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Livro conta suposta briga de Raul Seixas com Silvio Santos

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 O Maluco Beleza não tinha preconceito com os programas populares da TV brasileira Foto: Divulgação/Editora Martin Claret / Blog Sala de TV

O Maluco Beleza não tinha preconceito com os programas populares da TV brasileira
Foto: Divulgação/Editora Martin Claret / Blog Sala de TV

 

Autor Tiago Bittencourt relata episódios saborosos da vida pessoal e carreira do Maluco Beleza

Jeff Benício, no Terra

Poucos artistas construíram em torno de si uma aura tão misteriosa como o fez Raul Seixas. O cantor e compositor, morto aos 44 anos em agosto de 1989, incorporava o desafio filosófico da Esfinge a Édipo: ‘decifra-me ou devoro-te’.

Com a intenção de conhecer mais de um artista tão interessante quanto enigmático, o jornalista Tiago Bittencourt escreveu ‘O Raul que me Contaram – A História do Maluco Beleza’, lançamento da Editora Martin Claret.

A ideia da obra partiu da realização de um documentário exibido na TV Brasil a respeito de Raul Seixas.

Em conversa com o blog, o autor do livro revelou detalhes da relação do cantor com a televisão, a imprensa e ícones da comunicação como Silvio Santos – afinal, é verdade ou ‘lenda’ que o intérprete de ‘Metamorfose Ambulante’ brigou com o dono do SBT?

Quando surgiu a ideia do episódio sobre Raul Seixas no programa ‘Caminhos da Reportagem’, da TV Brasil?

Em 2014, nos 25 anos de morte de Raul, quando comecei a trabalhar na emissora. Adiamos o projeto por um ano e o realizamos em 2015, quando ele teria completado 70 anos. Raul Seixas já era presente na minha vida desde a adolescência. Tenho até hoje vários CDs e livros sobre ele, que adquiri ainda menino. Sem saber, fui me preparando para dar essa pequena contribuição à história dele. A equipe da TV conversou com personagens obrigatórios para falar de Raul, como Sylvio Passos (criador do primeiro fã-clube do cantor), Kika (ex-mulher do artista), Vivian Seixas (filha), Tania Menna Barreto (terceira companheira do cantor) e Marcelo Nova (cantor e parceiro musical de Raul), mas falamos também com alguns poucos desconhecidos do público, como o Dr. Luciano Stancka, que atestou o óbito de Raul; Sydney Valle ‘Palhinha’, guitarrista que deixou o trabalho com Raul depois de apanhar de fãs; Aguinaldo Pedroso, amigo que guarda até hoje o cartão bancário do cantor; Isaac Soares e Alexandre Pedrosa, fãs que guardam a cama onde Raul morreu. Após a gravação, tivemos menos de dois meses para analisar o material, escrever o roteiro e editar. A repercussão do programa foi fantástica. Recebi diversas mensagens, até dos próprios entrevistados, pela forma como mostramos desde o lado mais humano até o lado mais cruel da história de Raul Seixas.

Como foi o processo de transformar o especial de TV em livro?

A ideia surgiu logo depois da exibição. Num programa de uma hora de duração, a gente tem uma quantidade bem maior de horas gravadas. Diria que menos de 10% foi aproveitado. Tinha muita história que não podia ser perdida. Por isso a ideia de ter no livro as entrevistas na íntegra e contar como foi a produção, o contato com os entrevistados, a relação que mantive com eles, os percalços. Por exemplo: teve entrevistado que desistiu da gravação dias antes da viagem da equipe. Tudo isso entra no livro, como também depoimentos de profissionais que trabalharam comigo para o programa acontecer. Para escrever o prefácio, tive a felicidade de ter o Cláudio Roberto, amigo de Raul e coautor de diversos clássicos como ‘Maluco Beleza’, ‘Cowboy Fora da Lei’ e ‘Rock das Aranhas’. Em relação às imagens do livro, a maior parte é de frames tirados do que gravamos para a TV, uma forma de aproximar o leitor daquilo que o telespectador viu.

Em seu tempo, Raul Seixas teve o reconhecimento merecido na mídia ou isso só aconteceu postumamente?

