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Posts tagged comemoração

Harry Potter ganhará edição com rascunhos e manuscritos inéditos

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Lançamento faz parte da exposição em comemoração aos 20 anos de “Harry Potter e a Pedra Filosofal”

Publicado no Notícias ao Minuto

Um livro com rascunhos e manuscritos inéditos da escritora J. K. Rowling, autora da saga Harry Potter,deve ser lançado em outubro deste ano.

No Reino Unido, a obra deve ter duas versões: em capa dura e com 256 páginas, com o título de ‘Harry Potter – A History of Magic’, e em capa comum e com 144 páginas como ‘Harry Potter – A Journey Through A History of Magic’.

De acordo com informações do jornal Zero Hora, não há previsão de lançamento no Brasil. A pré-venda do livro já está disponível pelo site da editora Bloomsbury, que edita os livros da séria na Inglaterra, com preço de 12,99 libras na versão brochura e 30 libras na versão em capa dura.

Os lançamentos fazem parte da programação da exposição ‘Harry Potter: A History of Magic’, promovida na British Library para comemorar os 20 anos da publicação de ‘Harry Potter e a Pedra Filosofal’, o primeiro livro da saga.

Saraiva espalha histórias de amor pelas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro

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Ação faz parte do #LerFazBem, plataforma de incentivo à leitura da rede, em comemoração ao Dia Dos Namorados

Marina Shimamoto, no Investimentos e Notícias

Saraiva promove ação especial em comemoração ao Dia dos Namorados. Como parte da campanha de Dia dos Namorados, a rede vai espalhar pelos Ninhos de Livros – pequenas bibliotecas colaborativas –, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, diversas obras que abordam o universo romântico e autores do gênero. Com a ação, os leitores poderão retirar gratuitamente títulos para leitura e deixar também um livro para outra pessoa e, assim, continuar esse ciclo de trocas.

Nos mais de 40 ninhos espalhados pelas capitais paulista e carioca, o público poderá escolher diferentes títulos para conhecer e se emocionar. Entre os livros que podem ser encontrados nos ninhos estão: A história de nós dois, Você entendeu tudo errado, Geek Love: O manual do amor nerd, Ligeiramente casados, entre outros. A ação conta com a parceria das editoras Gente, Arqueiro e Planeta.

Além disso, a campanha de Dia Dos Namorados da Saraiva conta com diversas iniciativas nas redes sociais e no site de e-commerce voltadas para os casais que querem presentear seus parceiros. Com o selo #LivroDePresente, reforça o conceito do livro como o melhor presente para despertar sentimentos e emoções. Durante a campanha, itens de diversas categorias, como livros, filmes e música, papelaria, games e acessórios estarão em promoção. Alguns produtos chegam a ter até 50% de desconto, como é o caso dos filmes e séries. Já na categoria de livros os descontos vão até 30%. A relação de itens e muito mais, pode ser encontrada tanto nas mais de cem lojas da rede em 17 estados brasileiros e no Distrito Federal quanto no hotsite.

Projeto Ninho de Livro
Projeto nascido no Rio de Janeiro, por meio da agência de benfeitorias Satrápia, os ninhos de livros integram o #LerFazBem, plataforma de incentivo à leitura da rede, levando cultura para toda a cidade. Não é a primeira vez que a Saraiva promove uma ação semelhante. No Dia Internacional da Mulher, a rede espalhou pelas capitais paulistana e fluminense obras sobre mulheres inspiradoras e/ou escritas por autoras renomadas. No Dia Nacional do Livro Infantil, obras de literatura infantil e em comemoração ao Dia do Orgulho Nerd, foram diversos títulos relacionados ao universo geek. Quer saber mais e onde encontrar o ninho mais próximo? Acesse aqui.

Britânicos prestam tributo a Shakespeare no 400º aniversário de sua morte

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Publicado no Hoje em Dia

A cidade natal de William Shakespeare, Stratford-upon-Avon, é o principal cenário neste sábado (23) das homenagens para recordar o 400º aniversário da morte do dramaturgo inglês.

