Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged cordel

Estudante de Letras encontra livro de Patativa do Assaré autografado em sebo de Fortaleza

0

O livro “Cante lá que eu canto cá” e o cordel “Vicença e Sofia ou o Castigo de Mamãe/Antonio Conselheiro” foram comprados por R$30, mas o valor simbólico para Marcus é incalculável Foto: Rodrigo Gadelha

Roberta Souza, no Diário do Nordeste

A relíquia veio acompanhada de um cordel do mesmo autor

Num dia qualquer de novembro passado, um estudante de Letras da Universidade Federal do Ceará (UFC) se dirigiu a um dos sebos localizados no bairro Benfica em busca do clássico “Cante lá que eu canto cá”, de Patativa do Assaré. Marcus Sales, 36 anos, podia ter se conformado com uma cópia, como é de praxe entre os alunos da universidade, mas decidiu procurar o livro e se surpreendeu com o que encontrou lá. Sem alardes, o vendedor indicou a obra e disse que, dentro dela, estava um cordel, “Vicença e Sofia ou o Castigo de Mamãe/Antônio Conselheiro”.

Para o estudante, que também se aventura como cordelista, esse já era um trunfo. Mas o “tesouro” mesmo ele só encontraria ao abrir o livro com mais cuidado, a alguns passos dali, no Bosque Moreira Campos. É que tanto o clássico como o cordel estavam autografados pelo poeta de Assaré.

“O vendedor até me disse que estava assinado, mas pensei que era uma assinatura comum, como quando a gente grafa o próprio nome, sabe? Não liguei”, comenta. Com apenas R$ 30, ele comprou uma relíquia que hoje é vendida por preço muito maior na internet. Para se ter uma ideia, livros com a assinatura de Patativa no Mercado Livre variam de R$250 a R$ 1.096.

Memória

Para Marcus, existe algo ainda maior por trás disso. “É de um valor simbólico muito grande ter algo que passou pelas mãos dele e carrega essa mística. É a letrinha dele lá. Infelizmente não fui eu que pedi o autógrafo, mas só de ter essa memória, já é algo incalculável”, observa.


O estudante de Letras e cordelista Marcus Sales encontrou um livro e um cordel autografados pelo poeta Patativa num sebo de Fortaleza Foto: Rodrigo Gadelha

Quando conheceu Patativa, ainda no Ensino Médio, com a leitura de poesias do cordelista em livros didáticos, ainda não fazia ideia de que o poeta se tornaria uma fonte de inspiração para ele. A universidade e o Grupo de Estudos em Literatura Popular, coordenado pelo professor Stélio Torquato, confirmariam isso.

Com a escrita cursiva e as palavras apertadas, está a dedicatória: “Ao Dr. José Eriton. Homenagem do Patativa. Iguatu, 26/09/1983”. O estudante não faz ideia de quem seja, mas é grato por ter sido “o escolhido” para guardar essa história.

Com o cordel “O resgate da donzela ou a mulher empoderada”, publicado em fevereiro de 2018, e outro intitulado “A eleição do diabo”, a ser lançado em breve, Marcus segue o rastro da “ave poesia”. “Ele é uma inspiração. Quando você lê, quer contar sua história como ele contou”.

Auto da Compadecida ganha edição especial com desenhos exclusivos

0

Publicação será lançada este mês pela Nova Fronteira

Fabio de Souza Gomes, no Omelete

A Editora Nova Fronteira lança este mês a edição definitiva do Auto da Compadecida, clássico de Ariano Suassuna. Confira a capa:

Além de trazer ilustrações inéditas feitas pelo filho do escritor, Manuel Suassuna, a edição conta com pequenos ajustes deixados pelo próprio Ariano em suas anotações, a fim de deixar a obra do jeito como ele sempre imaginou.

A obra consegue o equilíbrio perfeito entre a tradição popular e a elaboração literária ao recriar para o teatro episódios registrados na tradição de cordel. Peça teatral em forma de auto em 3 atos, a obra foi escrita em 1955 e é um retrato do Nordeste brasileiro, mesclando elementos como a literatura de cordel, a comédia, traços de barroco católico brasileiro e, ainda, cultura popular e tradições religiosas.

