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20 livros para ler antes de abrir o seu próprio negócio

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20 livros para ler antes de abrir o seu próprio negócio  |  Fonte: Shutterstock

20 livros para ler antes de abrir o seu próprio negócio | Fonte: Shutterstock

 

Publicado no Universia Portugal

Começar um negócio próprio requer muita dedicação e preparação. Por isso, estar pronto para encarar desafios é essencial na vida de qualquer empreendedor. Muitos dos grandes empresários não têm formação universitária e muitas vezes trilharam caminhos difíceis. Nada melhor do que aprender com aqueles que já estiveram na situação em que se encontra agora. Selecionámos 20 livros que o vão ajudar a dar o passo inicial. Saiba quais são:

1. Will it fly?, de Thomas K. McKnight

A primeira questão levantada por aqueles que decidem abrir seu próprio negócio é “será que vai dar certo?”. Para fazer o seu negócio arrancar, McKnight escreveu o livro “Will it fly?”, em tradução literal “Será que vai voar?” com 44 capítulos de dicas pessoais e profissionais para quem quer ter sucesso como empreendedor.

2. Sorte ou talento, de Bo Peabody

Ser bem-sucedido é uma questão de sorte ou talento? Esta é a questão levantada por Bo Peabody no seu livro, que visa ajudar aqueles que querem abrir o seu próprio negócio mas não sabem exatamente como. O autor defende que os dois conceitos caminham lado a lado, já que é preciso ser suficiente inteligente para perceber o momento em que a pessoa está a ter sorte para continuar a avançar.

3. The Fire Starter Sessions, de Danielle LaPorte

Se ainda não teve coragem de dar o primeiro passo para abrir o seu negócio, o texto de LaPorte é o impulso que lhe estava a faltar. Cheio de frases motivacionais, o livro conta com 16 sessões que o ajudarão a iniciar a sua nova etapa.

4. Consultor de Ouro, de Alan Weiss

Considerado a “bíblia” dos empreendedores, o livro de Weiss ajuda os empresários a colocar os conceitos em prática: dicas de como montar o seu escritório e até o modo mais eficiente de distribuir funções estão descritos no texto que deu ao autor o título de “Estrela dos negócios”.

5. Start Run & Grow a Successful Small Business, de Toolkit Media Group

O passo a passo para montar o seu pequeno negócio está no livro de Toolkit Media Group, que ensina técnicas de planeamento e de estudo de mercado entre outros recursos necessários para sobreviver no meio.

6. O Executivo Descalço, de Carrie Wilkerson

Se a sua ideia é iniciar um projeto em casa ou online, este é o livro ideal para si. A história de Wilkerson, juntamente com os métodos utilizados pelo autor para estabelecer a sua própria fonte de rendimento servem como norte a todos aqueles que desejam seguir o mesmo caminho que ele.

7. The Business Start-Up Kit, de Steven D. Strauss

Em tradução literal “O kit para começar negócios”, foi escrito por Strauss, colunista no site USAToday.com e uma das maiores autoridades norte-americanas sobre pequenos negócios. Além de dicas e métodos, o livro serve como grande apoio àqueles que desejem iniciar o seu próprio negócio.

8. Start Your Own Business, de Rieva Lesonsky

Juntamente com os editores da revista Entrepreneur, Lesonsky escreveu um livro sobre as primeiras iniciativas a serem tomadas por aqueles que desejam começar o seu próprio negócio. Com mais de 200 mil cópias vendidas, o livro tem como slogan a promessa “O único livro de iniciação de que vai precisar – isso porque o seu negócio vai dar certo!

9. A arte do começo, de Guy Kawasaki

Com dicas que vão desde como economizar dinheiro até como motivar a sua equipa, o livro de Kawasaki é um manual para iniciantes no empreendedorismo que auxiliará todos aqueles que resolvam arriscar nos negócios.