O presidente americano Barack Obama, que está na capital inglesa, se uniu aos atos com uma visita ao teatro Globe de Londres, uma réplica do local em que as peças de Shakespeare foram encenadas quando o bardo estava vivo. Uma apresentação foi especialmente preparada para Obama.

“Deixem-me apertar a mão de todos. Foi maravilhoso, não queria que acabasse”, declarou Obama após a apresentação no teatro circular a céu aberto, às margens do rio Tâmisa, reconstruído em 1996 de maneira similar ao que foi incendiado em 1613 e no qual foram encenadas as obras de Shakespeare durante sua vida.

O primeiro-ministro britânico David Cameron também falou sobre a data, ao descrever Shakespeare como o “maior escritor da história”.

“O gênio de Shakespeare cativou e mudou o mundo”, afirmou, em uma mensagem divulgada por ocasião do dia de São Jorge, padroeiro da Inglaterra.

Ciúme (Otelo), dúvidas (Hamlet) ou a ambição (Macbeth) têm nomes próprios na obra de Shakespeare, que morreu em 23 de abril de 1616 aos 52 anos. No mesmo dia que o espanhol Miguel de Cervantes, autor do clássico Dom Quixote.

“Shakespeare foi capaz de escrever sobre cada um de nós”, disse à AFP Ian McKellen, conhecido pelo grande público como o Gandalf dos filmes da saga “O Senhor dos Anéis” e um dos grandes intérpretes da obra do bardo.

“Suas obras estão escritas em verso e o ritmo de seus versos é como o do coração humano. É, de algum modo, o ritmo da linguagem de cada dia”, completou o ator.

Representações

Grandes nomes dos palcos britânicos, de Judi Dench a Helen Mirren, passando por Benedict Cumberbatch e o próprio McKellen, representarão as cenas mais famosas de suas obras no Royal Shakespeare Theatre de Stratford-upon-Avon.

Ao contrário do que acontece com muitas datas similares, os eventos deste sábado não serão usados para recuperar a imagem de Shakespeare ou torná-lo mais popular: o autor é muito celebrado todos os anos e representar suas obras é uma parte essencial para ser alguém no teatro britânico.

O príncipe Charles, herdeiro do trono britânico, comparecerá ao evento que recebeu o nome de “Shakespeare Live!” em Stratford, que será exibido na TV no Reino Unido e em todo o mundo pela BBC, assim como em cinemas da Europa.

Capital

Londres também entra nos festejos com o teatro Globe, que receberá as duas últimas apresentações de “Hamlet” de uma turnês que levou a companhia do teatro a viajar por 195 países nos últimos dois anos – Síria e Coreia do Norte, no entanto, não permitiram a encenação de uma obra sobre o sobrinho de um rei tirano e usurpador.

Ao longo do rio Tâmisa foram instalados telões gigantes que exibirão 37 curtas-metragens, um para cada obra de Shakespeare, protagonizados por atores como Dominic West e Gemma Arterton.

Dominic Dromgoole, diretor artístico do teatro Globe, afirmou à AFP que a força de Shakespeare se deve “a histórias excelentes que recriam as experiências humanas em todas suas formas”. “Suas obras fazem com que você sinta e entenda mais”, explica.

Stratford, onde Shakespeare nasceu e morreu, começou o dia com um desfile de atores por suas ruas que terminou no local onde o bardo está enterrado. A cidade programou peças de teatro, bailes, fogos de artifício e música, além de surpresas não reveladas.

Outros locais celebrados são a casa onde supostamente nasceu em 1564 e a igreja da Santa Trindade, onde está enterrado. A escola onde historiadores acreditam que Shakespeare estudou foi restaurada e ficará aberta ao público de maneira permanente a partir deste sábado.

