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Posts tagged contemporâneos

Filme mistura documentário e ficção na vida de Cora Coralina

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Cena do filme 'Cora Coralina, Todas as Vidas' (Reprodução)

Cena do filme ‘Cora Coralina, Todas as Vidas’ (Reprodução)

Com seis gerações de atrizes no papel principal, produção recria história da escritora junto a depoimentos de contemporâneos

Publicado na Veja

O filme Cora Coralina – Todas as Vidas ganhou um novo trailer em que mostra mais da produção, que mescla documentário com ficção na história da escritora brasileira. O longa, que estreia no dia 9 de novembro, é dirigido por Renato Barbieri e aborda aspetos pouco conhecidos da vida de Cora, intercalados com a proclamação de poemas por seis gerações de atrizes brasileiras: Beth Goulart, Zezé Motta, Walderez de Barros, Tereza Seiblitz, Maju Souza e Camila Márdila.

As atrizes ainda recriam algumas cenas marcantes da vida de Cora, desde a sua infância e casamento em Goiás, o período em São Paulo e a morte aos 95 anos. Boa parte dos textos narrativos do documentário são excertos da obra da própria autora, como poemas, artigos e cartas, mas o filme também é livremente baseado no livro Raízes de Aninha, de Clóvis Brito e Rita Elisa Seda. A produção ainda conta com depoimentos de contemporâneos, colaboradores, amigos, parentes e estudiosos da obra de Cora.

Professor da Escola de Medicina defende os livros como remédio para a ansiedade e diversos males

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Rodrigo Casarin, no Página Cinco

No Laboratório de Leitura montado na Escola Paulista de Medicina (EPM) da Universidade Federal de São Paulo que Dante Gallian pôde perceber como a literatura impactava os leitores de forma afetiva e reflexiva, influenciando diretamente em suas vidas. “Como estávamos num ambiente acadêmico, começamos a abordar essa experiência como um objeto de estudo. Fomos constituindo uma linha de pesquisa que hoje congrega dezenas de pesquisadores e que apresenta uma grande produção científica com alta qualidade. Hoje, temos pesquisado os efeitos da aplicação do Laboratório não só no campo da saúde – na formação ética e na humanização dos futuros profissionais; como meio recuperação de pacientes psicóticos… –, mas também no âmbito das grandes corporações e setores específicos da sociedade, como grupos da terceira idade”, conta.

Dante é formado em História pela USP, onde fez seu mestrado e doutorado. Seu pós-doutorado veio pela École des Hautes Études em Sciences Sociales, de Paris, e desde 1999 é professor e diretor do Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde da EPM. Grande entusiasta da leitura – acredita que ler é um ato revolucionário -, teve sua vida impactada por clássicos como “A Odisseia”, de Homero; “A Divina Comédia”, de Dante; “Dom Quixote”, de Cervantes; “Hamlet”, de Shakespeare; “Os Irmãos Karamázov”, de Dostoiévski e “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa.

Por ter aprimorado sua experiência de “ser e estar no mundo” graças aos livros que enveredou suas pesquisas para essa área. Os estudos resultaram em “A Literatura Como Remédio – Os Clássicos e a Saúde da Alma”, obra lançada há pouco pela Martin Claret, na qual fala sobre os resultados alcançados no Laboratório de Leitura. “Ali, a leitura compartilhada tem se apresentado como um elemento coadjuvante de grande poder em pacientes psicóticos ou como meio de combate à depressão em pacientes da terceira idade. Sendo um remédio que afeta primordialmente a alma, a psique, a literatura ajuda a reverter e mesmo a curar enfermidades de origem psíquica e emocional, que são as mais prevalentes no mundo atual”, diz na entrevista abaixo.

Dentre os problemas que um bom livro pode combater, Dante aponta principalmente para um que define como “predominante e crônico em nossos dias”: a ansiedade, algo diretamente relacionado à constante pressa a qual quase todos parecem estar submetidos. “Vivemos um tempo em que tendemos a privilegiar tudo o que é imediato e circunstancial e a desprezar tudo o que é permanente e essencial. Vemo-nos, cada vez mais, transformados em máquinas de produção e consumo e isso nos desumaniza e nos faz doentes. Estamos sempre extremamente ocupados, mergulhados numa dinâmica operacional de resolução de problemas e realização de tarefas, esquecendo de amar, de olhar, de contemplar o mundo, a vida, as pessoas que nos cercam”.

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Quais são as principais doenças e males contemporâneos que a literatura pode ajudar a combater? Como?

