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“A Mulher na Janela” vai virar filme, mas a vida do seu autor é mais sinistra

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O novelista Dan Mallory, que escreve sob o pseudônimo A.J. Finn Imagem: Reprodução/Twitter

Caio Coletti, no UOL

Antes de chegar às prateleiras e se tornar um dos maiores best-sellers do ano passado, o suspense “A Mulher na Janela” foi vendido para várias editoras norte-americanas como o livro de estreia de um estimado membro da comunidade editorial, que assinou a obra com o pseudônimo A.J. Finn.

O nome verdadeiro do autor, no entanto, não foi revelado até o momento em que os lances no leilão pelos direitos de publicação do livro, ocorrido em 2016, atingiram US$ 750 mil. Assim que a revelação foi feita, várias editoras tiraram o seu nome da corrida

Este é só um dos “causos” relatados em uma matéria do “The New Yorker” sobre Dan Mallory, o homem por trás de A.J. Finn. Conversando com vários empregadores, professores, amigos, familiares, concorrentes e colegas de trabalho de Mallory, o repórter Ian Parker revela um rastro de mentiras que marcou a ascensão do agora celebrado autor no mundo editorial.

O livro de Mallory é protagonizado e narrado por Anna Fox, uma mulher que sofre de agorafobia, condição psicológica que há meses a impede de deixar o seu apartamento. Observando os vizinhos pela janela certa noite, ela testemunha o que acha ser um crime violento.

Enquanto a adaptação cinematográfica de “A Mulher na Janela” é filmada em Nova York, com previsão de lançamento para o final do ano, Amy Adams no papel principal e Joe Wright (“O Destino de Uma Nação”) na cadeira de diretor, a história de seu autor parece cada vez mais saída direto de um livro de mistério.

O talentoso Mallory

As semelhanças entre a vida de Mallory e um thriller literário podem ser mais do que mera coincidência. Na Universidade de Oxford, onde começou, mas nunca terminou, um doutorado em inglês, o futuro autor best-seller escreveu extensamente sobre os livros de Patricia Highsmith estrelados pelo personagem Tom Ripley.

Quem se lembra de “O Talentoso Ripley”, adaptação de 1999 estrelada por Matt Damon, sabe que o personagem título não é exatamente um modelo de comportamento. Mentiroso nato, ele aos poucos toma de assalto a vida de um amigo ricaço, Dickie (Jude Law), para fugir da mediocridade do seu próprio dia-a-dia.

Vários dos entrevistados na matéria do “The New Yorker” compararam o comportamento de Mallory com o do personagem. Em uma parte do filme, por exemplo, Ripley escreve cartas fingindo ser Dickie, a fim de dispersar suspeitas sobre o seu paradeiro.

Por um período de meses durante o ano de 2013, Mallory deixou de aparecer no escritório onde trabalhava, na popular editora Morrow, em Nova York. Ao invés de uma explicação do próprio Mallory, vários de seus contatos pessoais e profissionais passaram a receber e-mails que supostamente vinham de seu irmão.

Nas mensagens, “Jake” contava que Mallory estava internado para retirar um tumor cancerígeno, cirurgia perigosa que poderia até mesmo deixa-lo paralisado da cintura para baixo. Quando Mallory voltou ao trabalho, contou a pelo menos uma colega, que o perguntou sobre “Jake”, que o irmão tinha se matado.

“Dan foi tratado de forma horrível por muitas pessoas em sua infância e adolescência, o que fez com que ele se tornasse alguém profundamente solitário. Ele não confia em muita gente. Mantenham Dan em suas orações”, dizia um dos e-mails dessa época, obtido pelo “The New Yorker”.

A alusão a uma infância e adolescência cheia de tragédias remete a um ensaio que Mallory escreveu, anos antes, para tentar ser aceito em Oxford. O texto impressionou o professor Craig Raine, que orientaria o seu doutorado nunca finalizado.

No ensaio, Mallory narrava como teve que cuidar de sua mãe durante uma longa batalha contra o câncer. Ele também contava sobre o seu irmão, que nessa versão dos fatos sofria de distúrbios mentais e fibrose cística, e dizia que por isso tinha que sustentar a família sozinho.

