Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged colombiano

Arquivo pessoal de García Marquéz será disponibilizado na internet

0
Fonte: Shutterstock

Fonte: Shutterstock

 

Universidade do Texas vai digitalizar 24 mil páginas de documentos, fotos e anotações do escritor

Publicado no Universia Brasil

Você conhece Gabriel García Márquez? O escritor colombiano, que faleceu em 2014 aos 87 anos de idade, é considerado um dos autores mais importantes do século XX tendo, inclusive, recebido o prêmio Nobel de Literatura, no ano de 1982, pela relevância de sua obra. Entre seus livros mais famosos estão Cem Anos de Solidão e o Amor nos Tempos da Cólera.

A boa notícia é que a Universidade do Texas, em Austin, Estados Unidos, anunciou que irá digitalizar todo o arquivo pessoal do escritor para, em seguida, disponibilizá-lo gratuitamente ao público. Os trabalhos devem começar em junho deste ano e terão duração total de 18 meses.

O projeto “Compartilhando Gabo com o mundo” – Gabo era o apelido de García Márquez – teve início quando a universidade comprou da família do escritor parte de seu acervo pessoal, por U$ 2,2 milhões, em novembro de 2014. Ao todo, serão digitalizadas 24 mil páginas de manuscritos, fotografias, anotações, entre outros materiais.

O projeto só se tornou viável graças a uma doação da Council on Library and Information Resources, uma organização sem fins lucrativos focada em pesquisa e educação. Atualmente, uma pequena parte do arquivo já está disponível para consulta no site do Harry Ransom Center, biblioteca e centro de pesquisa da Universidade do Texas. Para acessar os documentos, clique aqui.

Colômbia lembra Gabriel García Márquez um ano após sua morte

0
Gabriel García Márquez: falecido autor colombiano foi homenageado pelo seu país natal através de exposições, conferências, apresentações de dança, música e teatro

Gabriel García Márquez: falecido autor colombiano foi homenageado pelo seu país natal através de exposições, conferências, apresentações de dança, música e teatro

Publicado na Exame

Nas ruas, nas bibliotecas e nos museus, em meios de comunicação e nas redes sociais, a Colômbia homenageava nesta sexta-feira um de seus filhos mais ilustres, o Nobel de literatura Gabriel García Márquez, quando se completa um ano de sua morte neste 17 de abril.

Sob o lema “Gabo vive entre nós”, com o qual se quer aprofundar na obra em que o gênio do realismo mágico “deixou gravada sua imortalidade”, foram programadas exposições, conferências, apresentações de dança, música e teatro.

Assim, a Biblioteca Nacional inaugurou, na tarde desta sexta-feira, a exposição “Um espelho do mundo”, na qual se poderá contemplar a máquina de escrever em que García Márquez produziu seu principal romance, “Cem anos de solidão” e ver a medalha que ele recebeu ao ganhar o Prêmio Nobel de Literatura em 1982, entre outros objetos.

Cartazes com a inscrição “Bem-vindos a Macondo”, o povoado mágico criado por García Márquez, adornam a capital colombiana, convidando turistas e moradores à 28ª Feira Internacional do Livro de Bogotá. Este ano, Macondo é o convidado de honra do evento, que será realizado entre 21 de abril e 4 de maio com uma série de atividades dedicadas ao escritor.

Mas os esforços para lembrá-lo não se limitam aos espaços fechados.

Em uma concorrida avenida do centro da capital foi exibido nesta semana um mural gigante na fachada de um edifício, onde um sorridente García Márquez aparece junto da inscrição “Macondo”.

As homenagens ao “filho do telegrafista de Aracataca”, povoado do norte da Colômbia onde nasceu, em 6 de março de 1927, Gabriel José de la Concordia García Márquez, invadiram, inclusive, as redes sociais. Desde muito cedo, no Twitter, eram populares as hashtags #GaboVive, #GaboViveEntreNosotros, #GraciasGabo e #UnAñoSinGabo.

“Gabito, sentimos você muito próximo. Para seu @FNPI_org não foi um ano de ausência, mas uma presença diferente, renovada e inspiradora”, tuitou Jaime Abello, para muitos o guardião do legado jornalístico do escritor através da Fundação Novo Jornalismo Ibero-americano (FNPI) que dirige.

Alusões às borboletas amarelas, ícones de García Márquez, aos eternos personagens de seus livros e a seus encontros mais comentados eram repetidos entre internautas de todas as partes do mundo, bem como fotos e máquinas de escrever e da ‘guayabera’ (camisa típica caribenha) branca recebendo o Nobel, em Estocolmo.

“#GaboVive nos livros que, nas entrelinhas, nos convidam a criar nosso próprio Macondo”, escreveu no Twitter um usuário identificado como Daniel Pinilla.

