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10 livros que estão na lista de favoritos de Carl Sagan

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Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

André Jorge de Oliveira, na Revista Galileu

Poucos foram os cientistas que conseguiram ocupar um lugar tão especial na vida de tanta gente como Carl Sagan. A série Cosmos que ele produziu e apresentou em 1980 ficou marcada não apenas na memória intelectual de muitas pessoas, mas também se firmou como uma verdadeira recordação afetiva, uma experiência pessoal capaz de transformar o jeito como se enxerga a realidade. O programa influenciou toda uma geração a refletir de forma mais profunda e filosófica sobre o universo e também sobre o papel que desempenhamos nele. A forma poética como o astrônomo compartilhava sua paixão pela ciência com os telespectadores inspirou muita gente a seguir por carreiras científicas.

É de se imaginar que o gosto literário de alguém que mescla tantas áreas do conhecimento em suas análises também reflita esta tendência à multidisciplinaridade – e é justamente isso o que vemos na lista de leitura que o pessoal do site Brain Pickings encontrou. Escrita no outono de 1954, quando Sagan tinha apenas 19 anos, as obras incluídas vão além das áreas em que atuava diretamente, como astrofísica e cosmologia, e abrangem referências de história, filosofia, religião, artes, ciências sociais e psicologia.

Confira alguns títulos:

Ilusões Populares e a Loucura das Massas – Charles Mackay (Extraordinary Popular Delusions)

Saiba mais aqui. Baixe em inglês aqui.

The Uses of the Past: Profiles of Former Societies – Herbert Joseph Muller (Os Usos do Passado: Perfis de Sociedades Antigas, em tradução livre – sem edição em português)

Saiba mais aqui.

O Imoralista – André Gide (The Immoralist)

Saiba mais aqui.

Education for Freedom – Robert Maynard Hutchins (Capítulo um: “The Autobiography of an Uneducated Man”. Educação para a Liberdade / A Autobiografia de um Homem Ignorante, em tradução livre – sem edição em português)

Saiba mais aqui.

Young Archimedes and Other Stories – Aldous Huxley (O Jovem Arquimedes e Outras Histórias, em tradução livre – sem edição em português)

Saiba mais aqui.

Timeu – Platão

Baixe em português aqui.

Who Speaks for Man? – Norman Cousins (Quem Fala Pelo Homem?, em tradução livre – sem edição em português)

Saiba mais aqui.

A República – Platão

Baixe em português aqui ou em inglês aqui.

A History of Western Philosophy – W. T. Jones (Uma História da Filosofia Ocidental, em tradução livre – sem edição em português)

Saiba mais aqui.

But We Were Born Free – Elmer Holmes Davis (Mas Nós Nascemos Livres, em tradução livre – sem edição em português)

Saiba mais aqui.

E a lista completa, escrita à mão pelo próprio Sagan:

LISTA DE LEITURA COMPLETA ESCRITA À MÃO POR CARL SAGAN EM 1954 (FOTO: REPRODUÇÃO)

LISTA DE LEITURA COMPLETA ESCRITA À MÃO POR CARL SAGAN EM 1954 (FOTO: REPRODUÇÃO)

Conhecendo as raridades da biblioteca do poder

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A BIBLIOTECA DA CÂMARA, EM BRASÍLIA

A BIBLIOTECA DA CÂMARA, EM BRASÍLIA

Andréia Martins, no Roteiros Literários

As primeiras bibliotecas começaram a ser implantadas no Brasil em 1800. Foi nessa época que a biblioteca que só chegaria a Brasília em 1960 começou a ganhar forma, ainda na antiga capital federal.

A Biblioteca da Câmara Federal foi criada oficialmente em 1866, no Rio de Janeiro, para atender apenas aos legisladores da casa. Lá, teve sede em diferentes locais, como o Palácio Tiradentes, o Cassino Fluminense, o Palácio Monroe e o Palácio da Quinta da Boa Vista, além da Biblioteca Nacional. Aos poucos, seu acervo foi sendo ampliado com compras, doações e trocas de livros. Mas foi só em 1926 que ele alcançou um volume considerável de obras, com 27.000 exemplares.

Ao ser transferida para nova capital brasileira, em 1960, já com o dobro do acervo bibliográfico, a biblioteca ocupou quatro andares do Anexo I da Câmara, passando depois, em 1969, para o Anexo II, onde hoje está o Centro de Documentação e Informação (CEDI). Aberta ao público, ganhou o nome de Biblioteca Pedro Aleixo em 1985, em homenagem ao advogado e parlamentar.

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A primeira impressão é de que o acervo é restrito, com obras e referências ao dia a dia da política nacional. Mas o acervo surpreende. Em seus 2500m², a biblioteca reúne uma extensa bibliografia sobre direito, economia, administração pública, ciências políticas e sociais, literatura nacional, documentos publicados pela ONU (Organização das Nações Unidas), edições do Diário Oficial desde 1930, jornais antigos e atuais, entre outros.

