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A briga pelo futuro dos livros

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Com a entrada de Amazon e Livraria Cultura na disputa por e-books, o mundo livreiro pode mudar radicalmente

Pedro Doria, em O Globo

Faz meses, já, que o mercado brasileiro vinha sendo aquecido para a chegada dos e-books. E, aí, tanto Livraria Cultura quanto Amazon se lançaram ao jogo no mesmo dia. Foi na última quarta-feira que o site da americana foi ao ar e que a brasileira fez uma festa em sua matriz, no Conjunto Nacional da Avenida Paulista, para lançar no mercado seu leitor de livros eletrônicos, o Kobo. Alguns dos acordos com editoras foram fechados em cima da hora. E, isso desaponta por certo os consumidores, os preços não são tão mais baixos assim. De cara, parece injusto. Mas é tudo resultado de uma dança complexa.

Hoje, o leitor que quiser comprar a edição eletrônica de uma obra tem algumas opções. Já existiam a livraria virtual Gato Sabido e a Saraiva. A Apple também estava no mercado. Com Amazon e Cultura, fecham em cinco os principais fornecedores. Os interesses de cada um destes atores, porém, são distintos.

Não raro, descrevemos na imprensa a Amazon como a maior livraria virtual do planeta. É verdade. Mas o negócio da Amazon não é vender Kindle ou livro. Pelo contrário. Tanto o leitor eletrônico Kindle, quanto os livros de papel, quanto os livros eletrônicos dão prejuízo. E o algoritmo da Amazon, o programinha por trás do site, é inteligente. Ele muda o preço a cada visita, fazendo minúsculos ajustes. Ele conhece o comportamento de cada cliente. A Amazon é uma máquina de seduzir. E seu truque é simples: ela ganha dinheiro vendendo outras coisas.

Por enquanto, a loja brasileira está apenas no ramo de e-books. O Kindle, cujo preço do modelo mais simples será R$ 299, é um chamariz. Ele só lê livros comprados na própria Amazon. A ideia é prender mesmo o consumidor, cultivar seus hábitos de contínuo retorno, para que um dia ele compre também um aparelho de TV ou qualquer outra coisa cara e lucrativa. Livros são a isca. (Também é possível ler livros da Amazon no iPad e tablets Android.)

A Apple está no ramo de livros eletrônicos por um segundo motivo. Ela deseja que seu tablet seja o mais completo possível. Se dispor de uma biblioteca bem fornida para venda incentivar a compra de iPads, está no ramo. Mas, para ela, é um negócio secundário.

Livrarias como a Barnes & Noble, nos EUA, e a Cultura, no Brasil, entram no jogo numa posição defensiva. Se o mercado da literatura digital é inevitável, melhor estar nele do que ver um concorrente novo ocupando o espaço abandonado.

O raciocínio natural seria, portanto, de que o consumidor ganha. Mas esta é uma equação arriscada. Do outro lado do negócio estão as editoras. Mesmo quando vende livros por preços muito abaixo do mercado, a Amazon repassa às editoras o mesmo valor combinado. Então, a princípio, não há prejuízo. O receio é que lentamente a gigante multinacional vá exterminando seus concorrentes ao mesmo passo em que habitua o consumidor a preços mais baixos. Concorrência predatória. Após alguns anos, as editoras se vêem forçadas a abaixar seus preços. Ficam menores.

Há quem diga que tirar poder das editoras é bom. Nos EUA, a facilidade de distribuir e-books permitiu o surgimento de inúmeros títulos que sequer passam por editoras tradicionais. Mas um detalhe: os best-sellers independentes costumam ser ficção de gênero. Thrillers, romances eróticos para mulheres, histórias de detetive. O que estiver na moda vende, o que não estiver é ignorado.

O argumento em prol das editoras é o da curadoria. Editores pescam boa literatura que talvez jamais tivesse chance e os colocam nas livrarias com um selo que garante qualidade. Equilibram estes custos, altos, com best-sellers. Mas, mesmo nestes casos, é preciso apostar. Mike Shatzkin, do New York Times, gosta de usar o exemplo de “Steve Jobs”, a biografia de Walter Isaacson. Custa mais de US$ 500 mil colocar um jornalista experiente para viajar por toda parte durante mais de um ano dedicado a pesquisa. Uma grande editora paga para que livros venham à vida. Num mercado de editoras encolhidas, isto não mais ocorre pois o risco é muito e o dinheiro, pouco.

É cedo para dizer quem tem razão. Mas o preço mais baixo agora não é, necessariamente, o melhor para quem gosta de livros.

Foto: Kobo / Divulgação

Reynaldo Gianecchini divulga capa da sua biografia

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Publicado originalmente no Lux.pt

O ator brasileiro Reynaldo Gianecchini divulgou a imagem da capa da sua biografia, intitulada «Giane ¿ Vida, Arte e Luta», no seu Twitter oficial.