Mallory dizia que tanto a mãe quanto o irmão haviam morrido no mesmo ano. A “cereja no bolo” do relato vinha quando o autor revelava que ele mesmo já havia sido diagnosticado e vencido um câncer, dessa vez no cérebro, que poderia voltar a qualquer momento para destruir sua vida mais uma vez.

O repórter do “The New Yorker”, no entanto, entrou em contato com a família de Mallory, que vive em Amangasett, no estado de Nova York. Tanto sua mãe quanto seu pai e seu irmão estão vivos, e até mesmo acompanham o escritor em viagens de publicidade.

O pai de Mallory falou brevemente com a reportagem, como que para esclarecer uma má concepção sobre seu filho. “A mãe de Dan teve câncer quando ele era pequeno, esteve perto da morte [mas se recuperou]. Mas Dan nunca teve”, comentou John Mallory.

Em uma declaração oficial sobre a matéria, Mallory admitiu vagamente algumas de suas mentiras, alegando que foram produtos de “severa depressão e transtorno bipolar”, que foi diagnosticado apenas em 2015.

Especialistas entrevistados pelo “The New Yorker”, no entanto, apontam que o distúrbio bipolar “não explica enganações organizadas, especialmente aquelas que servem motivos egoístas de ganho pessoal”.

A professora Carrie Bearden, do departamento de psicologia da Universidade da Califórnia, diz que é “muito irresponsável” justificar o comportamento de Mallory com o diagnóstico de transtorno bipolar. “Isso só vai aumentar o já enorme estigma que existe sobre essa doença”, critica.

Editora BestSeller lança “O Encantador de Gatos”, de Jackson Galaxy

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Jackson Galaxy

O Encantador de Gatos é um imprescindível guia para tutores, amantes e estudiosos do comportamento felino; livro chega às melhores livrarias do Brasil

Luis Fernando Pereira, na Cabine Cultural

Jackson Galaxy. Este nome, que poderia ser muito facilmente confundido com o de um rock star, é na verdade a alcunha do mais famoso especialista em comportamento felino do planeta. Apresentador do maravilhoso programa do canal Animal Planet, “Meu Gato Endiabrado”, Jackson enfim vê o seu livro “O Encantador de Gatos”, da Editora BestSeller, ser lançado no Brasil.

E pelo conteúdo do livro, podemos afirmar tranquilamente que se trata de um verdadeiro guia para amantes, tutores e estudiosos desta raça tão complexa que são os gatos. Didático, explicativo ao extremo, o livro de Jackson deixa claro desde o início que gatos são diferentes de cães, mas ambos são amáveis e maravilhosos para se ter como filho, amigo, companheiro, parceiro.

Sem poder ser adestrado, como os cães, os gatos contudo podem ser condicionado a mudar o comportamento, melhorando ainda mais a relação existente entre o felino e o tutor. Disso Galaxy sabe como poucos, afinal de contas, em seu programa, em todas estas temporadas, o que ele mais viu foram gatos problemáticos que na verdade estava sendo mal compreendidos.

Cães x Gatos
Enquanto os cães carregam o título de melhores amigos do homem, sobram adjetivos não tão amistosos para os gatos. Traiçoeiros, ariscos e insensíveis são alguns deles. Mas quem tem felinos em casa sabe que não é bem assim. Eles podem, sim, ser muito carinhosos e companheiros. Este é o trabalho, talvez a missão de vida de Jackson Galaxy: fazer as pessoas perceberem que gatos são tão companheiros quanto cães. Inclusive podendo ser companheiros de cães, o que elimina uma ideia bastante enraizada na cabeça das pessoas, que é a de que cães e gatos não podem conviver em paz e harmonia num mesmo ambiente.

Temas abordados
Para o especialista, problemas como a rejeição à caixa de areia e a agressividade excessiva surgem quando os gatos não estão se sentindo confortáveis em seu espaço. Ele afirma que eles precisam estar em contato com seus instintos naturais, como caçar, comer, limpar e dormir em um ambiente que dominem.

“O Encantar de Gatos” apresenta também uma série de informações sobre como humanos e felinos se relacionaram no decorrer da história, mostra quais são os “códigos dos gatos” e aborda os problemas clássicos com que pais de gatos precisam lidar e como resolvê-los.

Quem gosta de gatos tem desde já um compromisso com as livrarias: “O Encantador de Gatos” é de fato um guia, destes imperdíveis e imprescindíveis para todo e qualquer amante de gatos. Jackson navega por todos os assuntos que interessa: todos os possíveis problemas que um tutor pode ter com seu felino, o livro vai apresentar alguma solução, ou ao menos um entendimento do problema.

