instituições culturais da cidade.

Integrante há dois anos do clube da Biblioteca Mário de Andrade, no centro, Leila também simboliza uma estatística: segundo pesquisa interna da editora Companhia das Letras, a imensa maioria dos frequentadores de grupos do tipo é de mulheres (76,7%) de 30 a 59 anos (38,7%). Como era de se esperar, os membros desses clubes são leitores vorazes (40,6% consomem de quatro a seis títulos por trimestre e 36,4% dedicam de 1 a 2 horas por dia aos livros).

O grupo da Mário foi criado em 2013 e é frequentado assiduamente por cerca de 20 pessoas. “Cadastrados em nossa base de e-mail, são mais de 40”, conta a coordenadora, a produtora cultural Natame Diniz, de 26 anos. A cada mês, uma obra é escolhida para ser devorada ao longo das quatro semanas e comentada no encontro seguinte, sempre na segunda quarta-feira de cada mês. O título da vez é Dois Irmãos, de Milton Hatoum. “Na troca de impressões, pela bagagem de cada um, é como se um livro pudesse se abrir em vários diferentes”, comenta o publicitário Heitor Botan, de 27 anos, assíduo participante.

A médica Maria Aparecida Telles, de 66 anos, gosta tanto da ideia que já participou de seis grupos diferentes – atualmente, vai aos clubes da Mário de Andrade, da Casa das Rosas e da livraria Martins Fontes. “A cada encontro, saio enriquecida pela diversidade de visões apresentadas.”

Público. O mercado editorial tem acompanhado de perto o fenômeno, ciente de que é uma maneira de estar em contato direto com seu público – e um público extremamente qualificado, em que 44% têm ensino superior e 35% são pós-graduados. “Sabemos que na literatura a divulgação boca a boca é muito importante. E a partir do que esses leitores dizem, podemos trazer o feedback para a editora”, afirma Kim Doria, coordenador de divulgação e eventos da Boitempo – a editora apoia os clubes da livrarias Blooks e da Vila.

A Companhia das Letras é a editora que mais apoia clubes no Brasil – são dezenas, que contam com títulos emprestados pela empresa. “É um canal de troca com os leitores, uma troca direta”, acredita o coordenador da iniciativa, Pedro Schwarcz. “Queremos trazer para mais perto, de maneira mais intimista, todas as possibilidades de interação que o livro oferece.”

Também há atividades do tipo em unidades do Sesc – Vila Mariana, Carmo, Belenzinho e Ipiranga contam com um clube cada. “Quero frequentar sempre que estiver em São Paulo”, afirma o escritor mineiro Alex Sens Fuviy, de 28 anos, que esteve pela primeira vez em um, no Ipiranga, na quinta-feira. “Cada unidade tem suas peculiaridades. Aqui cuidamos de reforçar o acervo da biblioteca com ao menos cinco unidades do título escolhido para o mês”, afirma Vanessa Rosado, que coordena o do Sesc Carmo.

Se mulheres são a maioria dos participantes dos clubes, o mesmo não acontece entre os autores das obras debatidas. “Foi pensando nisso que lançamos o Leia Mulheres”, conta a jornalista Juliana Leuenroth, de 30 anos. O grupo começou em março de 2015 e costuma reunir, mensalmente, de 20 a 30 pessoas.

Serviço:
Clube da Leitura Biblioteca Mário de Andrade
Segunda quarta-feira de cada mês
Endereço: R. da Consolação, 94 – Consolação
Telefone: 3775-0002

Clube de Leitura Livraria Martins Fontes
Última quarta-feira de cada mês
Horário: 19h30 às 20h30
Endereço: Av. Paulista, 509 – Bela Vista
Telefone: 2167-9900

Clube de Leitura Livraria da Vila
Segunda segunda-feira de cada mês
Horário: 20h às 21h
Endereço: R. Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena
Telefone: 3814-5811

Grupo de Estudos da Casa Guilherme de Almeida
Último sábado de cada mês
Horário: 14h às 16h
Endereço: R. Macapá, 187 – Perdizes
Telefone: 3673-1883

Clube da Leitura SESC Ipiranga
28/06 e 28/07
Horário: 20h
Endereço: Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga
Telefone: 3340-2000

Clube da Leitura SESC Vila Mariana
24/05
Horário: 21h30
Endereço: Rua Pelotas, 141, Vila Mariana
Telefone: 5080-3000

Clube da Leitura SESC Carmo
31/05
Horário: 19h às 20h30
Endereço: Rua do Carmo, 147, Sé
Telefone: 3111-7000

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