Contando e Cantando (Volume 2)

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Faun | Netflix adquire direitos de conto inédito de filho de Stephen King

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Bruno Tomé, no Observatório do Cinema

A Netflix venceu um leilão contra outros três estúdios e adquiriu os direitos de Faun, conto inédito de Joe Hill, escritor que é filho de Stephen King. A plataforma de streaming transformará a história em um filme.

Michael Sugar e Ashley Zalta ficam com a produção, através da Sugar23. Jeremy Slater (The Umbrella Academy) ficará com o roteiro.

A história de Faun será lançada apenas na primavera, em uma coletânea de contos de Joe Hill. O autor já divulgou uma sinopse da trama, que envolve um jogo chamado de O Mais Perigoso Game.

No mundo de Faun, as portas para mundos como Hogwarts, Nárnia e País das Maravilhas se abrem para todos. É assim que os homens enxergam uma possibilidade de fazer fortuna, oferecendo espaços para jogos reservados ou o empréstimo de criaturas mágicas.

A história segue o multi-milionário Tip Fallows, um caçador recreativo que quer desafios mais interessantes. É quando ele encontra Stockton, outro caçador rico e com uma oferta misteriosa para uma jornada. Os dois precisam apenas pagar US$ 250 mil para entrar em uma casa rural no Maine. É assim que começa uma aventura sobrenatural dentro de O Mais Perigoso Game.

Faun ainda não tem previsão de estreia na Netflix.

Por que o novo Mary Poppins vai contra o que a criadora da personagem queria?

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Emily Blunt em “O Retorno de Mary Poppins” Imagem: Divulgação

Caio Coletti, no UOL

A nostalgia está em alta nos cinemas brasileiros desde quinta-feira (20), com a estreia de “O Retorno de Mary Poppins”, continuação do clássico filme de 1964 que, para muitos, é a “joia da coroa” da Disney e de seu fundador, Walt.

Na trama do novo longa, dirigido por Rob Marshall (“Chicago”), a mágica babá Mary Poppins (Emily Blunt, no papel que foi de Julie Andrews no clássico) retorna à casa da família Banks em um momento difícil, para ajudar as crianças do filme original, agora crescidas e vividas por Ben Whishaw e Emily Mortimer, a cuidar de seus próprios filhos.

A volta aos cinemas da personagem, mais de 50 anos depois do sucesso estonteante do primeiro filme, vem a despeito dos desejos de P.L. Travers, que criou Poppins em sua série de oito livros, publicada a partir de 1934.

Travers, que morreu em 1996, aos 96 anos de idade, odiava o filme da Disney. A história de sua relação complicada com Walt durante a produção do longa está por trás da relutância da autora em autorizar uma continuação enquanto estava viva.

Versão “açucarada”

Para Travers, que nasceu na Austrália, mas viveu quase toda a sua vida na Inglaterra, “Mary Poppins” era tanto sobre disciplina e obediência quanto sobre imaginação e diversão. Por isso, a “magia Disney” do filme, e a suavização da personalidade da personagem título, não lhe caíram bem.

Walt, que lia “Mary Poppins” para suas próprias filhas, tentou por vinte anos comprar os direitos dos livros de Travers, fazendo visitas regulares a ela na Inglaterra. Quando ela finalmente concordou, no começo da década de 1960, foi apenas com a condição de servir como consultora na roteirização do filme.

Travers desgostava das músicas originais compostas pelos irmãos Sherman, e brigou com Disney pela exclusão das cenas que misturavam desenho animado e live-action. O chefe do estúdio, no entanto, tinha a palavra final, e a versão de Walt Disney foi a que chegou aos cinemas, para o desgosto da autora.

A escritora P.L. Travers Imagem: Divulgação

O desentendimento entre ela e Disney, inclusive, foi o motivo pelo qual Travers não foi inicialmente convidada para a première de “Mary Poppins” em Los Angeles. A escritora, que não era de levar desaforo para casa, teve que insistir ao telefone com funcionários do estúdio e acabou por conseguir um convite.

