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14 trotes ‘comuns’ que podem ser alvo de denúncias por novos alunos

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publicado no G1

Os veteranos defendem a suposta “brincadeira” e a tradição, enquanto especialistas alertam: quando o novo colega de estudos vira “brinquedo” algo está tradicionalmente equivocado e pode até mesmo ser caso de polícia.

O G1 selecionou 14 práticas “comuns” nos trotes pelo país e traz a análise de estudiosos que convidam “veteranos” a refletirem antes de submeter novos colegas a cada uma delas.

Alguns estados possuem leis que proíbem a prática e a maioria das universidades as proíbe em seus campi, enquanto leis de abrangência nacional também podem ser aplicadas contra os excessos (veja ao fim da reportagem). Na maioria dos casos de trotes, há coação e em outros ela nem precisa ser configurada para que sejam considerados crimes ou infrações, variando entre constrangimento ilegal, invasão de privacidade, maus-tratos, ameaça, estupro e pericilitação da vida.

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1 – Ser obrigado a cortar o cabelo

Quando o corte ocorre sem o consentimento, ele pode ser considerado lesão corporal leve. “Alguns consideram o crime de injúria real ou a contravenção penal de vias de fato”, aponta o advogado Ariel de Castro Alves, coordenador estadual do Movimento Nacional de Direitos Humanos e um dos fundadores da Comissão da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB.

O professor Antonio Ribeiro de Almeida Junior, estudioso das violências nos trotes, lembra que o corte também está ligado a uma ideia de purificação, como se quem está chegando fosse um animal que precisa ser limpado. “É uma invasão do espaço do outro, poderia ser pensado como lesão corporal”, afirma Almeida Junior.

2 – Ser obrigado a pintar o corpo

Sem o consentimento ou sob coação, pode ser configurado como “constrangimento ilegal”. Segundo o professor Antonio Ribeiro de Almeida Junior, tanto o corte como a pintura corporal e o “pedágio” são encarados como sinônimo de passar no vestibular, mas também são portas para novas violências. “O processo (de violência no trote) é gradativo. O dia 13 de maio é considerado em muitas universidades a data da libertação dos calouros, o que é um marco racista por coincidir com a data da abolição da escravatura. Esta é a pior semana do trote: aqui na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq-USP) eles chamam de semana do terror.”

3 – Aplicar banho de farinha, ovos ou vísceras

O advogado Ariel de Castro Alves avalia que a prática pode ser encarada como “injúria real ou vias de fato”. De acordo com o histórico recente dos trotes no Brasil, jogar produtos sobre os novos alunos é uma das práticas que geram incidentes e hospitalizações por reações alérgicas e intoxicações.

Além das farinhas, ovos e vísceras, há casos em que intencionalmente ou por imprudência são jogados ácidos ou creolina. O professor Antonio Ribeiro de Almeida Junior lembra ainda uma prática mais extrema e comum, sobretudo nos trotes de medicina, chamada “pascu”: pasta de dente é passada no ânus dos novos alunos. “É um estupro”, afirma.

4 – Ter que pedir esmola / fazer pedágio

Para Ariel de Castro Alves, coordenador estadual do Movimento Nacional de Direitos Humanos de São Paulo, é comum haver a ameaça ou coação para a prática do pedágio, outra forma de constrangimento ilegal.

5 – Ter roupa rasgada ou tirada

Na análise dos especialistas, o ato de rasgar ou tirar peças de roupas de novos alunos pode ser qualificado como crime de dano, além do crime de injuria real. Em alguns casos, o gesto pode ser ainda classificado com abuso.

6 – Ter roupa, sapato ou acessório confiscado

Assim como outras práticas, reter itens pessoais para obrigar que tarefas sejam cumpridas pode ser configurado como “crime constrangimento ilegal” ou até mesmo furto.

7 – Ser colocado de joelhos ou em locais restritos

Sob coação, o “constrangimento ilegal” novamente está presente na prática, na análise dos especialistas. Quando o jovem é obrigado a ficar em locais restritos e por tempo além da sua vontade de permanecer nesse ambiente, a prática pode ser enquadrada, em seu extremo, como “crime de sequestro e cárcere privado”, segundo o advogado Ariel de Castro Alves.

