Contando e Cantando (Volume 2)

Posts tagged Cortes

MEC cortará vagas no Pronatec e no Ciência sem Fronteiras

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Ministério priorizará o investimento em creches e no ensino básico

Número de vagas no Pronatec diminuirá (Foto: Luiz Ackermann / Agência O Globo)

Número de vagas no Pronatec diminuirá (Foto: Luiz Ackermann / Agência O Globo)

Raphael Kapa, em O Globo

Com cortes em seu orçamento por causa do ajuste fiscal, o Ministério da Educação (MEC) já definiu alguns programas que serão afetados, e entre eles estão o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e o Ciência sem Fronteiras (CsF), que terão o número de vagas reduzidos em relação a 2014.

“As ofertas ainda serão definidas, mas quantitativamente serão em número inferior ao do ano passado”, informou a assessoria do MEC, em nota.

Sem informar de quanto será a redução, o ministério disse apenas que o tamanho dos cortes “será divulgado em breve”. Segundo a pasta, o ensino básico deve ser preservado ao máximo, com os cortes atingindo mais programas de ensino técnico e superior.

O ministério afirma ainda que as verbas de custeio, responsáveis pelos investimentos nas universidades federais e pagamentos de funcionários terceirizados, estão garantidas.

Desde o ano passado, o corte na educação fez com que universidades entrassem em crise por falta de remuneração de seus funcionários terceirizados. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a maior federal do país, suspendeu suas atividades devido à falta de serviços de limpeza, segurança e portaria. Alunos chegaram a ocupar a reitoria da instituição requisitando regularização dos pagamentos.

“O Ministério também atua no sentido de garantir os recursos de custeio necessários para o funcionamento das universidades e dos institutos federais”, informou o MEC.

O Pronatec foi um dos principais programas citados pela presidente Dilma Rousseff na campanha presidencial. O governo prometeu, no entanto, poupar dos cortes outro programa que foi também uma das bandeiras do governo na eleição: a criação de creches. Dilma prometeu construir mais 4 mil unidades em seu segundo mandato.

GASTOS ACIMA DO MÍNIMO

Além disso, outros serviços ligados à educação básica, como a merenda e o transporte, também não terão impactos com o ajuste fiscal, segundo o MEC.

“Programas como Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), além de merenda e transporte escolar, não receberam cortes em relação à Lei Orçamentária Anual (LOA), e ainda apresentaram aumento em relação ao empenhado no ano de 2015”, diz o ministério na nota.

O MEC afirmou ainda que, apesar dos cortes nos programas, o ajuste fiscal “preserva os programas e ações estruturantes e essenciais” da pasta e “mantém os gastos do ministério acima do mínimo constitucional”.

A nova era digital

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1Cora Ronai, no Facebook

Um dia — que já devia ter sido ontem — todos os pais e mães terão uma conversa muito séria com os filhos a respeito da vida online. Essa conversa é ainda mais importante do que aquela clássica conversa sobre sexo da qual todos querem fugir, e deve começar cada vez mais cedo: a internet não esquece nada, e pode ser que, lá na frente, o destino profissional de uma pessoa possa ser prejudicado por uma bobagem que ela postou na adolescência. Pela primeira vez desde que o mundo é mundo, a vida das pessoas começa a ser registrada antes mesmo que elas venham o mundo, com as ultrassonografias postadas por pais orgulhosos nas redes sociais; o registro continua, implacável, pelos anos escolares, pela universidade, pelo trabalho. Uma busca das mais simples pode revelar hábitos alimentares, culturais e de consumo, amores e ódios. Nos tempos pré-internet, os humanos gozavam o benefício do esquecimento. Fomos geneticamente programados para isso, numa prova de que a natureza é sábia até socialmente: uma pessoa de 30 anos guarda muito pouco de quem era aos 15. Basta ver os cortes de cabelo e as roupas que tínhamos coragem de usar…

Mas a máquina não está só contra nós; ela está sobretudo a nosso favor. Calcula-se que, até 2025, toda a população mundial, estimada então em oito bilhões de pessoas, terá um celular em mãos — e, através dele, acesso a mais conhecimento do que nossos antepassados tinham mesmo nas melhores bibliotecas. Nunca nada se difundiu tão rápido quanto a tecnologia da informação. Apenas na primeira década do nosso século o número de pessoas conectadas à internet passou de 350 milhões para dois bilhões; os usuários de celulares saltaram de 750 milhões para mais de cinco bilhões. Estamos dando os primeiros passos num mundo radicalmente novo.

