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5 Trechos bizarros que você não esperava encontrar em livros clássicos

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Publicado no Dito pelo Maldito

Eu sempre fui encucado com certas classificações de livros. Principalmente quando ela define uma obra como ‘intelectual’. 
Que fatores, além da qualidade básica da escrita, faz alguns livros serem mais valorizados do que outros? E se os leitores têm gostos diferentes; quem decide esse tipo de coisa, afinal?

Em resumo, podemos dizer que ‘livros intelectuais’ são aqueles que abordam temas significativos e profundos. Mas se você prestar atenção, algumas dessas obras possuem trechos surpreendentes que poderiam facilmente fazer parte de alguma comédia pastelão.
Abaixo separamos cinco livros clássicos, considerados ‘intelectuais’, que contêm partes estranhas que talvez tenham lhe passado despercebido:
 
✔  O Conto do Inverno , de William Shakespeare
Obviamente Shakespeare é um mestre da linguagem. Ele passeia entre diferentes situações com facilidade, salteando, como ninguém, entre cenas insanas e a alta tragédia. Alguns estudos definem suas peças como: Uma meditação sobre a morte. Ou ainda: Um julgamento do coração humano. Mas há uma coisa que ninguém consegue explicar…

O momento que você não esperava: Ursos. Shakespeare não era conhecido pela sua direção de palco. Normalmente, dar a deixa de entrada e da morte dos personagens, era tudo que se limitava a fazer. Mas em O Conto do Inverno, há uma encenação que diz: “Ele sai, perseguido por um urso.” Nenhum urso foi mencionado anteriormente na cena, e não havia absolutamente nada que justificasse isso. Uma situação digna de fazer parte dos filmes da franquia ‘Todo Mundo em pânico’… Mas estamos falando em algo escrito pelo mestre do idioma Inglês.

 
✔  Ulysses, de James Joyce
Esta obra-prima literária é verdadeiramente um épico de quase 1.000 páginas, e não há dúvidas de que está na prateleira dos “intelectuais”. A obra é embalada com referências literárias e composta de uma escrita densa. James Joyce disse uma vez que colocou o suficiente no livro para manter os professores ocupados por centenas de anos. Até agora, ele tem tido razão.

O momento que você não esperava: Merda. Literalmente. Logo no início da narrativa, um dos protagonistas é introduzido em algumas páginas inteiramente dedicadas ao coco.

 
✔ Chapeuzinho Vermelho (O original), de Charles Perrault
Como tantos outros contos de fadas que são tão onipresentes em diversas culturas mundiais, há muitas versões diferentes desta história. Em algumas um caçador salva a Chapeuzinho Vermelho, em outras, ela salva a si mesma. Às vezes ela é apresentada com uma menina astuta, ou então, como ingênua, e em outras simplesmente como uma estúpida. Em uma das primeiras, e mais famosas versões do conto, o lobo diz a ela para subir na cama com ele, é aí que ela…

O momento que você não esperava: Primeiro, ela faz uma pausa para tirar as roupas, embora o lobo nunca ter mencionado nada sobre ela se despir. Ela faz isso de livre e espontânea vontade. Se ela sabia que era o lobo, ou se achava que era a sua velha avó que estava sobre a cama, não faço ideia. Mas de qualquer forma,… O que você está fazendo Chapeuzinho Vermelho? O que você está fazendo?

 
✔  Watchmen, de Alan Moore
Ok, essa é, tecnicamente, uma graphic novel, mas a partir do momento que ela é considerada um diferencial dentro do gênero, acho que vale a sua inclusão nessa lista. Esta história é, sem dúvida, um tour conduzido por uma narrativa não linear que salta décadas com facilidade e cria personagens ricas e complexas que não têm medo de ser profundamente falhos.

O momento que você não esperava: Uma das personagens fica nua e transa em pleno planeta Marte. Faz todo o sentido no contexto da história, mas ainda parece algo saído de uma comédia intergaláctica feita por nerds para um trabalho de faculdade.