Raul apareceu em vários programas populares, porque era exatamente o que ele queria. Não gostava de rótulos, como artista da classe A ou da C. Tinha o objetivo de passar sua mensagem. Por isso cantou nos programas de Chacrinha, Raul Gil, Faustão, Bolinha. Raul foi um cara isolado no meio musical, apesar da sintonia com alguns artistas no discurso contrário à ditadura militar. Já na década de 1980 houve uma rejeição a Raul, mas foi como um todo, de empresários, gravadoras e mídia, porque a dependência química afetava o trabalho dele. Quando morreu, gerou grande comoção. Pela influência que Raul Seixas tem sobre as pessoas até hoje, sua aura mística é mantida pela imprensa.

Ele fez parte de um momento histórico da TV brasileira: o especial ‘Plunct, Plact, Zuuum’, exibido na Globo, em 1983, e lembrado até hoje. Aquele programa teve impacto na carreira de Raul Seixas?

Fez também o ‘Plunct, Plact, Zuuum… 2’, no ano seguinte, com a música ‘A Geração da Luz’. A música conhecida como ‘Plunct, Plact, Zuuum’ na verdade se chama ‘Carimbador Maluco’, uma referência ao fã Sylvio Passos, que tinha mania de carimbar coisas com nome do fã-clube Raul Rock Club. E também foi uma homenagem para a filha, Vivian. A canção caiu no gosto das crianças. Foi uma nova perspectiva para o Raul ali. Na música, ele critica a burocracia dos governos, fazendo referência a um texto do anarquista francês Pierre-Joseph Proudhon, especialmente no trecho ‘tem que ser selado, registrado, carimbado, avaliado, rotulado, se quiser voar’. Esse álbum ganhou disco de ouro e ajudou a alavancar a carreira dele. Naquela época, Raul estava sem fazer show.

Há no livro citação de uma participação de Raul Seixas com Marcelo Nova no Faustão. Como foi?

Aconteceu em 1989. Raul já estava mal de saúde, era visível a debilitação física (nota do blog: o cantor morreu devido a complicações do diabetes e do alcoolismo). Há uma diferença clara na performance dos dois: Marcelo bem ativo e Raul pouco se mexia. Marcelo Nova conta que essa participação foi um pedido de André Midani, diretor da Warner na época, gravadora pela qual eles lançaram o disco ‘A Panela do Diabo’, o último de Raul. Marcelo disse que a apresentação no ‘Domingão do Faustão’ foi uma exceção, porque quando eles começaram a turnê, ninguém da mídia se interessou em dar espaço aos dois.

Existiu mesmo um desentendimento entre Raul e Silvio Santos?

Não posso afirmar que houve, porque não entrevistei Silvio Santos. Ouvi o pesquisador Leonardo Mirio (autor do livro ‘Raul Nosso de Cada Um’) e ele acha essa história suspeita. Dizem que Silvio Santos não gostou de uma participação do Raul em seu programa, porque o cantor teria ‘tomado conta’ do auditório. Leonardo conta outra situação, na qual Raul teria xingado Silvio, dizendo ter sido humilhado por ele. Mas Leonardo questiona tudo isso porque, já no fim da vida, Raul foi ao programa do Jô Soares, no SBT. E em 1981, quando Sylvio Passos ligou para o Raul pela primeira vez para dizer que estava montando um fã-clube, Raul achou que era Silvio Santos e falou que participaria do programa dele. Fica em aberto essa suposta briga.

Raul compôs muitas trilhas para teledramaturgia?

Em 1974, ele e (o hoje escritor) Paulo Coelho produziram pela Som Livre a trilha sonora da novela ‘O Rebu’, da Globo. A canção mais conhecida era ‘Como Vovó Já Dizia’. Quase todas as músicas foram compostas pelos dois. Algumas, Raul canta. Uma composição para a novela, ‘Planos de Papel’, foi gravada por Alcione.

Após pesquisar tanto sobre Raul Seixas, diga o que ele acharia do mundo de hoje. Seria um artista recluso, vivendo do passado, ou integrado ao universo da comunicação digital?