Minha experiência pessoal e de pesquisa aponta que a literatura pode ajudar a combater inúmeros males, porém creio que o principal é justamente aquele que se apresenta como predominante e crônico em nossos dias: a ansiedade. Ao nos “sequestrar”, através de uma narrativa envolvente e uma trama interessante, a literatura tem o poder de nos lançar numa outra espacialidade e temporalidade.

Enquanto estamos lendo, nos esquecemos, por um tempo, dos nossos problemas, das premências que muitas vezes nos oprimem. Esta “fuga” da realidade apresenta-se como algo desestressante e terapêutico, porque libertador. Ao fecharmos o livro, percebemos que os nossos problemas e premências continuam lá, porém nós não somos mais os mesmos. A leitura não apenas nos levou a uma outra dimensão de espaço e tempo, mas também contribuiu para olharmos a nossa realidade a partir de uma outra perspectiva.

A experiência da leitura, ainda mais quando dinamizada e potencializada pela dinâmica do Laboratório de Leitura, pode nos ensinar a olhar e interpretar a vida de uma forma nova, mais ampla, profunda, ajudando a relativizar certas visões e pontos de vista por demais obtusos e pessimistas. Assim, ao mesmo tempo em que nos permite “escapar” por um tempo das situações que são fonte de ansiedade, a literatura nos permite voltar a estas mesmas situações mais ricos e fortalecidos, prontos para enfrentá-las com um novo espírito e um novo olhar.

A literatura pode, de alguma forma, ajudar diretamente na cura ou tratamento de doenças extremas, como o câncer ou o Alzheimer?

Apesar de não me dedicar a pesquisas assim tão direcionadas, é possível dizer que muitos pesquisadores têm demonstrado, por exemplo, quanto a leitura de obras clássicas da literatura podem interferir na dinamização de ligações e processos neurais importantes, impactando positivamente em tratamentos de doenças degenerativas como o Alzheimer. Mais concretamente, posso afirmar que não apenas a leitura, mas a leitura compartilhada no âmbito do Laboratório de Leitura, tem se apresentado como um elemento coadjuvante de grande poder em pacientes psicóticos ou como meio de combate à depressão em pacientes da terceira idade. Sendo um remédio que afeta primordialmente a alma, a psique, a literatura ajuda a reverter e mesmo a curar enfermidades de origem psíquica e emocional, que são as mais prevalentes no mundo atual.

Quais livros e autores você destaca pelo poder de cura que possuem?

Creio que praticamente todos os grandes clássicos e os grandes autores têm um poder terapêutico incomensurável, desde que bem trabalhados e administrados. Baseando-me, entretanto, em algumas experiências, destacaria, por exemplo, Miguel de Cervantes, que através do seu Dom Quixote nos ajuda a relativizar a rígida polarização que a Modernidade criou entre “realidade” e “ficção”; Shakespeare, que através de suas tragédias nos possibilita fazer um mergulho no mais profundo das nossas motivações e paixões; e Dostoiévski, que através de personagens como o Príncipe Mitchikin, do romance “O Idiota”, ou dos filhos de Fiodor Karamázov, de “Irmãos Karamázov”, nos permite encontrar a esperança na experiência mais profunda do desespero.

A experiência do Laboratório de Leitura tem me ajudado a elaborar uma verdadeira farmacopeia literária, que pretendo explorar cada vez mais, tanto no mundo acadêmico quanto no mundo corporativo e também na sociedade como um todo. Todos estamos muito necessitados desse remédio.

Você escreve no livro que ler é um ato revolucionário. Por quê?

Parafraseando Blaise Pascal [filósofo francês], a leitura é uma diversio conversio; ou seja, algo que nos possibilita sair de nós mesmos – o que é próprio da diversão – e, ao mesmo tempo, algo que, quase sem percebermos, nos lança dentro de nós mesmo – o que é próprio da conversão, no sentido filosófico e psicológico do termo. A literatura converte divertindo e este é um autêntico movimento revolucionário, na medida em que gera uma circularidade existencial extremamente propulsiva, transformadora. Percebemos em nossas pesquisas que a dinâmica do Laboratório de Leitura potencializa essa virtude revolucionária que literatura tem per si.

Ao longo de “A Literatura Como Remédio” você joga com a questão do “leitor extremamente ocupado”. Hoje, muitas pessoas dizem não ler porque estão, justamente, extremamente ocupadas. Qual o remédio que você recomenda para esses que não têm tempo para nada?