O professor Antônio Ribeiro de Almeida lembra o caso de um pai que precisou fingir que estava tendo um enfarto para que estudantes de medicina liberassem o filho de uma festa de recepção em uma chácara, local onde vários estudantes eram submetidos a práticas violentas.

8 – Ser obrigado a ingerir bebidas

A prática pode ser enquadrada como “constrangimento Ilegal, maus tratos e ameaça”, segundo o advogado Ariel de Castro Alves. O professor Antônio Ribeiro de Almeida diz que, em suas pesquisas, mais de 80% dos alunos diz que a ingestão de bebida é uma forma de violência. Nos relatos colhidos pela CPI dos Trotes, na Assembleia Legislativa de São Paulo, estudantes confirmaram que a bebida também é usada como forma de fragilizar o aluno para outros tipos de abuso, inclusive de cunho sexual.

9 – Ser obrigado comer alimentos misturados

Assim como no caso da ingestão da bebida, a prática é considerada abusiva e atenta contra a dignidade humana, podendo ser qualificada como “constrangimento ilegal, maus-tratos e ameaça”.

Além disso, alertam os especialistas, ela pode provocar reações graves e ser prejudicial à saúde dos estudantes. A prática pode ser enquadrada ainda como forma de causar “perigo para a vida ou saúde de outrem” (art. 132 do Código Penal).

10 – Ser obrigado a cantar músicas machistas e declarar frases depreciativas

Cartazes contra trote violento são colocados no interior da Faculdade de Direito da USP (Foto: Cauê Fabiano/G1)
Há trotes nos quais os jovens são obrigados a se autodeclarar “burros”, entre outras palavras depreciativas, além de cantar músicas com letras contra minorias ou que envolvem outros tipos de preconceito. A prática envolve pressão psicológica e assédio moral, novamente compatível com denúncias de “constrangimento ilegal e ameaça”.

A prática se alinha com as demais que atentam contra a dignidade da pessoa humana. “(As músicas) são universais onde o trote é institucional. Uma mais preconceituosa que a outra”, afirma professor Antônio Ribeiro de Almeida.

11 – Ser obrigado a fazer exercícios extremos

Para o adovgado Ariel de Castro Alves, a prática pode ser avaliada como “constrangimento Ilegal e maus tratos”. O professor Antônio Ribeiro de Almeida lembra que os exercícios buscam manter o aluno de primeiro ano extenuado. Além disso, reafirma o imaginário machista. “Se você é homem, é capaz de aguentar”, explica. Em algumas repúblicas, os novatos são impedidos de domir. “A privação de sono é classificado como forma de tortura”, afirma Antônio Almeida.

12 – Receber apelidos depreciativos

O advogado Ariel de Castro Alves lembra que, dependendo do apelido e do significado, pode configurar calúnia, injúria ou difamação. Muitas das vezes, a prática explora aspectos físicos ou questões de gênero com viés preconceituoso.

“Se me fosse dada a chance de escolher uma prática entre as várias aplicadas no trote para suprimir, seria essa. O apelido (invariavelmente depreciativo) fica para o resto da vida”, afirma o professor Antônio Almeida.

13 – ‘Fila do elefantinho’ ou ser obrigado a baixar a cabeça

Outro possível exemplo de “constrangimento ilegal e ameaça”. Na prática, os alunos são obrigados a se manterem de mãos dados por baixo das pernas, levando ao toque nas partes genitais.

Para o professor Marcos Akerman, do Departamento de Prática de Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, a fila, assim como obrigar que o calouro abaixe a cabeça ao falar com os veteranos, faz parte do contexto de imposição de hierarquia e coação.

“Trote é um instrumento de impor hierarquia na profissão. Coloca o calouro na posicao de submissão. Isso vai enfraquecendo moralmente o ‘recruta” e vai se estabelecendo a logica da hierarquia”, critica Marcos Akerman, um dos autores de “Bulindo com a Universidade – um estudo sobre o trote na medicina”.

