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Posts tagged Como Fazer

Concurso Cultural Literário (10)

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Ao longo da vida, acumulamos refugos sobre nossos ombros. Ira, culpa, pessimismo, amargura, intolerância, ansiedade, decepção, impaciência. Lixo! Isso nos afeta e contamina nossos relacionamentos.

Com sua habitual simplicidade, Max Lucado explica como fazer para nos livrarmos desse lixo acumulado. A partir de uma linda história, o autor reconta o que Cristo fez por nós e ensina como transformar essa velha bagagem em uma nova vida.

Esta nova edição do concurso cultural vai premiar 3 internautas com o novo livro de Max Lucado.

Para concorrer, basta indicar na área de comentários qual tipo de lixo você gostaria de ver livre de seu coração (ou de sua mente).

O resultado será divulgado no dia 17/9 às 17h30 aqui no post e no perfil do twitter @livrosepessoas.

Lembrete: Se você participar pelo Facebook, por gentileza deixe um email de contato.

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Parabéns aos ganhadores: Daniel dos Santos, Sâmela Laís e Oldack Borges. =)

Enviar seus dados completos para [email protected] em até 48hs.

Livro de 2 cm² é descoberto nos Estados Unidos

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Publicado no Folha do Sertão

Título original: Livro de 2 cm² é descoberto nos Estados Unidos; Curioso pra saber o que há nele? Veja

Livro de 2 cm² é descoberto nos Estados Unidos; Curioso pra saber o que há nele? VejaImagine qual seria a sua curiosidade ao se deparar com um livro de apenas 2 cm² e 1 mm de espessura.

Certamente, você ficaria com muita vontade de descobrir o que está sendo dito nele — e não precisa se sentir culpado, pois a sensação seria a mesma para a grande maioria das pessoas. Mas como fazer para ler algo assim? Apenas com os olhos humanos seria impossível.

Na Universidade de Iowa (Estados Unidos), um livro com as dimensões que foram mencionadas anteriormente foi encontrado em uma biblioteca que reúne mais de 4.000 obras em miniatura. A bibliotecária responsável pelo encontro afirma que ele estava na caixa de “microminiaturas”, sendo ainda menor do que os outros itens que estariam na mesma coleção.

Só era possível identificar a capa, que mostra uma cruz dourada em meio a uma superfície vermelha. Com isso, havia grandes chances de o pequeno livro ser uma versão reduzida de uma bíblia, mas a bibliotecária Colleen Theisen queria ir além. Como informa o The Atlantic, Theisen recebeu a ajuda de Giselle Simón para colocar a obra em um microscópio da Biblioteca de Iowa, conseguindo identificar qual era a editora do livro.

Com isso, conseguiram chegar ao nome da Toppan Printing. Rastreando e cruzando informações, conseguiram descobrir que o livro foi lançado na Feira Mundial de Nova York de 1965. Mas ele não era uma obra independente, pois fazia parte de um conjunto com uma versão maior do mesmo texto: o primeiro capítulo do Gênesis (livro da Bíblia) escrito pelo Rei James para a igreja Anglicana.

A primeira grande história em quadrinhos para cegos

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A simplicidade gráfica da história visual Life pode ser apreciada por todas as pessoas

Publicado por Catraca Livre

Graças ao francês Louis Braille, desde 1827 os cegos podem ler qualquer texto desde que ele seja transcrito para uma série de pontos salientes dispostos em sequências lógicas no papel. Mas o tato não permite que um cego possa apreciar uma história em quadrinhos. Ou pelo menos não permitia até que, recentemente, foi criada a primeira história em quadrinhos para cegos.

O designer Philipp Meyer pensou em como fazer as pessoas que não enxergam aproveitarem uma história apenas com imagens. Ele percebeu que não seria possível somente traduzir os desenhos com pontos no lugar das linhas. Decidiu, então, simplificar ao máximo, chegando a 24 quadros que contam a história da vida. Assim, a história em quadrinhos Life trata-se, na verdade, de uma experiência tátil para deficientes visuais.

A Life conta, de forma simples, a história da vida. (Reprodução)

A Life conta, de forma simples, a história da vida. (Reprodução)

Na página do projeto é possível ver Meyer explicando o processo, com os primeiros rascunhos, os formatos finais e a criação do livro. Mas a intenção do autor é que Life possa ser apreciada com interatividade, tanto no papel quanto virtualmente. É possível, por exemplo, clicar nas imagens, mudar a aparência dos personagens e colocá-los em lugares diferentes.