Raul foi um artista popular, midiático e que se reinventou com diversos estilos musicais. Era uma metamorfose ambulante. Seria pretensioso dar uma resposta taxativa. O dom de surpreender é fascinante na história dele. Acho que continuaria surpreendendo as pessoas e a sociedade em geral.

Os pais são muito importantes no desenvolvimento dos filhos como leitores

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As histórias infantis narradas pelos pais, estreitam a relação e a comunicação

André Junior, no DM

Ouvir e ler histórias desenvolve todo o potencial crítico da criança. O ato de contar histórias deve ser uma prática diária nas instituições de educação infantil, também, em casa, principalmente em casa. Sabemos, com todos os pontos e vírgulas, que contar histórias é extremamente importante e benéfico para as crianças.

Desde a mais tenra idade há quem afirme a eficácia de embalar os bebês, ainda no ventre, com a melodia da voz da mãe, contando histórias, para familiarizar a criança desde aí, com os mecanismos narrativos, e com a proximidade e o afeto que o contar histórias envolve. Essas ações, de certo modo, já fazem parte das estratégias para a formação do leitor.

Através de uma história que se descobre outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e ser, outras regras, outra ética, outra ótica.

Além da importância que causam no desenvolvimento da criança, as histórias infantis quando são narradas por um dos pais, estreitam a relação e a comunicação e proporcionam a troca afetiva. Pensando acerca dos vários benefícios que esse ritual mágico pode propiciar.

Nesses momentos, além de contar é necessário ler as histórias. É possível também a leitura compartilhada de livros em capítulos, o que possibilita às crianças o acesso, pela leitura do professor, a textos mais longos.

Outra atividade permanente interessante é á roda de leitores, em que periodicamente as crianças tomam emprestados livros da instituição, para lerem em casa com os pais ou amiguinhos.

Na Educação Infantil as histórias fazem parte essencial no desenvolvimento físico, psicológico e social das crianças. São momentos únicos de reflexão e encantamento que estabelece relações com a imaginação e o mundo em que vive, construindo assim saberes e experiências. E para entrar em contato com essas histórias, a criança necessitará da mediação de um profissional consciente da arte de contar histórias e que na maioria das vezes é o professor de sala de aula que faz esse papel, e que será na realidade a chave para esse mundo encantador de ouvir e contar histórias.

Toda criança adora ouvir história. E pode ser a mesma, muitas e muitas vezes. Transformar a hora da leitura em um momento de aprendizado é essencial. Ouvir e ler histórias desenvolve todo o potencial crítico da criança. É poder pensar, duvidar, se perguntar, questionar. É se sentir inquieto, cutucado, querendo saber mais e melhor ou percebendo que se pode mudar de ideia. É ter vontade de reler ou deixar de lado de uma vez.

A partir dos 3, 4 anos, as crianças têm um vocabulário maior e constroem as primeiras frases. A leitura para os pequenos, tanto em casa quanto na escola, contribui muito nessa fase de desenvolvimento. Mas também não se pode descuidar das conversas do dia a dia.

É possível transformar simples palavras em histórias inesquecíveis para as crianças. Mais do que textos memoráveis, ao compartilhar narrativas, compartilhamos sentimentos. Momentos de partilha de alegria, euforia e amor são guardados na lembrança desde muito cedo e a arte de contar histórias facilita que estes momentos sejam mesmo divertidos, amorosos, inesquecíveis.

Os contos tradicionais exploram conteúdos e sentimentos que interessam muito às crianças. Como o medo, o abandono, o crescimento, o mal e assim por diante. Elas têm muito interesse em conversar sobre esses temas.