 
✔ A Filosofia na Alcova, de Marquês de Sade
Este pode ser um contraponto dentre os outros itens desta lista, afinal, os livros do Marques de Sade não ficaram famosos por citar assuntos profundos ou significativos. A obra de Sade sempre foi considerada um tabu infame, não apenas para a sua época, mas também para os padrões de hoje em dia. E se você está se perguntando o porque de eu ter incluído um livro desse autor na categoria ‘intelectual’, acho válido lembrar que ele influenciou muitos pensadores e filósofos do século passado.
O momento que você não esperava: No meio de todo o seu erotismo explícito, Sade consegue encaixar uma ruminação longa, sofisticada e progressista sobre a filosofia e a moral de uma verdadeira república, filosofando sobre o fato da religião ser o ópio do povo.
dica do Fabio Mourão

10 citações de Lolita, Vladimir Nabokov

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Rafhael Peixoto, no Literatortura

Lolita está para a literatura como um clássico, não sendo para menos. A capacidade narrativa de Nabokov expõe de forma fatal as vertentes de um bom autor e de uma grande obra. A relação que se estabelece entre leitor e narrativa vincula-se já no primeiro momento e é preciso ter cuidado, claro! Cuidado para não cair nas garras de Humbert Humbert tão facilmente. Em matéria recente feita pelo Literatortura, onde eram levantados os narradores em que não se pode confiar, eis que surge a sua figura, e é ela que norteia toda a narrativa. Sendo avisado desta perspectiva, ainda assim confesso que, na condição de leitor, foi a primeira coisa que fiz, acreditei nas boas intenções de Humbert. Só em poucos momentos questionei o amor a sua Lolita e tudo que até então ele havia feito. Mas a vida literária é assim, lendo e aprendendo a quebrar a cara. Eis as dez citações que achei interessante na obra. Outras se perderam pelo caminho, mas, com certeza você, leitor, as regatarão nos comentários.

1 – “Lolita, luz da minha vida, fogo da minha carne. Minha alma, meu pecado. Lo-li-ta: a ponta da língua toca em três pontos consecutivos do palato para encostar, ao três, nos dentes. Lo. Li. Ta.”

Em que momento um livro lhe captura? Em alguns casos, é difícil responder a esta questão, mas não o é em Lolita. Já no primeiro parágrafo, há um laço ao leitor. Isto caracteriza também, do meu ponto de vista, o grande autor que é Vladimir Nabokov. Quem, ao ler as primeiras palavras, não se transfere da condição de leitor à personagem da narrativa, ao colocar em sua boca a separação de Lo – li – ta, como a conferir-lhe a veracidade de sua própria língua? E é este o grande trunfo utilizado, a junção de leitor e personagem já nas primeiras linhas da narrativa.

2 – “Senhoras e senhores do júri, a prova número um é aquilo que os serafins, os próprios serafins desinformados e simplórios com suas asas preciosas, invejaram. Contemplai esse emaranhado de espinhos.”.

Outra citação da primeira página do livro. Já nos primeiros instantes, o personagem revela o final da narrativa, a sua condenação. A partir deste ponto, tudo será defesa. O interessante é que, à medida que constrói a narrativa, você questiona porque efetivamente ele está sendo condenado. O final(contemplai esse emaranhado de espinhos) é arrebatador também, é como dizendo ao leitor “sente aí e me acompanhe”.

3 – “Ela se empenhou em aliviar a dor do amor primeiro friccionando com força seus lábios secos contra os meus; em seguida, minha querida se afastou jogando nervosa os cabelos para trás e logo se aproximou de novo na sombra deixando que eu me alimentasse em sua boca aberta, enquanto com uma generosidade pronta a oferecer-lhe tudo, meu coração, minha garganta, minhas entranhas, entreguei-lhe para segurar no punho desajeitado o cetro da minha paixão.”

Já no prefácio do livro, há uma revelação sobre a escrita de Nabokov, sendo ela, a falta de “termos vulgares”, por mais que a temática permeie por um campo moralmente condenável. Se deparar com uma situação como a desta citação, por exemplo, que exige do leitor muito mais do que uma leitura passiva e linear, que exige do leitor um olhar perspicaz para a cena, e que consegue fazer da própria cena uma grande construção narrativa sem que precise necessariamente falar dos aspectos óbvios de uma cena de sexo, é de um gozo sem tamanho para os amantes da boa literatura.

4 – …”Como eu esperava, ela deu o bote sobre o frasco contendo cápsulas rechonchudas, lindamente coloridas e carregadas do Sono da Bela.

“Azul!”, exclamou ela. “Azul violeta. Do que elas são feitas?”

“Céus de verão”, disse eu, “ameixas e figos, e o suco de uva dos imperadores”.”

Neste ponto, mais uma vez é ressaltada a capacidade do narrador, quando Humbert Humbert apresenta a Lolita às pílulas que havia encomendado para fazê-la adormecer. Poeticamente, ele constrói outro sentido as pílulas no intuito de capturar a atenção da garota. Esta citação prova quão ardiloso o personagem pode parecer para a relação com a menina, bem como o poder de ludibriação do leitor em outros momentos.