Jackson Galaxy é “O Encantador de Gatos”

Meu Gato Endiabrado
Para quem é fã do seu programa no canal fechado Animal Planet, o livro acaba sendo tão somente uma extensão, já que muito do que lemos já foi, em algum momento, colocado em alguma edição do programa. Isto, contudo, não deixa o livro menos maravilhoso. O melhor de um guia como estes é que ele estará lá, para todo o sempre, pronto para tirar dúvidas ou esclarecer questões sobre o comportamento felino. Quem ler certamente sairá mais sábio no que tange o comportamento dos gatos.

Obrigatório.

Os autores
Jackson Galaxy é especialista em Comportamento felino. Há quase 25 anos trabalha para melhorar a vida dos gatos em seus lares e abrigos, além de ser apresentador e produtor executivo do programa Meu gato endiabrado, sucesso do canal Animal Planet. É coautor dos best-sellers do New York Times Catification: Designing a Happy and Stylish Home for Your Cat (and You!) e Catify to Satisfy, e autor da autobiografia Cat Daddy: What the World’s Most Incorrigible Cat Taught Me About Life, Love, and Coming Clean.

Mikel Delgado, ph.D., tem ajudado humanos a entender os gatos há mais de 15 anos. É consultora de comportamento no Feline Minds e pesquisadora da University of California, Davis School of Veterinary Medicine. Mikel é ph.D. em psicologia pela University of California, em Berkeley, onde estudou comportamento animal e as relações entre animais e seres humanos.

Escritora processa Disney e Pixar por suposto plágio em “Divertida Mente”

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Cena da animação “Divertida Mente”, da Pixar Imagem: Divulgação

Publicado no UOL

A escritora norte-americana Carla J. Masterson entrou na corte federal dos Estados Unidos contra a Disney e a Pixar alegando que os estúdios teriam se baseado em dois de seus livros para o filme “Divertida Mente”, vencedor do Oscar de melhor animação em 2016.

Masterson diz que a história é muita parecida com os seus livros infantis “What’s  on  the  Other  Side of the  Rainbow?” (“O que tem do outro lado do arco-íris?”, em tradução literal) e “The Secret of the Golden Mirror” (“O segredo do espelho dourado”, em tradução literal).

Ambas as obras “são histórias originais, criativas e artísticas sobre como as crianças se identificam, entendem as razões e gerenciam os efeitos de suas emoções”, diz o processo.

“A ideia original, artística e criativa e de Carla J. Masterson em ‘What’s on  the  Other  Side of the  Rainbow?’ e ”The Secret of the  Golden  Mirror’ é descrever as emoções infantis de alegria, medo, tristeza, raiva, diversão, amizade, amor e timidez como personagens que aparecem em todo o livro em diferentes formas e cores”, continua o processo.

Em “Divertida Mente”, os protagonistas são as emoções da menina Riley: Medo, Tristeza, Alegria, Nojinho e Raiva. Elas comandam o comportamento e as reações da garotinha de dentro de um centro de controle na mente. As emoções são demonstradas com personagens diferentes e bolinhas coloridas.

Ainda de acordo com o documento que está na Justiça, uma versão ilustrada do livro “What’s on  the  Other  Side of the Rainbow?” foi distribuída como brinde para participantes das cerimônias do Emmy, em 2010, e do Oscar, em 2011, festas frequentadas por executivos da Disney e Pixar.

A escritora calcula que deixou de ganhar, no mínimo, US$ 75 mil. Já os acusados ganharam mais de US$ 1 bilhão em receita bruta e mais centenas de milhões de dólares em lucro líquido de uma combinação de vendas de ingressos de bilheteria, mídia doméstica, mercadorias e licenciamento. “Divertida Mente” arrecadou US$ 857 milhões nas bilheterias mundiais em 2015, tornando-se o sexto filme de maior bilheteria daquele ano.

A inspiração para “Divertida Mente”, segundo o diretor e roteirista Pete Docter, teria sido sua própria filha, que teve uma mudança brusca no comportamento quando completou 11 anos, em 2009.