10. Fuga da Nação dos Cubículos, de Pamela Slim

Guia e motivação são palavras -have para descrever “Fuga da nação dos cubículos”. O livro foi escrito para aqueles que, embora estejam no escritório e trabalhando para um chefe, sonham em começar o seu próprio negócio. Nele, Slim dá dicas de como atrair clientes e manter-se no mercado de trabalho.

11. Guia Prático de Planeamento de Negócios, de David H. Bangs Jr.

Bangs Jr., banqueiro e empresário, escreveu este guia visando ajudar todos aqueles que são iniciantes no mundo dos negócios. Modos de encarar oportunidades a adversidades, como analisar possíveis fraquezas e pontos fortes dentro do próprio negócio, além da análise de mercado são temas abordados no livro.

12. Startup from the Ground Up, de Cynthia Kocialski

Para aqueles que querem começar o seu próprio negócio, mas não fazem ideia do caminho a seguir, o livro de Kocialski é perfeito. Nele, é possível aprender a transformar uma grande ideia num grande negócio, além de dicas para montar a sua equipa.

13. The $100 Startup, de Chris Guillebeau

Começar um negócio não é fácil. Com apenas 100 dólares parece impossível. Não para Guillebeau, o autor e empresário conta como é possível ser um empreendedor com um investimento inicial de apenas US$100,00, e ainda a ter prazer ao trabalhar.

14. A Startup Enxuta, de Eric Ries

Para os interessados em negócios que envolvem a tecnologia, o livro de Ries é a opção correta. Aqui aprende a manter-se atualizado na era digital. O livro dá ainda de como se manter competitivo no mercado perante tantos concorrentes.

15. O Mito do Empreendedor, de Michael Gerber

O livro de Gerber vai guiá-lo num passo a passo da elaboração do seu negócio: desde o nascimento da ideia, até ao estabelecimento e sucesso do empreendimento no mercado.

16. Startup: Manual do Empreendedor, de Steve Blank

A quase enciclopédia de Blank será o braço direito para aqueles que desejam abrir a sua própria empresa. O livro traz o princípio científico de testar e de falhar para os negócios, e garante a fórmula para o sucesso. Este é considerado um dos melhores livros com dicas práticas disponíveis.

17. Rework, de Jason Fried e David Hansson

Os autores apontam estratégias e filosofias a serem adotadas pelas novas empresas a fim de obterem resultados positivos. Dicas de como começar e manter-se no mercado também estão descritas nas páginas do livro.

18. Trabalhe 4 horas por semana, de Timothy Ferriss

Em tom divertido e interessante, o livro de Feriss faz-nos questionar: “Não serei demitido trabalhando apenas quatro horas por semana?” A resposta é simples: não, se for você o chefe! Para isso, o livro estabelece dicas para aqueles que desejam abrir o seu próprio negócio.

19. Flying Without a Net, de Thomas J. DeLong

O livro de DeLong não fala especificamente de como começar um negócio, contudo, dá dicas de como se deve manter firme num mercado com tantos concorrentes e práticas que encorajam a fazer as coisas certas e bem-feitas.

20. Founders at Work, de Jessica Livingston

A coleção de entrevistas com fundadores de grandes e multimilionárias empresas, feitas por Jessica Livingston contém muito mais inspiração do que informações técnicas. Descobrir com grandes empreendedores transformaram suas ideias em milhares de dólares vai motivá-lo a ser o próximo empreendedor bem-sucedido.

Autor de ‘O monge e o executivo’ diz que Jesus é um exemplo de liderança

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Ao G1, best-seller James Hunter lista características de um bom líder. ‘Guru empresarial’ participa da Bienal do Livro do Rio neste sábado (7)

Cauê Muraro, no G1

O escritor James Hunter, autor de 'O monge e o executivo' (Foto: Divulgação/Editora Sextante)

O escritor James Hunter
(Foto: Divulgação/Editora Sextante)

Autor do best-seller “O monge e o executivo” (1998) e “guru empresarial”, James Hunter contabiliza ter treinado, pessoalmente, cerca de 2 mil executivos ao longo das últimas décadas. Mas, na hora de falar do líder mais admirável que já existiu, o consultor cita: “Jesus Cristo”.