5 – “…e um beijo no último minuto pretendia reforçar a mensagem mais profunda da peça, a saber, que ilusão e realidade fundem-se no amor.”

A peça ensaiada por Lo ao longo da narrativa é um reflexo da própria condição amorosa por eles enveredada, principalmente da perspectiva de Humbert. Não à toa, atrelada a construção psicológica do personagem, une-se a concepção de amor como fusão da ilusão e realidade. Neste ponto, a realidade estaria dada e a construção ilusória ficaria por conta do personagem narrador, que constrói um próprio universo de significação para os dados reais.

6 – “As lonas de freio foram trocadas, as mangueiras de água desentupidas, as válvulas limadas e uma série de outros reparos e melhoramentos pagos pelo não muito mecanicamente inclinado mas prudente papa Humbert…”.

A citação não é de grande relevância para o conjunto da obra se observada pontualmente, mas é importante pontua-la pela capacidade que nela se impõe de contribuir para a construção do narrador personagem. Desta forma, ela poderia ser substituída por qualquer outra citação em que o narrador se distancia da primeira pessoa e se coloca como elemento outro da história. Falar em terceira pessoa sobre si diz muito na construção do personagem Humbert Humbert.

7 – “Tente imaginar, leitor, com toda a minha timidez, minha falta de gosto por qualquer ostentação…”

Esta também poderia ser substituída por outras citações. Não pode ser deixado de observar, por sua vez, o dialogo que se estabelece diretamente com o leitor. O narrador clama ao sujeito que o acompanha que este se coloque em seu lugar.

8 – “Um dia removi do carro, e depois destruí, todo uma cúmulo de revistas para adolescentes. Devem conhecer o tipo. Em matéria emocional, a Idade da Pedra; atualizada, ou pelo menos miceniana, em matéria de higiene. Uma bela e maduríssima atriz com cílios imensos e o lábio inferior carnudo e muito rubro, afirmando que usava uma certa marca de xampu. Anúncios e modas. As jovens estudantes adoram a profusão das saias plissadas… A menos que seja bem mais velho ou muito importante, o cavalheiro deve sempre tirar as luvas antes de tomar a mão…Facilite um novo romance usando o novo corpete para uma barriga lisa…O enigma matrimonial entre Fulano e Beltrana vem exaurindo ás línguas.”

Toda história, seja fictícia ou real, é narrada a partir de um espaço. Dada a construção deste espaço, do meio social, achei importante trazer esta citação, pois ela me chamou a atenção pela sua contemporaneidade, mesmo escrita vários anos atrás. A típica revista adolescente descrita por Humbert não varia em quase nada dos modelos que acompanhamos nas bancas nos dias de hoje. Uma critica a nossa sociedade?!

9 – “… – e eu não conseguia parar de olhar para ela, e soube tão claramente como sei agora, que estou prestes a morrer, que a amava mais que tudo que já vi ou imaginei na Terra, ou esperei descobrir em qualquer outro lugar. Ela era só um eco de aroma tênue violeta e folhas mortas da ninfeta sobre quem eu rolara no passado com tantos gritos; um eco à beira de uma ravina rubra, com um arvoredo esparso sob um céu branco, folhas castanhas entupindo o leito do riacho, e um último grilo perdido em meio à relva ressecada… mas graças a Deus não era só esse eco que eu adorava.”

Dois momentos marcam esta citação: a primeira, na mensuração do amor de Humbert por sua Lolita; a segunda, pela quebra da ilusão da imagem por ele construída. Importante destacar que mesmo sendo atingido pelo confronto realidade x idealização, ele declara um amor que atravessa essa imagem feita por ele.

10 – “Parou à procura das palavras. E eu as forneci mentalmente (“Ele” partiu meu coração. “Você” só devastou a minha vida”).

Já nos momentos finais da narrativa, quando experimenta fazer uma reflexão acerca da posição de Lolita, o narrador reconduz quais as consequências possíveis de sua ação sobre a menina. E são nestes fragmentos que o narrador consegue cativar ainda mais o olhar do leitor, quando se coloca na condição humana de captar a essência do outro, de percebê-la enquanto ser que sofre as consequências de um amor sem limites.

Nelson Mandela

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Hoje, o Nobel da Paz Nelson Mandela completa 94 anos!

Em sua homenagem, a ONU instituiu o dia 18 de julho como O Dia Internacional Nelson Mandela – Pela liberdade, justiça e democracia.

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