Leitura na escola: território em conflito

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18 de abril, Dia Nacional do Livro Infantil. Tânia Rêgo/ Agência Brasil

18 de abril, Dia Nacional do Livro Infantil. Tânia Rêgo/ Agência Brasil

 

Livros infanto-juvenis também são vítimas da onda conservadora no Brasil

José Ruy Lozano, no El País

Carlota, Molly e Mary são garotas boazinhas, mas gostam de fazer suas “artes”. Quando o pai ou a tutora percebem alguma atitude reprovável, contam histórias que se relacionam ao malfeito, fazendo com que as meninas confessem e acabem por emendar-se. Eis a estrutura básica de O tesouro das meninas, impresso no século XVIII e considerado um dos primeiros livros infantis brasileiros, ao lado de sua contraparte masculina, O tesouro dos meninos. Escritas originalmente em francês, as obras não escondem seu objetivo: educar os jovens para a civilidade, domar seus espíritos brutos com narrativas suaves, porém edificantes. Nos prefácios de ambos, os autores recomendam a leitura a pais, professores e, por último (talvez menos importante), aos próprios jovens.

Lá se vão duzentos anos, mas a expectativa dos pais em relação ao que seus filhos devem ler parece continuar a mesma. Praticamente todos os educadores brasileiros são testemunhas de ataques das famílias às escolas, motivados pela adoção de livros considerados impróprios ou, num jargão típico da anglofonia globalizada, “inapropriados” para crianças. Colégios particulares são alvos fáceis do neoconservadorismo moralista redivivo no Brasil. Afinal, são prestadores de serviço e devem satisfações ao cliente.

Um recente exemplo do conflito entre pais e mestres ocorreu em Belo Horizonte. O tradicional colégio católico Santa Maria solicitou aos alunos a leitura de A marca de uma lágrima, romance de Pedro Bandeira publicado em 1985 e premiado como melhor livro juvenil pela Associação Paulista dos Críticos de Arte no ano seguinte. Trata-se da história de um amor não correspondido entre adolescentes no contexto da descoberta da sexualidade. Pais de alunos do sétimo ano fizeram um abaixo-assinado para a remoção do livro, alegando que ele poderia “causar comportamentos irreparáveis (sic), presentes e futuros” incompatíveis com uma escola “reconhecidamente católica”.

O campo da sexualidade e do comportamento é o alvo predileto de reações moralistas diante da leitura de obras de ficção, da mesma forma que temas políticos estão na mira da sanha conservadora, a rastrear qualquer suspeita de “doutrinação socialista” nos livros didáticos de História e Geografia. No final do ano passado, o Colégio Marista de Brasília se viu às voltas com a controversa retirada do livro A família de Sara, de Gisela Gama Andrade, de sua lista de leituras. Trata-se da história de uma menina cuja família é composta pela mãe e por dois irmãos; Sara não gosta da comemoração escolar do dia dos pais e reclama da festa. A polêmica, que transbordou para as redes sociais e ganhou a hashtag #voltasara, passa pelo reconhecimento de novas realidades familiares, em oposição à defesa irrestrita, por alguns, da chamada família tradicional brasileira.

A forte rejeição a discussões mais contemporâneas sobre comportamento parece indicar uma recusa anterior, a recusa à realidade. Estamos testemunhando uma espécie de privatização da infância: os pais não querem ceder seus filhos ao mundo, desejam mantê-los envoltos no conforto de suas casas, decidindo, ou imaginando decidir, quando e como eles irão amadurecer, quando e como terão contato com temas e problemas que se impõem no mundo exterior. A escola, no entanto, é o espaço destinado a preparar os mais jovens à esfera pública, à atuação no espaço coletivo. Muitas famílias não aceitam esse papel da instituição escolar, encarando-a como extensão de suas vontades e preferências particulares.

O discurso protetor e moralista curiosamente desaparece quando o assunto é a leitura fora da escola. A última Bienal do Livro de São Paulo que o diga: crianças e adolescentes lotaram o auditório principal para receber a youtuber Kéfera Buchmann. Celebridade do mundo virtual, ela é autora de best-sellers que misturam banalidades da vida cotidiana a afirmações sobre como ser famoso, temperadas com pitadas indulgentes de autoajuda e exibicionismo narcisista.