A versão para o papel explora, claro, o tato dos deficientes visuais. A primeira página explica que Life se passa em quatro quadros por página, com a ordem de leitura indicada por números nos cantos. (Reprodução)

A versão para o papel explora, claro, o tato dos deficientes visuais. A primeira página explica que Life se passa em quatro quadros por página, com a ordem de leitura indicada por números nos cantos. (Reprodução)

Como escrever uma história de detetive

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G. K. Chesterton*, na Revista Literatura

Deixemos claro que escrevo este artigo como alguém inteiramente consciente de que falhou ao escrever uma história de detetive. E tenho falhado muitas vezes. Minha autoridade é portanto experimentada e científica, como a de alguns grandes estadistas ou cientistas sociais analisando o Desemprego ou o Problema Habitacional. Não finjo que alcancei o ideal que estabeleço aqui para o jovem estudante; sou, se desejam, muito mais um exemplo ruim a ser evitado por ele. No entanto, creio que existam modelos de textos de detetive, assim como de tudo o mais que valha a pena fazer; e me admira que eles não sejam mais frequentemente exibidos em toda aquela literatura didática popular que nos ensina como fazer tantas outras coisas que valem muito menos a pena serem feitas; do tipo, por exemplo, como ser bem sucedido. De fato, me admira muitíssimo que o título no alto desse artigo não nos fite de todas as estantes de livros. Editam-se panfletos ensinando às pessoas toda a espécie de coisas que possivelmente não podem ser aprendidas, tais como personalidade, popularidade, poesia e charme. Mesmo aqueles aspectos da literatura e do jornalismo que mais obviamente não podem ser aprendidos são assiduamente ensinados. Mas eis aqui uma certa habilidade literária franca e clara, mais construtiva do que criativa, que poderia até certo ponto ser ensinada e, até, em circunstâncias de muita sorte, ser aprendida. Mais cedo ou mais tarde suponho que a carência será suprida, naquele sistema comercial em que a oferta imediatamente responde à demanda, e em que todos parecem estar inteiramente descontentes e incapazes de alcançar qualquer coisa que desejem. Mais cedo ou mais tarde, suponho, não haverá apenas manuais didáticos para investigadores criminais, mas manuais ensinando aos criminosos. Isto nada será senão uma leve mudança do tom atual da ética financeira, e quando a vigorosa e perspicaz mente empresarial tiver escapado da derradeira influência dos dogmas inventados pelos sacerdotes, o jornalismo e a propaganda mostrarão a mesma indiferença aos tabus de hoje como se faz hoje com os tabus da Idade Média. Um furto será explicado como usura, e não haverá mais disfarce em torno de gargantas degoladas quanto há em torno de mercados monopolizados. As estantes serão ilustradas com títulos como Falsificação em quinze lições e Por que suportar a miséria conjugal?, com a popularização do envenenamento de forma tão integralmente científica quanto a popularização do Divórcio e do Controle da Natalidade.

Mas, como tantas vezes nos lembram, não devemos nos inquietar pela chegada de uma humanidade feliz; e, enquanto isso, parecemos estar muito provavelmente tão preparados para receber bons conselhos sobre a prática de crimes quanto bons conselhos sobre como descobri-los, ou sobre a descrição de como eles poderiam ser descobertos. Imagino que a explicação é que o crime, a descoberta, a descrição e a descrição da descrição, tudo isto exige um princípio mínimo de pensamento, enquanto conseguir realizar e escrever um livro sobre o sucesso de forma alguma necessita desta cansativa experiência. De qualquer maneira, acho que, quando começo a pensar sobre a teoria das histórias de detetive, me torno o que alguns chamariam de um teórico. Isto é, começo pelo começo, sem qualquer ânimo, esperteza, vigor ou outra qualidade da arte de capturar a atenção, de modo algum inquietando ou despertando a mente.

