Contando e Cantando (Volume 2)

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Chegada da Amazon ao Brasil acirra guerra de preços de livros

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Thais Fascina, na Folha de S.Paulo
A entrada da Amazon Brasil na venda de livros físicos, há três meses, abalou a estrutura do mercado editorial e acirrou a guerra de preços entre livrarias e o comércio on-line. O resultado é que alguns títulos impressos estão com valores mais baixos que as versões digitais.

Com um alcance maior dos clientes, promoções e facilidade na compra, o e-commerce se fortalece a cada ano.

Porém, com a política de preço cada vez mais agressiva, existe medo de que pequenas livrarias desapareçam.

Para o presidente da ANL (Associação Nacional de Livrarias), Ednilson Xavier, a gigante americana “prejudicou, está prejudicando e irá prejudicar ainda mais” o mercado de livros no país.

“A vinda da Amazon só veio ratificar uma condição já existente no Brasil há bastante tempo, que é a concorrência predatória”, afirma

Carlo Carrenho, especialista em mercado editorial e fundador do PublishNews, explica que a Amazon revê os preços de todos os livros de hora em hora, equiparando os valores de qualquer site.

“Ninguém chega perto de ter isso no Brasil.”

TROCA-TROCA

No início deste mês, o título “Fim”, de Fernanda Torres, era vendido na Amazon Brasil por R$ 16,90. Sua versão digital custava R$ 21,66.

O mesmo livro impresso estava à venda na loja virtual da Livraria Cultura por R$ 25,88 e o digital, por R$ 22,80. Na Saraiva, o exemplar custava R$ 25,90 e o e-book, R$ 22,80. Uma semana depois, a loja americana aumentou o preço para R$ 19,90 e foi desbancada pela Submarino.com, que está vendendo o exemplar por R$ 17,51.

No entanto, quem ganhou essa batalha foi o site Extra.com, que anunciou o livro físico por R$12,90.

Todas as empresas colocaram o valor abaixo do sugerido pela própria editora, a Companhia das Letras, que é de R$ 34,50 para a versão física e R$ 24 para a digital.

Além disso, o preço do livro físico, em muitos casos, é menor que o digital. Carrenho explica que o contrato de livros digitais no Brasil limita o desconto a no máximo 5%.

“Há praticamente um preço fixo do livro digital”, diz.

Para Sônia Jardim, presidente da SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), a regra para a venda de títulos às livrarias é uma só. “As editoras sugerem um preço e vendem ao varejista com um desconto de até 50%. Mas alguns estão abrindo mão desse desconto para conquistar mais clientes”, conclui.

Ednílson Xavier diz que a concorrência que parece benéfica ao consumidor, no longo prazo, não é. “Ela impede que as pequenas e médias livrarias sobrevivam e tenham diversidade de títulos. Quando o mercado fica concentrado na mão de grandes, evidentemente se prioriza as mercadorias que têm giro”.

“Não vamos dar a receita do bolo”, diz o diretor geral da Amazon no Brasil, Alex Szapiro, quando questionado como a empresa consegue baixar tanto os preços.

Repetindo o lema da empresa, se recusa a falar sobre política de preços e diz que a principal meta da livraria eletrônica é “usar a tecnologia em prol do cliente”.

Carrenho afirma que combater a Amazon com política de preço fixo do livro é “ingenuidade”. Para ele, é preciso melhorar os processos do setor e dar à indústria capacidade para competir.

Sisu tem disputa maior entre não cotistas

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Na ampla concorrência, cada vaga recebeu 18 inscrições; na rede pública, são 16 candidatos

Paulo Saldaña, no Estadão

O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) tem concorrência 12,5% maior entre os estudantes provenientes de escolas particulares do que entre os alunos cotistas que disputam vagas reservadas para a rede pública. Ontem, eram 18 candidatos por vaga na chamada “ampla concorrência”, ante 16 entre os cotistas.

Os dados de inscrições são os registrados entre anteontem, primeiro dia de seleção do Sisu, e 11 horas de ontem. O sistema do Ministério da Educação (MEC) centraliza as vagas de instituições de ensino público, sobretudo federais, que escolhem seus alunos com base na nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As inscrições vão até sexta-feira.

Das 171 mil vagas disponíveis no Sisu, 44% são reservadas para estudantes de escola pública (com respeito a critérios raciais e de renda) e para ações afirmativas, como vagas para deficientes. A modalidade de ampla concorrência havia recebido 1,7 milhão de inscrições, enquanto para as vagas reservadas pela Lei de Cotas e para ações afirmativas eram 1,1 milhão – cada candidato pode se inscrever em até dois cursos.

A diferença na busca por vaga em cada modalidade mostra que os egressos de escolas públicas tiveram menor interesse em tentar uma instituição superior gratuita. No entanto, 80% dos concluintes de ensino médio inscritos no Enem 2013 eram da rede pública.

De acordo com o educador Mateus Prado, especialista em Enem, os dados revelam que, apesar das cotas, a maioria dos alunos estaduais e municipais não acredita que pode chegar à universidade pública. “Esses alunos não têm referência, um amigo ou vizinho, que tenha passado em uma universidade federal”, afirma ele. “Mas tem um monte de vizinho que passou no ProUni (Programa Universidade Para Todos).”

O Enem também é usado para quem concorre a bolsas em instituições particulares pelo ProUni. Em janeiro do ano passado, o programa teve 1,03 milhão de inscritos.

Procura. Mais de 1,6 milhão dos 5 milhões de participantes do Enem já haviam entrado no Sisu até as 18 horas de ontem. Minas Gerais teve o maior número de inscritos – são 199.961. Em seguida, surgem São Paulo (196.116) e Rio (158.614).

Os cursos de Administração, Direito e Medicina eram os mais procurados até ontem. Com dados referentes até as 11 horas, Administração tinha 192.582 inscrições, seguido de Direito, com 191.107. Com 2.925 vagas disponíveis no Sisu, o curso de Medicina era disputado por 176.876 estudantes – 60,47 candidatos por vaga.

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) era a instituição federal com o maior número de inscrições – 140 mil para 3.535 vagas. Uma proporção de 39,66 candidatos por vaga. Depois da UFMG, aparecem entre as mais procuradas a Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rural de Pernambuco (UFRPE) e Federal do Ceará (UFC).

Corte. No fim de cada dia, os candidatos podem verificar a nota de corte de cada curso, por modalidade, calculada a partir da oferta de vagas e pela procura de candidatos. Ontem, a maior nota entre os cursos de Medicina, por exemplo, foi a registrada na Federal do Pará (UFPA) – 869,15. Para candidatos autodeclarados pretos, pardos ou indígenas, com renda familiar per capita igual ou inferior a 1,5 salário mínimo, a nota de corte era menor, de 701,64.

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