Com humor e de maneira leve, a peça fala sobre o drama vivido pelo povo nordestino sempre com medo da fome, em luta constante contra a miséria e acuado pela seca. É nesse contexto que acontecem as aventuras de Chicó e João Grilo, os dois personagens centrais. Enquanto Chicó é covarde e mentiroso, João Grilo se aproveita da estupidez dos mais abastados e das pessoas do clero para levar a melhor.

Assim como Auto da Compadecida, todos os livros de Suassuna – exceto os que estão em coleções exclusivas que já possuem um projeto gráfico próprio – serão lançados com a mesma identidade visual, que remete ao cordel até no tom branco das páginas do miolo. Isso é parte de um projeto maior de Ariano Suassuna, que antes de morrer manifestou a vontade de evidenciar uma unidade subjacente a toda sua obra.

Uso do cordel ajuda escola de João Pessoa a liderar ranking de educação

0

Estudantes fizeram um jardim suspenso inspirados na leitura da obra de Saint-Exupéry

Estudantes fizeram um jardim suspenso inspirados na leitura da obra de Saint-Exupéry

 

Valéria Sinésio, no UOL

Na sala de aula, as crianças fazem fila para pegar os cordéis, empilhados em uma estante improvisada. A literatura regional, típica do Nordeste, tem sido aliada de professores na Escola Municipal Doutor José Novais, em João Pessoa, para contar a história de autores famosos, como Augusto dos Anjos, Ariano Suassuna e José Lins do Rego.

Os versos e rimas também ajudam os alunos na compreensão de uma das obras mais famosas do mundo, “O Pequeno Príncipe”, do escritor Antoine de Saint-Exupéry.

Essa iniciativa convive com o método tradicional –a tabuada, por exemplo, ainda é utilizada em sala de aula — e tem ajudado a escola a superar a meta do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) desde 2007.

A instituição possui a maior nota entre as escolas municipais e estaduais de João Pessoa. Também supera a média das escolas privadas da capital paraibana. Atingiu 7,3 no Ideb 2015, quando a meta da escola era 6,0.

O cordel na sala de aula vai além da representação de um elemento regional. É um dos fatores que ajuda a compreender o desempenho da escola nos índices de avaliação, segundo explicou o diretor-geral, Fernando Menezes. “O cordel é trabalhado pelos alunos dentro de uma perspectiva mais ampla, na qual a leitura é explorada de diversas formas. A partir da escolha da obra literária, os professores trabalham de forma interdisciplinar, visando o melhor aproveitamento possível”, diz.

Prova disso é que os ensinamentos de Antoine de Saint-Exupéry estão por toda a escola. Na entrada, por exemplo, os alunos fizeram um jardim que passou a representar simbolicamente a rosa da obra. No pátio, os desenhos nas paredes também mostram que os alunos tiveram uma boa compreensão do livro. Para completar, em sala de aula, eles fizeram os próprios cordéis recontando a história.

Cantinho da leitura

Cordéis ficam à disposição para incentivar a leitura na escola

Cordéis ficam à disposição para incentivar a leitura na escola

Há, em cada sala de aula da escola José Novais, um lugar especial: o “cantinho da leitura”. Segundo o bibliotecário Wellington de Souza, é uma forma de levar os livros para perto dos alunos, uma vez que a estrutura física da biblioteca não deixa os visitantes confortáveis.

“Eles gostam demais, e até reclamam se a gente demora a trocar os livros. Os empréstimos são frequentes, e isso nos dá alegria. É uma felicidade sem tamanho ver um aluno levando os livros para ler em casa”, destacou.

Os projetos de leitura e escrita desenvolvidos na escola já renderam prêmios e reconhecimentos do potencial da escola.

Segundo a vice-diretora Valéria Simoneth, não existe segredo para dar certo. “Há, na verdade, compromisso de todos que fazem a escola. Só para citar um exemplo, aqui, se um professor falta, o aluno não fica sem aula. Logo encontramos outro professor para substituir. Muitas vezes, eu mesma vou para a sala de aula”, afirmou.