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O primeiro e fundamental princípio é que o alvo de uma história de mistério, como de toda outra história e todo outro mistério, não é a escuridão mas a luz. A história é escrita para o momento em que o leitor a compreende, não simplesmente para os vários momentos preliminares em que ele não a compreende. A incompreensão significa apenas um enfumaçado contorno de nuvem para realçar o esplendor daquele instante de inteligibilidade; e muitas histórias ruins de detetive são ruins porque falham neste ponto. Os escritores têm a estranha noção de que é tarefa deles confundir o leitor; e de que, contanto que o confundam, não importa se o desapontam. Mas não é necessário apenas esconder um segredo, é também necessário ter um segredo; e um segredo que mereça ser escondido. O clímax não deve ser um anticlímax; não pode consistir em conduzir o leitor numa dança e largá-lo num fosso. O clímax não deve ser somente o estouro de uma bolha, mas, ainda mais, a irrupção de um alvorecer; tão somente de maneira que o romper da aurora seja acentuado pela escuridão. Qualquer forma de arte, ainda que banal, se refere a algumas sérias verdades; e embora estejamos lidando com alguma coisa não mais importante que uma legião de Watsons, todos observando com seus olhos redondos como corujas, é ainda admissível insistir em que é a pessoa que mergulhou na escuridão quem vê uma grande luz; e que a escuridão só é preciosa ao tornar vívida a grande luz na mente. Sempre me tocou como uma divertida coincidência que a melhor das histórias de Sherlock Holmes traga, com uma formulação e um significado totalmente diferentes, um título que poderia ter sido inventado para expressar esta luz primordial; o título de Estrela de Prata. (mais…)

O mercador de ideias

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Maria da Paz Trefaut, no Valor Econômico

Com o Fronteiras, Fernando Schüler mostra como fazer um curso de altos estudos sem concessões ao mercado
Magro e com 1,98 m de altura, Fernando Schüler atrai olhares aonde quer que vá. “Você tem que saber quem você é”, diz, dando a entender que lida bem com o biotipo que, na adolescência, o levou a praticar salto em altura e a ser campeão brasileiro juvenil da modalidade. O tempo, gradativamente, apagou o esportista e deu lugar ao intelectual. Agora, só caminhadas junto à orla carioca, numa frequência inferior à desejável, animam o empreendedor cultural, que há sete anos criou a série de conferências internacionais Fronteiras do Pensamento.

A barba, cultivada há poucos meses, contribui para reforçar o ar sério de Schüler, de 48 anos, cientista social com doutorado em filosofia, professor e diretor do Ibmec, no Rio de Janeiro. Gaúcho, daqueles que não entendem como alguém pode não gostar de chimarrão, diz estar adorando o Rio, onde vive há menos de dois anos, desde que aceitou o convite da universidade carioca. Fora da academia, seu currículo soma passagens em órgãos públicos, secretarias de governo e pelo Ministério da Cultura, em 1995, quando foi chefe do gabinete de Francisco Weffort. O cargo político mais recente que ocupou foi como secretário de Estado da Justiça e do Desenvolvimento Social do Rio Grande do Sul, no governo de Yeda Crusius, entre 2007 e 2010.

Depois de militar dez anos no PT e mais alguns no PSDB, a filiação partidária deixou de interessá-lo. Nem por isso se inclui entre os petistas desiludidos. Gosta de frisar que nos seus 14 anos de experiência em gestão pública, desempenhou funções em governos de vários partidos e que sua atuação nunca foi partidária. “Sempre fui convidado a ocupar funções pelo meu preparo acadêmico e profissional. Sou uma pessoa com múltiplas atividades. Criei a orquestra Jovem do Rio Grande do Sul, a Fundacine, ajudei a construir a Fundação Iberê Camargo. Me agrada a ideia de criar instituições que permanecem.”

À parte de tudo isso, o Fronteiras do Pensamento é um marco em sua carreira de administrador e gestor cultural. O evento hoje faz parte do calendário cultural de Porto Alegre, onde foi criado, e também de São Paulo, onde ocorre pela terceira vez. Neste ano, a edição paulista deixa a Sala São Paulo e migra para o Teatro Geo – Complexo Ohtake Cultural, onde o escritor peruano Mario Vargas Llosa faz a conferência de abertura no dia 17. Em Porto Alegre, o seminário será iniciado mais tarde, só em 5 de maio, pela especialista em religiões Karen Armstrong. Estrelas como o neurocientista português Antonio Damásio e o Prêmio Nobel da Paz José Ramos-Horta circularão pelas duas cidades ao longo do ano.

Para Schüler é sempre um mistério tentar entender por que certos projetos culturais emplacam e conseguem um tipo de demanda e outros não. Recentemente, num momento de entusiasmo excessivo, ele chegou a dizer, em uma entrevista, que gostaria que o evento fosse o “U2 do pensamento”. Confrontado com a frase, ri com embaraço e retifica a comparação de imediato. “Foi um certo exagero. Modéstia é uma coisa boa. Tomara que fosse… Na verdade, eu queria marcar um ponto de vista. Existem certos tabus no meio intelectual. Se um concerto de rock pode ser espetacular, por que uma conferência de filosofia não pode?”