O ator revelou ainda que o lançamento oficial do livro será realizado no dia 11 de dezembro, num evento em São Paulo.

Escrito por Guilherme Fiuza, o livro conta detalhes do início da carreira de Gianecchini como modelo e como depois seguiu o caminho da representação.

Na biografia é ainda abordada a luta do ator contra um cancro e a forma como lidou com a morte do pai.

Profeta Gentileza pode se tornar ‘patrimônio afetivo’ no Rio

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Profeta Gentileza, José Datrino, conhecido pela frase: “gentileza gera gentileza”.
Divulgação

Heloisa Aruth Sturm, no Estadão.com

Talvez poucos conheçam José Datrino. Mas não há, no Rio, quem já não tenha ouvido falar, ao menos uma vez, no profeta Gentileza. Ele já foi tema de filme, livro, música. Agora, recebe homenagem da Companhia Crescer e Viver de Circo, que transformou sua história em show circense. Se “existe amor em São Paulo”, no Rio o que estampa camisetas e adesivos é “Gentileza gera Gentileza”.

Passados mais de 15 anos de sua morte, a figura de túnica branca e longas barbas e cabelos continua no imaginário carioca. Para que não se perca, organizadores de Universo Gentileza querem que ele vire “patrimônio afetivo do Rio”. Na pré-estreia do espetáculo, no início do mês, fizeram o pedido a Washington Fajardo, presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade.

Fajardo disse que essa categoria de patrimônio ainda não consta na lei municipal e prometeu estudar o assunto. A peça mostra a trajetória do homem nascido em Cafelândia, interior paulista, que se mudou ainda jovem para o Rio e teve a vida transformada em 1961, após o incêndio criminoso no Gran Circus Norte-Americano, em Niterói, que deixou centenas de mortos. Datrino abandonou empresa, mulher e filhos e foi montar um jardim sobre cinzas do circo. Considerado louco por uns e poeta por outros, viveu anos como andarilho, fazendo pregações pela cidade, distribuindo flores e deixando mensagens de amor e solidariedade nas pilastras do Viaduto do Gasômetro, no centro do Rio. Apesar de o governo planejar a remodelação da área, com o fim da Perimetral, todas as pilastras com escritos serão preservadas.

Segundo um dos coordenadores da companhia circense, Vinícius Daumas, a ideia da montagem foi inspirada na leitura do livro UNIVVVERRSSO GENTILEZA, de Leonardo Guelman. “A gente hoje faz com o circo aquilo que ele fez durante muitos anos sozinho, tentando passar mensagem de gentileza, de amor. Parece um ciclo que se fecha, é a volta do profeta ao circo, mas não um circo queimado, e sim vivo”, disse Daumas. Trata-se da segunda montagem da peça, encenada pela primeira vez em 2008.

Vida. No palco, 15 artistas fazem referência a esses e outros episódios do “profeta”, como internação em hospitais psiquiátricos e restauro de seus escritos após a Companhia de Limpeza Urbana “limpar” o viaduto em 1997. Muitos dos jovens artistas são provenientes de comunidades carentes da capital e litoral fluminense que participam do Programa de Formação do Artista de Circo, da Crescer e Viver.

Crianças montam banda de rua para juntar dinheiro para a universidade

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MINI ATTACK, BANDA DE RUA FORMADA POR CRIANÇAS NA INGLATERRA (FOTO: REPRODUÇÃO)

Publicado originalmente na Época Negócios

Os irmãos gêmeos Raul e Jacob Gibson e a amiga Molly Hardwick, com 11 anos de idade cada um. Esta é a formação da Mini Attack, uma banda formada para tocar nas ruas de Bristol, na Inglaterra, um modo que as crianças encontraram para conseguir dinheiro suficiente para pagar os estudos em universidades. Que tem dado certo.

Em uma única sessão, a mais rentável até agora, o trio conseguiu cerca de 200 libras, equivalentes a R$ 657. “As crianças estão cientes de quão caro uma universidade irá custar, e eles sabem que se fizerem o que estão fazendo tornarão as coisas muito mais fáceis”, disse Nick, pai de Raul e Jacob, ao jornal britânico Telegraph.

GÊMEOS RAUL E JACOB GIBSON E A AMIGA MOLLY HARDWICK (FOTO: REPRODUÇÃO)

“Eles estão tendo um retorno inacreditável nas ruas, conseguindo a atenção instantânea de multidões no centro da cidade para vê-los. Isso está dando a eles uma grande confiança, e quanto mais eles tocam mais eles sentem que podem vencer qualquer desafio”, acrescentou o pai dos dois meninos, que cantam e tocam guitarra e percussão.

O sucesso da banda chegou à internet. O Mini Attack montou um canal no YouTube e perfis no Twitter e no Facebook. Os “shows” começaram a ser realizados nas ruas em julho deste ano, e desde então a média é de aproximadamente 100 libras, ou R$ 328, por semana. As redes, então, serviram para aumentar a atenção sobre as crianças.