Em meu livro cito um autor francês, Daniel Pennac, que num ensaio genial intitulado “Como um Romance” afirma que “o tempo para ler é como o tempo para amar: é sempre um tempo roubado”. Vivemos um tempo em que tendemos a privilegiar tudo o que é imediato e circunstancial e a desprezar tudo o que é permanente e essencial. Vemo-nos, cada vez mais, transformados em máquinas de produção e consumo e isso nos desumaniza e nos faz doentes. Estamos sempre extremamente ocupados, mergulhados numa dinâmica operacional de resolução de problemas e realização de tarefas, esquecendo de amar, de olhar, de contemplar o mundo, a vida, as pessoas que nos cercam. A leitura de um bom livro pode ser uma fuga, um antídoto frente a esta dinâmica desumana e patológica em que vivemos.

O remédio é realmente “roubar”; roubar tempo que talvez dediquemos de forma exagerada às redes sociais, à televisão e a outras atividades que ocupam nosso tempo de ócio com sempre mais do mesmo. Ao nos darmos a oportunidade de fazer a experiência da leitura dos clássicos encontraremos algo tão bom e tão libertador que, em breve, descobriremos tempo e meios inéditos de nos dedicarmos a esta atividade “subversiva”, tal como os amantes que inventam mil jeitos e oportunidades para estarem juntos. Desde que eu me apaixonei pela literatura encontrei meios novos e criativos para me dedicar à leitura; todos os dias. Leio nos intervalos “mortos”, na fila do banco e até enquanto caminho para o trabalho…

Dica da Sonia Junqueira

Clube de assinaturas: um pacote de presentes literários

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Primeira iniciativa do gênero no Ceará, Pacote de Textos entrega mensalmente um livro aos seus assinantes. Clássicos e contemporâneos integram a seleção.

Jader Santana, no Leituras da Bel

Lima Barreto, Tolstói, Kafka, Cortázar e Álvaro de Campos viajaram pelo Brasil nos seis meses iniciais do Pacote de Textos, primeira iniciativa literária do tipo clube de assinaturas do Ceará. Da Rússia ao Brasil, de Portugal à Argentina, o clube tem a proposta de oferecer aos seus membros o que há de melhor e mais relevante na literatura mundial.

Criado pelo escritor Rafael Caneca, o Pacote de Textos foi lançado no último mês de julho. Seus primeiros doze assinantes – todos de Fortaleza – receberam a novela A Metamorfose, do tcheco Franz Kafka, história clássica de um homem que acorda metamorfoseado em um inseto.

“Uma amiga veio me dizer que estava esperando que eu criasse um clube do livro, porque sempre acompanhava minhas recomendações. A ideia ficou martelando e, no mês seguinte, criei o Pacote”, explica Rafael. É ele o responsável pela curadoria das obras que são enviadas mensalmente aos assinantes: “são livros que eu gosto e quero espalhar”.

O clube conta hoje com 70 membros de vários estados do Brasil, e os livros escolhidos fazem um passeio pelo que há de mais relevante na literatura brasileira e mundial, clássica e contemporânea. Depois de Kafka, os assinantes receberam A Morte de Ivan Ilitch (Tolstói), Recordações do Escrivão Isaías Caminha (Lima Barreto), Todos os Fogos o Fogo (Cortázar), e a obra poética de Álvaro de Campos. “Quero oferecer um panorama mundial das letras, e tento não repetir o gênero ou o país. São livros que dialogam com um número grande de leitores”, explica Rafael.

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O feedback dos assinantes vem sendo positivo. Segundo o criador do Clube, as pessoas enxergam a iniciativa como uma oportunidade para dedicar mais tempo à leitura, tendo em mãos opções de qualidade inegável. “Tem gente que sempre ouviu falar de Lima Barreto no colégio, mas que nunca pôde ler o autor. O clube ajuda nesse sentido”, conta.

A assinatura do Pacote de Textos ainda está com seu valor promocional. Quem é de Fortaleza paga R$ 29,90 mensais. Para os de fora da cidade, o valor sobe para R$ 35,90. O livro vem acompanhado de um marcador de página e de algum brinde personalizado. Para o próximo ano, a iniciativa também vai ganhar encontros presenciais em livrarias da cidade, no formato de um clube para debater o livro do mês

Saiba mais
Quer saber qual foi o livro escolhido para o mês de Dezembro? Rafael Caneca dá as dicas: “O autor é contemporâneo e foi premiado com um Nobel recentemente. Nesse livro, ele joga muito com a memória e com as recordações da infância”.

Serviço
Pacote de Textos
Preço: R$ 29,90 (para Fortaleza) e R$ 35,90 (para outras cidades)
Para assinar: 85 – 9 8819 8643

Os cem autores indicados por José Mindlin

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Lista de 1993 tem prosa, poesia, clássicos, contemporâneos, História e crítica

Foto: IstoÉ

Foto: IstoÉ

Publicado em O Globo

José Mindlin achava muito difícil escolher só cem livros prediletos. Nesta lista, incluída no livro “A loucura mansa de José Mindlin”, que a Editora USP lança em novembro, ele adotou uma solução intermediária: em vez de cem títulos, escolheu cem autores; e indicou um livro de cada, mas ressaltando que outros livros também podem ser de interesse para o leitor. Feita em julho de 1993, a ideia da lista era é abrangente, incluindo prosa e poesia, clássico e contemporâneos, além de indicações no campo da História e da crítica literária.