“Um ano depois, amamos tanto #Gabo”, derreteu-se a escritora espanhola Eugenia Rico.

Em Aracataca, para muitos a Macondo real, também se sucediam nesta sexta-feira as homenagens ao homem que, com sua imaginação fértil, pôs a cidade no mapa. Após os temporais desta semana, segundo os moradores para chorar o aniversário de morte do Nobel, houve esta manhã uma missa e estavam previstos atos folclóricos, uma exposição de arte e vários colóquios.

Em jornais, rádios e emissoras de TV também se falava de “um ano de solidão” sem Gabo. O jornal “El Espectador”, no qual García Márquez se formou como jornalista e escritor, publicou nesta sexta-feira um de seus melhores textos internacionais.

Um dos maiores expoentes do fenômeno literário conhecido com o ‘boom’ latino-americano e gênio do realismo mágico, García Márquez morreu aos 87 anos no México, país onde vivia desde seu exílio na Colômbia na década de 1980.

Se seu vasto legado, que inclui contos, romances, artigos jornalísticos e roteiros cinematográficos, destacam-se “Cem anos de solidão” (1967), traduzido a 35 idiomas e que teve mais de 30 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo.

Jerónimo Pizarro se firma como uma das maiores autoridades na obra de Fernando Pessoa

0

Colombiano lidera jovens pesquisadores do espólio do poeta português

Equipe de jovens investigadores se beneficia do fato de obra do poeta (na foto múltipla acima) estar há dez anos em domínio público - Divulgação

Equipe de jovens investigadores se beneficia do fato de obra do poeta (na foto múltipla acima) estar há dez anos em domínio público – Divulgação

Maurício Meireles em O Globo

RIO — O labirinto que Jerónimo Pizarro percorre não é feito de paredes, mas de papéis. Trinta mil documentos, para ser mais exato. Há mais de dez anos, o pesquisador colombiano começou uma tarefa interminável: investigar os documentos deixados por Fernando Pessoa em seu espólio, guardado pela Biblioteca Nacional de Portugal. Hoje, Pizarro lidera uma equipe de jovens pesquisadores que é a principal responsável pelas novas descobertas nos arquivos do poeta. E o colombiano, que se consolida como uma das maiores autoridades da atualidade na obra do autor, é o mestre desse labirinto.

Pelos menos as últimas 30 edições com inéditos do poeta lusitano têm a participação do pesquisador, seja na descoberta ou na organização. Os poemas desconhecidos de Pessoa que a “Granta Portugal” publicou, ano passado, por exemplo, foram descobertos pelo colombiano e pelo brasileiro Carlos Pittella-Leite, seu orientando. A prosa de Álvaro de Campos, cuja edição antiga não estava completa, foi reorganizada por ele com os inéditos. A publicação de novos poemas em francês e em inglês, além da descoberta de novos heterônimos, teve seu comando. Sete das edições críticas que a Imprensa Nacional portuguesa patrocina desde os anos 1980, quando a primeira parte do espólio foi vendida à Biblioteca Nacional do país, foram organizadas por Pizarro. A lista de livros é profícua.

— Chamo o Jerónimo de mestre do labirinto, porque poucos sabem percorrer os documentos sem se perder. Há teorias de que ele possui irmãos gêmeos trabalhando para ele 24h por dia, pois ele sempre responde a qualquer e-mail em menos de dez minutos, a qualquer hora do dia. E ainda assim sempre aparenta saúde e bem-estar… — brinca o pesquisador Carlos Pitella Leite, da equipe do colombiano. — Além da professora Cleonice Berardinelli, com quem tive a honra de estudar por muitos anos, ninguém me surpreende tanto quanto o Jerónimo ao mergulhar na obra pessoana: o que a mestra Cleonice tem de profundidade, Jerónimo tem de amplitude.

São inúmeras novidades, mas nenhuma delas chegou ao Brasil. A única exceção é a edição crítica que Jerónimo Pizarro fez do “Livro do desassossego” — lançada no país ano passado, em versão comercial, pela Tinta-da-China.

Poeta proibido em casa

A obra é motivo de controvérsia, porque Pessoa apenas deixou fragmentos, alguns sem data, e ninguém sabe ao certo como pretendia organizá-los. Por isso, nas palavras de Jerónimo Pizarro, remexer os velhos papéis do poeta é como cair em uma armadilha.

— Havia muitas versões do “Livro…” Em 1982, surgiu uma importantíssima, que demorou 20 anos para ficar pronta. Outra editora lançou uma em 1991, mas a alterou em 1997. Em 1998, sai a do Richard Zenith (publicada no Brasil pela Companhia das Letras), mas a versão dele já foi alterada pelo menos três vezes — afirma Pizarro. — Em 2010, quando aparece a edição crítica, o cenário era muito caótico. A primeira edição tinha 500 fragmentos, a última já tinha quase 800. Era importante consultar de novo os originais.