Mágoa duradoura

A relação de Travers e Disney foi parar no filme “Walt nos Bastidores de Mary Poppins”, lançado em 2013. Com Emma Thompson no papel da autora e Tom Hanks na pele de Disney, o filme tem suas próprias virtudes, mas se desvia da história real ao mostrar a escritora emocionada com o filme durante a estreia.

Emma Thompson vive Travers em “Walt nos Bastidores de Mary Poppins” (2013) Imagem: Divulgação/IMDb

Se Travers chorou durante sua sessão de “Mary Poppins” em 1964, tudo indica que foi de desgosto. A melhor coisa que a escritora disse em vida sobre o filme foi em uma entrevista de 1977, onde contou que tinha “aprendido a viver com ele, mas que não tinha nada a ver com suas obras”.

Nos anos 1990, o produtor teatral Cameron Mackintosh contatou a escritora para a montagem de um musical inspirado em sua criação. Travers concordou, desde que ninguém do filme original estivesse envolvido na produção, especialmente os irmãos Sherman.

Estes mesmos termos foram parar em seu testamento, como condições para qualquer adaptação de sua obra. “O Retorno de Mary Poppins” contorna isso ao não adaptar nenhum dos livros diretamente, usando a personagem (da qual a Disney tem os direitos) para criar uma nova história.

Zachary Quinto irá estrelar série adaptada do livro ‘Nosferatu’, de Joe Hill

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Thiago Muniz, no CinePop

O astro Zachary Quinto se junta a Ashleigh Cummings no elenco de ‘NOS4A2’ (‘Nosferatu’), nova série da AMC, baseada no best-seller do autor Joe Hill, filho do aclamado Stephen King.

Quinto irá viver Charlie Manx, imortal sedutor que se alimenta de almas de crianças, e depois deposita o que resta delas em Christmasland – uma aldeia natalina criada pela imaginação de Manx, onde todo dia é Natal e a infelicidade é contra a lei. No entanto, Manx encontra seu mundo inteiro ameaçado quando uma jovem da Nova Inglaterra (Ashleigh Cummings) descobre que tem um dom bastante especial.

O elenco ainda conta com Olafur Darri Olafsson, Virgínia Kull, Ebon Moss-Bachrach e Jahkara Smith.

Rota 66: livro de Caco Barcellos vai virar filme

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Caco Barcellos

Bruno Viterbo no Jornal SP Norte

Você não vai acreditar, mas é a mais absoluta verdade: eu achava que por meio da minha pesquisa eles iriam parar de matar. Eu tinha essa ingenuidade”, afirma o repórter Caco Barcellos em entrevista imperdível à colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

Livro de leitura obrigatória para quem quer saber mais sobre o funcionamento de um sistema vil, Barcellos disse a frase que abre este texto em relação ao livro Rota 66 – A História da Polícia que Mata, vencedor do Prêmio Jabuti em 1993. Agora, é a vez das telonas ganharem a versão das histórias narradas por Caco.

Ecoando o método cruel de assassinatos da ditadura militar, o livro mostra casos em que membros das Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota) agia de forma criminosa, em uma atuação e condutas inescrupulosas e longe de qualquer situação de Estado de Direito.

Porém, a versão cinematográfica do livro levará tempo: as gravações do filme começam em 2019 e terão um protagonista inspirado em Caco e suas investigações. Para a criação de Rota 66, foram sete anos de apuração dos casos de matadores da Rota – além dos casos, a conveniência do poder público e da imprensa mostram um retrato cru (e cruel) de um sistema que não está muito distante de hoje.

“Acho que é obrigação do repórter retratar o que acontece nas ruas com a maioria da população, não o universo da minoria. Eles têm que ter voz ativa. Quando comecei o Rota 66, queria mostrar o absurdo que é um país contrário à pena de morte praticá-la todos os dias contra os bandidos, mas, após sete anos de investigação, constatei que a violência não se dava contra os bandidos, e sim contra os pobres”, afirma Caco, à frente na 12a temporada do inspirador programa Profissão Repórter (TV Globo).

