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O desafio de educar meninas

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"O fato é que hoje as meninas aprendem que seu papel é ter uma boa aparência e se comportar educadamente", diz a educadora britânica Sue Palmer (Foto: Ragnvid Magnus/Getty Images)

“O fato é que hoje as meninas aprendem que seu papel é ter uma boa aparência e se comportar educadamente”, diz a educadora britânica Sue Palmer (Foto: Ragnvid Magnus/Getty Images)

Você, que é pai ou mãe de menina, já se deu conta do desafio que é educar sua filha. Comportada, linda, inteligente, meiga… Cuidado com as prescrições! É o que alerta a educadora britânica Sue Palmer em seu novo livro sobre como criar garotas em uma sociedade consumista e desigual. Confira o que ela disse para a CRESCER

Naíma Saleh, na revista Crescer

Meninas usam rosa e vestem saias e vestidos – que, aliás, sempre atrapalham na hora de brincar. Além disso, têm o dever de se comportar bem e estar com o visual impecável para causar boa impressão. De que século estamos falando mesmo? A educadora britânica Sue Palmer, em sua obra mais recente, 21st Century Girls (Meninas do Século 21, em tradução livre), investiga como a educação e o desenvolvimento das garotas vêm sendo transformados pelos adventos da modernidade – desde a cobrança para alcançar padrões estéticos inatingíveis até a desvalorização das características tipicamente femininas, como a empatia e o cuidado. E aponta caminhos para os pais não deixarem isso acontecer.

Especializada em alfabetização, Sue já escreveu mais de 250 publicações e há 15 anos dá palestras sobre o assunto no Reino Unido. O contato com diferentes centros de ensino, educadores e especialistas serviu de matéria-prima para seus livros, além, é claro, de sua experiência como mãe – hoje, sua filha, Beth, tem 28 anos. Confira a seguir os principais pontos do bate-papo exclusivo que CRESCER teve com a autora.

Meninos x Meninas

“A diferença essencial é que garotas têm mais facilidade para se socializar. O que pode ser bom para adquirir habilidades sociais, mas ruim se levar ao excesso de complacência – uma tendência a agradar as pessoas ou uma ansiedade constante a respeito da impressão que causa nos outros. Isso também mostra que as meninas, normalmente, são mais conscientes dos sentimentos alheios, o que é positivo pela empatia e pelo cuidado, mas ruim se a habilidade for usada para a manipulação. Em contrapartida, os meninos, sendo menos sociáveis, em geral, são mais diretos.”

“Alpha girls”

“O mundo está cheio de garotas que eu chamo de ‘alpha girls’. Elas pertencem a famílias razoavelmente ricas, vivem sob tremenda pressão para serem impecáveis, vestem-se na moda, são magras, tiram boas notas na escola, fazem uma porção de atividades extracurriculares e têm vida social fervilhante. A pressão para manter esse personagem é exaustiva. Segundo a feminista Courtney Martin, elas ouvem ‘você pode fazer qualquer coisa’ e traduzem como ‘eu preciso ser tudo’. A maneira de evitar isso é tratar
a filha desde bem cedo como um ser individual com personalidade única e dar a ela a certeza de que é amada por ser ela mesma e não pelo que ela parece ser, por suas conquistas ou por suas notas na escola. Isso ajudaria os pais na educação.”

Como criar garotas

“A função de um adulto, na educação de qualquer criança – menino ou menina– é ensinar a capacidade que o ser humano tem de amar. Isso se traduz na empatia e no cuidado, que são tão vitais para a sobrevivência humana quanto o potencial intelectual. No entanto, o maior desafio de pais de garotas é aproveitarem juntos, relaxarem, explorarem a natureza, passarem experiências de vida interessantes e serem modelos inspiradores. Frequentemente, os adultos não têm esse tempo e as crianças começam a cultivar a publicidade e o marketing como referência. O papel da mãe, diretamente em contato com a filha, também é essencial para transmitir o conhecimento acumulado durante gerações.”

Consumismo, tecnologia e sexualidade

“A infância passa por uma ‘tempestade perfeita’, causada pela convergência do consumismo competitivo, da inovação tecnológica e da revolução sexual. Tudo isso tem afetado as meninas. No fim do século 20, acreditávamos avançar na igualdade de gênero, no fato de que as mulheres seriam (mais…)

5 livros para quem gosta de pensar “fora da caixa”

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Josie Conti, no Conti Outra

As convenções sociais e obrigações diárias te deixam entediado (a)? Nem todas as pessoas são capazes de entender as suas piadas? Você é aquele tipo de pessoa que sempre enxerga a realidade por um terceiro e quarto ângulo?