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Shakespeare agora tem uma descendente brasileira

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Maik Barbara, no Homo Literatus

Já imaginou se em meio a uma aula universitária de literatura o professor começar a lecionar sobre nada menos que William Shakespeare e alguém levantar a mão e dizer, em português: “Sim, já conheço a história dele. Shakespeare é meu tio-tatatatatata…taravô!”

Pois bem, Suzana Araújo Kirk poderá um dia. Mas, para entender sua história, deve-se acompanhá-la desde o início.

Enredo

Em 3 de Maio de 1616, segundo o calendário gregoriano. Ou pelo calendário juliano, usado pela Inglaterra ainda naquele século, no dia 23 de Abril de 1616, falecia aos 52 anos de idade William Shakespeare. Sua cidade natal, Stratford-upon-Avon (no condado de Warwickshire , Inglaterra), sentia a perda de uma de suas mais ilustres personagens. Lá Shakespeare nasceu, cresceu, mudou-se, voltou a morar, criou seus filhos, conheceu seus netos e, por fim, faleceu e foi enterrado.

Stratford On Avon – Mapa Histórico de 1902

Stratford On Avon – Mapa Histórico de 1902

O icônico gênio, por assim dizer, e maior elemento da dramaturgia na história humana deixou herança impar em suas peças, poemas, sonetos, comédias, tragédias e escritos em geral, todavia não foi feliz em sua linhagem genética. De seu casamente com Anne Hathaway (1556-1623) deu-se três filhos e em seguida quatro netos apenas. Infelizmente William teve sua linhagem direta expandida pela história apenas até aquela geração, quando em 1670 faleceu o ultimo de seus netos, cessando sua linhagem.

Por esse motivo que os historiadores atuais se agarram a linhagem pelo lado de quem restou, ou seja, recorrem aos parentes por parte de sua irmã Joan Shakespeare (1569-1646). Ela foi casada com William Hart e, fruto de seu amor, sua linhagem começou ali e perdurou até os dias de hoje.

No presente, quase 450 anos após o nascimento do dramaturgo dos dramaturgos, nasce outra figura ilustre. Uma pequena gota de vida chamada Suzana Araújo Kirk. Mesmo com sobrenome diferente, ainda tem o sangue azul. Filha do sobrinho-neto de 13º grau de Shakespeare, o canadense Scott Kirk e de sua esposa brasileira Dayane Kirk. Ocorrido em dezembro de 2013, o nascimento foi festejado longamente pelo pai. Ele por sua vez tem admiração pelo membro mais ilustre de sua família e para tanto tatuou o brasão da família Shakespeare no braço. Tamanha foi a alegria de ambos os pais e a admiração pela linhagem que pediram e foram atendidos à solicitação de batizar sua filha na mesma igreja que William foi batizado e enterrado, a Holy Trinity Church.

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Sagrado por diferentes motivos a diferentes pessoas

Para aqueles que estranharam, aqui está a explicação:

Sim! Shakespeare está sepultado na mesma igreja da qual foi batizado. Seus restos permanecem próximo ao altar principal, juntamente com vários de seus parentes mais próximos.

Ele nunca foi dono de nenhuma fortuna, mas pertencia à classe média da época, e ao final de sua vida pode comprar um espaço dentro da igreja para que fosse enterrado.

Na época era comum esse tipo de pratica. A atual igreja anglicana com mais de 800 anos, Holy Trinity Church aceitou o ilustre hospede. Todavia, na época Shakespeare não era tão famoso e sua projeção como dramaturgo lendário só veio à tona no século seguinte. O fato central, portanto, foi a hospedagem eterna do patrocinador do “túmulo”.

A igreja e a cidade vieram a ganhar com seu ilustre personagem a partir dessa época.

A igreja e a cidade vieram a ganhar com seu ilustre personagem a partir dessa época.

Há quem diga que seria até um sacrilégio, uma profanação se ajoelhar numa igreja e mesmo olhando em direção a Jesus Cristo, pensando em Deus até, mas que também fizessem referencia a Shakespeare, pois ali estaria ele enterrado, próximo ao altar.

