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Estudantes são barradas em baile da escola por vestido ‘mostrar demais’

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Alunas de escola de Utah (EUA) dizem terem passado constrangimento.
Roupa não pode mostrar coxas nem as costas, segundo código do colégio.

Tayler Gillespie, de 17 anos, não pode entrar no baile com seu vestido azul porque ele deixava metade das coxas à mostra (Foto: Veronica Pehrson/AP)

Tayler Gillespie, de 17 anos, não pode entrar no baile com seu vestido azul porque ele deixava metade das coxas à mostra (Foto: Veronica Pehrson/AP)

Publicado por G1

Alunas de uma escola do ensino médio de South Jordan, no estado de Utah, nos Estados Unidos, dizem terem sofrido constragimento ao serem barradas em um baile da instituição por causa do vestido que usavam. Estudantes fizeram greve e vários pais mandaram cartas para o distrito escolar reclamando da decisão do colégio.

As alunas iriam dançar no baile da escola no último sábado (20). Chad Pehrson disse que sua filha de 17 anos foi uma das dezenas de alunas da Bingham High School que foram chamadas de lado e impedidas de entrar sob a alegação de que seu vestido era muito curto.

Estudantes com vestidos sem alças puderam entrar, mas alunas que usavam roupas com decotes nas costas, mesmo que cobrissem todo o corpo até o pescoço na parte da frente, foram barradas.

“Minha filha levou quatro horas se arrumando para o baile. Depois foi impedida de entrar, foi decepcionante”, disse o pai de Taylor Gillespie, que colocou um vestido com babado azul.

Abbey Johnson, de 15 anos, teve de usar uma camiseta regata por baixo do vestido porque a peça deixava à mostra as suas costas (Foto: Shannon Johnson/AP)

Abbey Johnson, de 15 anos, teve de usar uma camiseta regata por baixo do vestido porque a peça deixava à mostra as suas costas (Foto: Shannon Johnson/AP)

O diretor da escola, Chris Richards-Khong, disse ao jornal The Salt Lake Tribune que os alunos foram avisados ​​sobre as políticas de vestimenta com antecedência. Segundo ele, o código de vestimenta da escola diz que nas festas a bainha das saias ou vestido não podem deixar metade da coxa à mostra quando a estudante está sentada. Além disso, a roupa deve cobrir o peito e as costas.

Abbey Johnson, estudante de 15 anos, usava um vestido preto que batia um pouco acima dos joelhos e apresentava um decote alto, mangas de renda que iam até os cotovelos e as costas estavam parciamelmente cobertas por renda. Também foi barrada.

Para entrar, Abbey precisou colocar uma camiseta regata por baixo do vestido. “Me senti muito envergonhada, eu e outras meninas”, reclamou a adolescente.

Para permitir que as alunas pudessem entrar na festa, outros estudantes e até funcionários da escola emprestaram paletós, echarpes e outros panos que pudessem cobrir o que era impróprio, segundo as regras da escola. Vários alunos receberam um bilhete de advertência por terem violado o “código de vestimenta” da instituição.

A polêmica do Photoshop

No início do ano, outra escola do estado de Utah se envolveu em uma polêmica sobre as roupas das alunas ao cobrir com photoshop as fotos do anuário onde as estudantes apareciam com os ombros à mostra. A escola teve de pedir desculpas.

Escola criou polêmica ao esconder decotes de alunas em anuário (Foto: Reprodução/YouTube/NewsBreaker)

Escola criou polêmica ao esconder decotes de alunas em anuário (Foto: Reprodução/YouTube/NewsBreaker)

O mundo cabe em 196 livros

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A escritora britânica Ann Morgan decidiu que durante um ano leria uma obra de cada país do globo. Criou um site, escreveu sobre a experiência e prepara-se para publicar o resultado em livro. Diz que falta traduzir mais literatura lusófona.

Hélder Beja, no Ponto Final

ann2Ann Morgan fez a lista de países que queria visitar, ajustou planos de viagem para um ano, meteu o backpack às costas e partiu em direção à estante lá de casa. Sentou-se no sofá e pôs-se a ler.

Cada um viaja como quer e, no lugar de andar por aí nas aventuras do mundo, esta escritora britânica decidiu chamar a si as histórias dos 195 países reconhecidos pelas Nações Unidas, e ainda de Taiwan. “Descobri que os meus hábitos de leitura eram muito anglocêntricos. A maioria dos livros que lia eram de escritores britânicos e americanos, nunca lia traduções”, conta a autora por email. “Decidi passar um ano a ler um livro de cada país do mundo.”

A tarefa, pode imaginar-se, não foi fácil. Aos naturais constrangimentos de tempo – era preciso ler cada livro em menos de dois dias para atingir o objectivo de cumprir tudo num ano – houve também dificuldade em conseguir encontrar títulos de vários países. As ajudas chegaram através das redes sociais e do site criado pela autora (ayearofreadingtheworld.com), com vários escritores, tradutores e leitores a facilitarem o processo.