Não que conduzir a Santa Ceia seja equivalente a coordenar uma empresa. “É porque Jesus tem influenciado as pessoas há mais de 2 mil anos”, justifica em entrevista ao G1, na qual reconhece respeitar outros líderes anônimos. Ele está no Brasil para participar da Bienal do Livro do Rio, onde fala ao meio-dia deste sábado (7).

Ao atender o telefone no hotel em que está hospedado na cidade, o professor apresenta-se com o apelido: “Olá, aqui é o Jimmy”. “Já fiz 22 viagens para o Brasil desde 2005. Lecionei em 28 cidades diferentes”, enumera. Também é elevado o número de vendas: mais de 4,2 milhões de cópias de seus dois livros – o segundo chama-se “Como se tornar um líder servidor”, título que talvez ajude a entender o porquê da referência a Jesus Cristo.

 

Durante a conversa, o termo “inspiração” surge com frequência. Hunter parece acreditar bastante nas próprias ideias, até porque defende que cargos de chefia devem ser ocupados por pessoas de boa conduta. “Em minhas palestras, nunca encontrei ninguém que tenha levantado a mão e dito: ‘Discordo, quero trabalhar com um líder corrupto, arrogante (risos)’.” Neste momento, aproveita para observar que “o Brasil precisa de bons líderes, assim como os Estados Unidos”. “Os recentes protestos mostram isso”, exemplifica.

Para Hunter, há “líderes natos e líderes que aprendem a cumprir a função”. “Se você tem a habilidade de mover as pessoas, de levá-las à ação, então você é um bom líder. Mas aprender os princípios é fácil, difícil é aplicá-los”, resume. Não se trata de dar ordens nem ser autoritário, insiste – mas de “inspirar”.

Aos 59 anos, Hunter confessa que, quando pensou em escrever “O monge e o executivo”, em 1996, tinha uma ambição modesta. “Queria passar meus princípios à minha filha, que tinha 2 anos de idade na época”, recorda. Brinca ainda que a necessidade de “transmitir um legado” tinha relação com um momento difícil: “Eu estava atravessando uma crise de meia-idade (risos)”.

Segundo o material de divulgação, o resultado é uma obra que serve para quem “tem dificuldade em fazer com que sua equipe dê o melhor de si no trabalho”. Funcionaria ainda para “se relacionar melhor com sua família e seus amigos”. No caso da “família Hunter”, a liderança doméstica é compartilhada com a esposa, psicóloga de formação, que ele diz conhecer desde que era adolescente. Mas seria ela uma boa líder? “É, sim. Porque me influencia”, assume Hunter, usando exatamente o mesmo argumento aplicado a Jesus.

Menos nobre, no entanto,  é a descrição que James Hunter faz de si mesmo ao tentar explicar por que vende tantos livros. Ele atribui o sucesso não à originalidade dos princípios, mas ao modo – supostamente acessível e claro – como os propaga. “Não proponho nada de novo, mas apresento de modo simples”, esclarece. Em seguida, o admirador dos atributos de liderança de Jesus confessa: “Sou um ladrão de ideias (risos).”

No Brasil, livro é produto de elite, diz entusiasta dos e-books

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Leonardo Pereira, no Olhar Digital

Campus Party proporciona discussão sobre futuro do mercado editorial e como o digital se adapta a isso

Leonardo Pereira/Olhar Digital

Leonardo Pereira/Olhar Digital

A Campus Party criou uma situação curiosa ao promover um debate sobre livros digitais no palco que leva o nome de Johannes Gutenberg. Foi ele o inventor da impressão por tipos móveis, que possibilitou o desenvolvimento da imprensa e revolucionou o setor editorial no mundo. Nesta quarta-feira, 30, ao comentar a coincidência, o consultor editorial Carlo Carrenho, do Publishnews, disse que ela é mais do que oportuna, pois o alemão promoveu um momento de ruptura na história da humanidade – basicamente o que acontece hoje em relação ao mercado editorial.

