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Esculpir um romance

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Obra de Guy Laramee.

Obra de Guy Laramee.

Juan Pablo Villalobos, no Blog da Companhia das Letras

A cena é a seguinte: o romancista está sentado em seu estúdio, há dezessete livros espalhados na mesa, seis cadernos, oito canetas, um lápis, um marca-texto e a caneta-fetiche sem a qual não consegue escrever nada decente. À esquerda descansa uma pasta que contém trezentas ou trezentas e cinquenta folhas: a impressão de trechos das duas versões anteriores do romance, descartadas. Três dos seis cadernos são cadernos-fetiche e estão cheios. O conteúdo dos cadernos é mais ou menos igual ao da pasta. Mas agora nada disso importa: o romancista tem na frente duzentas e duas páginas impressas, as duas primeiras partes da terceira versão do romance. O romance terá três partes, ou provavelmente, quem sabe, quatro. Duzentas e duas páginas que são o trabalho de quase dois meses.

O romancista pega as quatro canetas coloridas para corrigir: vermelha, azul, cinza e verde. Confirma que o computador está desligado. Verifica os níveis de cafeína no sangue. Desativa a internet do celular e baixa o volume do aparelho. Respira fundo. Fixa os olhos na primeira folha. E então acontece. Não é necessário reler as duzentas e duas páginas, não é necessário reler oitenta ou vinte. Acontece no primeiro parágrafo, na primeira frase, é uma decepção fulminante: o romance não funciona.

A aflição é tão grande quanto duas decepções amorosas juntas, como a traição do melhor amigo ou quase como aquela vez que o time de futebol do romancista, que há sessenta e dois anos não é campeão, perdeu a final nos pênaltis.

O que aconteceu entre a tarde de ontem, quando o romancista imprimiu as duzentas e duas páginas em estado de euforia, e a manhã de hoje? O que mudou na percepção do romancista? O romance, com certeza, não mudou. É muito complicado tentar explicar o que aconteceu. Não é possível identificar o problema, não é possível dizer: é a voz narrativa, ou são os personagens, os diálogos, o enredo… A triste epifania desse breve instante de iluminação é que esse não é o romance que ele quer escrever.

O romancista solta a caneta vermelha e sai ao jardim a chutar uma bola. Chutar uma bola ajuda a pensar, a acalmar, a colocar as coisas em perspectiva. Cinco, dez minutos chutando a bola, lutando contra a maldita tristeza, contra o luto do romance que acaba de morrer.

Volta à mesa. Começa de novo, tentando ignorar o que está sentindo, faz um trabalho mecânico de correção, segue em frente, segue em frente, talvez seja possível voltar a acreditar, recuperar a fé no romance.

Merda.

Não. Não é possível.

O romancista pega as duzentas e duas folhas das duas primeiras partes da terceira versão do romance e as coloca na pasta que descansa na parte esquerda da mesa.

Espera aí, pensa o romancista, qual era o livro que eu queria escrever? Olha a estante que está ao lado da mesa com seus livros favoritos. É um momento crítico: o deprimido romancista está tentando recuperar a fé na literatura. Vai pegando livros e lendo trechinhos, uma página, um parágrafo, duas linhas. César Aira, Antonio Di Benedetto, Copi, Juan Emar, Felisberto Hernández, Mario Levrero, Sergio Pitol, Daniel Sada, Francisco Tario, Virgilio Piñera, Osvaldo Lamborghini… Passa uma hora lendo. O romancista recupera, ao menos, o sossego.

A terapia continua com a leitura de uma frase que o romancista encontrou em um belíssimo livrinho de Héctor Libertella: “Reescrever seria a arte de dar naturalidade ao que está muito trabalhado. Algo que tomou muito tempo do escritor, mas que não declara sua idade.”

Logo, no mesmo livro, lê o depoimento de Elie Wiesel:

“Eu gosto de cortar. Reduzi novecentas páginas a cento e sessenta. Mas veja bem, inclusive quando alguém corta, não corta. Escrever não é como pintar, onde você agrega. O que o leitor vê não é o que você coloca na tela. Escrever é mais parecido com a escultura, onde você tira, elimina, para tornar a obra visível. Mas essas páginas que você elimina permanecem de alguma maneira. Há diferenças entre um livro que teve duzentas páginas desde o começo e outro de duzentas que é resultado de um original de oitocentas. Essas seiscentas páginas estão aí. Só que não as vemos.”

Sim, é isso, é isso, se repete o romancista, seguro de que essa pasta lotada de páginas descartadas permanecerá, de alguma maneira, na versão final do romance. O romancista sabe que o uso literal que está fazendo das palavras de Libertella e Wiesel está muito perto da autoajuda ou da lavagem cerebral, mas por enquanto ele precisa acreditar em alguma coisa. Pega um novo caderno-fetiche e a caneta-fetiche e se senta diante da página em branco.