Os livros e escritores mencionados abaixo oferecem diferentes olhares sobre as realidades com as quais estamos acostumados. Confesso que eles fizeram parte de horas muito interessantes dentre as minhas leituras dos últimos anos. Tente acompanhá-los!

1Fora de Série – Outliers

Malcom Gladwell

O que torna algumas pessoas capazes de atingir um sucesso tão extraordinário e peculiar a ponto de serem chamadas de ‘fora de série’? Costumamos acreditar que trajetórias excepcionais, como a dos gênios que revolucionam o mundo dos negócios, das artes, das ciências e dos esportes, devem-se unicamente ao talento. Mas neste livro você verá que o universo das personalidades brilhantes esconde uma lógica muito mais fascinante e complexa do que aparenta.

Baseando-se na história de celebridades como Bill Gates, os Beatles e Mozart, Malcolm Gladwell mostra que ninguém ‘se faz sozinho’. Todos os que se destacam por uma atuação fenomenal são, invariavelmente, pessoas que se beneficiaram de oportunidades incríveis, vantagens ocultas e heranças culturais. Tiveram a chance de aprender, trabalhar duro e interagir com o mundo de uma forma singular. Esses são os indivíduos fora de série – os outliers.

Para Gladwell, mais importante do que entender como são essas pessoas é saber qual é sua cultura, a época em que nasceram, quem são seus amigos, sua família e o local de origem de seus antepassados, pois tudo isso exerce um impacto fundamental no padrão de qualidade das realizações humanas. E ele menciona a história de sua própria família como exemplo disso. Outro dado surpreendente apontado pelo autor é o fato de que, para se alcançar o nível de excelência em qualquer atividade e se tornar alguém altamente bem-sucedido, são necessárias nada menos do que 10 mil horas de prática – o equivalente a três horas por dia (ou 20 horas por semana) de treinamento durante 10 anos. Aqui você saberá também de que maneira os legados culturais explicam questões interessantes, como o espantoso domínio que os asiáticos têm da matemática e o fato de o número de acidentes aéreos ser significativamente mais alto nos países onde as pessoas se encontram a uma distância muito grande do poder.

1Freakonomics – O Lado Oculto e Inesperado de Tudo que nos Afeta

Stephen J. Dubner; Steven D. Levitt

O livro-destaque do ano, segundo o New York Times.

Considerado o melhor livro do ano pelo The Economist, pela New York Magazine, pela Amazon.com e pela Barnesandnoble.com
Vencedor – Prêmio Quill 2005 para o melhor livro do ano sobre negócios
Finalista ? Prêmio Financial Times/Goldman Sachs para o melhor livro do ano sobre negócios

“Se fosse economista, Indiana Jones seria Steven Levitt… Um caçador de tesouros ímpar, cujo sucesso se deve à sua verve, coragem e ao seu menosprezo pela sabedoria convencional… Freakonomics se parece com uma história de detetive… Fiz força para descobrir nele algo do que reclamar, mas desisti. Criticar Freakonomics seria como falar mal de um sundae de chocolate. A cereja do arremate, Stephen Dubner… nos faz rir num momento e levar um susto em seguida. O senhor Dubner é uma pérola das mais raras”.
(Wall Street Journal)

“Freakonomics é um livro esplêndido, cheio de detalhes históricos improváveis, porém impressionantes, que diferencia o autor da massa de cientistas sociais em voga”.
(New York Times)

“O cara é interessante! Freakonomics cativa e é um livro sempre interessante, rico em sacadas, cheio de surpresas… [e] abarrotado de idéias fascinantes”. Washington Post Book World “Levitt utiliza ferramentas estatísticas simples, mas elegantes. Chega ao âmago da questão e escolhe tópicos fascinantes. Todos os cientistas sociais deveriam indagar de si mesmos se os problemas em que estão trabalhando são tão interessantes ou importantes quanto os abordados neste livro fantástico”.
(Los Angeles Times Book Review)

1A arquitetura da felicidade

Alain de Botton

De Botton acredita que o ambiente afeta as pessoas de tal modo que não seria exagero dizer que a arquitetura é capaz de estragar ou melhorar a vida afetiva ou profissional de alguém. Uma de suas teses é a de que o que buscamos numa obra de arquitetura não está tão longe do que procuramos num amigo.

Ao construir uma casa ou decorar um cômodo, as pessoas querem mostrar quem são, lembrar de si próprias e ter sempre em mente como elas poderiam idealmente ser.