As nações africanas de expressão portuguesa, particularmente São Tomé e Príncipe, foram um grande desafio, já que “os países africanos francófonos e lusófonos têm muito pouca literatura traduzida”. São Tomé acabou por ser uma das experiências mais interessantes de todo o processo. Confrontada com a ausência de qualquer livro de ficção traduzido para inglês, e depois de muitas dicas de cibernautas, Ann Morgan acabou por comprar uma série de exemplares de “A Casa do Pastor”, livro de contos de Olinda Beja publicado pela Chiado Editora, e por reenviá-los para vários voluntários na Europa e nos Estados Unidos da América que se ofereceram para fazer a tradução propositadamente para este projeto, dando origem ao novo “The Shepherd’s House”. “Foi uma das mais extraordinárias experiências colaborativas que alguma vez tive o privilégio de testemunhar”, diz Morgan.

De Moçambique veio uma das boas surpresas desta maratona de leitura. “Ualalapi”, romance de Ungulani Ba Ka Khosa, foi a escolha pouco óbvia de Ann Morgan, num país com outros nomes grandes e traduzidos, como Mia Couto e Paulina Chiziane. “Estava a preparar-me para ler ‘A Varanda do Frangipani’, de Mia Couto, quando recebi um comentário no site em que me diziam que devia ler ‘Niketche’, de Paulina Chiziane, porque é um cliché ler apenas Mia Couto e ela precisa de mais atenção”, conta a autora.

Influenciada pela sugestão, e com vontade de fugir aos lugares comuns, Morgan contactou a Alfama Books em busca da tradução inglesa do livro de Chiziane. Só que a tradução nunca chegara a ser terminada, apesar de existir até uma capa do pretenso livro – a editora faliu antes de publicá-lo.

Foi o editor da Alfama, Richard Barlett, quem acabou por colocar esta aventureira dos livros no caminho de Ungulani Ba Ka Khosa, dizendo-lhe que tinha uma tradução inédita de “Ualalapi”, livro que consta da lista de 100 melhores obras africanas do século XX publicada pelo Modern Library Board dos EUA. “Ter sido uma das poucas pessoas que algumas vez leu este poderoso clássico em inglês foi um enorme privilégio. Deixou-me triste pensar em tudo o que devemos estar a perder na nossa pequena bolha da língua inglesa e fiquei zangada por a literatura moçambicana, que existe numa língua tão comumente falada como o português, não ser mais traduzida e lida.”

Portugal clássico

Quando chegou a hora de ler um livro português, Ann Morgan esteve tentada a escolher um dos romances do único Nobel da Literatura das nossas letras, José Saramago, mas, mais uma vez, os conselhos dos leitores e amigos que foram acompanhando o seu projeto conduziram-na a outras paragens e a uma das obras mais curiosas de Eça de Queiroz: “O Mandarim”. “Este livro foi-me emprestado por uma mulher portuguesa que trabalhava no Guardian, onde eu também estava nessa altura. Ela soube do que eu estava a fazer e deu-me o livro. Foi um dos primeiros livros que alguém me deu para este projeto e fiquei muito sensibilizada com esse gesto de alguém que não conhecia. Foi por isso que decidi lê-lo.”

Ao conhecer as desventuras da personagem Teodoro, que viaja até à China, Morgan deu de caras com um autor do século XIX que, no entanto, “tem uma frescura na linguagem que a faz parecer muito mais recente”.

A obra lida pela escritora britânica foi na verdade “The Mandarin and Other Stories”, com outros contos de Eça a juntarem-se ao texto principal. “O Eça é divertido e experimental, e delicia ao meter-se com os leitores em certas ocasiões, desafiando-os do mesmo modo que desafia as suas personagens”, continua Ann Morgan, que espera pegar noutra obra do autor de “Os Maias”. “Provavelmente em 2020, quando der conta do acumular de todas as outras coisas maravilhosas em que fui tropeçando durante esta tentativa de ler o mundo”, brinca.

Dos outros países lusófonos, o projecto Reading the World levou a autora britânica a títulos como “A Casa dos Budas Ditosos”, do brasileiro João Ubaldo Ribeiro; “O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo”, do cabo-verdiano Germano Almeida; “Unidade e Luta”, do guineense Amílcar Cabra; “O Assobiador”, do angolano Ondjaki; e “Crónica de uma travessia – A época do ai-dik-funam”, do timorense Luís Cardoso.

Foi aqui, no livro de Cardoso, que Ann Morgan encontrou aquilo que descreve como um dos melhores cruzamentos entre realidade e ficção. “The Crossing”, título da obra em inglês publicada pela Granta, é uma espécie de auto-biografia em que o autor hoje a viver em Portugal recorda a sua infância e adolescência. Ao mesmo tempo que torna a narrativa o mais pessoal possível, Luís Cardoso vai também pintando um fresco do passado recente muitíssimo conturbado de Timor-Leste. “Este livro é tanto sobre esquecer como sobre recordar. Enquanto o pai de Cardoso, traumatizado e exilado, molda a narrativa, o próprio Cardoso tenta reconciliar-se com as versões parciais de acontecimentos que encontra através das próprias memórias fragmentárias que tem da sua terra natal”, explica Ann Morgan. Para a autora, “The Crossing” é um livro “tocante, lírico e às vezes divertido sobre a busca de identidade numa terra que pôde apenas fugazmente ser chamada sua”. Cardoso consegue criar “uma obra de arte convincente a partir de um caleidoscópio de mudanças e de alianças pessoais e políticas”.