O romancista sabe que passarão dias, talvez semanas, antes de que consiga encontrar o caminho de volta ao romance.

J.K. Rowling confirma segundo livro de seu alter ego

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Escritora de Harry Potter lançou obra com pseudônimo Robert Galbraith

Publicado no Correio do Povo

J.K. Rowling confirma segundo livro de seu alter ego<br /><b>Crédito: </b> AFP / CP

J.K. Rowling confirma segundo livro de seu alter ego
Crédito: AFP / CP

A escritora J.K. Rowling confirmou que terminou o segundo livro que assinará pelo pseudônimo Robert Galbraith. Será a continuação de “The Cuckoo’s Calling” e deverá ser lançada no ano que vem. As vendas do livro dispararam no início do mês, quando Rowling revelou que é ela a autora de fato do livro. O crescimento comercial foi de 41.000 %, segundo a Nielsen BookScan.

Rowling, que vendeu mais de 450 milhões de cópias dos livros de Harry Potter, foi acusada de planejar a revelação da autoria do novo livro como um golpe publicitário, mas ela insiste que queria que sua autoria tivesse permanecido em segredo.

“Se alguém tivesse visto os planos mirabolantes que elaborei para esconder minha identidade, perceberia que eu não queria ser descoberta”, escreveu a autora de 47 anos. Ela contou como passou os dias trabalhando na assinatura de Galbraith. “Minha assinatura para Robert Galbraith é peculiar e consistente. Gastei uma semana inteira praticando até ter certeza de como seria”, disse.

A empresa britânica Russells pediu desculpas após descobrir que um de seus colaboradores foi quem revelou o segredo. O homem contou a identidade real de Galbraith à melhor amiga da mulher, mas teria “pedido sigilo”.

Porém, Rowling disse que Galbraith não precisou de sua ajuda – suas vendas iniciais teriam sido favoráveis em comparação com o sucesso de J.K. Rowling no começo da carreira. Duas emissoras de TV já tinham se interessado em adaptar o romance aclamado pela crítica, mesmo antes de a autoria real ter sido revelada, acrescentou Rowling.

Galbraith foi descrito originalmente pela editora como um ex-integrante da Polícia Militar Real, que vinha trabalhando na indústria de segurança civil desde a década passada.

Essa descrição serviu como uma “boa justificativa para não aparecer em público ou fornecer uma fotografia”, explicou Rowling. A autora disse, ainda, que escolheu o primeiro nome do pseudônimo por causa do seu herói: Robert F. Kennedy, o ex-presidente americano assassinado em 1968. O sobrenome, porém, foi escolhido por uma razão mais aleatória: “Quando era criança, eu queria muito ser chamada de ‘Ella Galbraith’ e eu não tenho a menor ideia do porquê”, afirmou.

Rowling disse, ainda, que escreveu escondida por esse pseudônimo porque, por ser uma das autoras mais famosas do mundo, queria trabalhar “sem exageros ou expectativas para receber um retorno totalmente verdadeiro em relação ao trabalho”. Seu primeiro romance para adultos, “Morte súbita”, foi publicado ano passado e dividiu opiniões. As expectativas foram muito altas devido ao enorme sucesso dos sete livros da saga Harry Potter, que viraram filmes de Hollywood e fizeram de Rowling uma mulher multimilionária.

 

Exemplares da Magna Carta serão reunidos pela primeira vez após oito séculos

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Publicado no jornal Hardmusica

Os quatro exemplares remanescentes da Magna Carta, documento britânico que definiu em lei pela primeira vez os limites dos poderes governamentais, serão reunidos em 2015, num fato inédito que marcará os 800 anos da Constituição inglesa.

A Biblioteca Britânica referiu no dia 15 de Julho que os quatro documentos, atualmente em poder da Catedral de Lincoln, Catedral de Salisbury e Biblioteca Britânica (duas cópias), serão reunidos na biblioteca londrina para uma exposição de quatro dias, conforme refere a Reuters.

Originalmente publicada em 1215, a Magna Carta foi uma tentativa do rei João para aplacar os poderosos barões ingleses que estavam insatisfeitos com os impostos e com a política externa do reino.

Escrita em latim sobre pergaminho de couro de ovelha, a carta limitava os poderes do rei, até então arbitrários, ao declarar pela primeira vez que a realeza inglesa estava submetida à lei.

Dos 63 artigos da carta, só três permanecem em vigor – um para proteger as liberdades da Igreja inglesa, outro que confirma privilégios da cidade de Londres, e o mais famoso, que fala das liberdades civis e das garantias de julgamento conforme a lei.

O texto tornou-se a base da lei comum no sistema inglês, e continua sendo um pilar importante da Constituição não-escrita da Grã-Bretanha no que diz respeito aos direitos civis.

Os seus princípios também ecoam na Constituição dos Estados Unidos e na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

“(A Magna Carta) é venerada em todo o mundo como ponto de partida para o governo sob a lei”, disse em nota Claire Breay, curadora-chefe de manuscritos medievais e anteriores na Biblioteca Britânica.