Assim como a invenção de Gutenberg, o livro digital leva informação a quem tem dificuldade de obtê-la. Antes dos tipos (basicamente carimbos em formato de letras), a cultura escrita era extremamente restrita, mas passou a se abrir porque a reprodução foi facilitada; com os e-books é a mesma coisa: o consumidor não precisa esperar que a obra recém-lançada chegue à livraria mais próxima. Porque ele nem precisa da livraria.

Este cenário, obviamente, incomoda livrarias, distribuidoras e transportadoras, que veem uma clara ameaça aos negócios. “Nenhum dos principais players do mercado ganha dinheiro com livro digital, pelo contrário, tem muita gente perdendo”, disse Sergio Herz, CEO da Livraria Cultura, em que 3% das vendas de livros já correspondem a obras em formato digital.

Segundo Hubert Alquéres, vice-presidente de Comunicações da Câmara Brasileira do Livro (CBL), todos os envolvidos no setor editorial estão focados no digital, ainda mais depois da chegada de Amazon e Google e do lançamento do Kobo pela Livraria Cultura. “Se o Brasil estava ainda muito cauteloso de entrar nesse mundo, percebe-se que agora é um caminho sem volta.”

Democratização da leitura

Os dados mais recentes da CBL dizem que o preço médio do livro no Brasil é de R$ 10 – em 2011, quando foram vendidos 470 milhões de exemplares, o mercado faturou R$ 4,8 bilhões. Sergio, então, fez as contas: um tablet bem básico pode ser comprado por R$ 400, portanto, 40 obras já valeriam o investimento. O problema, comentou, começa na questão da durabilidade: “O tablet, na mão do aluno, dura seis meses. O livro impresso dura dez.”

Além disso, a banda larga brasileira não é das melhores e a penetração é muito baixa, sem contar o fato de que a parcela da população com acesso doméstico ao computador ainda é baixa. Mas nada disso convenceu Roberto Bahiense, diretor de Relações Institucionais do Grupo Gol.

“Livro no Brasil é produto de elite. Há em Buenos Aires (Argentina) mais livrarias do que no Brasil inteiro, e sabe quanto vai custar um device daqui a alguns anos? R$ 100”, disse ele, lembrando que embora grupos como o comandado por Sergio façam “esforços legítimos” em prol da difusão da leitura, o ideal é o digital, que por não ter empecilhos físicos teoricamente chega a todos os cantos. “Vivemos um divisor de águas, estamos diante de um fato novo, inegociável.”

A briga do device

Há dois anos, antes que os gigantes olhassem para cá, a Vivo e o Grupo Gol lançaram a Nuvem de Livros, que disponibiliza obras a clientes da operadora por uma assinatura semanal. O modelo dispensa o uso de um Kobo ou Kindle e Roberto garante que o brasileiro pulará uma etapa ao adquirir o tablet, ao invés do e-reader, outra hipótese que desagrada livrarias.

Sergio, da Cultura, afirmou que aparelhos como iPad dificultam a concentração, deixam a leitura mais lenta e comprometem a absorção do conteúdo. Por outro lado, Roberto atacou que os e-readers servem, na realidade, para fidelizar o consumidor e fazer com que ele compre produtos ou serviços mais caros futuramente. A Amazon, por exemplo, poderia usar o cadastro de quem adquiriu livros para oferecer televisores.