A adaptação de Rota 66 será realizada pela Boutique Filmes – a mesma da elogiada série 3%, disponível na Netflix. A direção será de Fernando Coimbra (Castelo de Areia, O Lobo Atrás da Porta) e roteiro de Patrícia Andrade (Besouro, Gonzaga: De Pai Para Filho, Dois Filhos de Francisco).

foto: Globo/Divulgação

‘Expelliarmus!’: como Harry Potter influencia a visão política dos millenials

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Harry Potter (Foto: Divulgação)

 

Resistir a tiranias e questionar autoridades são algumas das ‘lições’ que estariam sendo pescadas de livros de J. K. Rowling; nos protestos recentes contra porte de armas nos EUA, vários jovens exibiam cartazes com referências à série.

Publicado no G1 [via BBC Brasil]

Após 21 anos da publicação do primeiro livro da série Harry Potter, parece que a realidade se aproximou da ficção da escritora J.K. Rowling.

Na Marcha Pelas Nossas Vidas, um protesto contra o porte de armas que teve mais de 800 manifestações nos Estados Unidos e em outros países em março de 2018, diversos cartazes faziam referência à saga de Harry Potter.

“Quando disse que queria que o mundo real fosse mais como o de Harry Potter, eu me referia às coisas mágicas, não ao enredo inteiro do livro cinco, em que o governo se recusa a fazer qualquer coisa a respeito de uma ameaça de morte levando os adolescentes a se organizar para revidar”, dizia um cartaz em Worcester, no Estado de Massachusetts.

Revidar. Essa é a parte importante, já que o universo de Harry Potter não é mais só um refúgio – ou um mundo que oferece conforto e escapismo. Agora, esse universo está mobilizando e motivando uma legião de fãs.

Outros cartazes presentes nas manifestações diziam “Expelliarmus”. Mas o que é isso? “‘Expelliarmus’ é o feitiço de desarmamento (da saga Harry Potter), o feitiço da moda entre as crianças de Hogwarts”, tuitou Charlotte Alter, jornalista da revista Time. “O desarmamento é a estratégia da #MarchaPelasNossasVidas, tanto literária quanto retoricamente”.

E os cartazes não paravam por aí: “O exército de Dumbledore está recrutando”, “Lufa-lufas pelo controle de armas!”, “Hermione usa conhecimento, não armas”, “Se os alunos de Hogwarts podem derrotar os comensais da morte, nossos estudantes podem derrotar o NRA” – a sigla NRA refere-se ao nome em inglês da Associação Nacional do Rifle, principal grupo defensor de armas nos Estados Unidos.

“Essa não é apenas a geração que cresceu com tiroteios em escolas, é também a geração que cresceu lendo Harry Potter”, continuou Alter.

Como escreveu Neil Gaiman em 2002, “os contos de fada vão além da verdade: não porque nos dizem que dragões existem, mas porque nos dizem que dragões podem ser derrotados”. Gaiman é o criador da série de histórias em quadrinho Sandman.

É uma lembrança de que, por baixo da açucarada iconografia da série Harry Potter, a narrativa aborda temas pesados, como limpeza étnica, desigualdade, escravidão, governos corruptos e tortura.

Em sua essência, os livros Harry Potter são sobre o bem contra o mal. O centro da narrativa fala da tentativa do vilão Lorde Voldemort e seus capangas de exterminarem os “trouxas”, como são chamadas na história as pessoas sem poderes mágicos, e os “sangues-ruins”, os filhos dos trouxas nascidos com poderes mágicos.

Se isso teve ressonância quando os livros foram lançados pela primeira vez, agora tem efeito dobrado sobre a geração de estudantes que participaram dos protestos contra massacres em escolas em um mundo cada vez mais tenso.

Mas o uso dos memes de Harry Potter não é, como dizem os mais críticos, sobre uma esperança ingênua de que um assunto como o controle de armas possa ser resolvido com um passe de mágica, metaforicamente ou não.

