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Posts tagged Condado

Você agora pode morar em uma casa igual a dos hobbits – basta contratar essa empresa

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BIlbo-Bolseiro

E ela fica pronta em apenas 5 dias

Girrana Rodrigues, no Elástica

“Numa toca no chão vivia um hobbit.” Quem é fã dos livros de J. R. R. Tolkien reconhece com facilidade a primeira frase de O Hobbit. As casinhas pequenas e aconchegantes ajudavam a dar cor ao cenário da Terra Média.

Agora, a empresa Green Magic Homes está construindo casas pré-fabricadas semelhantes às tocas dos hobbits e que podem ser montadas em apenas cinco dias. De acordo com o site Stuff, depois de fazer a planta da casa e fabricar a estrutura com polímero reforçado com fibra, basta montar a estrutura e cobri-la com terra e vegetação – que além de decorativos dão resistência à casa.

As tocas são construídas debaixo do solo e você pode optar por plantar alguns legumes no telhado. Mas se você não é fã de legumes, pode escolher cobrir o teto com areia ou neve, dependendo da região em que você mora.

O resultado é impressionante:

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“O Hobbit”, de J.R.R. Tolkien, completa 78 anos

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Publicado no Boa Informação

Se você não passou a última década e meia desligado do mundo, é bem provável que já tenha ouvido falar em O Senhor dos Anéis. A história foi levada ao cinema por Peter Jackson e virou uma trilogia de enorme sucesso, renovando o interesse em torno das criações do autor da história original, o sul-africano J.R.R. Tolkien.

Contudo, antes de publicar a obra em que Frodo era incumbido da difícil tarefa de levar o Um Anel até os vulcões de Mordor a fim de destrui-lo, Tolkien fez sucesso com uma outra publicação: O Hobbit, livro que chegou às prateleiras da Grã-Bretanha em 21 de setembro de 1937, há 78 anos.

Sucesso imediato, O Hobbit conquistou o público e a crítica ao contar a história de uma criatura de tamanho diminuto, preguiçosa, comilona, porém muito astuta e valente. O título do livro fazia referência à raça do humanoide, que atendia pelo nome de Bilbo Bolseiro e vivia no Condado.

Há quase oito décadas, Tolkien lançava o livro que começaria a marcar seu nome na história da literatura mundial. Atualmente, sem nunca ter saído de moda, O Hobbit virou trilogia cinematográfica, jogo de videogame, jogo de tabuleiro e ainda continua a conquistar novos fãs.

Ilustração de Tolkien mostra a colina do Condado. (Foto: Reprodução/Espólio de J.R.R. Tolkien)

Ilustração de Tolkien mostra a colina do Condado. (Foto: Reprodução/Espólio de J.R.R. Tolkien)

“Num buraco no chão vivia um hobbit”

Todo o universo que serve de pano de fundo para as suas histórias já vinha sendo criado desde 1917. Grande entusiasta de contos de fada e lendas, Tolkien escrevia contos e poemas situados naquele mesmo ambiente. Foi no começo dos anos de 1930, porém, que ele começa a trabalhar na ideia de O Hobbit.

Professor de anglo-saxão na Faculdade de Pembroke, na Universidade de Oxford, certa vez Tolkien teve uma inspiração repentina enquanto analisava documentos de estudantes que tentavam ingressar na instituição. Ao ver uma página em branco, ele escreveu “Em um buraco no chão vivia um hobbit”.

Nos anos seguintes, ele se dedicou à construção da história, que estaria pronta já em 1932. Então, enviou o rascunho para a apreciação de vários amigos, entre eles o também escritor britânico C. S. Lewis, autor de As Crônicas de Nárnia, que se empolgaram com a leitura e incentivaram a sua publicação.

Sala de entrada da casa de Bilbo. (Foto: Reprodução/Espólio de J.R.R. Tolkien)

Sala de entrada da casa de Bilbo. (Foto: Reprodução/Espólio de J.R.R. Tolkien)

Coleção de influências e inspirações

De modo geral, tanto a obra completa do autor quanto O Hobbit, falando de forma mais específica, receberam pesada influência de outras correntes artísticas. O pintor e escritor britânico William Morris e o seu Movimento das Artes e Ofícios, com suas composições de paisagens e abordagens literária, está entre as principais influências.

Falando de forma mais ampla, também não somente O Hobbit, mas toda a obra de Tolkien tem uma influência pesada da antiga literatura anglo-saxã e da cultura nórdica, com seus mitos e lendas. Os compêndios Edda, de poesia e prosa nórdicas, estão presentes na forma em que a história é contada e, além disso, a concepção da fauna e da flora e até mesmo os nomes dos personagens do livro também trazem a mesma fonte de inspiração.

Há quem veja ainda paralelos entre a história de Tolkien e a obra Viagem ao Centro da Terra, do escritor francês Julio Verne — como a questão das mensagens rúnicas e também o próprio conceito de uma longa jornada rumo ao desconhecido em busca de um objetivo.