Não à toa, depois das 20h Fernando Pessoa é assunto proibido na casa de Jerónimo Pizarro em Bogotá. E lá não entram fotos, camisas, souvenirs do poeta. É preciso desintoxicar, porque também é difícil viver tão imerso na obra de alguém.

— Sinto que durante toda a minha vida Fernando Pessoa vai me preparar surpresas. Afinal, mais da metade do espólio ainda está por conhecer. Estou a descobrir Pessoa todos os dias. É uma tentação permanente, estou sempre entre tentar fugir e ser atraído — diz o pesquisador, com seu português de sotaque castelhano e lusitano. — É um trabalho para várias gerações. Se formos brincar um bocadinho e formos analisar as previsões astrológicas do poeta, só daqui a 150 anos ele será plenamente conhecido.

Como um colombiano se tornou uma das principais autoridades na obra de Fernando Pessoa? Foi por amor, diz ele. Quando fazia seu doutorado em literatura hispânica em Harvard, Pizarro apaixonou-se por uma portuguesa. E, por isso, começou um doutorado simultâneo em Portugal relativo ao espólio — para ter motivos para passar o verão em Lisboa. Concluiu os dois. Hoje, ele ensina na Universidad de Los Andes, em Bogotá.

Claro que o amor não foi tudo. Jovem, Pizarro começou a ler literatura brasileira e apaixonou-se por Guimarães Rosa. Leu Manuel Bandeira, Machado de Assis e outros. Por pouco não veio para o Brasil estudar a obra do autor de “Grande sertão: veredas” (“Quase que Guimarães Rosa foi meu Fernando Pessoa”, brinca).

A equipe que trabalha com Jerónimo Pizarro se beneficia do fato de Fernando Pessoa ter entrado em domínio público em 2006, gerando um segundo boom dos estudos pessoanos. Num caso talvez inédito, a obra do poeta foi liberada para uso duas vezes. A primeira foi em 1985, nos 50 anos de sua morte. Na ocasião, os herdeiros do escritor descobriram uma brecha na lei que esticou o prazo do domínio público para 70 anos, e, em 1997, a obra de Pessoa voltou para a posse deles. Por isso, até 2006 só se conhecia do espólio os escritos permitidos pelos herdeiros — publicados pela Assírio & Alvim, em Portugal, e pela Companhia das Letras, no Brasil. Por aqui, as edições ainda têm o texto estabelecido naquele período.

— As editoras brasileiras e de outros países não reagiram ao fato de Pessoa estar em domínio público — avalia Pizarro.

No ano passado, o trabalho do colombiano foi laureado com o Prêmio Eduardo Lourenço, troféu que leva o nome do filósofo e crítico literário que é uma espécie de Antônio Cândido lusitano. Pizarro foi o primeiro autor latino-americano a receber a honraria. Lourenço definiu o colombiano como “o mais jovem dos heterônimos pessoanos” na ocasião. Afinal, editar Pessoa também é ajudar a construir a obra do poeta, já que ele só publicou um livro em vida, “Mensagem”. O que restou no espólio são livros inacabados, projetos com uma caligrafia difícil — que Pizarro hoje sabe decifrar como poucos.

No Brasil e em Portugal, a pesquisa em arquivos está um pouco fora de moda, depois de ter cedido espaço à teoria literária. MasPizarro defende que é impossível fazer a crítica literária da obra de Fernando Pessoa sem a pesquisa no espólio. Em primeiro lugar, porque as edições antigas podem conter erros. Em segundo, porque o que foi publicado não representa nem metade do que o autor escreveu.

— Hoje a universidade portuguesa estimula pouco os alunos a pesquisarem no espólio. Portugal e Brasil são países com muita influência francesa, e a França tem uma relação difícil com a filologia, em favor da teoria literária. É difícil explicar que a crítica textual faz parte da crítica literária, e elas podem conviver — defende Pizarro.

Fernando Pessoa ficou conhecido como o poeta múltiplo, por conta de seus heterônimos. Mas ele era muitos mais do que se pensava. Ao lado de Patrício Ferrari, Pizarro publicou “Eu sou uma antologia”, em que lista 136 autores fictícios criados pelo escritor — número que pode crescer com novas pesquisas documentais. A primeira lista do tipo, feita em 1990 por Teresa Rita Lopes, tinha 72 nomes.

A pesquisa pessoana sempre foi dividida em grupos de acadêmicos, nem sempre com relações amistosas. Ao formar um time de pesquisadores jovens, Jerónimo Pizarro espera se posicionar do lado de fora de conflitos acadêmicos históricos.

— Tentei criar um novo caminho, com mais liberdade. Quero trabalhar fora do feudalismo das universidades — diz ele.

Go to Top