A nova era digital: como será o futuro das pessoas, das nações e dos negócios“, de Eric Schmidt e Jared Cohen (Intrínseca, 320 páginas, tradução de Ana Beatriz Rodrigues e Rogerio Durst) é uma ótima pensata sobre este mundo. Se você acha que o nome Eric Schmidt é vagamente familiar, você acha certo: ele foi o CEO do Google durante dez anos, e continua na companhia como presidente executivo; Jared Cohen é diretor do Google Ideas, e foi membro da equipe de planejamento político do departamento de estado norte americano. É muito interessante ler o que têm a dizer sobre os caminhos da tecnologia, quanto mais não seja pelos cargos que ocupam. Peter Drucker disse, uma vez, que a melhor forma de prever o futuro é inventá-lo; pois Schmidt e Cohen estão em posição privilegiada para faze-lo.

Os dois se conheceram em Bagdá, em 2009, durante uma conferência sobre o uso da tecnologia para a reconstrução social. Nos três anos seguintes, rodaram o mundo atrás de soluções originais, e da visão, em primeira mão, do eterno jogo de gato e rato entre governos e governados. Estiveram em países como a Coréia do Norte, o Malawi, a Mongolia, o Paquistão; conversaram com todo mundo que poderia ter algo a dizer, de Julian Assange a Carlos Slim, que se tornou o homem mais rico do mundo construindo um império de telecomunicações. Não por acaso, o forte do livro está nas considerações sobre governo e rede, sobre a inesperada força que ela passou a dar ao indivíduo e sobre o que significa o poder num mundo conectado.

“A nova era digital” não é um livro para nerds — ou só para nerds: os autores até se dão ao trabalho de explicar o que é a Lei de Moore. Também não é um “page turner”, que se leia como um romance. Mas se você se interessa por tecnologia e pela internet, e quer saber como o futuro está sendo visto a partir deste ano de 2013, ele é a melhor leitura que posso sugerir.

dica do Ailsom Heringer

Crítica: Edição mostra novas facetas de ‘Dorian Gray’, de Oscar Wilde

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Alcir Pécora, na Folha de S.Paulo

“O Retrato de Dorian Gray”, livro mais conhecido do irlandês Oscar Wilde (1854-1900), parece ter voltado à moda.

Não apenas acaba de receber uma adaptação para TV e cinema, à maneira de um soft pornô de “Downton Abbey”, como novos debates sobre o livro têm ocorrido após a edição de Nicholas Frankel, professor em Richmond, na Virgínia.

Diversamente do filme, a edição é interessante até para aqueles que já conhecem o romance. Trata-se da primeira versão datilografada, corrigida à mão e enviada por Wilde ao Lippincott’s Monthly Magazine, da Filadélfia, em março ou abril de 1890.

Detalhe de ilustração da nova edição de 'O Retrato de Dorian Gray' - reprodução

Detalhe de ilustração da nova edição de ‘O Retrato de Dorian Gray’ – reprodução

Frankel recuperou o datiloscrito, atualmente na Universidade da Califórnia, e o lançou, com fartas anotações, por Harvard, em 2011. É esta a versão que a Editora Globo traz para o Brasil.

O datiloscrito de Wilde, com vários cortes do editor da Lippincott’s, foi publicado no número de julho de 1890 da revista. Já a edição do romance em livro, bastante aumentada, apenas sairia em 1891, mantendo alguns cortes e produzindo outros, que aparentemente levaram em conta a recepção escandalizada da edição anterior.

Para Frankel, o grande destaque da versão original é que “traz [o romance] um pouco mais para fora do armário”. Daí a capa do livro da Globo anunciar uma “edição anotada e sem censura”.

Não é, entretanto, a falta de censura que mais atrai nessa versão, mas dois outros aspectos, talvez menos visíveis na edição em livro.
quebra do andamento

O primeiro é estrutural, pois fica evidente uma quebra do andamento do romance no capítulo nono, de escopo bem diverso dos anteriores e ainda dos posteriores, embora, nestes, deixe marcas.

É fácil notar a quebra: até então, os capítulos praticamente se resolvem num esquema teatral, no qual duas ou três pessoas conversam em ambientes requintados (bibliotecas, estúdios, clubes, jardins amenos) e pronunciam o máximo de aforismos possível, geralmente de natureza chistosa, como reversão de lugares-comuns.

Já o nono, que apresenta os anos de luxúria vividos por Dorian depois de seu pacto demoníaco, não apenas suspende os aforismos, como ganha um tom descritivo e minucioso, marcado pela leitura do “livro venenoso” que Dorian recebe de Lorde Henry, seu mentor.

É um livro de capa amarela, com título e autores fictícios, mas que certamente emula “Às Avessas” (1884), do escritor francês Joris-Karl Huysmans (1848-1907).

Todo o capítulo, a rigor, é uma aplicação simplificada (e muito inferior literariamente) dos espantosos experimentos sensoriais e mentais de Des Esseintes, o herói de Huysmans, à vida de Dorian.