O lar, portanto, não é um refúgio apenas físico, mas também psicológico, o guardião da identidade de seus habitantes. Seguindo esse raciocínio, o autor conclui nesta obra que quando alguém acha bonita determinada construção, é porque a arquitetura reflete os valores de quem a elogia. Pode até mesmo expor as idéias de um governo. Cada obra de arquitetura expõe uma visão de felicidade.

Nota da página: Infelizmente esse livro está esgotado. Esperamos que haja uma nova edição em breve.

1Rápido e devagar: duas formas de pensar

Daniel Kahneman

Eleito um dos melhores livros de 2011 pelo New York Times Book Review.

O vencedor do Nobel de Economia Daniel Kahneman nos mostra as formas que controlam a nossa mente em Rápido e devagar, as duas formas de pensar: o pensamento rápido, intuitivo e emocional e o devagar, lógico e ponderado.

Comportamentos tais como a aversão á perda, o excesso de confiança no momento de escolhas estratégicas, a dificuldade de prever o que vai nos fazer felizes no futuro e os desafios de identificar corretamente os riscos no trabalho e em casa só podem ser compreendidos se soubermos como as duas formas de pensar moldam nossos julgamentos.

Daniel nos mostra a capacidade do pensamento rápido, sua influência persuasiva em nossas decisões e até onde podemos ou não confiar nele. O entendimento do funcionamento dessas duas formas de pensar pode ajudar em nossas decisões pessoais e profissionais.

1Contestadores

Edney Silvestre

A obra reúne entrevistas de grande profundidade com pensadores e celebridades, divididas nas categorias – boxeadores, tempestuosos, cordiais, militantes e visionários. Entre eles Norman Mailer, Camille Paglia, Paulo Francis, Noam Chomsky, Salman Rushdie, Edward Albee, Nan Goldin, Gloria Steinen e Paulo Freire

Chamada de ‘burra’ nos tempos de escola, jovem lança HQ sobre bullying

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Vanessa Bencz foi diagnosticada com transtorno de déficit de atenção.
‘Quem pratica bullying também tem problema e precisa ser ouvido’, diz.

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Paulo Guilherme, do G1

Durante boa parte da infância, a catarinense Vanessa Bencz se acostumou com as notas baixas na escola, a dificuldade em se concentrar durante a aula, e o estigma de que não conseguiria aprender nada. Se via perdida em meio às brincadeiras dos colegas de classe, isolada em um canto da sala, às vezes reprovada com olhares pelos professores. “Ninguém queria andar perto de mim. Diziam que a burrice era contagiosa”, afirma.

Vanessa demorou para descobrir que sofria de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e a entender que era vítima de bullying. Hoje, jornalista formada, ela conta a sua trajetória em forma de ficção no livro de história em quadrinhos “A menina distraída”.

A jovem de Joinville (SC) diz que descobriu que algo estava errado em sua vida aos dez anos, depois de tirar várias notas zero nas provas. Era comum parar de prestar a atenção na aula para olhar pela janela ou desligar-se da aula para desenhar no caderno.

“Sempre fui muito tímida e tirava só nota baixa. Ninguém queria andar comigo”, afirma. “Eu só não repetia de ano porque estudava em colégio particular que me aprovava por causa das mensalidades.”

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Já na adolescência, um professor de matemática a repreendeu diante de toda a classe depois de flagrá-la desenhando em vez de fazer os exercícios. “Ele disse que eu jamais seria uma desenhista, no máximo iria fazer cartaz de supermercado.”

Os pais encaminharam Vanessa para uma psicóloga e aos poucos seu desempenho escolar começou a melhorar. A psicóloga diagnosticou o transtorno de déficit de atenção e passou a orientar Vanessa a como fazer seu cérebro funcionar “à sua maneira”. “Ela me explicou que se eu anotasse o que o professor falava, dormisse 20 minutos à tarde e olhasse o que anotei em seguida, conseguiria entender melhor”, explica. “Meu problema era ficar olhando para a janela.”

A psicóloga recomendou muita leitura para Vanessa, como as séries “Harry Potter” e “Senhor dos anéis”. Passou a escrever melhor, fazer ótimas redações, fez vestibular e entrou em jornalismo. Na faculdade, ganhou vários amigos.

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Também no ensino superior foi se consultar com uma psiquiatra que a receitou o uso de ritalina. Na medicina, a droga de uso controlado é usada para reduzir impulsividade e hiperatividade de pessoas com TDAH. “Meu cérebro é como uma orquestra maluca, todo mundo tocando ao mesmo tempo”, diz Vanessa.

O uso da ritalina por quem não precisa de tratamento é condenado pelos médicos. Além de não aumentar o poder de concentração, o remédio pode trazer riscos para a saúde.

