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Posts tagged Contos

Você é um amante carnal ou um amante cortês?

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Roberta Fraga, no Livros e Afins

Vi essa expressão e proposital descrição no livro “Ex-libris Confissões de uma leitora comum” de Anne Fadiman. Lá, em um de seus capítulos, ela discorre sobre como diferentes pessoas de diferentes maneiras marcam as suas leituras. Ambas, sempre leitoras apaixonadas, têm maneiras peculiares de marcar as pausas nas leituras. Para tanto, ela difere os tipos de leitores como carnais e corteses.

Pinçando uns trechos que julguei bem interessantes, destaco:

Amantes carnais

“Confesso que marco o lugar onde parei de maneira promíscua, ora dobrando o livro, ora cometendo o pecado ainda mais grave de virar o canto da página. (Aqui consigo ser ao mesmo tempo corrputora e compulsiva: dobro o canto superior para marcar a página em que parei e o inferior para identificar passagens que desejo xerocar para o meu livro de citações)”.

“Uma crítica de livros que conheço levou Antologia de contos e poemas de Edgar Allan Poe numa viagem de mochila pelo Iucatã, e toda vez que um besouro interessante pousava nele, ela o fechava com um glope rápido. Reuniu uma coleção de insetos tão volumosa que ficou com medo de que Poe pudesse não passar pela alfândega. (Passou)”.

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Amantes corteses

“Minha tia Carol – que vai provavelmente alegar que não é da família ao descobrir como trato meu livros – coloca reproduções dos quadros de Audubon horizontalmente para marcar o parágrafo exato onde parou. Se o lado colorido estiver para cima, ela estava lendo a página da esquerda; se estiver para baixo, a da direita”.

“Outro colega, historiador de arte, prefere bilhetes do metrô de Paris ou “aqueles comprovantes de cartão de crédito impressos a jato de tinta – mas só para livros de crítica de arte, cuja pretensão tenho vontade de profanar com alguma coisa bem estúpida e financeira”. Jamais usaria esses para ficção ou poesia, que são realmente sagradas”.

Há diferenças mais do que óbvias entre os carnais e os corteses, unidos, ambos, apenas pela veneração aos livros. Os corteses sempre removem seus marcadores quando o encontro termina; os carnais deixam lembranças, marcas, sensações impressas nas páginas para, talvez, revivê-las, ou, quem sabe, por um impulso qualquer. Os corteses veem os livros como um objeto sagrado, ritualístico e mítico. Os carnais sorvem a história contida neles, cada palavra, extraem dela o que podem.

Sou do tipo mais cortês, mas escolho aqueles em que me permito um amor para lá de carnal. Marco trechos, escrevo pensamentos, substituo trechos, interajo. E estes, trancafio-os nas prateleiras.

Enfim, seja você um tipo ou outro, ou ainda um novo tipo totalmente original, apenas tenha em mente que os livros estão lá esperando que você os acaricie, mais educadamente ou não.

Ah, e nenhum leitor pode ser comum, como sugere a autora no título, razão pela qual achei uma extrema soberba ela falar assim, mas isso é assunto para outro post…

Já amou seu livro hoje?

Marcadores de páginas legais

Marcadores de páginas geométricos;
Marcadores de páginas para os corujistas;
20 marcadores de livro incríveis;
Marcador de páginas: afogado em palavras;
Marcadores de páginas expressivos;
11 marcadores para você mesmo fazer.

O brasileiro que escreveu mais de mil livros e foi parar no Guiness Book

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Paulo Moura, no Hypeness

A maior linha de produção literária do mundo, segundo o próprio Guiness Book, pertence a um médico paulista de 66 anos chamado Ryoki Inoue. São 1100 obras publicadas com mais de 39 pseudônimos, por exigência dos editores, desde 1986, quando escreveu seu primeiro livro – um western com o título Colts de McLee.

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“Ele produz capítulos inteiros durante suas idas ao banheiro”, afirma o jornalista Matt Moffet, do Wall Street Journal, que passou um dia inteiro ao seu lado nos anos 90 para vê-lo escrever de cabo a rabo um romance de 210 páginas chamado Sequestro Fast-Food.

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Ryoki já passou por quase todos os gêneros literários – romances, crônicas, contos e textos jornalísticos. A maioria das edições ultrapassou com facilidade a marca de 10 mil exemplares vendidos. Só existe um tipo de obra que ele diz que não fará por dinheiro nenhum no mundo: biografias de políticos.

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dica do Felipe Nogueira

Ao contrário da não ficção, romances e contos brasileiros não emplacam boas vendas

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Marco Rodrigo Almeida, na Folha de S.Paulo

Basta uma rápida olhada nas listas de livros mais vendidos para notar dois cenários bem distintos no mercado editorial brasileiro.

A categoria de não ficção é dominada por livros nacionais, quase sempre ocupando os primeiros lugares.