Com o tablet você baixa o formato que quiser e pode comprar obras interativas, vídeos, jogos e outros tipos de aplicativos. “Para o brasileiro que lê dois livros por ano não faz sentido ter um leitor digital”, disse Carlo, do Publishnews. Mas um aparelho específico pode ajudar a prender o cliente por limitar os formatos de arquivo que podem ser lidos ali, criando um cenário parecido com o que instituiu o iTunes quando o MP3 foi popularizado.

Quando a Apple fez com que a música digital caísse no gosto das pessoas, a indústria fonográfica levou uma chacoalhada. As primeiras a sentirem o impacto foram as empresas maiores, o que deve ocorrer com o mercado editorial. Se o brasileiro pular direto para o tablet, não há como força-lo a comprar de uma loja específica.

Impresso tem futuro?

“O livro impresso ainda vai durar um tempo; alguns tipos, como os de arte, existirão sempre – por outro lado, os digitais vão tomar cada vez mais espaço”, opinou Carlo.

Para ele, as editoras não serão impactadas, desde que façam apenas seu serviço original. ”O que acontece é que muitas editoras viraram distribuidoras, e como a ruptura é na distribuição, essa editora está com problema, porque o autor agora publica direto, sem passar por ninguém. As editoras que souberem fazer a transição estão salvas.”

Hubert, da CBL, acredita que no futuro o mercado será reorganizado de forma que existam grandes empresas de conteúdo – “se vai ser para impresso ou digital, não importa”. O papel deve continuar forte, mas sem ser o principal meio de consumo; tanto que até o governo, principal comprador de livros do país, já está migrando para o digital (saiba mais aqui). Segundo ele, como o brasileiro tende a se apegar rapidamente a novas tecnologias – como aconteceu com celular ou as eleições, hoje totalmente eletrônicas -, o e-book deve se consolidar rapidamente.

Mais leitores

Pesquisas dizem que pessoas que compraram e-readers ou passaram a consumir obras em formato digital começaram a ler mais por causa disso. Outras afirmam que quem não era leitor, se tornou um. Nada disso, porém, garante que essa novidade pode fazer com que o brasileiro leia mais.

Há, de acordo com Carlo, um fator determinante: a cultura. E ela só mudaria em corrente. “O que é mais determinante para criar um leitor é pai e mãe”, ressaltou. “Ter pais que leem forma leitores.”

Em blogs, viciados em drogas relatam histórias e medos

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Publicado por MSN

“Hoje passei o dia meio eufórico, vi o passarinho verde e, como aprendi na clínica, isso não é bom…

Nilton Fukuda/AE – “Estudante de Direito, ex-usuário de cacaína e craque conta sobre suas tentações”

“Hoje passei o dia meio eufórico, vi o passarinho verde e, como aprendi na clínica, isso não é bom. Tenho de me concentrar para manter o meu humor controlado, pois qualquer alteração brusca pode desencadear a vontade de usar drogas. Lembro-me que na ativa a alegria, a tristeza, a euforia, o estresse, o medo e qualquer outra alteração de humor me levavam a usar drogas. Eu não sei lidar com minhas emoções.”

As tentações, o medo, a alegria que vem com cada dia sem recaída inspiram os cada vez mais numerosos blogs mantidos por viciados em drogas ou parentes de dependentes químicos. O trecho acima foi escrito pelo autor do blog Diário de um Adicto, um estudante de Direito de 30 anos, morador de Diadema e ex-usuário de cocaína e crack.

“Tinha acabado de sair de uma internação, era um momento em que eu estava perdido. A coisa que eu mais gostava – que era usar drogas – me havia sido tirada e eu sentia um enorme vazio, que não tinha coragem de relatar a qualquer pessoa por medo da reação”, contou, em entrevista por e-mail ao Estado. “Então, eu criei um perfil e, protegido pelo anonimato proporcionado pela internet, me senti mais à vontade para extravasar meus medos e aflições.”

O histórico dos blogs mostra a evolução de alguns e o desespero de outros. Uma súbita interrupção nos textos acaba levando o leitor a se perguntar se, depois de tanto esforço, o autor sucumbiu às drogas novamente.