No entanto, a cereja do bolo é o acervo de obras raras, com publicações em latim, português, francês e entre outras línguas. Ao todo são 4.600 livros e 108 periódicos raros, como obras clássicas do pensamento ocidental, relatos de viajantes dos séculos 18 e 19, edições de referências da historiografia, geografia e literatura nacional.

Este ano a biblioteca começou o processo de digitalização de 200 obras desse acervo. O critério foi escolher as mais danificadas, mais antigas e mais importantes. Todo o processo deve ser concluído em 26 anos. (Acesse aqui as publicações já digitalizadas)

A ENTRADA DA BIBLIOTECA PEDRO ALEIXO

A ENTRADA DA BIBLIOTECA PEDRO ALEIXO

LOGO NA ENTRADA VEMOS AS ANTIGAS ENCICLOPÉDIAS E OUTRAS OBRAS DE REFERÊNCIA. AO FUNDO, O SALÃO DE LEITURA COM MESAS PARA ESTUDO

LOGO NA ENTRADA VEMOS AS ANTIGAS ENCICLOPÉDIAS E OUTRAS OBRAS DE REFERÊNCIA. AO FUNDO, O SALÃO DE LEITURA COM MESAS PARA ESTUDO

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Os livros do acervo raro só podem ser manuseados com luvas e consultados com a supervisão de alguém da casa. Por isso, para fazer qualquer consulta a este acervo é preciso agendar uma visita antes.

Quem nos recebe na sala dos fundos da biblioteca, onde fica o acervo raro é a chefe da seção de obras raras e especiais, Maria Cristina Silvestre. Ela coloca as luvas brancas plásticas e manuseia com cuidado as obras previamente separadas. Em comum, os livros ali têm o amarelo das páginas e guardam o cheiro do tempo de muitas gerações.

Considerando a data original desses livros, alguns do século 16, pode-se dizer que eles estão bem preservados. A obra rara mais antiga é De Orbis Situ, de 1522, escrita por Pompônio Mela, o único tratado de geografia da Antiguidade escrito em latim clássico. Publicado na época em que ainda se considerava a Terra o centro do universo, o livro traz um mapa que mostra a antiga divisão dos continentes. Uma época e forma de ser ver o mundo que parece muito distante dos dias de hoje.

A OBRA MAIS ANTIGA DO ACERVO RARO DA BIBLIOTECA

A OBRA MAIS ANTIGA DO ACERVO RARO DA BIBLIOTECA

O MAPA QUE ACOMPANHA A OBRA

O MAPA QUE ACOMPANHA A OBRA

O acervo guarda ainda obras-relatos dos chamados “cronistas-mor” do reino de Portugal, autores que tinham quase que o papel de historiadores –embora, em alguns casos, com viés totalmente favorável ao governo—e colaboraram para construir uma espécie de memória das dinastias, e claro, do país. Eles eram contratados pelo rei para escrever sobre o país, seu governo e história.

O primeiro a ocupar o cargo foi Fernão Lopes (1380-1460), em 1434, encarregado por D. Duarte. Estima-se que ele tenha escrito a história de Portugal desde a fundação do reino e as crônicas de todos os seus reis até D. João 1º. Há ainda obras de outros cronistas importantes para a história portuguesa, como Duarte Galvão (1445-1517) e Rui de Pina (1440-1522).

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Pesquisadores, historiadores ou interessados na história nacional encontram ali livros que traçam um panorama que vai do descobrimento do Brasil até a definição de nossas fronteiras. São obras importantes pelas informações que contém e também pela questão estética. Um exemplo é Nova Lusitania, escrito por Francisco de Brito Freire, em 1675. Além de ser uma fonte rica em informações sobre os acontecimentos em Pernambuco, entre 1630 e 1638, a preocupação gráfica fez da obra um dos destaques da tipografia portuguesa do século 17.

A PÁGINA QUE ABRE O LIVRO NOVA LUSITANIA, COMPLETAMENTE DECORADA, TRADIÇÃO NA ÉPOCA DE SUA PUBLICAÇÃO

A PÁGINA QUE ABRE O LIVRO NOVA LUSITANIA, COMPLETAMENTE DECORADA, TRADIÇÃO NA ÉPOCA DE SUA PUBLICAÇÃO

DENTRO, OS CAPÍTULOS COMEÇAM COM UMA LETRA CAPITULAR EM DESTAQUE E AS PÁGINAS APRESENTAM UMA MARGEM À DIREITA

DENTRO, OS CAPÍTULOS COMEÇAM COM UMA LETRA CAPITULAR EM DESTAQUE E AS PÁGINAS APRESENTAM UMA MARGEM À DIREITA

Há ainda Novus orbis regionum ac insularam veteribus incognitarum, de 1633, que narra as grandes navegações e as expedições de Cristóvão Colombo, Pedro Alonso Pinzon e Américo Vespúcio. O livro traz também o primeiro relato de viagem de Fernão de Magalhães, o navegador português que planejou e comandou a expedição que deu a primeira volta ao mundo, mas morreu no caminho. Esse é um dos motivos que a torna uma obra literária “muito rara”.