Primeiramente os pais precisam acreditar na história que narram e transmitir isso para o filho;

Escolha um momento do dia para a atividade, como na hora de dormir;

Preste atenção na entoação da voz, imitando os personagens, assim você estará despertando a curiosidade da criança;

Crie um clima, ao chegar após um dia inteiro fora de casa não comece contar histórias imediatamente. Proporcione um tempo de diálogo e brincadeira com seu filho para ele se envolver no clima da história e se desligar das outras atividades;

Utilize objetos que alimentem a imaginação da criança, pode ser um lençol que se transforma em capa do príncipe encantando, um lápis em vara de condão; Não obrigue a criança a ouvir histórias quando ela não quer;

Prepare-se para as interrupções, criança faz muitas perguntas, explique o que for necessário e continue a história;

Atenda os desejos de seu filho, quando ele pedir para ouvir a mesma história não mude, a fim de evitar a ansiedade ocasionada pelo desconhecido. Essa atitude da criança pode ser também uma forma de buscar segurança. Fonte de pesquisa – Site: Brasilescola

Os pais são muito importantes no desenvolvimento dos filhos como leitores, Quando os pais antes da criança dormir contam história, é um momento de interação, transmite confiança e segurança, cria situação de amorosidade e desenvolve uma memória afetiva muito boa. A criança vai resgatar este sentimento de conforto e amorosidade que teve com os pais quando for estudar os livros da escola.

Os livros ajudam na autoestima e na confiança, a participação dos pais no ato de contar histórias reforçam este sentimento. Os pais devem estimular a criatividade da criança na hora de contar uma história. A criança tem conflitos e precisa aprender a se proteger emocionalmente.

Você pode estimular a criança a contar história e também pode entrar na brincadeira. Quando estiver com a criança, procure se tornar mais criança e brincar. “O ritmo de vida hoje é bem diferente do tempo dos nossos pais ou avós. A TV, internet e o videogame acaba ocupando a criança. Quando chega a noite, os pais estão cansados e, em vez de brincar, deixam os filhos vendo TV ou mexendo no computador.

“Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”. Paulo Freire

Programa oferece bolsas exclusivas para brasileiros que queiram estudar na Holanda

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Publicado por Hypeness

Se viajar é bom, porque te permite conhecer o mundo e ficar automaticamente mais rico, estudar no estrangeiro é ainda melhor, porque tem tudo isso e mais o desafio de um novo sistema de ensino, de uma vida fora da sua zona de conforto, de pessoas diferentes e de uma nova rotina. E quando nos perguntam que país europeu a gente escolheria para passar uma temporada, a resposta é imediata: Holanda.

Os motivos são vários, mas para quem vai estudar, saber que a Holanda tem o 3º melhor sistema de ensino superior do mundo é já um ponto (ou vários!) extra para o país das tulipas. Depois, seja viajando ou estudando, é bem provável que você se apaixone pelo estilo de vida, que tem alguns pontos bem fortes, como a mentalidade aberta, o fato de todo mundo falar inglês – com a vantagem de você não precisar aprender holandês – ou a importância que as pessoas dão pra temas como a sustentabilidade, que no Brasil e em outros lugares ainda está dando os primeiros passos.

Por isso, ficamos felizes em anunciar que o programa OTS Brazil está oferecendo um número recorde de bolsas pra brasileiros que queiram estudar na Holanda. O legal de serem exclusivas para cidadãos do nosso país é que a concorrência diminui, então já sabe: essa é a oportunidade ideal pra correr atrás de seu sonho.

Ao todo, são 76 vagas em 23 universidades diferentes, com todos os cursos ministrados em inglês (você pode descobrir quais são aqui). As oportunidades são para cursos de bacharelado, mestrado, MBA, foundation year (preparatório para graduação) e Short Degree (onde só o último ano da graduação é feito no exterior) para estudantes de diversas áreas, com destaque para Artes, Business, Indústria Criativa, Comunicação, Direito, Engenharia e Ciências Humanas. Dependendo da instituição, as bolsas podem ser para descontos na anuidade ou mesmo cobrir 100% do valor do curso, além de que muitas universidades oferecem auxílio para cobrir todos os custos relacionados ao estudo. Os valores podem chegar até 24 mil euros em dinheiro e 32.500 euros em anuidade.

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E para você ficar a par de tudo, as universidades holandesas vão realizar vários eventos no Brasil em novembro. Tome nota: dia 19, terá palestra online, onde será possível tirar dúvidas em tempo real sobre todas as bolsas oferecidas. Nos dias 26 e 27, um grupo de 13 universidades holandesas estará na UFF, no Rio, e na UNB, em Brasília, em locais de grande movimentação, divulgando seus programas de estudo. E, por fim, nos dias 29 e 30, o grupo de universidades estará presente na 2ª edição da Euro-Pós Brasil, a feira de educação superior europeia, em São Paulo, também prontas a esclarecer as questões dos estudantes brasileiros.