Como os fãs de Harry Potter bem sabem, o bruxo e seus companheiros enfrentam problemas típicos do mundo real quando combatem Voldemort.

Lições do mundo real

Um exemplo: o vilão, apoiado pelos seus servos, os comensais da morte, é obcecado por pureza racial, com uma sensibilidade niilista claramente nietzschiana. “Não há bem e mal”, diz um dos seus soldados. “Há apenas poder e os que são fracos demais para buscá-lo”‘.

Ainda assim, há uma miríade de tons de cinza na série. Como o padrinho de Harry, Sirius Black, lhe diz, “o mundo não está dividido entre pessoas do bem e os comensais da morte. Todos nós temos luz e sombra dentro de nós. O que importa é com qual parte decidimos agir”.

Outra lição crucial que os livros nos ensinam é sobre complacência. O mundo da escola de Hogwarts, onde Harry estuda magia, foi construído usando escravidão, graças ao serviço dos elfos domésticos.

Quando Hermione tenta ficar ao lado deles ao fazer uma campanha pela libertação de todos os elfos domésticos, ela é ridicularizada por seus colegas. A injustiça social é facilmente normalizada, a ponto de alguns elfos ficarem ofendidos com ofertas de recompensa pelos seus serviços.

A questão sobre quem deve ser respeitado também tem suas nuances. Apesar de os estudantes de hoje marcharem sob a bandeira de Albus Dumbledore, o diretor da escola de Harry, sabe-se que até ele tem manchas em sua reputação.

Sim, há a turma do mal, como Dolores Umbridge, a professora e, depois, diretora da escola que praticava bullying. Mas, e quanto a Cornelius Fudge, o ministro da Magia, que parecia tão bem intencionado, mas depois se recusou a enfrentar o perigo mortal que ameaçava o mundo dos magos e não-magos?

Mais uma vez, a autoridade é vista como algo que não deve ser respeitada sem questionamentos. E há também a importância de uma imprensa livre e o incentivo à ação direta – pequenas atitudes sempre contam, às vezes de maneira grandiosa.

Apesar da magia ajudar e de o amor ser a arma derradeira de Harry, Voldemort é vencido principalmente pela cooperação e organização.

Essa lição específica é promovida desde 2005 pela Aliança Harry Potter, uma ONG criada para mobilizar fãs a se manifestarem contra os males do mundo real, como intolerância e mudanças climáticas.

“Nós sabemos que a fantasia não é apenas uma fuga do nosso mundo, mas um convite a ir mais fundo nele”, diz o grupo em seu site.

A própria J. K. Rowling disse que seus romances são imbuídos de mensagens de resistência a qualquer tipo de tirania. “Os livros de Potter são em geral um longo argumento em prol da tolerância, um apelo prolongado pelo fim da intolerância”, afirmou ela em 2007.

“Acho que é uma das razões pelas quais algumas pessoas não gostam dos livros, mas acho que é uma mensagem muito saudável a se passar para jovens: a de que você deve questionar a autoridade e não presumir que as instituições ou a imprensa lhe digam toda a verdade.”

Isso não é novidade. Desde as tragédias gregas, passando por Shakespeare, O Senhor dos Anéis e até mesmo Star Wars, a ficção inspira a luta por liberdade. O poder da imaginação – de uma mensagem imbuída em uma narrativa humana e fantástica ao mesmo tempo – sempre será um forte manifesto.

Mas há ainda outra dimensão do fenômeno Harry Potter. Seu mundo sempre foi sobre pertencer e estar junto, como acontece na própria história dos livros.

Os primeiros fãs da série, agora na casa dos 30 anos, faziam fila do lado de fora de livrarias toda vez que saía um novo livro da série – e viram fotos dessas filas virarem notícia.

Essa enorme legião de fãs – e a dos novos jovens leitores que os seguiram – provaram o sabor do que é fazer parte de uma história maior que a sua própria. Em uma sociedade secular e atomizada, isso é poderoso. Quão poderoso? Ainda vamos descobrir.

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