Depois do recreio

As regras disciplinares da escola incluem reunir os alunos após o recreio no pátio para cantar o Hino Nacional, seguido do hino da escola. Para finalizar, fazem a oração do Pai-Nosso e depois retornam para a sala de aula, em fila e em silêncio.

Apesar da boa nota, os diretores dizem que a escola também enfrenta problemas, como qualquer outra escola pública do Brasil. A falta de verba e a violência no entorno da escola são os principais deles.

“Temos ex-alunos que foram mortos, crianças com pais presos, outras que tiveram algum parente assassinado. A escola precisa enxergar essa realidade e buscar, junto à família, ser uma ponta de esperança quando tudo parece desilusão”, diz Menezes.

Oficina na escola que tem a melhor nota no Ideb da cidade

Oficina na escola que tem a melhor nota no Ideb da cidade

 

O que é o Ideb?

Criado em 2007, o Ideb é o índice que avalia a qualidade dos ensinos fundamentais e médio em escolas públicas e privadas a partir de dois componentes: a aprendizagem em matemática e em língua portuguesa e a taxa de fluxo (aprovação, reprovação e abandono escolar).

A “nota” do ensino básico varia numa escala de 0 a 10. Conforme meta do MEC (Ministério da Educação), o Brasil precisa alcançar até 2021 a média 6,0 nos anos iniciais do ensino fundamental.

O indicador é divulgado a cada dois anos e é calculado com base nos dados do Censo Escolar (com informações enviadas pelas escolas e redes), e médias de desempenho nas avaliações do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), como a Prova Brasil.

Servidor da UEPB se torna primeiro vigilante com título de doutor na Paraíba

0

Conciliando trabalho e estudo, José Itamar enveredou pelos caminhos da cultura popular para realizar o sonho de se tornar o primeiro doutor vigilante da Paraíba, seguindo uma trajetória que não foi fácil e lhe custou sacrifício e muita dedicação

 

Publicado no Portal Correio

Itamar Sales

Itamar Sales

Obstinação, esforço e força de vontade. Foram essas características que moveram o vigilante da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), José Itamar Sales da Silva (46), a concluir o Doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e se tornar o primeiro vigilante com título de doutor na Paraíba. A tese, aprovada com distinção, foi defendida no dia 24 de março, tendo como título “Panela que muito mexe: o Guisado da Cultura Política do Brasil a luz da Literatura de Cordel”.

Conciliando trabalho e estudo, José Itamar enveredou pelos caminhos da cultura popular para realizar o sonho de se tornar o primeiro doutor vigilante da Paraíba, seguindo uma trajetória que não foi fácil e lhe custou sacrifício e muita dedicação.

Quando não estava em atividade na UEPB, ele passava o tempo lendo e aprofundando as pesquisas. Foi na biblioteca Átila Almeida que ele passou a maior parte do tempo nas leituras que lhes ajudaram a escrever a tese, concebida dentro de um universo de encantamento e raridades em pleno interior nordestino, que se destaca por dispor do maior acervo de cordel da América Latina.

Há 24 anos como servidor técnico administrativo da Universidade Estadual da Paraíba, Itamar se graduou em História pela UFCG, fez Especialização e Mestrado pela UEPB, instituição da qual sente grande orgulho, e destaca que a política de capacitação profissional executada pela Instituição foi fundamental para a realização do seu sonho.

Nas duas pós-graduações que fez na UEPB, Itamar manteve a sua linha de pesquisa, enveredando pelo universo da cultura popular, especialmente, pela literatura de cordel. A Especialização “Gestão Estratégica de Pessoa no Serviço Público” foi realizada em 2010 e serviu de motivação para o vigilante investir na formação continuada. Posteriormente, ele conseguiu a aprovação no Mestrado em Literatura e Interculturalidade. Defendeu a dissertação “A representação da sogra na obra do poeta Leandro Gomes de Barros”, que resultou em um livro publicado pela Editora Universitária da UEPB.

Itamar já trabalhou como vigilante em vários setores da Universidade. Atualmente, ele faz a vigilância noturna do Centro de Integração Acadêmica. Como caçador de sonhos, ele agora tem como meta se tornar professor da Instituição onde já trabalha há mais de duas décadas.

Go to Top