Carolyn Smith, sacristã da igreja em 2014, confirma que a família Shakespeare ocupa todo o chão na parte frontal do altar, e que ao final da vida o autor estava numa ótima condição financeira e pagou muito bem para que tivesse o direito de “descansar” em solo sagrado. E adiciona que muitos acham estranho, e os padres acham mais ainda, mas que há pessoas ajoelhadas fazendo referencias a Shakespeare e não a Deus, isso sim há! Mas, reafirma, aquele lugar é sagrado para diferentes pessoas por diferentes motivos. Uma justificativa um tanto interessante.

Ano de comemoração

A notícia de mais uma parente, e ainda brasileiro, chegou e foi muito bem recebida pela cidade natal do autor, Stratford-upon-Avon, que este ano comemora os 450 anos de Shakespeare.

A pacata, pitoresca e pequena cidade sobrevive da fama de seu famoso cidadão. Festivais e atrações são itens comerciais certos para atrair turistas e interessados. Miniaturas em lojas e brinquedos produzidos com a temática shakespeariana são campeões de vendas. Encontros de historiados, grupos de discussões de adaptações dos textos de William, peças e dramatizações teatrais lotam plateias, análise de influencias cinematográficas das obras do autor… enfim, são inúmeras as possibilidades de exploração e sobrevivência.

E agora, certo publico brasileiro pode ter sua atenção voltada para a cidade, já que uma nativa brasileira entrou para a família de sangue nobremente teatral.

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Mas, em fevereiro passado a atração principal foi uma pequena criança em seu batizado.

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Suzana Araújo Kirk, que tem seu primeiro nome em homenagem a uma das filhas do autor, foi vista por milhares, se não milhões de pessoas. O batizado, não sem exageros, aconteceu na Holy Trinity Church e teve a missa e o todo o processo de batismo transmitido e televisionado pela pátria mãe do famoso autor, e redistribuído o sinal para diversos outros países. Tudo em prol da disseminação da ideia da imortalidade de Shakespeare atravessando mais uma geração, e agora abrangendo as terras tupiniquins.

Vida

De Shakespeare pouco se sabe, além das projeções, datações e especulações quanto aos momentos de lançamento de seus textos, não se sabe muito sobre sua vida. Biografia é um tipo de livro que entrou em pratica por volta de 1670, certo tempo depois da morte do autor.

Além desse fato, as criticas, duvidas e controvérsias que envolvem o dramaturgo abarcam até mesmo a incerteza da sua real autoria sobre todos os textos aclamados como sendo dele.

Entretanto, sem fontes seguras e provas concretas, tais afirmativas duvidosas se perdem ao esmo, e o que resta é a imortalidade da genialidade poética de uma criatura que viveu uma vida plena e totalmente dedicada a deixar um legado sobre a Terra. O que lhe trouxe fama maior e tardia, mas que permanece até hoje. Tamanho é o respeito, fama e admiração de seu publico que faz com que um reles parente seu nasça depois de 450 anos de seu próprio nascimento e ainda seja ovacionado meramente por pertencer à mesma família!

Isso é ser Shakespeare em 2014.

Os dez melhores poemas de Carlos Drummond

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Imagem Google

Publicado originalmente na Revista Bula

O mês de outubro, que vai marcar os 110 anos de nascimento de Carlos Drummond de Andrade, pedimos a dez convidados que escolhessem os seus dez melhores poemas. Coincidentemente, não houve votos repetidos, o que só evidencia a grandeza e a vastidão da obra do poeta mineiro. Em 2011, Carlos Drummond de Andrade ganhou o Dia D, inspirado no Bloomsday, o dia dedicado ao escritor irlandês James Joyce. A data, 31 de outubro, aniversário do poeta, foi comemorada em várias cidades brasileiras, entre elas Rio de janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre, e em Portugal. Em 2012, Drummond será o homenageado da Festa Literária Internacional de Paraty.