Já entre os títulos de ficção, encontrar um autor brasileiro é como achar uma agulha em um palheiro.

O site “PublishNews”, que monitora as vendas de 25% a 35% das livrarias do país, publicou um balanço de 2012 que ilustra bem a questão.

Entre os 20 livros de não ficção de maior sucesso no ano, há 14 títulos brasileiros (veja ao lado). Biografias do bispo Edir Macedo e do empresário Eike Batista e o manual de etiqueta da colunista da Folha Danuza Leão são os maiores sucessos da categoria.

Na seara da ficção, há apenas dois autores brasileiros entre os 20: Jô Soares e Luis Fernando Verissimo, ambos no fim da lista.

O livro de Jô, “As Esganadas”, ocupa o 17º lugar no grupo liderado pela trilogia britânica “Cinquenta Tons de Cinza”. É o melhor desempenho de uma ficção brasileira em 2012, embora tenha sido lançado em outubro de 2011.

A aferição feita pelo “PublishNews” é considerada hoje pelas editoras a mais confiável do país. Ainda assim, não há números exatos de exemplares vendidos no Brasil. As listas de livros mais vendidos dependem de dados de editoras e livrarias, que nem sempre divulgam essas informações.

Escritores, autores e críticos ouvidos pela Folha apontaram tanto questões de mercado quanto artísticas para tentar, ao menos em parte, explicar o fenômeno.

LITERATURA POPULAR

“O mercado cresceu, mas ficou mais concentrado. Poucos títulos vendem muito. Neste cenário, fica difícil competir com um blockbuster internacional”, diz Otávio Marques da Costa, publisher da Companhia das Letras.

“Enquanto isso, na não ficção”, completa, “os títulos internacionais têm menos força. O público prefere assuntos que lhe são próximos, sobre nossa história. É mais fácil entrar na lista.”

Para ele, falta ao Brasil a tradição de uma literatura comercial de qualidade, que faça frente aos sucessos estrangeiros. Cita como exemplo vitorioso o caso de “As Esganadas”, editado pela Companhia.

Sergio Machado, presidente do grupo editorial Record, aponta o mesmo problema.

“Há pouca gente aqui se arriscando a fazer uma ficção mais popular. Quem poderia fazer isso bem prefere ir para a TV, escrever a novela das oito.”

Os dois maiores sucessos brasileiros do grupo em 2012, segundo o levantamento do PublishNews, são de não ficção: “A Queda”, de Diogo Mainardi, e “Encantadores de Vidas”, de Eduardo Moreira.

O último, conta Machado, recebeu uma verba de marketing “agressiva”: mais de R$ 200 mil. Um livro de ficção nacional considerado “normal” recebe cerca de R$ 2.000 de marketing.”Esse investimento é mais raro mesmo na ficção. Não adianta fazer publicidade de um produto que não vai despertar o interesse do público”, afirma.

Enquanto Companhia e Record dizem dividir seus catálogos brasileiros de forma equiparada entre ficção e não ficção, a Leya tem privilegiado este último.

“Simplesmente porque são poucos os autores de ficção que merecem publicação”, justifica o diretor-geral da editora, Pascoal Soto.

Ele esteve envolvido em alguns dos principais fenômenos da não ficção dos últimos anos, como “1808” (quando Soto ainda atuava na Planeta) e a série “Guia Politicamente Incorreto” (já na Leya).

“Na não ficção, encontramos autores dispostos a atender à demanda do grande público. Eles escrevem de forma acessível. Já os romancistas escrevem para os amigos, para ganhar o Nobel de Literatura”, alfineta Soto.

Arte/Folhapress

Arte/Folhapress

Luis Fernando Verissimo deixa hospital

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Sérgio Ruck Bueno, no Valor Econômico

PORTO ALEGRE – O escritor Luis Fernando Verissimo, que estava internado desde o dia 21 de novembro no hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, devido a uma infecção generalizada, recebeu alta nesta sexta-feira. Segundo boletim médico divulgado hoje, ele teve “recuperação clínica muito favorável” neste período e já não necessita mais ser submetido a sessões de hemodiálise.

Aos 76 anos, Verissimo foi internado depois de passar mal e apresentar sintomas de uma forte gripe. No hospital, ele foi diagnosticado como portador do vírus Influenza A, causador da gripe comum, e chegou a permanecer sedado e respirando com a ajuda de aparelhos durante quatro dias, até a manhã do dia 26.

No dia 28 de novembro ele também foi submetido a um cateterismo cardíaco devido a um quadro de angina (estreitamento das artérias que levam o sangue ao coração). No dia seguinte o combate ao quadro infeccioso foi encerrado, mas ele continuou fazendo hemodiálise devido ao comprometimento das funções renais.