Além de tudo isso, autores como os Irmãos Grimm, Samuel Rutherford Crockett e George MacDonald’s, bem como textos religiosos do cristianismo, em especial a história do povo hebreu, também são apontados como influências. Até mesmo a experiência pessoal de Tolkien com os eventos da Primeira Guerra Mundial é indicada como inspiração.

Mapas e ilustrações

Tolkien era conhecido por ser perfeccionista — tanto é que é comum ver as explicações de seu filho Christopher a respeito do receio que ele tem de publicar os rascunhos inacabados de seu pai —, então, era de se esperar um grande envolvimento seu nas várias fases de concepção e publicação de uma obra. (mais…)

Que tal conhecer uma casa de Hobbit? Projeto do Kickstarter busca financiamento de um Condado

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Um complexo de tocas de hobbits será construído no interior da Inglaterra, sob a supervisão de um especialista em Tolkien. Quem contribuir, garante a visita.

Rodrigo Torres, no Adoro Cinema

 

Que tal tirar uma foto como essa de Peter Jackson?! Que tal tirar essas onda??? Um sonho de milhões de fãs de J.R.R. Tolkien que a empresa especializada em chalés temáticos West Stow Pods pretende realizar, com a ajuda desses mesmos fãs do autor e/ou das trilogias Senhor dos Anéis e O Hobbit.

A entrada externa e a entrada interna do Poddit.

A entrada externa e a entrada interna do Poddit.

Via Kickstarter, a empresa abriu um financiamento coletivo para levantar a grana necessária para reconstituir o Condado em Suffolk, interior da Inglaterra. O projeto promete a supervisão de Alan Baxter, membro da Sociedade Tolkien, para garantir a satisfação do cliente ao visitar o complexo de tocas, tal qual imaginamos nos livros e viemos a testemunhar, fielmente reproduzidas, nas telonas.

Os aconchegantes quarto e sala da casa de hobbit.

Os aconchegantes quarto e sala da casa de hobbit.

Escondido atrás de uma porta amarela redonda, e com dois quartos duplos, uma cozinha e um banheiro, além de uma acolhedora lareira, o local promete não só reconstituir com perfeição a mitologia de Tolkien, mas também muito conforto. Caso o crowdfunding dê certo, o projeto será construído por uma empresa especializada em construções sustentáveis, de baixo impacto ambiental

Imagens do projeto e das entradas das primeiras "tocas" construídas.

Imagens do projeto e das entradas das primeiras “tocas” construídas.

Apoiadores do Podditon podem doar de 2 a mil libras, e têm contrapartida, claro. Quem contribuir com £15, por exemplo, ganha apenas uma t-shirt, mas quem doar £80 ganhará estadia por uma noite na Toca Poddit. Aqueles que contribuirem com £250 ganharão um passaporte de duas noites e uma visita guiada por todo o vilarejo, que inclui uma vila anglo-saxônica vizinha, construída pelo mesmo West Stow Pods.

O objetivo são 50 mil libras. Mesmo de longe, fico na torcida. Quem sabe um dia…?!

Histórias adultas para crianças – e vice-versa

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O novo romance de Neil Gaiman, O oceano no fim do caminho, transita entre o público adulto e infantil com maestria

Nina Finco e Luís Antõnio Giron, na Época

1As forças sobrenaturais liberadas pelo suicídio de um inquilino no carro da família de um garotinho de 7 anos atrai um espírito predador de seres humanos. O menino precisa da ajuda das mulheres da família Hempstock, que moram no final da rua, para se livrar da confusão. A mais velha delas diz ser mais antiga que o próprio Big Bang. Tais eventos acontecidos na década de 1970 são relembrados pelo garoto já quando adulto, em uma visita nostálgica ao condado de Sussex, na Inglaterra, onde viveu quando era criança.

Eis aí um bom tema para um livro de aventuras infantil. Mas O oceano no fim do caminho (editora Instrínseca, 208 páginas, R$ 24,90, tradução de Renata Pettengill), o novo romance do escritor britânico Neil Gaiman, está longe de ser uma história para crianças. É a um só tempo delicado e triste. O oceano conta com uma narrativa simples: mostra como as crianças não conseguem fugir de tudo, justamente porque são crianças. Os acontecimentos da trama captam o momento da perda da inocência e da esperança e como se pode esquecer de tudo depois. Trata-se de uma história que dialoga com a criança interior do leitor adulto.

A capacidade de unir o infantil ao adulto surgiu cedo na carreira de Neil Gaiman. No final da década de 1980, ele revolucionou o mercado das histórias em quadrinhos ao criar a série Sandman. A trama acompanha o personagem Sonho, governador do Sonhar, que interage com o universo e o mundo dos homens. Naquele tempo, nos Estados Unidos, as HQs costumavam falar sobre super-heróis e não atingiam o público adulto. Mas a onda de graphic novels britânicas trouxe ao mercado uma escola narrativa com pretensões poéticas. A novidade atraiu leitores de fora da base tradicional de fãs de quadrinhos. Logo no começo de sua carreira, Gaiman já se destacava por misturar os públicos.