14 – Ser obrigado a rolar na lama

Alunos vítimas de trotes podem procurar as ouvidores de cada universidade para se queixar das práticas que considerem abusivas ou mesmo dos crimes cometidos. Na sequência, o professor da Esalq indica que seja registrada queixa na Polícia Civil e o Ministério Público seja acionado.

Estudantes são barradas em baile da escola por vestido ‘mostrar demais’

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Alunas de escola de Utah (EUA) dizem terem passado constrangimento.
Roupa não pode mostrar coxas nem as costas, segundo código do colégio.

Tayler Gillespie, de 17 anos, não pode entrar no baile com seu vestido azul porque ele deixava metade das coxas à mostra (Foto: Veronica Pehrson/AP)

Tayler Gillespie, de 17 anos, não pode entrar no baile com seu vestido azul porque ele deixava metade das coxas à mostra (Foto: Veronica Pehrson/AP)

Publicado por G1

Alunas de uma escola do ensino médio de South Jordan, no estado de Utah, nos Estados Unidos, dizem terem sofrido constragimento ao serem barradas em um baile da instituição por causa do vestido que usavam. Estudantes fizeram greve e vários pais mandaram cartas para o distrito escolar reclamando da decisão do colégio.

As alunas iriam dançar no baile da escola no último sábado (20). Chad Pehrson disse que sua filha de 17 anos foi uma das dezenas de alunas da Bingham High School que foram chamadas de lado e impedidas de entrar sob a alegação de que seu vestido era muito curto.

Estudantes com vestidos sem alças puderam entrar, mas alunas que usavam roupas com decotes nas costas, mesmo que cobrissem todo o corpo até o pescoço na parte da frente, foram barradas.

“Minha filha levou quatro horas se arrumando para o baile. Depois foi impedida de entrar, foi decepcionante”, disse o pai de Taylor Gillespie, que colocou um vestido com babado azul.

Abbey Johnson, de 15 anos, teve de usar uma camiseta regata por baixo do vestido porque a peça deixava à mostra as suas costas (Foto: Shannon Johnson/AP)

Abbey Johnson, de 15 anos, teve de usar uma camiseta regata por baixo do vestido porque a peça deixava à mostra as suas costas (Foto: Shannon Johnson/AP)

O diretor da escola, Chris Richards-Khong, disse ao jornal The Salt Lake Tribune que os alunos foram avisados ​​sobre as políticas de vestimenta com antecedência. Segundo ele, o código de vestimenta da escola diz que nas festas a bainha das saias ou vestido não podem deixar metade da coxa à mostra quando a estudante está sentada. Além disso, a roupa deve cobrir o peito e as costas.

Abbey Johnson, estudante de 15 anos, usava um vestido preto que batia um pouco acima dos joelhos e apresentava um decote alto, mangas de renda que iam até os cotovelos e as costas estavam parciamelmente cobertas por renda. Também foi barrada.

Para entrar, Abbey precisou colocar uma camiseta regata por baixo do vestido. “Me senti muito envergonhada, eu e outras meninas”, reclamou a adolescente.

Para permitir que as alunas pudessem entrar na festa, outros estudantes e até funcionários da escola emprestaram paletós, echarpes e outros panos que pudessem cobrir o que era impróprio, segundo as regras da escola. Vários alunos receberam um bilhete de advertência por terem violado o “código de vestimenta” da instituição.

A polêmica do Photoshop

No início do ano, outra escola do estado de Utah se envolveu em uma polêmica sobre as roupas das alunas ao cobrir com photoshop as fotos do anuário onde as estudantes apareciam com os ombros à mostra. A escola teve de pedir desculpas.

Escola criou polêmica ao esconder decotes de alunas em anuário (Foto: Reprodução/YouTube/NewsBreaker)

Escola criou polêmica ao esconder decotes de alunas em anuário (Foto: Reprodução/YouTube/NewsBreaker)

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