Confira:

As Mil e Uma Noites

Adélia Prado – Bagagem

Alain-Fournier – Grande Meaulnes

Alexandre Dumas – Os Três Mosqueteiros

Anatole France – A Ilha dos Pinguins

Antonio Candido – Formação da Literatura Brasileira

Antônio Vieira – Sermões

Balzac – A Comédia Humana

Barbara Tuchman – A Torre do Orgulho

Baudelaire – As Flores do Mal

Beaumarchais – Teatro

Benjamin Constant – Adolfo

Bernard Shaw – Teatro (com prefácios)

Boccaccio – Decameron

Camões – Lírica e Os Lusíadas

Camus – A Peste

Carlos Drummond de Andrade – Poesia Completa

Casanova – Memórias

Castro Alves – Poesia Completa

Cecília Meirelles – Poesia Completa

Cervantes – Dom Quixote

Cyro dos Anjos – O Amanuense Belmiro

Defoë – Robinson Crusoé

Dickens – Grandes Esperanças

Diderot – Jacques, o Fatalista

Dostoiévski – Crime e Castigo

Eça de Queirós – Os Maias

Elisabeth Barrett Browning – Poemas

Emily Brontë – O Morro dos Ventos Uivantes

Emily Dickinson – Poemas

Érico Veríssimo – O Tempo e o Vento

Ésquilo – Teatro

Eurípides – Teatro

Fernando Pessoa – Poesia Completa

Fielding – Tom Jones

Flaubert – Educação Sentimental

García Márquez – Cem Anos de Solidão

Gilberto Freyre – Casa-Grande e Senzala

Gógol – Romances

Gonçalves Dias – Poesia Completa

Graciliano Ramos – Vidas Secas

Gregório de Mattos – Obra Poética

Guimarães Rosa – Grande Sertão: Veredas

Guy de Maupassant – Contos

Helena Morley – Minha Vida de Menina

Herman Hesse – O Lobo da Estepe

Homero – Odisseia e Ilíada

Jane Austen – Orgulho e Preconceito

João Cabral de Melo Neto – Poesia Completa

Jorge Amado – A Morte e a Morte de Quincas Berro d’Água

Jorge Luis Borges – Biblioteca de Babel

José de Alencar – O Guarani

José Lins do Rego – Menino de Engenho

José Saramago – Memorial do Convento

Joseph Conrad – Lord Jim

Julio Cortázar – O Jogo da Amarelinha

Kafka – O Processo

La Fontaine – Contos e Novelas

Lima Barreto – Triste Fim de Policarpo Quaresma

Machado de Assis – Memórias Póstumas de Brás Cubas

Manoel de Barros – Gramática Expositiva do Chão

Manuel Antônio de Almeida – Memórias de um Sargento de Milícias

Manuel Bandeira – Poesia Completa

Mário de Andrade – Macunaíma

Marivaux – Teatro

Molière – Teatro

Montaigne – Ensaios

Montesquieu – Cartas Persas

Nathaniel Hawthorne – A Letra Escarlate

Olavo Bilac – Poesias

Oscar Wilde – O Retrato de Dorian Gray

Oswald de Andrade – Serafim Ponte Grande

Paul Éluard – Poemas

Paulo Prado – Retrato do Brasil

Pedro Nava – Memórias

Platão – Diálogos

Proust – Em Busca do Tempo Perdido

Rachel de Queiroz – O Quinze

Raul Pompeia – O Ateneu

Rimbaud – Poesias

Rousseau – Confissões

Sérgio Buarque de Holanda – Raízes do Brasil

Shakespeare – Teatro

Sófocles – Teatro

Stendhal – O Vermelho e o Negro

Sterne – A Sentimental Journey

Suetônio – Vida dos Doze Césares

Swift – As Viagens de Gulliver

Tchékhov – Romances e Contos

Thomas Mann – A Montanha Mágica

Tolstói – Guerra e Paz

Turguêniev – Romances

Vargas Llosa – Conversa na Catedral

Verlaine – Poesias

Vicente de Carvalho – Poemas e Canções

Victor Hugo – Os Miseráveis

Vinícius de Moraes – Poesia Completa

Virginia Woolf – Orlando

Voltaire – Romances

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