Segundo o escritor Eduardo Spohr, autor dos livros de fantasia Batalha do apocalipse e Filhos do Éden (ambos publicados pela editora Record), o público adulto sente-se atraído pelas questões filosóficas apresentadas por Gaiman autor. “Ao colocar um conteúdo mais profundo na narrativa, que vai além da história em si, Gaiman torna sua obra mais fácil de ser apreciada pelos mais velhos”, afirma. Tal mistura ajudou-a superar as barreiras da fama infantilizada dos quadrinhos.

Em 2011, Grant Morrison, roteirista de quadrinhos britânico e autor de histórias premiadas como Os Invisíveis e Asilo Arkham (D.C. Comics), uma das graphic novels mais vendidas de todos os tempos, lançou Supergods. O livro une a crítica artística sobre quadrinhos de super-heróis e a história do gênero. Nele, Morrison descreve a obra de Gaiman: “A história de Sandman se expandiu tão além de suas raízes em quadrinhos de super-heróis que a obra basicamente inventou um novo gênero, na interseção de fantasia, ficção, terror e literatura.”

É na mistura de fantasia e terror que Gaiman ganha também espaço entre os mais jovens. Para o professor de produção editorial da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Mário Feijó, as primeiras histórias para crianças eram de terror. “Os contos folclóricos antigos eram apavorantes e eram utilizados para ajudar as crianças a aprender a domar seus próprios medos”, afirma. Feijó afirma que Gaiman faz a mesma coisa ao usar os medos básicos do ser humano, como a morte, o abandono e a traição – todos ligados à família – como parte de suas obras. “Eles nos perseguem durante toda a vida, passando da infância à velhice. Por isso Gaiman segue ser popular, independentemente da idade dos leitores.”
O exemplo de maior sucesso entre o público infantil de Gaiman foi a publicação de Coraline (editora Rocco) em 2002. A história de uma menina que encontra uma realidade alternativa (e assustadora) na qual as pessoas possuem botões no lugar dos olhos, rendeu-lhe os prêmios de ficção científica e fantasia Hugo Award e Nebula Award por melhor romance em 2003.

1De acordo com o estudioso de literatura fantástica Fabio Fernandes, usar a fantasia de diversas formas é o trunfo maior de Gaiman. “Ele habita várias esferas do fantástico. Se Sandman é um quadrinho mais voltado para o público adulto, o Livro do Cemitério (editora Rocco), que é infanto-juvenil, é uma história ao mesmo tempo de fantasmas e uma homenagem e referência direta ao Livro da selva, de Rudyard Kipling (1865-1936). Assim como Deuses Americanos e sua continuação, Os Filhos de Anansi (ambos editora. Conrad) é um estudo de uma mitologia paralela dos deuses do Velho Mundo nos Estados Unidos”, diz Fernandes. Portanto, não é possível classificar a literatura de Gaiman faz, exceto que ele escreve no território do fantástico. “E o fantástico tem muitas faces.”

Outra característica marcante da obra de Gaiman é a linguagem simples de sua narrativa. Tanto nos livros adultos como nos infanto-juvenis, ele se expressa de forma espontânea, aproximando as histórias do leitor. “Escrever fácil é muito difícil”, diz o escritor e crítico Felipe Pena, autor de Fábrica de diplomas (editora. Record). “Para traduzir a complexidade de suas histórias de forma simples, sem ser superficial, é preciso muito talento. E isso o Gaiman tem de sobra,” Quanto ao tema recorrente do temor, Pena diz que é uma questão neurológica. “O ser humano gosta de sentir medo. Ficar assustado com a ficção faz com que a gente sinta-se protegido do medo da realidade”, diz. “E é bem melhor sentir medo nos livros do que na vida real.”

Em toda sua obra, que não está presente apenas no mundo da literatura (ele já escreveu episódios para a série britânica Dr. Who e foi responsável pelo roteiro do filme A Lenda de Beowulf (Warner Bros.) de 2007), Neil Gaiman encontrou o elo entre a criança e o adulto. Ao escrever para os mais velhos, ele não se esquece dos medos infantis. Ao falar com os mais novos, ele os fascina com o terror tão conhecido por eles mesmos. O medo nunca está longe do homem. Quando adultas, as pessoas apenas se esquecem dele. Na epigrafe de O oceano no fim do caminho uma frase do ilustrador de literatura americano Maurice Sendak (1928-2012) resume a ligação entre os temores infantis e adultos: “Eu me lembro perfeitamente da minha infância… Eu sabia de coisas terríveis. Mas tinha consciência de que não deveria deixar que os adultos descobrissem que eu sabia. Eles ficariam horrorizados.”

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