A Máquina do Mundo
Voto: Carlos Willian Leite

E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera

e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,

assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco o simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,

a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
“O que procuraste em ti ou fora de

teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,

olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,

essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo

se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste… vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo.”
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As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge

distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos

e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber

no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar
na estranha ordem geométrica de tudo,

e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que tantos
monumentos erguidos à verdade;

e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,

tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.

Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,

a esperança mais mínima — esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;

como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face

que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,

passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes

em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,

baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.

A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,

se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mão pensas.

Congresso Internacional do Medo
Voto: Edival Lourenço

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas

Poema da purificação
Voto: Alfredo Bertunes

Depois de tantos combates
o anjo bom matou o anjo mau
e jogou seu corpo no rio.
As água ficaram tintas
de um sangue que não descorava
e os peixes todos morreram.
Mas uma luz que ninguém soube
dizer de onde tinha vindo
apareceu para clarear o mundo,
e outro anjo pensou a ferida
do anjo batalhador.

Poema de Sete Faces
Voto: Euler de França Belém

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Tarde de Maio
Voto: Carlos Augusto Silva

Como esses primitivos que carregam por toda parte o
maxilar inferior de seus mortos,
assim te levo comigo, tarde de maio,
quando, ao rubor dos incêndios que consumiam a terra,
outra chama, não perceptível, tão mais devastadora,
surdamente lavrava sob meus traços cômicos,
e uma a uma, disjecta membra, deixava ainda palpitantes
e condenadas, no solo ardente, porções de minh’alma
nunca antes nem nunca mais aferidas em sua nobreza
sem fruto.

Mas os primitivos imploram à relíquia saúde e chuva,
colheita, fim do inimigo, não sei que portentos.
Eu nada te peço a ti, tarde de maio,
senão que continues, no tempo e fora dele, irreversível,
sinal de derrota que se vai consumindo a ponto de
converter-se em sinal de beleza no rosto de alguém
que, precisamente, volve o rosto e passa…
Outono é a estação em que ocorrem tais crises,
e em maio, tantas vezes, morremos.

Para renascer, eu sei, numa fictícia primavera,
já então espectrais sob o aveludado da casca,
trazendo na sombra a aderência das resinas fúnebres
com que nos ungiram, e nas vestes a poeira do carro
fúnebre, tarde de maio, em que desaparecemos,
sem que ninguém, o amor inclusive, pusesse reparo.

E os que o vissem não saberiam dizer: se era um préstito
lutuoso, arrastado, poeirento, ou um desfile carnavalesco.
Nem houve testemunha.

Nunca há testemunhas. Há desatentos. Curiosos, muitos.
Quem reconhece o drama, quando se precipita, sem máscara?
Se morro de amor, todos o ignoram
e negam. O próprio amor se desconhece e maltrata.
O próprio amor se esconde, ao jeito dos bichos caçados;
não está certo de ser amor, há tanto lavou a memória
das impurezas de barro e folha em que repousava. E resta,
perdida no ar, por que melhor se conserve,
uma particular tristeza, a imprimir seu selo nas nuvens.

Ausência
Voto: Rejane Borges

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Canção Final
Voto: Liana Machado

Oh! se te amei, e quanto!
Mas não foi tanto assim.
Até os deuses claudicam
em nugas de aritmética.
Meço o passado com régua
de exagerar as distâncias.
Tudo tão triste, e o mais triste
é não ter tristeza alguma.
É não venerar os códigos
de acasalar e sofrer.
É viver tempo de sobra
sem que me sobre miragem.
Agora vou-me. Ou me vão?
Ou é vão ir ou não ir?
Oh! se te amei, e quanto,
quer dizer, nem tanto assim.

Para Sempre
Voto: Eberth Vêncio

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
– mistério profundo –
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Quadrilha
Voto: Ademir Luiz

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o
convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto
Fernandes
que não tinha entrado na história.

No meio do caminho
Voto: Marcelo Menezes

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

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