O ciclo de conferências Fronteiras do Pensamento nasceu de uma provocação feita pelo empresário Luiz Fernando Cirne Lima, na época vice-presidente da Copesul, empresa que viria a ser comprada pela petroquímica Braskem. Ele queria saber se era possível ou não fazer um curso de altos estudos que tivesse valor em si, no sentido de contribuir para uma sociedade melhor, e que não tivesse que fazer concessões ao pragmatismo do mercado. Foi aí que Schüler entrou em cena. Depois, ao comprar a Copesul, a Braskem garantiu, de imediato, a manutenção do projeto, que continuou como uma aliança entre muitas empresas, organizações e universidades.

‘Existem certos tabus no meio intelectual. Se um concerto de rock pode ser espetacular, por que uma conferência de filosofia não pode?’

Quanto custa o evento é algo que Schüler não diz. Afirma apenas que a venda dos ingressos (R$ 2.380 o passaporte para as oito conferências, em São Paulo, e R$ 925, em Porto Alegre, para dez) não paga nem metade dos gastos. Ele justifica a diferença de preços entre as duas cidades pelos custos mais elevados de São Paulo e diz que a gestão cultural serve, justamente, para equacionar questões como essas.

Segundo ele, o público do Fronteiras provém de estratificações de renda muito diferentes. Em Porto Alegre, por exemplo, 30% são médicos. Na capital gaúcha, também há o projeto Fronteiras Educação, que atinge 15 mil crianças com fascículos didáticos, nos quais os temas das conferências são traduzidos numa linguagem acessível para a geração Z. Mas se o ciclo de debates começou apenas como um encontro físico, a proposta é que se expanda cada vez mais no mundo digital via o site www.fronteiras.com, onde o formato é ajustado para ser consumido em tablet ou smartphone. A utopia de Schüler é que as conferências sejam acessadas tanto por um executivo que está no metrô de Nova York como por um estudante de escola da periferia de Luanda.

Na história do evento constam mais de 130 conferências, que resultaram em 17 filmes de média-metragem e outros tantos documentários. “O grande foco do Fronteiras é fazer com que o debate das ideias vá para o grande público. Não gosto da palavra democratização. Mas propomos uma ponte entre o pensamento acadêmico, científico e o mercado das ideias.” Desde o início, o pluralismo comanda a seleção de convidados, mas há alguns limites: “Jamais convidaremos o [presidente do Irã Mahmoud] Ahmadinejad. Nossa fronteira é o compromisso das pessoas com direitos humanos. Você pode ter qualquer viés cultural, mas a defesa da liberdade, da igualdade entre homens e mulheres e o direito à expressão são valores universais”.

Uma das críticas que o evento recebeu foi ter trazido grande número de defensores do ateísmo. No ano passado, enquanto o escritor suíço Alain de Botton falava de seu livro “Religião para Ateus”, ficou claro que algumas pessoas abandonavam a sala com certo ruído, em protesto. Schüler, que não é ateu e vem de uma família de formação luterana, não vê problema nisso. “É um projeto polêmico por definição, é direito das pessoas discordarem, saírem da sala.” Mas a presença, neste ano, da historiadora da religião e ex-freira Karen Armstrong, que encontrou a compaixão como um valor comum a todas as grandes religiões, é sinal de que a crítica foi ouvida.

Pessoalmente, Schüler gosta de se afastar de extremos. É um socialdemocrata, que recusa a démarche esquerda-direita. “Ela envelheceu. Não que não seja legítima e as pessoas não possam recorrer a ela, mas é uma referência que, hoje, cria mais equívocos do que soluções conceituais. É curioso, porque são termos muito difíceis de serem definidos. Como você responderia isto: ‘Quem é mais autoritária: a direita ou a esquerda’? Qual das duas nutre mais preconceitos? Depende, né?”

Nem por isso ele acredita que vivemos um processo de desilusão política. O que temos, diz, é a cultura de dizer que há um descrédito na política. “Veja só: temos uma presidente, que é respeitável, mas que faz um governo médio, muito sujeito a críticas, com mais de 70% de aprovação. Se houvesse desilusão política, como a presidente de um país que tem crescimento econômico pífio poderia ter esse índice de aprovação? No Brasil, as pessoas afirmam seu descrédito na política, mas de fato acreditam na política e nos políticos.”

Já o cansaço que há com relação às formas tradicionais da política, ele vê como um fenômeno global. Como exemplo, se refere ao ex-líder estudantil francês Daniel Cohn-Bendit, de 68 anos, o “Dany Le Rouge” do Maio de 1968, que participou do Fronteiras e com quem conviveu três dias em Porto Alegre. “Quando lhe perguntei o que gostaria de visitar na cidade, ele disse que queria ir ao Instituto Ronaldinho Gaúcho. Até ele, que foi um jovem engajado cansou, quer saber de futebol.”