Dono da página Limpo, só por hoje, o consultor Junior Souza, de 39 anos, já está há sete anos longe das drogas. Sua vida parece um roteiro de filme. Ele fumou maconha dos 9 aos 11 anos e daí para a frente injetou cocaína, provou LSD e passou a usar crack. Ainda menino, virou cobrador do tráfico de drogas e respondeu por nove assassinatos na prisão. Era um criminoso temido em Pernambuco. Agora morando no Maranhão, continua famoso. Mas como exemplo de recuperação. “Como eu trabalho com grupos de mútua ajuda, a interação que o blog proporciona ajuda muito na minha recuperação”, diz ele, que também dá palestras.

Segundo especialistas, dividir experiências, na web ou não, segue a lógica de tratamento de grupos como Narcóticos Anônimos (NA) e Alcoólicos Anônimos (AA). “Fui a uma sessão do AA a troco de uma garrafa de cachaça e, ao contrário de todo lugar que eu ia, não me disseram que tinha de parar. Eu era contra me mandarem fazer as coisas. Não obedecia nem a lei e ia obedecer psicólogo?” Aos poucos, porém, Souza foi largando a bebida, a cocaína, o crack e, por último, a maconha.

Os blogs também ajudam os chamados codependentes, termo usado para designar parentes e familiares que passam a viver em função dos viciados.

A assistente contábil Giuliana Fisher Fatigati, de 28 anos, faz parte de uma rede de cerca de 30 blogueiras que escrevem sobre o assunto. O relacionamento dela com um usuário de crack acabou sem final feliz, com ele de volta às drogas. Além do blog Valeu a Pena, escreveu um livro sobre o assunto. “A codependência é uma doença também. Dá a impressão de que você vai suportar, que você é a mais forte, uma heroína”, diz. “No final, está arrasada, com a autoestima baixa.”

Vivendo há quase metade da sua vida com um viciado em crack, a representante comercial Luciana Laura, de 35 anos, criou no ano passado o blog 14 anos lutando por um dependente químico. “Por meio do blog, conheci inúmeras pessoas que passam pelo mesmo problema. Encontrei amigos que amo incondicionalmente e me ajudam a passar pelos traumas que a dependência química traz aos familiares.

WEB AJUDA PACIENTE QUE TEM VERGONHA DE FALAR EM GRUPO

O psiquiatra Marcelo Niel, do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Universidade Federal de São Paulo, diz que os blogs podem ajudar dependentes químicos que não conseguem dividir experiências em público.

“Muitos têm fobia social. Pode ser muito difícil para um paciente ansioso falar em grupo. Esse é o maior fator de não adesão a tratamentos”, diz o médico.

No caso dos familiares, afirma Niel, publicar relatos em blogs pode ajudá-los a descobrir que não são os únicos passando por esse tipo de problema. “Há uma carga muito grande sobre a família, que sente vergonha. É importante que eles saibam que outras pessoas passam por problema parecido”, afirma.

TRECHOS

“Há 69 dias, minha sogra faleceu. Pedi dinheiro emprestado para minha mãe para ajudar no sepultamento. O dinheiro virou droga que usei antes do enterro. Para disfarçar, tomei seis comprimidos de Diazepam que me deixaram grogue.”

“Minha doença age de forma traiçoeira, comendo pelas beiradas, aproveitando qualquer falha na minha armadura e esta semana não foi diferente.” waladicto.blogspot.com.br

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“Ontem, ele saiu para trabalhar e até agora nada, não voltou… E o pior de tudo é que eu mais uma vez emprestei meu carro para ele, o que será que tenho na cabeça?