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Além desse programa especial para brasileiros, existem mais de 60 bolsas de estudo disponíveis na Holanda, que você confere aqui, o que pode realmente fazer a diferença em sua vida profissional futura.

Por existirem todas essas possibilidades, a companhia aérea KLM Brasil oferece bolsas para financiar as passagens dos estudantes. Os detalhes serão divulgados em breve e você só precisa se cadastrar nesse site para ficar a par das novidades.

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Indiano de 16 anos cria aparelho que permite ‘falar’ pela respiração

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‘Talk’, desenvolvido pelo estudante Arsh Dilbagi, custa menos de US$ 100.
Dispositivo pode ajudar pacientes a voltarem a se comunicar.

Arsh Dilbagi criou dispositivo que permite que pacientes 'falem' pela respiração (Foto: Divulgação/Arsh Dilbagi)

Arsh Dilbagi criou dispositivo que permite que pacientes ‘falem’ pela respiração (Foto: Divulgação/Arsh Dilbagi)

Cauê Fabiano, no G1

Inspire e expire pelo nariz. Faça isso outra vez. Com apenas esses dois pulsos de ar voluntários e longos, a letra “M” acaba de ser expressa por meio de Código Morse. E é exatamente essa lógica que permitiu que o jovem indiano Arsh Shah Dilbagi, de 16 anos, desenvolvesse um premiado e barato mecanismo de comunicação que pode permitir que milhões de pessoas voltem a se comunicar, quando a fala, os braços e os pés deixam de ser opções para formar frases.

1Entusiasta e estudioso de ciência da computação, Arsh, que ainda cursa o ensino médio na cidade de Panipat, próximo à capital Nova Deli, desenvolveu o “Talk”, que promete ser o dispositivo de CAA (Comunicação Aumentativa e Alternativa) mais barato e acessível do mundo, permitindo que pacientes com doenças degenerativas e outras desordens motoras voltem a “falar”, por menos de US$ 100 (cerca de R$ 240). Veja o vídeo aqui.

O jovem contou ao G1 sobre o desenvolvimento do aparelho, vencedor de uma das categorias do concurso “Google Science Fair 2014”, as possibilidades de aplicação do dispositivo para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e seus esforços para, em suas palavras, “mudar o mundo”.

‘Vi pacientes chorando’

Dilbagi, que também atende pelo apelido de “Robo”, contou que a inspiração para a realização do projeto veio da história de vida do físico inglês Stephen Hawking, especialmente por sua batalha com a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). No entanto, uma ida ao hospital e a observação de pessoas que haviam sofrido derrames e tinham sequelas motoras fez com que a ideia começasse a ter forma.

“Vi pacientes chorando. Aquele dia me questionei: ‘por que não há uma solução no mundo que os ajude a se comunicar?'”, relatou o rapaz, lembrando a angústia de pessoas que não conseguiam mais se expressar por meio de palavras. “Há mais de 100 milhões de pessoas do mundo com esse tipo de deficiência, o que é maior do que toda a população da Alemanha”, comparou.

Após cerca de um ano de trabalho, incluindo três meses de pura pesquisa e mais de sete meses para finalmente construir um dispositivo, desenvolver o software em três linguagens de programação e testar diversos de protótipos, o rapaz conseguiu criar o “Talk”.

Com pulsos curtos ou longos de ar ao expirar, aparelho interpreta sinais por meio do Código Morse (Foto: Wikimedia Commons)

Com pulsos curtos ou longos de ar ao expirar,
aparelho interpreta sinais por meio do Código
Morse (Foto: Wikimedia Commons)

Utilizando pulsos de ar ao expirar, um sensor colocado embaixo do nariz ou da boca da pessoa interpreta esses “sopros” como Código Morse, que identifica letras e números ao combinar unidades curtas ou longos de ar. Esses sinais são enviados para um sintetizador, que reproduz o código em palavras, por meio de até nove vozes diferentes, com sotaques e vozes de faixas etárias distintas. Tudo que o paciente precisa, então, é memorizar o código, para que possa se comunicar cada vez mais rápido.