Na sua visão, as pessoas não irão mais se apaixonar pela política como em algum momento fizeram, nos anos 1980, no Brasil, quando se tratava de fazer uma transição para a democracia e havia comícios com 1 milhão de pessoas pelas Diretas. “Os momentos de êxtase político são passageiros nas sociedades. Ah, o normal da política? As pessoas são inteligentes, têm outra coisa para fazer. Se interessam pela cultura, pela vida privada, pela estética.”

Mario Vargas Llosa no Fronteiras do Pensamento    cultura divulgacao

O escritor Mario Vargas Llosa fará a conferência de abertura no dia 17, em São Paulo; em Porto Alegre, começa em 5 de maio com a especialista em religiões Karen Armstrong
Fato é que Schüler não parece muito convincente quando diz que seu desejo de voltar à política é zero. Ao longo da conversa mostra que essa não é uma certeza: “Olha, a gente nunca sabe o que pode acontecer no futuro…”, diz, rindo. “A minha relação com a política é muito feliz, muito positiva, os quatro anos em que fui secretário de Justiça e Desenvolvimento Social [RGS] foram uma experiência extraordinária. Então, quando você tem uma experiência positiva assim, no fundo, sempre deixa uma porta aberta. Mas não é algo que eu procuro. Não me seduz o poder, a carreira política ou a ideia de disputar votos. Ou de participar de um tipo de debate, que muitas vezes não agrega nada do ponto de vista pessoal.” E arremata com uma frase de efeito: “Li muito Montaigne para me seduzir pelo poder”.

A sua paixão declarada é a gestão pública. Foi gestor público federal, estudou gestão cultural na Universidade de Barcelona. O que lamenta é que o tema da política pública seja muito desvalorizado no Brasil. “Há uma brutal patrimonialização do sistema político sobre a gestão pública. E se confunde muito os interesses públicos com os da máquina pública. Falta a carreira de especialista em política pública.”

Pela experiência que tem como gestor cultural, Schüler acha necessário desburocratizar o sistema de incentivos fiscais. “Nos EUA, o cidadão aporta recursos no Metropolitan Museum, registra a doação e abate de seu imposto a pagar. No Brasil é preciso enviar um projeto para Brasília, que leva meses para ser aprovado. O sistema anglo-saxônico, com fundos de ‘endowments’, fundações privadas com ampla autonomia e sustentabilidade financeira, e pouca interferência estatal, incentiva doações e é superior ao nosso.”

Ainda que se considere um intelectual híbrido, que combina a academia, o ensino e a gestão de projetos, Schüler tem um modus vivendi típico de intelectual. Não gosta de falar da vida privada e o máximo que revela é que mora sozinho. Sua biblioteca com 1.800 livros, a maioria de história, filosofia, arte e literatura, é um item essencial do apartamento. “Não abro mão de ter um escritório grande e silencioso em casa, onde passo a maior parte do tempo. Dizem que a atividade intelectual exige que, em algum momento, você tenha gosto pela solidão.”

Fora os livros, os bons vinhos são um de seus poucos luxos. Consumista? Nem um pouco. “Me identifico muito com o livro do Max Weber, ‘A Ética Protestante’ e o ‘Espírito do Capitalismo’. Não sou um capitalista, mas tenho um estilo de vida quase minimalista. Uso o mesmo sapato até gastar.” O terno é um item essencial de sua indumentária, e Schüler se recusa a despir o paletó quando está sendo fotografado. “Sem paletó vocês vão tirar minha identidade”, brinca, e conta que o terno se tornou um hábito tão vital que o usa mesmo quando não tem reunião alguma. Depois, quase em tom confidencial, mostra o quanto é avesso a modas ao revelar que seu terno está tão surrado que tem alguns furos no tecido.

Por seu trabalho no Fronteiras, Schüler tem colecionado elogios. Até mesmo Adauto Novaes que, nos anos 1980 iniciou ciclos de debate que fizeram sucesso como “O Olhar”, “O Desejo” e vários outros, acha o trabalho de Schüler importante e necessário. Mas permite-se uma sugestão: “Gostaria que o Fronteiras do Pensamento se voltasse um pouco para a questão das mutações, do mundo em transformação. Vivemos uma revolução tecnológica, científica e digital. Estamos um pouco à deriva. Falta quem fale disso, boa parte dos pensadores tendem a lidar com velhos conceitos”.

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