As vezes, não consigo entender como a codependência nos engana tanto, nos fazendo acreditar nas palavras do adicto. Em duas semanas, ele teve 3 recaídas. Estamos passando por momentos difíceis em casa, pois ele praticamente parou de trabalhar… Estou cansada de carregar tudo nas costas. Sem perceber, fui facilitando o vício dele nas drogas, pois aqui em casa eu pago aluguel, água, luz e telefone… Deixei para meu esposo apenas as despesas com a compra e infelizmente nem isso ele está fazendo…” lucianalpsm.blogspot.com.br

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“Tudo começou na parte da manhã, quando uma nota de R$ 50 que minha mãe havia deixado por descuido na mesa da sala sumiu.

Naquela época, ele já estava morando na minha casa, mas ainda pouco sabíamos a respeito da dependência dele, pouco sabíamos sobre o crack. Logo que minha mãe deu falta, eu ‘saquei’ o que estava acontecendo, eu tive a certeza dentro de mim de que havia sido ele, o rapaz por quem eu havia me apaixonado, o rapaz a quem eu sempre chamava de anjo, e eu travei uma batalha interna dentro de mim para aceitar que aquele anjo fosse capaz de fazer algo do tipo.

E então o jogo começou! O jogo de manipulações, de chantagem emocional, de apelos e tudo mais o que vocês possam imaginar, mas quem estava jogando esse jogo era eu, não ele.” livrovaleuapena.blogspot.com.br

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“Ainda bem que tenho um ‘piloto automático’ que logo me diz que estou no caminho errado.

Ainda bem que, mesmo recaído espiritualmente, emocionalmente e psicologicamente, e com todas as insanidades, eu não consumei a recaída no sentido de voltar ao uso de drogas. Mas eu preciso admitir que a minha vida está sem controle em alguns (ou vários) aspectos; tenho de admitir que preciso de ajuda.

Ontem, encontrei um brother das antigas, que estava em reclusão por tráfico e saiu há dois meses. Ele estava com o uniforme da empresa onde está trabalhando e isso me alegrou muito. Disse estar sendo crente e que está dormindo no albergue. Disse que não tem mais nem vontade de usar, que já recebeu várias propostas para comercializar novamente, mas não pretende mais voltar ao crime.” limposporhoje.blogspot.com.br

Regra do MEC pode liberar vestibular de curso barrado

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Fábio Takahashi, na Folha de S.Paulo

O Ministério da Educação divulgou ontem regras para que cursos superiores punidos no mês passado possam reabrir seus vestibulares. Mais da metade dos atingidos poderão pedir o recurso.

Em dezembro, a pasta divulgou que 200 cursos que tiveram notas baixas em 2008 e 2011 não poderiam abrir vagas para este ano. Destes, 112 poderão pedir revisão, por estarem com “tendência positiva”.

Do grupo, apenas seis mudaram de patamar, de nota 1 para 2, na escala até 5 –que considera a nota dos alunos no Enade e o perfil docente.

Os demais 106 cursos melhoraram apenas as casas decimais. Engenharia ambiental da faculdade Oswaldo Cruz (São Paulo), por exemplo, subiu de 1,90 para 1,91.

Segundo as regras divulgadas ontem, se o curso estiver em instituição com boa avaliação, o processo será mais rápido. Não haverá, por exemplo, visita de comissões in loco.

“Se já vão liberar os cursos de instituições bem avaliadas, por que divulgam a punição a esses cursos? Fica parecendo medida para inglês ver”, afirmou Edgar Gastón Jacobs Flores Filho, consultor de legislação educacional e professor da Universidade Federal de Ouro Preto (MG).

Ele questiona também o critério usado para definir quem está com tendência positiva. “Usar casa decimal pode indicar melhoria insignificante estatisticamente.”

O Ministério da Educação afirmou que divulgou apenas a regulamentação da medida de dezembro. Ou seja, não houve recuo, disse.

Sobre o critério para definir quem está com tendência positiva, afirmou que a intenção é não misturar cursos que estão tendo alguma melhora com os demais. Ressaltou que nenhum desses cursos está automaticamente liberado, pois todos passarão por avaliação.

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