No palco da Bienal, Kéfera dançou a clássica Na boquinha da garrafa, cantada em uníssono pelos jovens que precisam ser protegidos da exposição precoce à educação sexual. Para alegria da galera, a videomaker também fez uma “sarrada” – movimento que consiste num pulo e na projeção dos quadris para frente. Milhares de exemplares vendidos, milhões de curtidas nas redes sociais, Kéfera é um fenômeno que passa incólume pelos zelosos pais de família. Afinal, é movido pelos impulsos do mercado, promove a cultura do consumo e do sucesso. Nada tem a ver com a ameaçadora reflexão crítica que a escola teima em sustentar.

José Ruy Lozano é professor do Instituto Sidarta e autor de livros didáticos.

Professor nos EUA suspende mais aluno negro que branco, diz pesquisa

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Professores interpretam comportamento de acordo com a cor do aluno.
Estudo mostra que estereótipo pode influenciar em relações fora da escola.

usa11

Publicado no G1

Um estudo feito pelo governo dos Estados Unidos detectou que o aluno negro tem três vezes mais chances de ser suspenso ou expulso da escola do que um estudante branco.
Pesquisadores de psicologia da Universidade Stanford fizeram então um estudo para tentar descobrir algumas razões dessa discrepância, e concluíram que os professores tendem a ver de forma diferente o comportamento indisciplinado de um aluno de acordo com a sua cor – sendo muito menos tolerante com o estudante negro.

“O fato de que as crianças negras são desproporcionalmente disciplinadas na escola é indiscutível”, disse a professora de psicologia de Stanford Jennifer Eberhardt. “O que está menos claro é o porquê.”

No estudo, “Duas batalhas: raça e o disciplinamento dos jovens estudantes”, que foi recentemente publicado na revista Psychological Science, o psicólogo Jason Okonofua e Eberhardt falaram sobre os dois estudos experimentais, que mostraram que os professores tendem a interpretar o mau comportamento de acordo com a cor de pele do aluno.

Foram apresentados aos professores do ensino fundamental e médio dois registros escolares descrevendo dois casos de mau comportamento por um estudante. Depois de ler sobre cada infração, os professores foram questionados sobre sua percepção da gravidade, sobre quão irritados eles se sentiriam pelo mau comportamento do aluno, quão severamente o aluno deveria ser punido e se eles viram o aluno como um encrenqueiro.

Um segundo estudo seguiu o mesmo protocolo e perguntou aos professores se eles achavam que o mau comportamento foi parte de um padrão e se eles poderiam imaginar a suspensão do aluno no futuro.

Os nomes dos arquivos foram escolhidos aleatoriamente pelos pesquisadores, o que sugeria que em alguns casos o estudante era negro – nomes como DeShawn ou Darnell – e em outros casos que o estudante era branco – nomes como Greg ou Jake.

Em ambos os estudos, os pesquisadores descobriram que os estereótipos raciais dos professores apareceram após a segunda infração. Os professores acreditavam que a segunda infração foi cometida por um estudante negro em vez de um estudante branco.

Estereótipo
Na verdade, o estereótipo de estudantes negros como “encrenqueiros” levou os professores a desejarem disciplinar estudantes negros mais duramente do que os estudantes brancos após duas infrações. Eles eram mais propensos a ver o mau comportamento como parte de um padrão e pensaram em suspender o aluno no futuro.

“Vemos que os estereótipos não só podem ser usados para permitir que as pessoas interpretem um comportamento específico de forma isolada, mas também podem aumentar a sensibilidade aos padrões de comportamento ao longo do tempo. Especialmente relevante no contexto escolar”, disse Eberhardt.

Entretanto, estes resultados têm implicações para além do ambiente escolar. “A maioria dos relacionamentos sociais implicam em repetidos encontros. As relações entre policiais e civis, entre empregadores e empregados, entre agentes penitenciários e presos podem estar sujeitos ao efeito dos estereótipos, como identificamos em nossa pesquisa”, afirma Okonofua.

Tanto Okonofua quanto Eberhardt sugeriram que conversas com os professores poderiam ajudá-los a ver o comportamento dos alunos como maleável e não como um reflexo de uma disposição fixa, como a de encrenqueiro.

Enquanto as disparidades raciais podem ser reduzidas por meio de intervenções psicológicas, que podem ajudar a melhorar os comportamentos dos alunos negros na aula, também é importante entender como esse comportamento é interpretado por professores e autoridades escolares, disse Okonofua.

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