Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Correio do Brasil

O brasileiro lê muito

1
A reflexão necessária é de que há uma espécie de preconceito aberto e declarado

A reflexão necessária é de que há uma espécie de preconceito aberto e declarado

Paulo Tedesco, no Correio do Brasil

A reflexão necessária é de que há uma espécie de preconceito aberto e declarado, como se chamar o povo de burro fosse regra, ou que as pessoas não compram livros nem leem aquilo que certa elite gostaria porque são ignorantes. Também há a hipótese de que a desinformação sobre o mercado do livro e os índices de leitura seja gigantesca, e que mesmo bons jornalistas e profissionais da comunicação têm dificuldade em encontrar dados que derrubem esse conceito, ou preconceito, sobre os índices de leitura.

População

Não podemos, porém, deixar de observar que para o tamanho do país e da população; se comparados a vizinhos como Argentina, nossa leitura per capta é de fato tímida.

E que a leitura poderia ser melhor, visto, por exemplo, a ausência de leitores com seus livros abertos em lugares públicos como em metrôs e ônibus. Mas, para isso, é bom não esquecer que nas universidades muito ainda se usa; infelizmente, as tais cópias “xerox”, como substituição ao livro, e que essas cópias não entram nos números, tampouco cálculos estatísticos; ou sequer passam nos olhos ávidos de quem procura um leitor de livro aberto numa estação de metrô.

Lemos mal

Em verdade, e aqui uma opinião mais do que honesta, é de que embora leiamos muito a realidade é de que lemos mal, e muito mal. O fato de encontrarmos livros infanto-juvenis adotados em escolas com erros de pontuação e histórias frouxas; ruins, é um comprovador.

Também é comum encontrar autor que se autopublica dizendo vender bem a cada nova tiragem ou novo título; e depois descobrirmos que seus leitores; e eles existem como se comprova na gráfica ou nas vendas pelo KDP da Amazon; não percebem como fracas são suas histórias e como confusos são seus pensamentos ou mesmo a organização do seu texto.

Livros

Há, também, nesse deserto do texto ruim, livros impressos fora do país mas vendidos a preços impressionantemente baixos, livros estes muitas vezes com histórias sofríveis e ilustrações deprimentes.

E ainda há os títulos traduzidos às pressas ou por maus tradutores; e aqui entra a literatura adulta de qualquer área; como outro sinal da má qualidade do que chega ao leitor; que, por sua vez toma aquilo como uma média do que pode ser escrito e do que deve ser lido. Em outras palavras, o referencial do que é bom em escrita e leitura, no Brasil, é um desespero de tão ruim.

Em outros artigos defendi e sigo defendendo a importância da escrita criativa e suas oficinas, pois; como referência, nos EUA pós-guerra; esse foi um dos instrumentos para não só movimentar o mercado norte-americano como por outro reforçar a educação fora das escolas.

Brasil

Enquanto isso, neste Brasil continental de história tão amiga à elites que preferem a escravidão à liberdade; talvez não devesse soar estranho afirmar que o povo brasileiro simplesmente não lê porque é ignorante.

Mas não sou da elite, sou do povo, do estudante da escola pública, e dos otimistas; pois gosto de pensar que apesar das elites e de nossa história de golpes e massacres, o povo ainda lê, e ainda quer ler mais e melhor. E, quem sabe, talvez aí esteja a tarefa dos editores; autores e agentes do mercado: superar o preconceito e fazer mais e melhor pelo leitor brasileiro.

Paulo Tedesco, é escritor, consultor e professor de produção escrita editorial.

Brasil terá nove escritores na Feira do Livro de Frankfurt

0

Imagem Google

Publicado no Correio do Brasil

Maior e mais importante evento do mercado editorial internacional, a Feira do Livro de Frankfurt, a ser realizada entre 10 e 14 de outubro, terá participação mais robusta do Brasil este ano. O estande coletivo das editoras brasileiras será maior,  com 330 m² ante os 216 m² do ano passado, e um time de escritores foi escalado para mostrar a produção literária nacional. É o começo dos preparativos para a aguardada participação em 2013, quando o país será homenageado.

Para chegar à lista dos autores convidados, Galeno Amorim, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, diz que ouviu sugestões dos tradutores alemães, que pediram jovens escritores, e consultou a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, que indicou dois autores por ela premiados. Outros foram escolhidos porque têm tido bom desempenho no programa de apoio à tradução da FBN ou porque foram selecionados para o número de estreia da revista Machado, que será lançada na feira com trechos de textos de autores daqui traduzidos para o inglês ou espanhol. A iniciativa é do Itaú Cultural e a revista será coeditada pela FBN.

Estarão em Frankfurt este ano Alberto Mussa, Luiz Ruffato e Cristovão Tezza, os mais traduzidos, e Andrea Del Fuego e Michel Laub, que estão tendo obras vertidas para o alemão neste momento. E ainda João Paulo Cuenca, que lança livro lá agora, Marina Colasanti e Roger Melo. No último dia da feira, a poeta Hinemoana Baker, da Nova Zelândia, país homenageado em 2012, passará o bastão para Milton Hatoum, um dos escritores brasileiros contemporâneos mais conhecidos no exterior. Ele ainda falará durante 20 minutos sobre a literatura nacional. Em 2013, a lista será maior, e incluirá músicos, artistas plásticos e atores.

Além de conversas com esses escritores, estão sendo organizados debates sobre temas que vão desde os best-sellers ao mercado de livros técnicos. E para quem passar pelo estande do Brasil no final do expediente, será oferecida uma caipirinha.

Go to Top