As “vozes”, segundo ele, foram obtidas em uma biblioteca Open Source de sons, que foram vocalizados e colocados no equipamento. “Foi muito desafiador aprender todas técnicas que culminaram no Talk – desenvolvi o software em três linguagens de programação diferentes. Foi uma das melhores experiências de aprendizado da minha vida”, exaltou.

Todo o processo de criação do aparelho, vencedor da categoria “escolha do público” do Google Science Fair –que agraciou Arsh com uma bolsa de estudos de US$ 10 mil–, ocorreu durante o ano letivo, o que exigiu muita disciplina para que o rapaz não escorregasse nos estudos, e obtivesse boas notas.

Ao prestar o CBSE, o exame nacional da Índia, o jovem ainda conseguiu nota máxima, obtendo 10/10 GCPA (Média Cumulativa de Pontuação, em tradução livre). “Você precisa ser muito disciplinado, seguir o esquema que você estabeleceu. Se pular alguma coisa, tudo cairá em cima de você”, frisou o estudante, que pretende em breve se inscrever para uma bolsa no curso de ciência da computação na Universidade Stanford, na Califórnia.

Simplicidade

Com o pedido de patente pendente para o Talk, Arsh Dilbagi espera firmar parcerias para tornar o aparelho um dispositivo global, e ajudar a superar as barreiras existentes atualmente em relação a dispositivos de CAA, principalmente envolvendo o acesso e ao preço desse tipo de equipamento.

“Máquinas como as utilizadas por Stephen Hawking são caras e complexas, e precisam de muitas baterias para funcionar. Você precisa de um computador, de uma tela, de um sistema complexo e, combinando tudo isso, baterias para suportar isso. E isso se reflete no custo. É preciso mudar a forma como a tecnologia é vista, de como as pessoas enxergam uma solução”, explicou, sublinhando que o Talk consegue funcionar por oito horas em uma única carga.

“Os dispositivos desse tipo hoje começam na faixa de US$ 4 mil (cerca de R$ 9,6 mil), e um aparelho que é fácil de usar sai por pelo menos US$ 7 mil (cerca de R$ 16,8 mil)”, continuou Arsh, completando que, mesmo com o aporte financeiro, às vezes não é possível adquirir facilmente itens como detectores de movimento dos olhos ou aparelhos de digitação adaptados. “Não é o caso de que, se você tem US$ 7 mil no bolso, você pode comprar um. Eles não estão disponíveis em sites como Amazon, e não dá para pedir online para que ele seja entregue em qualquer lugar do mundo. O equipamento está disponível em lugares muito específicos, e mantê-lo é muito mais difícil do que se pode imaginar”, apontou o indiano.

Apesar de ser considerado internacional, o Código Morse não pode ser utilizado com exatidão para que pacientes se expressem em todas as línguas, o que, de acordo com o Dilbagi, é uma das falhas do projeto, disponível apenas em inglês. No entanto, o objetivo principal é tornar o Talk universal, em 20 idiomas diferentes, conforme a previsão de seu criador.

'Talk' custa menos de US$ 100 e pode democratizar o acesso de pacientes a dispositivos de CAA (Foto: Divulgação/Arsh Dilbagi)

‘Talk’ custa menos de US$ 100 e pode democratizar o acesso de pacientes a dispositivos de CAA (Foto: Divulgação/Arsh Dilbagi)

‘É possível mudar o mundo’

Citando novamente o exemplo do físico inglês, autor de diversos livros apesar de suas limitações físicas, Arsh explicou que já foi procurado por muitas pessoas que precisam de um aparelho similar, mas não têm as mesmas oportunidades que pacientes mais abastados.

“Stephen Hawking tem sido patrocinado para ter uma ferramenta para se comunicar, e veja como ele está mudando o mundo. E ele é só um entre milhões de pessoas que sofrem das mesmas desordens. Logo, acredito que Talk tem esse tipo de poder”, disse o rapaz, que ao apresentar seu projeto ao Google, colocou como desejo principal a vontade de mudar o mundo por meio da comunicação alternativa.