O segundo aspecto notável do datiloscrito é a oscilação entre dois sentidos atribuídos ao pacto: o de ser um espelho do mal cometido pelo jovem –e, portanto, uma forma de manifestação da consciência moral–, e o de ser uma evidência dos estragos da idade sobre a beleza do jovem.

O dilema é predominantemente ético ou estético?

O que exatamente se condena: a ignomínia da idade ou a do mal?

Wilde se esforça para encadear os dois sentidos, de modo que entregar-se ao desejo de permanecer jovem equivalha a se tornar refém do mal. Tal arranjo, por assim dizer, acomoda o moralismo, indicia o narcisismo e justifica o castigo do malvado.

Algum veneno, entretanto, ainda vibra no armário: não o homoerotismo, mas a suspeita de que não pode haver pecado pior que o tempo que passa.

Jornalista sergipano é condenado à prisão por escrever texto de ficção

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Publicado por Portal Imprensa

O jornalista sergipano José Cristian Góes foi condenado a sete meses e 16 dias de prisão por “ter escrito uma crônica ficcional sobre o coronelismo”.

José Cristian Góes

José Cristian Góes

Segundo o Sindicato dos Jornalistas do Sergipe, apesar de o texto ser em primeira pessoa e não ter indicação de locais, datas e não citar ninguém, um desembargador, cunhado do governador Marcelo Déda (PT), se sentiu ofendido e pediu a prisão do jornalista.

Edson Ulisses, desembargador e vice-presidente do Tribunal de Justiça, alegou que se sentiu pessoalmente ofendido pela expressão “jagunço das leis” e pediu a prisão do jornalista por injúria.

Apesar de todo o processo ter sido presidido pela juíza Brígida Declerc, do Juizado Especial Criminal em Aracaju, a sentença foi assinada no último dia 04 de julho pelo juiz substituto Luiz Eduardo Araújo Portela.

“Esta é uma decisão em primeira instância. Vamos ingressar com os recursos. Em razão de ser uma sentença absurda, não acreditamos que ela prospere, mas se for o caso vamos até o STF em razão da decisão ferir gravemente à Constituição Federal, e quem sabe, podemos ir até ao CNJ e as Cortes internacionais de Direitos Humanos”, disse Antônio Rodrigo, advogado de Cristian Góes.

Os sete meses e 16 dias de detenção foram convertidos pelo juiz Eduardo Portela a prestação de serviço em alguma entidade assistencial.

A crônica literária “Eu, o coronel em mim” é um texto em estilo de confissão de um coronel imaginário dos tempos de escravidão que se vê chocado com o momento democrático. Não há citação de nomes, locais, datas, cargos públicos.

Professor de SP que faltar vai receber bônus menor

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Fábio Takahashi, na Folha de S.Paulo

A Prefeitura de São Paulo decidiu diminuir o valor do bônus pago aos professores que tiverem faltas neste ano.

Até o ano passado, ausências ao trabalho poderia significar redução de até 50% no valor (pago geralmente em duas parcelas). Agora, o peso das faltas subiu para 90%.

Os outros 10% referem-se à proporção de vagas a estudantes ocupadas na escola (que antes eram 50%).

Desde que assumiu a prefeitura, a gestão Fernando Haddad (PT) tem dito publicamente que o número de ausências é uma das principais dificuldades para a melhoria no ensino no município.

Segundo a Folha apurou, em 2012, em média, cada professor faltou 30 dias.

Como no ano passado, a gratificação será de R$ 2.400. Terão o desconto professores que tiverem faltas por licença médica, abonadas, justificadas, injustificadas, para tratar de assuntos particulares ou os que se afastarem para outros órgãos.

Cada tipo de ausência tem um peso. A que impacta menos é a de licença médica. As referentes a assuntos particulares e afastamentos para outros órgãos são as com os maiores impactos.

Se o docente faltar quatro vezes ou mais devido a assuntos particulares, por exemplo, receberá até R$ 22. Se faltar dez vezes devido a licenças médicas, ganhará até R$ 1.728.

“Não vemos como uma punição a quem faltar, mas um incentivo à assiduidade”, afirmou o secretário de Educação, Cesar Callegari.

Segundo ele, mesmo as faltas por licença médica descontarão do bônus porque a prefeitura criou um programa específico para melhorar a saúde dos docentes, que prevê ações como exames e vacinas aos educadores.

Os números apurados pela Folha mostram que 50% das faltas em 2012 ocorreram devido a motivos de saúde.

A primeira parcela do bônus será pago nos próximos dias. A segunda parcela será em janeiro de 2014 -quando haverá os eventuais descontos. Caso os cortes sejam maiores que essa parcela, haverá desconto no salário.

No ano que vem, será considerado ainda a nota das escolas no Ideb, exame federal a alunos da rede pública, aplicado a cada dois anos.

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