Travels in Brazil é um relato de viagem feito pelo inglês Henry Koster. Originalmente escrito em lâminas, traz a melhor descrição do nordeste brasileiro na primeira metade do século 19. O diferencial deste livro é trazer o primeiro depoimento sobre a psicologia e a etnografia tradicional do sertanejo no seu cenário, incluindo algumas primeiras ilustrações do sertanejo.

Para 2015, a biblioteca da Câmara prepara uma exposição sobre os relatos de viagem do acervo de obras raras.

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Entre os livros raros não estão apenas obras sobre história. Há também raridades literárias como, por exemplo, edições comentadas de duas obras de Luís de Camões (1524-1580) difíceis de serem encontradas: Os Lusíadas, publicada em 1572, e Rimas Variadas, publicada em meados dos anos 1600.

A biblioteca permite um olhar mais amplo sobre a obra do padre Antonio Vieira (1608-1697) além de Os Sermões– de 1679, iniciados há quatro séculos, composta por 15 volumes e, provavelmente, seu trabalho mais conhecido. O local guarda outros escritos do padre como Historia do Futuro… (1718), que faz parte de uma trilogia de obras proféticas que contém ainda Esperanças de Portugal, escrita entre 1856 e 1857, e Clavis Prophetarum, obra perdida e não concluída.

14 VOLUMES DE OS SERMÕES, DO PADRE ANTONIO VIEIRA, NA PRATELEIRA DA BIBLIOTECA

14 VOLUMES DE OS SERMÕES, DO PADRE ANTONIO VIEIRA, NA PRATELEIRA DA BIBLIOTECA

Outros livros do autor são Cartas do P. Antonio Vieyra da Companhia de Jesus, uma coleção com três volumes que trazem cartas que refletem o estilo da prosa portuguesa do século 18, datados de 1735 e 1746, e Vozes Saudosas, de 1736, com vários tratados sobre o Brasil. Este último livro tem um suplemento, Voz Sagrada, de 1748, também disponível na biblioteca. São poemas, cartas e outros escritos em latim e português.

Os títulos brasileiros não ficam atrás. Temos exemplares da primeira edição de Os Sertões e um volume autografado de Contrastes e Confrontos (foto abaixo), ambos de Euclides da Cunha (1866-1909); a edição de 1909 de Recordações do escrivão Isaias Caminha, primeiro livro de Lima Barreto (1881-1922). Do autor, há ainda a primeira edição de O Triste Fim de Policarpo Quaresma, de 1915, sua obra mais conhecida.

OBRA AUTOGRAFADA POR EUCLIDES DA CUNHA

OBRA AUTOGRAFADA POR EUCLIDES DA CUNHA

Ganham destaque ainda alguns dos 23 volumes de Os Cem Bibliófilos do Brasil, coleção famosa editada em 1943 e que reunia um escritor e um artista plástico para ilustrar uma obra. Além de promover o encontro entre renomados escritores e artistas, os livros dessas coleções tornaram-se raros devido às poucas edições impressas.

Dessa coleção a Câmara possui exemplares de Memórias Póstumas de Braz Cubas, de Machado de Assis (1839-1908), ilustrado por Portinari e que foi o primeiro volume da coleção; Espumas Flutuantes, de Castro Alves (1847-1871) com ilustrações de Tomás Santa Rosa; Macunaíma, de Mario de Andrade (1893-1945) com desenhos de Carybé; A Morte e a Morte de Quincas Berro D’água, de Jorge Amado (1912-2001) com Di Cavalcanti, Campo Geral, de Guimarães Rosa (1908-1967) ilustrado por Djanira, entre outros.

OBRA DE MACHADO COM ILUSTRAÇÕES DE PORTINARI

OBRA DE MACHADO COM ILUSTRAÇÕES DE PORTINARI

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O dia a dia da biblioteca é movimentado. Além de atender aos legisladores, o local é aberto ao público, que pode ler e estudar nas salas de leitura. O público agora tem acesso às prateleiras para consultar os livros do acervo — antes, tudo passava pela mão de um atendente. Agora, é só levantar, dar alguns passos entre as prateleiras para consultar a obra desejado. No entanto, o empréstimo de livros é feito somente para os servidores da casa.

Ernani Júnior, coordenador do acervo da biblioteca, conta que o local é muito procurado por concurseiros que buscam um ambiente mais calmo — e climatizado, fator importante já que Brasília é conhecida por apresentar temperaturas altas — para estudar. Há uma sala de leitura e mais duas salas que podem ser usadas pelo público. A meta é construir uma terceira.

