Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Consultoria

O futuro não é o fim, ainda

0
Javier Celaya, vice-presidente da Associação Espanhola de Revistas Digitais: “A grande pergunta de todo mundo é onde está o dinheiro na internet”

Javier Celaya, vice-presidente da Associação Espanhola de Revistas Digitais: “A grande pergunta de todo mundo é onde está o dinheiro na internet”

João Luiz Rosa, no Valor Econômico

Há dois anos, parecia que o livro impresso começava a tomar o caminho da extinção. Em abril de 2011, a Amazon anunciou que a venda de livros eletrônicos superara pela primeira vez a de papel – 105 volumes digitais para cada 100 tradicionais – e a Borders, uma das maiores cadeias de livrarias dos Estados Unidos, baixou as portas, em setembro, apenas sete meses depois de entrar com um pedido de recuperação judicial. Das 511 lojas que tinha um ano antes restavam 399.

Agora, os sinais são diferentes. As vendas dos aparelhos eletrônicos para leitura de livros, ou e-readers, que pareciam os substitutos naturais do livro em papel, vão cair dos 5,8 milhões de unidades projetadas para este ano para 2,3 milhões em 2017, prevê a consultoria Forrester. O interesse do público parece tão morno que nesta semana a Barnes & Noble, outra gigante americana das livrarias, anunciou que vai abandonar parte da produção do seu e-reader, o Nook, depois de a receita com o negócio cair 34% no trimestre, duplicando as perdas na área.

Ainda mais significativo é que as próprias vendas dos livros digitais não seguiram o ritmo espetacular que se esperava a princípio. Em uma década, entre 2002 e 2012, os e-books saíram de invisíveis 0,05% da receita do mercado editorial americano, o mais avançado na área digital, para 20% das vendas. Em outros países, permanece longe desse patamar – 10% na Espanha, 3% na Itália, pouco mais de 2,5% no Brasil.

Contra as probabilidades, os números parecem indicar que o livro é mais resistente ao tsunami digital que a música. Segundo a IFPI, principal organização mundial da indústria fonográfica, o segmento digital representou 37% da receita total do setor no ano passado, mas os números só levam em consideração as vendas legais. O que é obtido por meio da pirataria fica fora do levantamento, o que distorce o cenário. Foram as vendas ilegais, afinal, que destroçaram as regras estabelecidas no setor, cujos personagens ainda estão em busca de novos formatos comerciais viáveis. No mercado editorial, talvez por não ter ocorrido o mesmo efeito devastador, fica a impressão de que a maré digital está fraca, mas muitos especialistas acham que a grande onda ainda está por vir.

“Há 500 anos, desde a invenção da imprensa por Gutenberg, não se via uma revolução da mesma ordem e magnitude na indústria da informação”, disse o professor Silvio Meira, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na abertura do IV Congresso do Livro Digital, ocorrido neste mês em São Paulo. Meira, que também é cientista-chefe do Cesar, centro de inovação com sede no Recife, contou que algum tempo atrás um executivo perguntou se as mudanças viriam antes de sua aposentadoria, daqui a dez anos. “Dez anos? Ih, pode ter certeza de que você vai enfrentar turbulência”, respondeu o professor.

Tempo, portanto, ocupa um papel especial na digitalização do livro. “Eu não diria que o ritmo [de vendas dos livros digitais] está lento ou abaixo das expectativas”, afirma Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e sócia-diretora da Girassol Brasil Edições. Embora o assunto esteja em discussão há anos, as vendas de e-books no país só começaram para valer no fim do ano passado, com uma resposta positiva tanto da indústria quanto do consumidor, avalia Karine. Pelas contas da CBL, o número de títulos em formato digital triplicou no Brasil em um ano, passando de 5 mil em 2011 para 15 mil no ano passado.

A expectativa é que a redução dos preços dos tablets dê um forte impulso aos livros digitais. Enquanto os e-readers, voltados basicamente para leitura, sofrem uma redução prematura das vendas, os tablets – que também permitem navegar na internet, ver filmes, ouvir música etc. – ficam mais baratos e ganham consumidores de mais classes sociais. A previsão da consultoria IDC é que as vendas mundiais de tablets vão chegar a 229,3 milhões de unidades neste ano, superando pela primeira vez a de notebooks, de 187,4 milhões de unidades. O preço médio vai ficar quase 11% mais baixo, em US$ 381. É por isso que, apesar do desinteresse pelos e-readers, os livros digitais teriam espaço para crescer. Em vez de aparelhos exclusivos para leitura, o consumidor estaria preferindo os tablets na hora de ler.