A repercussão possibilitou às três crianças conhecer o cantor Ed Sheeran, um britânico que também ganhou espaço na música depois de começar tocando nas ruas. Os três foram tocar com ele em um casamento e passaram algumas horas aprendendo com ele alguns truques para tocar na cidade.

Wanderléa e Thaeme avaliam best-seller erótico ’50 tons de cinza’

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Cantora Wanderléa reprova o best-seller britânico
por achar o livro ‘careta’ (Foto: Arquivo pessoal)


Publicado originalmente no G1

Ao ler um dos capítulos mais ousados de “50 tons de cinza” a convite do G1, a cantora Wanderléa, de 66 anos, não teve como não espezinhar: “Que coisa mais careta! Uma descrição de sensualidade muito antiga.” O livro britânico descreve a perda da virgindade da estudante Anastasia Steele e o início das relações sexuais sadomasoquistas com o misterioso Christian Grey.

Durante a leitura do best-seller, a cantora que lançou os primeiros sucessos aos 16 anos, na década de 60, se lembrou dos livros de sua adolescência. Para ela, foram mais excitantes e originais. “’O cortiço’, de Aluísio de Azevedo foi para mim de grande impacto. Obras como as de Jorge Amado nos trazem deliciosos momentos de exercícios da nossa tímida libido juvenil”, exemplifica a Ternurinha.

O rótulo de “pornô para mães” dado a “50 tons de cinza”, para a cantora, não é adequado. “As mães brasileiras da minha geração já não são assim, tão sem cor. Sua sensualidade já é mais exuberante e colorida”, opina. No casamento de mais de 30 anos com o guitarrista Lallo Correia, ela optou por morarem em casas separadas. O livro erótico nem passou pela pauta de conversas dos dois. “Não comentei com o meu marido, pois ele também não se interessaria”, explica.

A cantora tem duas filhas com idades próximas à da personagem Anastasia, de 21 anos. Mas Wanderléa acredita que nem elas se interessariam pelo livro. “As moças de hoje são bem informadas e experimentam o sexo sem culpa e não priorizam apenas o erotismo numa relação, mas sim o encontro amoroso, pois acreditam ainda que o sexo com amor é melhor”, opina a cantora.

Thaeme aprova

Cantora sertaneja Thaeme aprova a mistura de
romance e erotismo da escritora Erika L. James
(Foto: Arquivo pessoal)


Quadro décadas mais nova que a Ternurinha, a sertaneja Thaeme Mariôto, parceira de Thiago em canções como “Ai que dó” e “Tcha tcha tcha”, curtiu os capítulos indicados pelo G1. Quis ler mais. Ela deve adquirir os outros dois volumes, que completam a trilogia da autora britânica Erika L. James. Thaeme gostou, viu graça e boas lições no enredo.

“Pretendo ler os três livros. Não só pelo lado erótico”, diz ela. “E quero reler quando eu for mais velha. Achei a escritora muito criativa. As pessoas poderiam achar pesado, mas a autora deixou leve. Os pensamentos da personagem são puros, e achei muito cômico o livro.”

O sexo sempre foi tratado como um tabu na educação da jovem. Nascida e criada em Jaguapitã, interior do Paraná, Thaeme explica que nunca conversou abertamente sobre o assunto. Mas viu no livro uma espécie de “manual de dicas para mulheres casadas”, e recomendou a leitura às irmãs e até mesmo à matriarca da família. Ela concorda com um dos rótulos que a obra adquiriu após o lançamento mundial: pornô para mães. “Toda mulher deveria ler para não deixar o casamento entrar na rotina. Acho que agrega muito.”

Aos 26 anos, ela revela que se identificou com inúmeros pensamentos e dúvidas da protagonista de “50 tons de cinza”. Foi a primeira vez que a cantora teve contato com a literatura erótica. Recatada, ela comenta que ficou corada ao acompanhar as peripécias sexuais do casal Grey e Anastasia. “Foi engraçado ler um livro que expõe detalhes. Eu ficava com vergonha junto com ela.”

Solteira, Thaeme acredita que a mulher deva deixar os fetiches para realizar apenas com o marido. Para ela, as transas dos protagonistas em lugares públicos podem servir de inspiração e evitar matrimônios mornos. “No elevador, em cima do piano, lugares perigosos que eu nunca pensei antes. Mas de alguma forma, o proibido pode ser gostoso. Mas você só pode se comprometer se for casada.“

O sadomasoquismo e a dominação presentes no conto, entretanto, provocaram mais estranheza do que curiosidade em Thaeme. “Já pensava em usar algemas depois do casamento. Sabia que eu ia ter que inovar. Cabe ao homem e a mulher não deixar cair na rotina. São coisas simples, algema, amarrar a gravata no pulso – nem acho tão diferente assim. Mas as punições eu não gosto, não concordo e não faria. Ai já foge do prazer.”

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