Hoje, são 1.500.000 itens catalogadas, sendo 200.000 livros impressos, 2.000 revistas, entre outros. Esse material também serve de base para as pesquisas solicitadas pelo público e legisladores à equipe do Centro de Documentação. Os pesquisadores atendem pedidos de informações sobre a Câmara, a atividade legislativa, legislação, Constituintes, acervo bibliográfico, entre outros. Entre setembro de 2013 e agosto de 2014 foram 18.858 pedidos de pesquisa para o CEDI.

O acervo, digamos, mais comum, inclui o que foi citado no início do texto, além de livros de ficção contemporâneos, romances da literatura nacional ou internacional, obras sobre religiões, filosofia e catálogos de arte. Uma curiosa coleção que só está disponível ali é “Mensagem ao Congresso Brasileiro”, onde estão reunidos os discursos de abertura das sessões feito pelos presidentes da República. Os livros incluem discursos desde a época da ditadura, nos quais os presidentes revelam pontos pessoais de suas ideias sobre direitos humanos,forças armadas, trabalho, educação. É um bom instrumento para entender um pouco mais o pensamento que motivou o golpe, sua manutenção e forma de condução política.

ERNANI CAMINHA ENTRE AS PRATELEIRAS DA BIBLIOTECA

ERNANI CAMINHA ENTRE AS PRATELEIRAS DA BIBLIOTECA

CANTINHO DA PRATELEIRA DE ARTES QUE REÚNE CATÁLOGOS DE EXPOSIÇÕES E MOSTRAS

CANTINHO DA PRATELEIRA DE ARTES QUE REÚNE CATÁLOGOS DE EXPOSIÇÕES E MOSTRAS

COLEÇÃO ‘MENSAGEM AO CONGRESSO NACIONAL’, COM DISCURSOS DOS PRESIDENTES NAS ABERTURAS DE SESSÕES. SÃO TEXTOS SOBRE DIFERENTES TEMAS, DESDE E O PERÍODO DITATORIAL

COLEÇÃO ‘MENSAGEM AO CONGRESSO NACIONAL’, COM DISCURSOS DOS PRESIDENTES NAS ABERTURAS DE SESSÕES. SÃO TEXTOS SOBRE DIFERENTES TEMAS, DESDE E O PERÍODO DITATORIAL

A biblioteca também procura avançar na inovação. Já implantou a retirada e entrega eletrônica de livros e planeja colocar em prática um processo para facilitar a elaboração de seu inventário: inserir chips nos livros para que a checagem do acervo seja eletrônica e mais rápida.

Além disso, ela integra o sistema RVBI – chamado de ‘rubi’ – do qual fazem parte 12 bibliotecas federais e distritais que estão integradas em um catálogo único online, gerenciado pela biblioteca do Senado. Dessa forma, todas têm acesso ao acervo uma das outras, podendo indicar aos usuários onde encontrar um determinado livro caso não tenha em seu catálogo.

Dos pedidos recebidos neste sistema, o livro mais procurado na biblioteca da Câmara é Campeões do Mundo, de Dias Gomes. O motivo, Enrani não sabe explicar. Já no acervo de ficções da própria biblioteca, até a nossa visita, em setembro de 2014, o livro mais solicitado no ano era A Cabana, do canadense William P. Young. Parece que os nossos políticos e servidores estão buscando inspiração no romance – ainda que ele venha carregado de suspense.

Serviço:

A biblioteca da Câmara funciona de segunda à quinta-feira, das 9h às 18h30, e sexta-feira, das 9h às 18h. Endereço: Câmara dos Deputados – Anexo II. Praça dos Três Poderes – Brasília. Lembre-se: para visitar o acervo de obras raras é necessário agendar. Para o resto, o acesso é livre.

Por que as pessoas escrevem tão mal?

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anciedadeSteven Pinker, no The Wall Street Journal [via Observatório da Imprensa]

Por que tanta gente escreve tão mal? Por que é tão difícil entender uma decisão de governo, ou um artigo acadêmico, ou as instruções para configurar uma rede sem fio em casa?

A explicação mais popular é que a prosa opaca é uma escolha deliberada. Burocratas insistem em fazer uso de jargões para cobrir sua anatomia. Escritores de tecnologia de visual hispter se vingam dos atletas que chutaram areia em seus rostos e das meninas que se recusaram a namorá-los. Pseudointelectuais cheios de biquinhos usam de um palavreado obscuro para esconder o fato de não terem nada a dizer, na esperança de enganar seu público com jargões pretensiosos.

Mas esta teoria enganosa torna muito fácil demonizar as pessoas, deixando-nos fora do gancho. Ao explicar qualquer falha humana, a primeira ferramenta a qual recorro é a Navalha de Hanlon: nunca atribua à malícia o que é adequadamente explicado pela estupidez. O tipo de estupidez que tenho em mente não tem nada a ver com a ignorância ou o baixo QI; na verdade, muitas vezes são os mais brilhantes e mais bem informados que mais sofrem disso.