Identificação

A jovem teve a ideia de escrever um livro em formato de história em quadrinhos para discutir os problemas que quem tem dificuldades na escola sofre. “Fiz algumas palestras e conheci muitos alunos que se identificaram com a minha história”, afirma Vanessa, que chamou o namorado, Pedro Ori, para ilustrar a obra. Ela vez uma campanha no site de crowfunding Catarse e arrecadou R$ 21 mil para a produção do livro.

Na história em quadrinhos, a personagem Leila não presta atenção no professor, não consegue fazer amizades e acaba excluída na escola. Então, ela cria um ‘alter ego’ e passa a interagir com ela. “Ela desenha a Mulher Raio, uma heroína capaz de resolver todos estes problemas.”

A história mostra ainda que o menino que praticava o bullying é, no fundo, alguém que também tem muitos problemas e precisa de cuidado e atenção. “A escola e os pais precisam entender que não apenas quem sofre o bullying, mas também quem pratica, precisa ser ouvidos. Em geral eles excluem todo mundo, tanto o agressor quanto o agredido”.

O livro será distribuídos em escolas da rede pública e estará à venda por R$ 25.

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Gentileza é chave para mundo melhor e prazeroso, diz autora

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Rosana Braga, a autora que já vendeu mais de 30 mil livros sobre gentileza, desde 2007: Gentileza de verdade começa dentro de cada um Foto: Divulgação

Publicado no Terra

Jornalista, psicóloga, palestrante, escritora e consultora em relacionamento, Rosana Braga, 41 anos, é autora dos livros O Poder da Gentileza (30 mil exemplares vendidos), de 2007 e relançado em 2010, e Pílulas de Gentileza, de 2012, ambos lançados pela editora Qualitymark. Estudiosa do comportamento e das relações humanas há 16 anos, Rosana acredita que a gentileza é um modo de ser e um jeito de olhar o mundo, os acontecimentos, os outros e a si.

Terra – A quais conclusões chegou, escrevendo estes dois livros sobre gentileza?
Rosana Braga – Percebi que as pessoas desejam, sobretudo, ser aceitas e amadas pelo que são. E esta conquista fica infinitamente mais fácil, prazerosa, eficiente e saudável quando elas compreendem que a gentileza é um modo de ser, um jeito de olhar o mundo, os acontecimentos, os outros e a si mesmas. Percebi também que, apesar de trazer tantos resultados positivos, a gentileza e o afeto eram vistos como algo pejorativo, de certa forma. Chamei esse estudo de Inteligência Afetiva.

Terra – Como as pessoas podem alcançar o “poder da gentileza”? 
Rosana Braga – Com prática. Muita prática e diária. Algumas pessoas nascem mais predispostas ao comportamento gentil. Entretanto, quando quer, qualquer pessoa pode aprender e desenvolver a gentileza. No ritmo atual do mundo, não é fácil praticar a gentileza. O que mais as pessoas acreditam que precisam é de velocidade e excesso de pensamentos. Várias pesquisas têm apontado para a grande vantagem de pisar no freio, pensar menos (meditar) e praticar a gentileza. Além de mais saúde, a felicidade é inevitável quando quebramos o paradigma da impaciência.

Terra – De que maneira, o carinho e o afeto influenciam as relações pessoais e profissionais?
Rosana Braga –
Num ambiente onde a gentileza é consistentemente praticada (e não somente quando se quer obter algo do outro), as pessoas se tornam mais receptivas, mais dispostas a ajudarem umas às outras e muito mais equilibradas. Quanto mais gentileza uma pessoa pratica, mais ela se sente bem e maior se torna a vontade dela de ser ainda mais gentil. Gentileza de verdade começa dentro de cada um. Reconhecer os próprios limites, expressar os próprios sentimentos de modo afetuoso, mesmo que não sejam os sentimentos mais fáceis de lidar, são maneiras altamente eficientes de se praticar a gentileza. Carinho e afeto são ingredientes essenciais para a existência e para a evolução humana.

Terra – Os leitores procuram você para tirar dúvidas sobre como serem mais gentis?
Rosana Braga –
O livro Pílulas de Gentileza foi escrito para sanar a maior das dúvidas entre as pessoas. Após uma palestra ou um artigo sobre gentileza, era muito comum me procurarem para saber como ser gentil num momento difícil, onde o outro é grosseiro. Então, escrevi 51 formas de praticar a gentileza quando esta atitude lhe parecer a mais difícil. E explico quais os benefícios desta prática. São dicas simples e bem fáceis de serem compreendidas.