Antes de adoecer, Verissimo havia participado do 1º Festival Literário de Araxá, realizado de 8 a 10 de novembro, e depois ficou alguns dias no Rio de Janeiro. No Rio, a esposa dele, Lúcia, também contraiu gripe, mas se recuperou em seguida.

Filho do escritor Érico Veríssimo, Luís Fernando produziu mais de 60 obras, entre romances, novelas, crônicas, contos e relatos de viagens. É o criador de personagens como Ed Mort, Analista de Bagé, Velhinha de Taubaté e As Cobras e entre seus livros mais famosos está “Comédias da Vida Privada” (1994).

 

dica da Luciana Leitão

Onde estão os livros nos aviões e nos ônibus?

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Imagem Google


Roney Cytrynowicz, no PublishNews

Viagens, de férias ou a trabalho, são sempre situações interessantes para a leitura, incluindo as descobertas realizadas na própria viagem. Os longos trajetos, a suspensão do tempo e do espaço e, no caso de férias, o prazer de ler em meio a dias sem obrigações, permitem uma imersão ainda mais profunda na leitura.

Por que, então, companhias de ônibus e de aviões não mantêm pequenas bibliotecas, como fazem com jornais e revistas? Por que editoras não fazem parcerias com estas empresas para divulgar seus lançamentos? Se isso vale para livros impressos, imagine para livros digitais, que ainda não são oferecidos nos aviões, apesar da montanha de filmes, jogos e música à disposição dos viajantes. E mesmo assim muitas pessoas passam horas e horas dentro de aviões e outros meios de transporte muitas vezes sem fazer nada além de dormir.

Às crianças e aos adultos com crianças se poderia oferecer livros infantis. É surpreendente que companhias aéreas e editoras não pensem nisso. Crianças de qualquer idade ficariam horas entretidas e o mesmo vale para leitores juvenis. Aos adultos em geral se poderia oferecer livros de todos os tipos, a começar por contos e crônicas, e colocar à disposição também livros de gêneros menos requisitados, como, por exemplo, a poesia. O resultado certamente seria surpreendente.

Guias de viagem, romances de viagens, livros para conhecer a cultura do destino do trajeto e sobre restaurantes e gastronomia local, e assim por diante, também poderiam ser oferecidos. É inexplicável que não se proponha leitura nestas situações em que os livros, impressos ou virtuais, são excelentes companheiros e certamente se tornariam companhia de pessoas que nunca imaginaram esta possibilidade.

Em geral, eu levo várias opções, entre um romance (para uma viagem longa e horas seguidas de leitura sem interrupção), contos ou crônica, um livro de poesia e um ensaio ou livro de história. Passo dias escolhendo e separando o que levar, escolhas que vão sendo trocadas diariamente nos dias que antecedem a viagem – que pode ser apenas uma curta viagem a trabalho de um dia – e, para falar a verdade, raramente estas escolhas dão certo e na maior parte das vezes dá vontade de ler exatamente um dos livros que ficou para trás na última hora. Mas estes dias de preparativos são muito estimulantes.

Um capítulo à parte neste assunto são as livrarias de aeroportos e rodoviárias. E, neste sentido, é inexplicável que a principal livraria do Aeroporto de Guarulhos tenha sido reduzida ao tamanho de uma grande banca de jornal com poucas opções de livros que não os best-sellers da semana. No Aeroporto Santos Dumont no Rio de Janeiro, a livraria principal ficou fechada por anos e a pequena livraria que subsiste no andar do embarque é simpática, sem dúvida, mas vende exclusivamente aquele pequeno mix formado por alguns best-sellers + autoajuda + negócios, quase sem opções de boa literatura.

E estas livrarias têm uma insignificante seção de guias e livros de viagem e menos ainda a preocupação de oferecer livros relacionados à cidade onde estão e onde milhares de turistas chegam todos os dias. É claro que um comentário tão genérico, e baseado em São Paulo e Rio de Janeiro, é sempre injusto. Lembro, por exemplo, da livraria no aeroporto de Salvador que tem uma pequena mas simpática seção de livros locais. Oferecer guias locais de turismo, de culinária, literatura e outros livros da região é um trabalho que deveria ser prioridade para livrarias em pontos de trânsito de turistas.

Quando é tão urgente pensar em formas de incentivar a leitura e a circulação dos livros (a começar pelos impressos) e procurar canais alternativos de distribuição e de venda, parece um contrasenso não propor estratégias acopladas a viagens e ao transporte, situações em que as pessoas têm tempo, recursos e disponibilidade (mesmo que ainda não testada) para ler livros.

Enquanto isso, estou aqui já escolhendo os livros que levarei para as férias de fim de ano e, assim, passarei o próximo mês imaginando o que vou querer ler nas horas de espera e transporte e em alguns dias de férias. Dessa vez, como em todas as outras, errarei na maioria das escolhas e, com certeza, acharei livros imprevistos e interessantes (e relacionados ao lugar onde estarei) pelo caminho…

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