Frustrações diárias

Certa vez fui a uma palestra sobre biologia dirigida ao grande público em uma conferência sobre tecnologia, entretenimento e design. A palestra também estava sendo filmada para transmissão pela internet a milhões de outros leigos. O orador era um biólogo ilustre que havia sido convidado para explicar seu recente avanço nos estudos da estrutura do DNA. Ele fez uma apresentação técnica repleta de jargões, adequada a seus colegas biólogos moleculares, e logo ficou evidente para todos na sala que ninguém entendia patavinas e ele estava perdendo o seu tempo. Evidente para todos, isto é, exceto para o biólogo. Quando o anfitrião interrompeu e pediu-lhe para explicar o trabalho de forma mais clara, ele pareceu genuinamente surpreso e nem um pouco irritado. É desse tipo de estupidez que estou falando.

É a chamada Maldição do Conhecimento: a dificuldade de imaginar como é para alguém não saber algo que você sabe. O termo foi cunhado por economistas para ajudar a explicar por que as pessoas não são tão astutas na negociação quanto poderiam ser, sendo que muitas vezes possuem informações que o seu adversário não tem. Os psicólogos às vezes chamam isso de cegueira mental. Em um experimento didático para comprová-la, uma criança vem ao laboratório, abre uma caixa de confeitos de chocolate M&Ms e fica surpresa ao encontrar lápis ali. Não só a criança pensa que outra criança que entrar no laboratório de alguma forma saberá que a caixa está cheia de lápis, como vai dizer que ela mesma sabia que havia lápis ali o tempo todo!

A Maldição do Conhecimento é a melhor explicação do porquê as pessoas boas escrevem numa prosa ruim. Simplesmente não ocorre a elas que seus leitores não sabem o que elas sabem – que não dominam o jargão de seu meio, que não conseguem adivinhar os passos perdidos que parecem demasiadamente óbvios para serem mencionados, que não têm como visualizar uma cena que para elas é tão clara como o dia. E assim, o escritor não se preocupa em explicar o jargão, ou em explicitar a lógica, ou em fornecer os detalhes necessários.

Qualquer um que deseje acabar com a Maldição do Conhecimento primeiro deve avaliar o quão diabólica é esta maldição. Tal como um bêbado que está ébrio demais para perceber que não tem condições de dirigir, nós não notamos a maldição porque ela mesma nos impede de perceber. Trinta estudantes me mandaram arquivos de seus trabalhos com o nome “trabalho.doc psicologia”. Se entro em um site de seguros de viagens, devo decidir se clico em GOES, Nexus, GlobalEntry, Sentri, Flux ou FAST, termos burocráticos que nada significam para mim. Meu apartamento está cheio de gadgets dos quais nunca consigo me lembrar como utilizar por causa de botões inescrutáveis que devem ser pressionados por um, dois ou quatro segundos, às vezes dois de cada vez, e que muitas vezes fazem coisas diferentes, dependendo de “modos” invisíveis acionados por outros botões. Tenho certeza de que tudo estava perfeitamente claro para os engenheiros que os projetaram.

Multiplique essas frustrações diárias por alguns bilhões de vezes, e você começará a ver que a maldição do conhecimento é uma chatice generalizada sobre os esforços da humanidade, a par com a corrupção, doenças e entropia. Quadros de profissionais caríssimos – advogados, contabilistas, gurus de computador, atendentes de suporte de empresas – drenam enormes quantias de dinheiro da economia para esclarecer textos mal redigidos.

Olhar para o outro

Há um velho ditado que diz: “Por falta de um prego a batalha foi perdida”, e o mesmo vale para a falta de um adjetivo: a Carga da Brigada Ligeira durante a Guerra da Crimeia é apenas o exemplo mais famoso de um desastre militar causado por ordens vagas. O acidente nuclear de Three Mile Island, em 1979, foi atribuído à má redação (operadores interpretaram erroneamente o selo de uma luz de alerta), assim como muitos acidentes aéreos fatais. O visual confuso da “cédula em borboleta” entregue aos eleitores de Palm Beach na eleição presidencial de 2000 levou muitos adeptos de Al Gore a votarem no candidato errado, o que pode ter favorecido George W. Bush, mudando o curso da história.

Mas como podemos acabar com a Maldição do Conhecimento? O tradicional conselho “sempre lembre-se do leitor sobre seu ombro” não é tão eficaz quanto se poderia pensar. Nenhum de nós tem o poder de enxergar todos os pensamentos alheios, de modo que se esforçar ao máximo para se colocar no lugar de outra pessoa não faz de você muito mais preciso para descobrir o que a pessoa sabe. Mas é um começo. Então é isso: “Ei, estou falando com você. Seus leitores sabem muito menos sobre o assunto do que você pensa, e a não ser que você rastreie o que você sabe e eles não, certamente irá confundi-los”.