Paulo Coelho: “Não dou autógrafo”

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O escritor Paulo Coelho, que lança seu 28º livro, o romance 'Adultério'

O escritor Paulo Coelho, que lança seu 28º livro, o romance ‘Adultério’

Morris Kachani, na Folha de S.Paulo

Aos 66 anos, o escritor Paulo Coelho se prepara para lançar seu 28º livro. “Adultério” será publicado inicialmente no Brasil, com uma tiragem de 100 mil exemplares. Até o final do ano, será lançado em mais de 34 países.

A história é um triângulo amoroso formado por Linda, uma jornalista que vive aparentemente um conto de fadas, seu marido rico e um antigo namorado dos tempos de escola, político em ascensão, também casado.

Coelho conta que a ideia de escrever sobre adultério surgiu após consultar seus seguidores na internet. São 19 milhões no Facebook e 9 milhões no Twitter.

“Oitenta por cento das pessoas consultadas falavam em depressão induzida por uma infidelidade conjugal. Comecei a entrar em fóruns de maneira anônima para entender por que reagiam dessa maneira”, diz. “Terminei em duas ou três pessoas que me serviram de base para a composição dos personagens.”

Ocupante da cadeira de número 21 da Academia Brasileira de Letras, Paulo Coelho tem 165 milhões de livros vendidos no mundo, traduzidos em 80 idiomas.

Para esta entrevista, o escritor recebeu 22 perguntas por e-mail. Decidiu selecioná-las e gravou as respostas em um podcast. Leia os principais trechos.

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Folha – Por que escolheu o adultério como tema?
Paulo Coelho – Eu tinha visto um filme sobre um estudo que marcou a geração dos meus pais, que foi o relatório Kinsey, no qual um cientista desenvolveu uma pesquisa de comportamento sexual.

Depois dele, as pessoas passaram a ficar menos preocupadas e encucadas com seu próprio comportamento sexual. Antes, todo mundo achava que era único, que só ele tinha esse problema, que só ele se masturbava, que só ele gostava disso ou daquilo.

Com o relatório, houve uma espécie de alívio geral, ficou evidente que ninguém estava sozinho. Daí pensei, ‘puxa vida, qual seria o grande problema hoje em dia?’.

A que conclusão chegou?
Perguntei aos meus leitores na web sobre o que achavam da depressão, que me parecia ser o maior problema humano hoje. Efetivamente as pessoas começaram a falar a respeito, mas, na verdade, 80% delas falavam em depressão induzida por uma infidelidade conjugal. Deduzi que o tema era adultério.

Oitenta por cento das pessoas com depressão induzida por uma infidelidade conjugal é um número muito alto, não?
No final das contas, infidelidade conjugal e depressão são duas coisas diferentes. O verdadeiro deprimido não quer saber de conversar sobre depressão. Uma coisa são esses problemas que a gente têm na vida diária, outra são as questões médicas, a serem tratadas com remédio.

Qual seu entendimento sobre a depressão e a melancolia na vida contemporânea, e o uso disseminado de remédios de tarja preta?
É engraçado porque quando entrei nos fóruns sobre adultério, nenhuma das pessoas se tratava com remédio. Acho que o remédio sufoca teu enfrentamento com o problema, ele não mostra. Ninguém ali estava se tratando. As pessoas realmente deprimidas não participaram da discussão, nem estão em fóruns nem nada. Estão tomando seus remédios de tarja preta.

O adultério deve ser considerado um pecado?
Eu não julguei o casamento, o adultério, não julguei nada. Acho que um escritor muitas vezes é apenas um repórter do seu tempo.

O que representa este livro para você e no contexto de sua obra?
Foi um desafio interessante. Não posso viver sem desafios. Meus ciclos são de dois anos. Posso falar de qualquer assunto. Em outros livros já tratei do espiritual, da prostituição, da lenda, da loucura ou da cultura das celebridades. Mas o que marca todos é a ideia do estilo. Você pode ser simples sem ser superficial.

Qual é seu momento atual?
Vivo de maneira praticamente isolada. Não faço lançamento e não dou autógrafo. Atualmente tenho comunidades muito fortes. No Facebook, já cheguei a 19 milhões de seguidores, no Twitter tenho 9 milhões. Vinte por cento são brasileiros. Isso tudo me permite interagir com meu leitor, coisa que não podia fazer antigamente.

A superficialidade das relações nas redes sociais não te incomoda?
Eu discordo quando você diz que tem superficialidade. Acho que pode ser superficial. Mas existe uma relação muito intensa também. Acabei conhecendo gente muito interessante nas comunidades sociais. É só saber o mapa da mina e procurar pessoas que te interessam. Mas sobre passar muito tempo nas redes sociais, é verdade. Fico aqui muito tempo, mais tempo do que deveria.

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