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Festa do Livro da USP tem início nesta quarta-feira

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Publicado na Folha de S.Paulo

Leitores de São Paulo, e mesmo de outras cidades, estarão em polvorosa nos próximos dias.

Começa amanhã a 14ª edição da Festa do Livro da USP. O tradicional evento, que une livros de qualidade e preços mais baixos que os cobrados pelas livrarias, acontece até sexta, dia 14.

Cerca de 150 editoras levarão títulos de seus catálogos para a feira literária. Todos os livros devem ter, no mínimo, 50% de desconto.

No ano passado, mais de 200 mil exemplares foram vendidos. Os organizadores esperam superar esse número nesta edição.

“A ideia é que as editoras tragam uma amostra representativa de seu catálogo, inclusive os últimos lançamentos. Não é uma feira de queima de estoque”, explica Plínio Martins, diretor-presidente da Edusp, responsável pela organização da festa.

No site do evento é possível ver alguns livros que estarão disponíveis.

A editora Ouro sobre Azul, por exemplo, oferece diversos livros de Antonio Candido pela metade do preço. A nova edição da biografia “O Velho Graça”, sobre Graciliano Ramos, sai por R$ 26.

Livros do crítico teatral Sábato Magaldi e do poeta Octavio Paz custam R$ 6.

Pela segunda vez, a festa acontece em três prédio da Escola Politécnica da USP. Martins explica que o local oferece mais espaço para acomodar editores e público do que a antiga sede do evento, a faculdade de história.

Embora ocorra na USP e tenha os livros acadêmicos como um de seus pontos fortes, o evento costuma atrair muitas pessoas de fora do mundo da universidade.

“Temos percebido que várias cidades vizinhas organizam caravanas para participar da festa”, diz Martins.

“Trata-se de um oportunidade única”, completa, “de os leitores formarem um biblioteca de qualidade. Já as editoras podem ter um contato direto com seu público”.

FESTA DO LIVRO DA USP
QUANDO de amanhã até sexta, das 9h às 21h
ONDE Escola Politécnica da USP (av. Prof. Luciano Gualberto, 380)

Quadrinista Lourenço Mutarelli lança obra bancada por fãs

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Páginas de um dos cadernos de esboços que Lourenço Mutarelli lança em São Paulo

Márcio Padrão, na Folha de S.Paulo

Autor em evidência no país nos quadrinhos e na literatura, Lourenço Mutarelli é um dos novos adeptos da via do “crowdfunding”.

O autor de “O Cheiro do Ralo” –que virou filme em 2007– conseguiu arrecadar verba para seu próximo projeto graças a contribuições de fãs no site Catarse.

O box “Lourenço Mutarelli – Sketchbooks” é uma seleção de cinco cadernos que reúnem insights e desenhos de seu processo criativo.

O projeto é da editora Pop, que pediu R$ 38 mil no site, a serem captados em 45 dias, e obteve mais de R$ 44 mil. O lançamento será hoje, com palestras e exposição de trabalhos de Mutarelli.

O projeto foi orçado em mais de R$ 90 mil, mas, segundo os editores, o valor pedido foi suficiente para viabilizar a produção –cobrindo a fotografia dos “sketchbooks” (escanear os esboços poderia danificá-los), textos, tradução (será uma edição bilíngue) e papel.

O box contém ainda um sexto volume, com ilustrações e texto do autor, dos editores e de Arnaldo Antunes.

LABORATÓRIO DE IDEIAS

A relação de Mutarelli com os cadernos de esboço começou em 2006, quando passou um mês em Nova York.

O objetivo era usá-los temporariamente, para não carregar o laptop em seus passeios pela cidade, mas acabou tornando-se um hábito.

“Embora eu precise muito dos cadernos para criar coisas, penso neles mais como um laboratório de ideias. É uma mistura de diário com coisas ‘nonsense'”, diz ele.

Roger Bassetto e Cezar de Almeida, editores da Pop, tiveram o primeiro contato com esses “sketchbooks” quando um deles foi utilizado para ilustrar um trabalho para a Companhia das Letras, atual editora do artista.

Empolgados, conceberam o projeto e tentaram levantar fundos via patrocínio comum por quase um ano, sem obter sucesso.

“Meu editor até ofereceu o projeto para a Companhia, mas disseram que não era o perfil deles”, diz Mutarelli, que havia experimentado um “embrião” do projeto quando a Pop o convidou para a coletânea “Sketchbooks – As Páginas Desconhecidas do Processo Criativo”, de 2010.

Tendo como lema “alimento para mentes criativas”, a Pop nasceu da experiência de seus fundadores com a livraria e galeria Pop, que funcionou de 2006 a 2010.

“Existe um interesse da editora pelo processo criativo. Reparamos que o nosso mercado não abordava bem isso”, diz Bassetto.

A primeira reação de Mutarelli sobre o “crowdfunding” foi de ceticismo: achava o valor a levantar alto para o meio. Mas o retorno o surpreendeu. “Soube que algumas pessoas tentaram contribuir depois que a arrecadação foi encerrada”, conta.

Agora, após essa primeira empreitada financiada por fãs, demonstra ânimo. “Achei maravilhoso e tentador. Tenho muita vontade de lançar coisas mais artesanais neste formato”, conclui o autor.

Livros que compõem “Lourenço Mutarelli – Sketchbooks”

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