“É possível mudar o mundo. A maioria das pessoas procura por serviços comunitários, caridade. Se você quer ajudar a humanidade, você precisa ajudar a sociedade como um todo, auxiliando pessoas a se comunicarem, o que não tem sido feito até agora”, arrematou o jovem indiano, sem perder o fôlego.

Aulas de xadrez melhoram raciocínio, criatividade e até o boletim

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"Xadrez é mais legal que futebol, porque não cansa. Mas é bem difícil no começo, são muitos movimentos diferentes para decorar", diz Alex Oliveira, 8, que joga há dois anos (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

“Xadrez é mais legal que futebol, porque não cansa. Mas é bem difícil no começo, são muitos movimentos diferentes para decorar”, diz Alex Oliveira, 8, que joga há dois anos (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

Bruno Molinero, na Folha de S.Paulo

“Nunca mais tirei nota vermelha em matemática”, diz Camila Fernandes, 12. “Sinto que estou mais atento às aulas”, fala Guilherme Alves, 12. “Todas as minhas notas subiram”, conta Alex Oliveira, 8. Nos três casos, o motivo para a melhora no desempenho na escola é o mesmo: as aulas de xadrez.

Aposto que muita gente já torceu o nariz, por achar que o jogo é chato ou difícil. Na verdade, o xadrez é como se fosse uma guerra. Cada um dos jogadores tem à disposição um exército, simbolizado nas pecinhas do tabuleiro. O objetivo é usar seus “guerreiros” para matar o rei adversário. Parecido a muito videogame de luta e estratégia, não?

“Para vencer, é preciso usar a mente. Acho que é por isso que o boletim melhora. Você exercita a cabeça”, diz Alex, que joga há dois anos e participou da Final Municipal de Xadrez, que reuniu alunos de escolas públicas de São Paulo, em junho.

Segundo Antonio Carlos Duarte de Carvalho, coordenador do Núcleo de Xadrez da USP, Alex tem razão. “Pesquisas mostram que a prática desenvolve o raciocínio matemático e o pensamento crítico, além de melhorar a imaginação, criatividade e comunicação. Para crianças, é um bom apoio ao desenvolvimento na escola”.

Atualmente, o Brasil ocupa a 35ª posição no ranking da Federação Internacional de Xadrez, atrás dos vizinhos Argentina e Peru, por exemplo. E ainda há preconceito com a modalidade, muitas vezes relacionada a “nerds”. “Nada a ver. Eu e meus amigos jogamos futebol todos os dias na rua e gostamos de xadrez”, diz Guilherme. A não ser que “nerd” seja sinônimo de inteligente. Aí sim.

Ensino de xadrez deve ser obrigatório nas escolas?

A Armênia é um país bem pequeno que fica perto da Rússia e tem pouco mais de 3 milhões de habitantes, mas virou notícia no mundo inteiro ao determinar, em 2011, que todas as crianças tenham aulas de xadrez nas escolas públicas. De acordo com o governo, a prática estimula o desenvolvimento infantil. Não é à toa que o país está entre os cinco melhores do mundo na modalidade (a Rússia é o primeiro colocado).

“O xadrez é subaproveitado nas escolas do Brasil. Ele deveria ser usado nas salas de aula, mas não de maneira obrigatória, como na Armênia. Como não estamos acostumados com o esporte, isso poderia gerar uma resistência ainda maior das crianças”, diz Antônio Carlos Duarte de Carvalho, do Núcleo de Xadrez da USP. O segredo, para ele, é mostrar o jogo de uma maneira divertida.

Mas escolas públicas e particulares do país adotam cada vez mais o tabuleiro. Entre elas, está o Instituto Dom Barreto, no Piauí, que têm aulas de xadrez e até de latim (língua antiga que deu origem ao português). O colégio costuma aparecer entre as melhores notas do Enem (prova do governo) e tem um aluno entre os primeiros brasileiros a receber a medalha de ouro da olimpíada internacional de astronomia.

“É que os benefícios do xadrez são muitos, do desenvolvimento da lógica até o da criatividade”, diz Carvalho.

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