1

A competição acirrada pode contribuir para a adoção mais rápida dos e-books. Companhias como a Amazon, dona do Kindle, estão lançando equipamentos básicos a preços reduzidos, com margens baixíssimas de lucro, na expectativa de vender livros digitais e recuperar o investimento mais tarde. É uma manobra que tomou emprestada do setor de tecnologia da informação: fabricantes de impressoras, por exemplo, também vendem máquinas com margens apertadas para ganhar dinheiro com tinta e papel. (mais…)

Psicóloga americana vira ‘terapeuta’ de super-heróis

0

A psicóloga clínica Andrea Letamendi tem um trabalho “normal” durante o dia na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, onde atende principalmente famílias hispânicas do Condado de Los Angeles.

Letamendi combina o trabalho com o gosto por fantasia e histórias em quadrinhos

Letamendi combina o trabalho com o gosto por fantasia e histórias em quadrinhos

Dalia Ventura, na BBC

Mas depois do expediente de trabalho, ela se torna psicóloga dos super-heróis, uma atividade que ela exerce – e que lhe deu fama – no site www.underthemaskonline.com.

Descendente de equatorianos, Letamendi já colaborou com a roteirista Gail Simone ─ que escreveu para títulos da DC Comics como Mulher Maravilha e Aves de Rapina ─ e fez até mesmo uma “participação especial”, como psicóloga de Barbara Gordon, a Batgirl.

“Sou muito fanática pelos quadrinhos, pela ficção científica e pela fantasia, e isso me permite combinar minha profissão e meu hobby”, disse Letamendi à BBC Mundo.

“O trabalho ao que me dedico pode ser muito obscuro e tem um tom profundo e pesado. Por isso, quando eu faço isso com personagens de ficção ─ já que faço de uma maneira mais descontraída ─ consigo ter um descanso da realidade, que eu preciso.”

No entanto, a psicóloga diz que a consultoria para os combatentes do crime na ficção também é uma forma de chamar a atenção para distúrbios mais sérios.

“Quando analiso personagens fictícios, quero não só educar as pessoas sobre doenças psicológicas sérias, mas também normalizar: essas condições são muito comuns, por isso não deve haver nenhum estigma a respeito delas”, afirma.

Homem de Ferro é um dos 'pacientes' de Letamendi

Homem de Ferro é um dos ‘pacientes’ de Letamendi

Homem de Ferro

Em seu segundo trabalho, Letamendi tem “pacientes” como o Homem de Ferro, que ela diz ser “um personagem complexo”. “O alter ego é Homem de Ferro, mas Tony Stark é um ser humano: ao contrário de outros super-heróis, ele não tem superpoderes”, explica.

“Em suas encarnações mais recentes, ele sofre de ataques de pânico debilitantes, que no filme (Homem de Ferro 3) são representados frequentemente e realisticamente. Em pelo menos três ocasiões o vemos congelado, incapacitado por esses ataques.”

Mas a psicóloga diz que evita “marcar os personagens com um diagnóstico, porque na minha profissão é necessário ter muitas sessões, avaliações e testes profissionais padronizados antes de determinar algo assim.”

“Mas eu posso conjecturar. Dada a constelação de sintomas que ele apresenta ─ como pesadelos, pensamentos intrusivos recorrentes, evasão do evento traumático, hipervigilância e os episódios de pânico ─ se ele fosse meu paciente, eu consideraria que transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) é um diagnóstico potencial.”

Batman

Outro exemplo de super-herói que é humano é o Batman ─ uma das estrelas dos quadrinhos ─ e sua dor, particularmente nas versões mais recentes, está à flor da pele.

Na origem do personagem está o brutal assassinato de seus pais, que ele presenciou quando criança. É difícil encontrar uma ilustração de trauma mais clara, segundo a especialista.

“Bruce Wayne é meu exemplo de resiliência (a capacidade de se sobrepor à dor emocional e aos traumas): ele vivencia um evento extremamente traumático e ao invés de permitir que isso pese a ponto de que ele fique sem razão de viver, tem um dos trabalhos mais importantes da cidade”, diz.

“Como psicóloga, eu sei que isso não é estranho. Tratei de pessoas que depois de combater, depois de eventos como o 11 de setembro ou as guerras mais recentes, nos quais enfrentaram muitas adversidades, não só conseguiram se sobrepor como se fortaleceram.”

Um dos aspectos interessantes do Batman é que a cidade em que vive desde que matam seus pais continua sendo ameaçadora, aterrorizante, um lugar que reflete o medo como é sentido por uma criança, e não desde a perspectiva de um adulto.

“Gotham City é todo um personagem”, comenta, entusiasmada, Letamendi.

“É um mundo que não existe, mas que todos podemos identificar: um lugar extremamente empobrecido, aterrador, violento, no qual as pessoas inocentes precisam ser defendidas. E é isso o que dá um propósito a Batman: se não tivéssemos Gotham City, o que ele faria?.” (mais…)

Go to Top