Diretora é acusada de chamar professores de gorilas nos EUA

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Funcionários negros dizem que atitude racista da dirigente prejudicou trabalho na escola de ensino médio em Nova York

Minerva Zanca, diretora de escola no Queens, em Nova York Reprodução da web

Minerva Zanca, diretora de escola no Queens, em Nova York Reprodução da web

Publicado em O Globo

RIO – A diretora de uma escola de ensino médio em Nova York está sendo acusada de racista pela comunidade do colégio. Dois professores negros demitidos afirmam terem sido vítimas de assédio moral. Eles dizem que seus trabalhos em sala de aula foram prejudicados pela discriminação racial. O assistente da diretoria, Anthony Riccardo, confirma as denúncias ao alegar que Minerva chamou professores de gorilas, fazendo ainda comentários sobre seus “lábios grossos” e “narizes grandes”. As informações são do “Huffington Post”.

Pais de alunos da Pan American International High School, que fica na região do Queens, protestaram esta semana em frente ao Departamento de Educação de Nova York, exigindo uma investigação a respeito. Além disso, um abaixo asinado no site “Change.org”, com mais de mil assinaturas, exige a demissão de Minerva do cargo de dietora. O Departamento de Educação informou que o assunto está sendo investigado. De acordo com o órgão, não há registros de reclamações anteriores sobre a diretora.

Segundo informações, a escola atende a alunos imigrantes que estão no país há menos de quatro anos. “Nós éramos os únicos professores afro-americanos, e nós três saímos. Isso significa que não há mais professores afro-americanos na escola, enquanto metade da população de estudantes se parecem conosco”, diz a professora Lisa-Erika James, que pediu demissão, ao canal de TV Americano “CBS”. “Nós queremos que ela seja responsabilizada por suas ações”, queixa-se John Flanagan, que foi demitido.

Idealizadora da Flip confirma próxima edição para agosto de 2014

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Liz Calder fez declaração durante última mesa do evento, no domingo.
Este ano ficou marcado pelo tema protestos e três cancelamentos de autores.

Publicado no G1

 

No último dia da  11ª Flip, público recebe cachaça gratuita em mesa montada atrás da Tenda dos Autores (Foto: Cauê Muraro/G1)

Logo após o encerramento da 11ª Flip, público recebe cachaça gratuita em mesa montada atrás da Tenda dos Autores (Foto: Cauê Muraro/G1)

Liz Calder, idealizadora da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), confirmou que a próxima edição do evento acontecerá em agosto de 2014 – normalmente acontece em julho. Ela fez o anúncio durante o encerramento da 11ª Flip, na “Mesa de cabeceira”. O diretor-geral Mauro Munhoz já havia falado durante coletiva na tarde deste domingo que a 12ª Flip provavelmente seria adiada para agosto por conta da Copa do Mundo.

O evento chegou ao final na noite deste domingo (7), comemorando o fato de ter sido “tão harmônica e tranquila nesse momento de manifestações”, declarou o diretor-geral Mauro Munhoz durante entrevista coletiva. No entanto, os protestos foram o centro das atenções neste ano, cuja programação ganhou três mesas somente sobre a situação atual política brasileira, com muita participação da plateia. Além disso, o assunto foi abordado em meio a outros debates literários e os próprios paratienses organizaram suas reinvidicações.

Outra questão da 11ª Flip foi a desistência de três autores estrangeiros: o francês Michel Houellebecq e o norueguês Karl Ove Knausgård, por “problemas pessoais”, e o egípcio-palestino Tamim al-Barghouti, por “extravio de passaporte”. “Os cancelamentos são muito chatos e não tem como controlar. Tentamos manter contato regular com o autor para ter certeza de que ele não mudou de ideia, mas, quando acontece em cima da hora, não tem o que dizer além de insistir e contornar. Mas encontramos boas substituições. Fiquei feliz que o T.J. Clark topou fazer uma aparição extra”, contou.

Por conta disso, o curador Miguel Conde afirmou não ter tido tempo de pensar na próxima edição. “Ainda não temos um autor homenageado escolhido para o ano que vem. Essas semanas foram corridas e ainda está em aberto. Pensamos em vários nomes, mas isso vai ter de ser conversado”, declarou. Munhoz disse que Mario de Andrade, Lima Barreto, Rubem Braga ou “talvez alguma mulher” sejam as possibilidades.

O evento homenageou o romancista alagoano Graciliano Ramos, o que o curador considerou “adequado para este momento político”. “Nos outros anos tivemos Gilberto Freyre e Nelson Rodrigues, mas o Graciliano não é apenas um escritor que teve uma atuação de militância, mas cuja obra se define com essa preocupação. É um escritor que pensa as implicações do seu próprio lugar como intelectual no Brasil”, disse.

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