A melhor maneira de exorcizar a Maldição do Conhecimento é fechando o ciclo, como os engenheiros dizem, e obter um retorno do universo dos leitores, isto é, mostrar um projeto para pessoas semelhantes ao seu público-alvo e descobrir se elas são capazes de acompanhá-lo. Os psicólogos sociais descobriram que somos confiantes demais, às vezes ao ponto da ilusão, a respeito de nossa capacidade de inferir o que as outras pessoas pensam, até mesmo as pessoas mais próximas de nós. Somente quando consultamos as pessoas é que descobrimos que o que é óbvio para nós não é óbvio para elas.

O outro jeito de escapar da Maldição do Conhecimento é mostrando o projeto para si, de preferência depois de ter se passado tempo suficiente para o texto deixar de ser familiar. Se você é como eu, vai se flagrar pensando: “O que eu quero dizer com isso?”, ou “Para onde isso vai?”, ou muitas vezes “Quem escreveu esta porcaria?”. A forma pela qual os pensamentos ocorrem a um escritor raramente é a mesma com que são absorvidos por um leitor. Conselhos sobre a escrita não são exatamente conselhos sobre como escrever, e sim como revisar.

Muitos dos conselhos aos escritores têm o tom de um conselho moral, de como ser um bom escritor vai fazer de você uma pessoa melhor. Infelizmente, para a justiça cósmica, muitos escritores talentosos são canalhas, e muitos ineptos são o sal da terra. Mas o imperativo de superar a Maldição do Conhecimento pode ser o pequeno conselho profissional que mais se aproxima do conselho moral: sempre tente sair de sua mentalidade provinciana e descubra como as outras pessoas pensam e sentem. Pode não fazer de você uma pessoa melhor em todas as esferas da vida, mas vai ser uma fonte de contínua bondade para com os seus leitores.

[Steven Pinker é Professor de Psicologia na Universidade de Harvard e presidente do Usage Panel of the American Heritage Dictionary. Este artigo foi adaptado de seu livro “The Sense of Style: The Thinking Person’s Guide to Writing in the 21st Century”.]

Tradução e edição: Fernanda Lizardo.

Ler: um hábito ou um vício?

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Até que ponto o gosto pela leitura pode ser considerado um hábito saudável e que deve ser mantido? Quando essa prática pode se tornar um vício? Existe algum mecanismo que possa ser utilizado para que possamos chegar a um veredito?

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Cláudia De Villar, no Homo Literatus

Todos sabemos que a leitura agrega conhecimento, melhora o vocabulário, ajuda a manter a mente sempre em ação, leva o leitor a passear por lugares ainda não conhecidos, estimula a criatividade e insere o cidadão no mundo globalizado. Mas como algo que traz tantos benefícios pode ser considerado um vício?

Como toda a ação tem a sua reação, a prática excessiva da leitura pode sim levar o leitor a um mundo particular, desvinculando-o do convívio com a sociedade. Quando o cidadão passa a não mais participar da vida ‘fora’ do livro ele passa a sofrer as consequências da vida solitária. Não basta viajar nas páginas dos livros, temos que respirar o ar que existe além da obra.

O hábito da leitura passa a ter ares de vício quando a pessoa transfere a sua vida para a leitura apenas. Não sai mais com amigos, não conversa com a família, não vê diversão senão através da alegria vivida pelas personagens. O vício é algo que não faz bem a ninguém, nem ao usuário do livro e nem aos quem convivem com um leitor compulsivo.

Para esse leitor compulsivo a verdade e a vida estão apenas nas palavras ditas pelo escritor e suas personagens. Qualquer pessoa real que venha a discordar de algum personagem ou autor passa a ser seu inimigo. Eis um dos malefícios do vício em ler: não enxergar veracidade além da obra ou de seu autor preferido.

Autores erram. São humanos. Mas o leitor viciado em apenas acreditar sem questionar não percebe isso e fica indignado quando um amigo contradiz o que o seu escritor escreveu.

Dessa forma, o leitor viciado não aceita palpites, não aceita convites para saídas, pois vê na leitura a única saída para a sua salvação. Perde, aos poucos, amizades, colegas e a sua própria vida. Vira um zumbi letrado. E nada é mais chato do que conviver com um leitor viciado que não tem assunto além das páginas de um livro. Assim sendo, há uma grande diferença entre o vício e o hábito de ler. Quem tem o hábito tem tudo! Além de todos os benefícios anteriormente citados, tem a vantagem de viver por si só.

Seria o brasileiro um “analfabeto” científico?

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Desempenho brasileiro no primeiro Índice de Letramento Científico mostra que ciência não está integrada ao cotidiano do brasileiro. (foto: Flickr/ Fortimbras - CC BY-NC-ND 2.0)

Desempenho brasileiro no primeiro Índice de Letramento Científico mostra que ciência não está integrada ao cotidiano do brasileiro. (foto: Flickr/ Fortimbras – CC BY-NC-ND 2.0)

Novo índice mostra que a ciência influencia a forma de ver o mundo e de lidar com situações complexas de apenas 5% dos avaliados, enquanto mais da metade sequer consegue aplicar o que aprendeu na escola em situações cotidianas.

