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Literatura de terror é inspiração de seriado

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Isabelle Moreira Lima, na Folha de S.Paulo

É como se a televisão tivesse incorporado a célebre frase do livro “Coração das Trevas”, de Joseph Conrad: “O horror, o horror”.

Na esteira de “The Walking Dead”, “American Horror Story” e “Salem”, agora chega à TV brasileira a série “Penny Dreadful”, que traz um “mash-up” de clássicos do terror com estreia marcada para, nada mais oportuno, esta sexta-feira, 13.

Estrelada por Eva Green (“300: A Ascensão do Império”) e Timothy Dalton (“007 – Permissão para Matar”), a série conta a história de um pai, rico e aventureiro, em busca da filha que ele acredita ter sido sequestrada por criaturas do outro mundo.

Como fiel escudeira, o pai tem uma paranormal sexy e obscura afeita a tensas sessões de orações com visões de insetos nojentos.

Harry Treadaway interpreta Victor Frankenstein na série 'Penny Dreadful' - Jim Fiscus/Showtime

Harry Treadaway interpreta Victor Frankenstein na série ‘Penny Dreadful’ – Jim Fiscus/Showtime

Juntos, os dois arregimentam um pistoleiro americano (Josh Hartnett, “Dália Negra”) saído de bangue-bangue e passam a lutar contra as criaturas do além.

À trama somam-se personagens célebres da literatura de horror como Dr. Victor Frankenstein (Harry Treadaway, “Fleming”), retratado como um médico esquisitão e misterioso, e de um lânguido e hipersexualizado Dorian Gray (Reeve Carney, “A Tempestade”).

Além deles, há uma infinidade de zumbis e vampiros para todos os gostos, e de figuras da era Vitoriana (1837-1901), como Jack, o estripador, tudo embalado pelo cinza nebuloso de Londres.

Para a revista “Vanity Fair”, o primeiro episódio apresenta intriga gótica o suficiente para uma temporada inteira. A série é considerada apurada visualmente e escrita de forma sólida, mas sua premissa é tão abrangente que poderia facilmente (e rapidamente) descambar para um melodrama desconexo.

Já o jornal “The New York Times” afirmou que “Penny Dreadful” deve ser adicionada à lista dos pequenos prazeres que se tem vergonha de revelar, por sua mescla equilibrada de momentos sutis e exagerados.

Na primeira cena, por exemplo, vemos uma mulher ser morta enquanto está sentada em um aparelho sanitário, mistério que não está ligado à trama principal, mas que imprime o clima bizarro do que vem por aí.

“Penny Dreadful” foi escrita e produzida por John Logan, uma espécie de Midas do roteiro americano, autor de “Hugo”, “O Aviador” e “Gladiador”, e tem produção executiva de Sam Mendes (“Beleza Americana”, “Skyfall”) e Pippa Harris (“Foi Apenas um Sonho”).

Produzida pelo Showtime, mesmo canal de “Homeland” (série sobre terrorismo com Claire Danes) e “Masters of Sex” (sobre o estudo da sexualidade humana), no Brasil será exibida pela HBO.

Para o canal, trata-se de uma estreia oportuna: neste ano, se despede de seus vampiros de “True Blood”, que exibe a sétima e última temporada a partir do dia 22.

A nova era digital

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1Cora Ronai, no Facebook

Um dia — que já devia ter sido ontem — todos os pais e mães terão uma conversa muito séria com os filhos a respeito da vida online. Essa conversa é ainda mais importante do que aquela clássica conversa sobre sexo da qual todos querem fugir, e deve começar cada vez mais cedo: a internet não esquece nada, e pode ser que, lá na frente, o destino profissional de uma pessoa possa ser prejudicado por uma bobagem que ela postou na adolescência. Pela primeira vez desde que o mundo é mundo, a vida das pessoas começa a ser registrada antes mesmo que elas venham o mundo, com as ultrassonografias postadas por pais orgulhosos nas redes sociais; o registro continua, implacável, pelos anos escolares, pela universidade, pelo trabalho. Uma busca das mais simples pode revelar hábitos alimentares, culturais e de consumo, amores e ódios. Nos tempos pré-internet, os humanos gozavam o benefício do esquecimento. Fomos geneticamente programados para isso, numa prova de que a natureza é sábia até socialmente: uma pessoa de 30 anos guarda muito pouco de quem era aos 15. Basta ver os cortes de cabelo e as roupas que tínhamos coragem de usar…

Mas a máquina não está só contra nós; ela está sobretudo a nosso favor. Calcula-se que, até 2025, toda a população mundial, estimada então em oito bilhões de pessoas, terá um celular em mãos — e, através dele, acesso a mais conhecimento do que nossos antepassados tinham mesmo nas melhores bibliotecas. Nunca nada se difundiu tão rápido quanto a tecnologia da informação. Apenas na primeira década do nosso século o número de pessoas conectadas à internet passou de 350 milhões para dois bilhões; os usuários de celulares saltaram de 750 milhões para mais de cinco bilhões. Estamos dando os primeiros passos num mundo radicalmente novo.

A nova era digital: como será o futuro das pessoas, das nações e dos negócios“, de Eric Schmidt e Jared Cohen (Intrínseca, 320 páginas, tradução de Ana Beatriz Rodrigues e Rogerio Durst) é uma ótima pensata sobre este mundo. Se você acha que o nome Eric Schmidt é vagamente familiar, você acha certo: ele foi o CEO do Google durante dez anos, e continua na companhia como presidente executivo; Jared Cohen é diretor do Google Ideas, e foi membro da equipe de planejamento político do departamento de estado norte americano. É muito interessante ler o que têm a dizer sobre os caminhos da tecnologia, quanto mais não seja pelos cargos que ocupam. Peter Drucker disse, uma vez, que a melhor forma de prever o futuro é inventá-lo; pois Schmidt e Cohen estão em posição privilegiada para faze-lo.

Os dois se conheceram em Bagdá, em 2009, durante uma conferência sobre o uso da tecnologia para a reconstrução social. Nos três anos seguintes, rodaram o mundo atrás de soluções originais, e da visão, em primeira mão, do eterno jogo de gato e rato entre governos e governados. Estiveram em países como a Coréia do Norte, o Malawi, a Mongolia, o Paquistão; conversaram com todo mundo que poderia ter algo a dizer, de Julian Assange a Carlos Slim, que se tornou o homem mais rico do mundo construindo um império de telecomunicações. Não por acaso, o forte do livro está nas considerações sobre governo e rede, sobre a inesperada força que ela passou a dar ao indivíduo e sobre o que significa o poder num mundo conectado.

“A nova era digital” não é um livro para nerds — ou só para nerds: os autores até se dão ao trabalho de explicar o que é a Lei de Moore. Também não é um “page turner”, que se leia como um romance. Mas se você se interessa por tecnologia e pela internet, e quer saber como o futuro está sendo visto a partir deste ano de 2013, ele é a melhor leitura que posso sugerir.

dica do Ailsom Heringer

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