Marcelo Garcia, no Ciência Hoje

Título original: Brasileiro: ‘analfabeto’ científico?
Como você avalia a sua capacidade de utilizar o conhecimento científico para resolver questões do dia a dia? E para fazer abstrações, criar hipóteses, planejar e inovar? Em um mundo em que a ciência e a tecnologia estão cada vez mais presentes, em que a sociedade é chamada a se posicionar sobre grandes questões como pesquisas com células-tronco e cultivo de transgênicos e no qual inovar é a palavra de ordem das empresas, essas questões são fundamentais. Mas, segundo a primeira edição do Índice de Letramento Científico (ILC), no Brasil é muito baixa a quantidade de pessoas ‘letradas’ em ciências, capazes de empregar os conhecimentos escolares no seu cotidiano e no planejamento do futuro.

Bem diferente das avaliações de ensino existentes no Brasil, a proposta do ILC é medir quanto do conhecimento escolar é de fato aplicado na prática. Para seus criadores, o resultado negativo ajuda a entender alguns gargalos sociopolíticos e econômicos do país, como a baixa capacidade de inovação. O índice, cuja versão completa foi divulgada recentemente, é fruto de uma parceria entre o Instituto Abramundo, o Instituto Paulo Montenegro, responsável pela ação social do Grupo Ibope, e a ONG Ação Educativa.

Para sua construção, foram aplicados questionários a 2002 pessoas entre 15 e 40 anos, com ao menos quatro anos do ensino fundamental completos, em oito capitais estaduais e no Distrito Federal. O questionário era composto por mais de 60 perguntas, que avaliaram a capacidade de identificar simples informações explícitas em texto, tabela ou gráfico (como consumo de energia ou dosagem em bula de remédio), de comparar informações simples para tomar decisões; de empregar informações não explícitas para resolver problemas práticos e processos do cotidiano e, ainda, de propor e analisar hipóteses sobre fenômenos complexos, mesmo não diretamente ligados ao seu dia a dia. A partir das respostas, os participantes foram classificados por nível de letramento: ausente, elementar, básico e proficiente.

O maior desafio foi traduzir o domínio de conceitos científicos em perguntas diretas e práticas para agrupar os participantes em faixas claras e facilitar ações posteriores. A metodologia aplicada foi adaptada do Índice de Analfabetismo Funcional (IAF), também produzido pelo Instituto Paulo Montenegro e que avalia os conhecimentos de português e matemática na prática. A ideia é que a avaliação seja repetida a cada dois anos.

Resultados preocupantes

De forma geral, 79% dos participantes ficaram na zona intermediária (48% no nível 2 e 31% no nível 3), enquanto 16% apresentaram letramento ausente (nível 1) e apenas 5% do total se mostraram de fato proficientes em ciência. O índice torna clara a dificuldade de grande parte dos entrevistados em realizar tarefas simples: 43% deles declararam ter problemas para compreender gráficos e tabelas, enquanto 48% acham difícil interpretar rótulos de alimentos. Entre aqueles com ILC elementar (mais comum), 58% tem problemas, por exemplo, para consultar dados sobre saúde e medicamentos na internet.

Resultado ruim mesmo entre gestores públicos mostra que pensamento científico pouco influencia suas decisões, o que pode ter consequências negativas em todos os campos, da própria educação à saúde, ao saneamento e ao planejamento urbano, por exemplo. (foto: Flickr/ Samchio – CC BY-NC-SA 2.0)

Resultado ruim mesmo entre gestores públicos mostra que pensamento científico pouco influencia suas decisões, o que pode ter consequências negativas em todos os campos, da própria educação à saúde, ao saneamento e ao planejamento urbano, por exemplo. (foto: Flickr/ Samchio – CC BY-NC-SA 2.0)

Os resultados também foram relacionados ao nível de formação e à área de atuação dos entrevistados – e ficam ainda mais preocupantes, já que os indivíduos com ensino superior considerados proficientes em ciência foram apenas 11%, enquanto 48% estão no nível 3, 37% no nível 2 e quase inacreditáveis 4% apresentaram letramento ausente.

Em relação ao mercado de trabalho, as áreas de administração pública, educação e saúde alcançaram o melhor resultado, apesar de pouco animador: 43% das pessoas têm letramento básico e 9%, proficiente. Na indústria e na prestação de serviços, 42% e 31% dos trabalhadores ficaram no nível 3, enquanto apenas 5% e 6% eram proficientes, respectivamente.

A diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro, Ana Lucia Lima, diz ter ficado surpresa com a baixa proficiência dos indivíduos mais escolarizados e dos tomadores de decisões, empreendedores e empresários, envolvidos diretamente no investimento e planejamento de atividades que vão desde o descarte do lixo à gestão da saúde e da educação. “Os dados mostram que o aprendizado fica restrito à escola e é preocupante que a ciência influencie tão pouco a visão de mundo dessas pessoas, sua atividade cotidiana e as decisões que tomam”, avalia.

Consequências adversas

Para os responsáveis pelo ILC, os impactos do cenário apontado pelo índice vão desde questões cotidianas a problemas que abrangem a vida econômica e social do país. “No dia a dia, isso se manifesta quando a cabeleireira usa um produto que ela deveria saber que faz mal ou quando os pais medicam os filhos por conta própria sem pensar nos efeitos colaterais ou nas interações entre medicamentos”, exemplifica Lima.

“Os reflexos também aparecem na pífia capacidade de inovação de nossas empresas: os trabalhadores pouco refletem sobre seu trabalho, não desafiam o status quo”, afirma Ricardo Uzal Garcia, presidente do Instituto Abramundo. “Além disso, o brasileiro não parece, em geral, preparado para opinar sobre grandes temas da ciência nem para tomar decisões cada vez mais necessárias sobre temas como transgênicos e células-tronco.”

Lima aponta ainda a formação de um gargalo de mão de obra no país e faz um alerta para o futuro. “Os empregos no país têm aumentado, mas apenas as vagas pouco especializadas; cargos melhores permanecem ociosos também pela inexistência de um pensamento científico aplicado, necessário para tais posições”, analisa. “Algo precisa ser feito para mudar essa situação, pois se nossos gestores tomam decisões que pouco consideram o conhecimento científico, a ciência nunca será valorizada como deve e isso continuará a impactar a inovação, a saúde, o meio ambiente e todas as áreas.”

Ensino de ciências

Junto com o índice, também foi feita uma pesquisa de percepção pública da ciência, cujo resultado é significativo: apesar do fraco desempenho no ILC, os participantes reconhecem a importância da ciência para a compreensão de mundo (42% concordam plenamente e 30% concordam em parte) e para obter boas oportunidades de trabalho (41% e 27%, respectivamente). “As pessoas têm interesse e acham a ciência importante, mas não vão a fundo porque não se sentem competentes”, avalia Lima. “É uma pista importante de que há algo errado na formação dos estudantes”, completa Garcia.

Uma olhada em outros indicadores de ensino reforça a má situação do país na área: no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), por exemplo, um dos piores desempenhos do Brasil é em ciências (59º entre 65 países).

Para melhorar o índice, segredo pode estar em investir mais no ensino fundamental e buscar maneiras de manter o interesse dos jovens pela ciência. (foto: Flickr/ emeryjl - CC BY 2.0)

Para melhorar o índice, segredo pode estar em investir mais no ensino fundamental e buscar maneiras de manter o interesse dos jovens pela ciência. (foto: Flickr/ emeryjl – CC BY 2.0)

Lima recupera a história da educação no país para explicar a situação atual. “O ensino se tornou um grande desafio a partir da década de 1990, pois sua universalização incluiu pessoas historicamente segregadas, famílias com níveis muito baixos de escolaridade”, afirma. A mudança, segundo ela, levou a um natural privilégio do ensino de português e de matemática, por serem competências mais básicas. “Em 25 anos, os avanços nessas áreas ainda não foram suficientes, mas ainda assim acredito que já seja hora de avançar para outros campos, e a ciência é a candidata natural para receber mais atenção.”

Um dado que se destaca no ILC é o desempenho semelhante de indivíduos com ensino fundamental e com ensino médio – 50% de pessoas do primeiro grupo têm letramento elementar, contra 52% no segundo, que também conta com 15% de pessoas com letramento ausente. Para Lima, as conversas com professores dão pistas sobre os motivos por trás desse resultado, por reforçarem que nas séries iniciais as crianças adoram ciências, mas perdem o interesse depois. “O desempenho no ensino médio deveria ser proporcional ao investimento maior, com professores especialistas e maior carga horária”, diz. “Como matamos essa curiosidade natural? Deve haver muita coisa errada, do currículo à forma de ensinar.”

Garcia ressalta a necessidade de criação de programas de ensino voltados para as séries mais baixas. “O impacto da iniciação científica de qualidade desde as primeiras séries pode ser fundamental para despertar o gosto por ciências no futuro”, diz.

Os organizadores também apostam na educação não formal e na parceria com a iniciativa privada para tentar mudar esse quadro. “Precisamos criar museus e centros de ciência para estimular uma cultura científica que hoje não existe”, defende o presidente da Abramundo. “Podemos pensar, por exemplo, em exposições sobre os ciclos do petróleo ou da agricultura, áreas em que atuam empresas enormes.” Lima conclui: “O problema não é só da escola, já que muitas pessoas não voltarão à sala de aula; é aí que a ação de igrejas, sindicatos e empresas pode ser fundamental.”

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