A grande China

Pensar em encontrar um livro das ilhas Comoro ou de Madagáscar que seja interessante e esteja disponível em inglês não pode ser uma tarefa fácil. E a certa altura percebe-se que Ann Morgan deixou cair o primeiro critério, da qualidade, para simplesmente conseguir encontrar um título que lhe permitisse seguir em frente.

No caso de nações como o Brunei e o Bahrain, o caso foi diferente: Morgan confrontou-se com histórias de escritores que, não tendo o inglês como primeira língua, decidem escrever em inglês para chegarem a maiores audiências. As insuficiências gramaticais e vocabulares encontradas em títuilos como “QuixotiQ”, de Ali Al Saeed, fizeram Morgan “valorizar ainda mais o papel das traduções”, para que escritores não se sintam compelidos a usar uma língua que não lhes é natural.

Se houve casos de escassez, houve naturalmente vários outros de fartura de opções, como por exemplo a China. “O meu conhecimento sobre literatura chinesa era praticamente inexistente, e fiquei muito feliz quando a tradutora Nicky Harman se ofereceu para me guiar por algumas opções”, prossegue Morgan. Depois de muita conversa e sugestões, a leitora escolheu “Banished!”, de Han Dong, um romance sobre uma família, a família Tao, banida da cidade de Nanjing e obrigada a recolher-se na aldeia de Sanyu no final dos anos 1960.

A trama de “Banished!” acompanha todas as mudanças na vida de uma família enredada nas teias do maoismo e “o resultado é uma narrativa comovente sobre o poder dos seres humanos para assumirem as suas identidades”, mesmo nas circunstâncias mais sombrias. “Há países como a Índia e a China onde o desafio é selecionar apenas um livro quando há tantas histórias maravilhosas por onde escolher”, conclui Morgan.

A vez de escrever

Ann Morgan não consegue eleger um livro ou um autor entre os muitos que leu, da América Latina ao Sudeste Asiático, nem mesmo entre os títulos portugueses que selecionou: “É impossível responder a isso. Direi apenas que há histórias extraordinárias e excepcionais, que mudaram a minha forma de pensar em muitos aspectos”.

Depois de um ano em que o mais importante foram a disciplina e a capacidade de dormir poucas horas para continuar a ler, a autora está agora a trabalhar no livro que reunirá todos os textos que escreveu sobre esta experiência e que será publicado em 2015. “Será uma obra sobre a minha busca e sobre explorar a ideia de leitura e de cultura mundial, e no que isso pode ensinar-nos sobre a vida e as pessoas que nos rodeiam.”

O próximo projeto de Ann Morgan mantém o espírito de partilha de conhecimento e de apelo a outras pessoas para que participem daquilo que está a fazer – tudo porque “muitos cérebros são melhores que um”. Chama-se “If Women Ruled” e pretende ser um retrato de grupos de mulheres à volta do globo, que ocupem diferentes posições e tenham diferentes papéis nas sociedades em que estão inseridas. O site já existe (ifwomenruled.com) e o lema também: “What if History was Herstory?”.

A leitura seria nociva à saúde?

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leitura, livros, criança

© RIA Novosti

Anna Fedorova no Voz da Rússia

Desde os tempos em que os seres humanos inventaram as letras, aprenderam a juntar elas em palavras e escrever livros, o debate sobre os benefícios ou prejuízos da leitura não perde a intensidade no mundo.

Em todas as épocas, nunca faltavam adeptos e defensores da leitura: todos os homens de ciência, monges e iluministas apoiavam unanimemente a leitura, insistindo na necessidade da última para a formação de cidadãos integralmente desenvolvidos, capacitados a dirigir o Estado e servir fielmente a Pátria. Os mais radicais deles afirmavam que aquele que não gosta ou não quer ler não pode crescer uma boa pessoa.

Seria assim? Seria verdade que o “homo legens” é o melhor componente da sociedade? Se a leitura traz benefícios ou apenas prejuízos?

Para a saúde do ser humano, uma leitura desmesurada é, incontestavelmente, nociva, afirmam os “inimigos de livros”. Em primeiro lugar, a maioria dos bibliófilos usam óculos, pois têm problemas de visão por lerem em condições de luz escassa, deitados na cama, durante viagens no metrô ou ônibus. Em segundo lugar, em muitos amantes de livros são observados a curvatura da coluna vertebral e, como consequência, dores nas costas, nevralgias do ciático, escoliose e outros males. Em terceiro lugar, os “devoradores de livros” levam a vida sedentária e, portanto, em muitos casos têm peso excessivo, engolindo com prazer não só livros mas também os conteúdos do frigorífico. Além disso, entre os amantes da leitura estão bastante difundidas as enfermidades como dores de cabeça de etiologia variada, distonia vegetativa vascular e distúrbios nervosos. E algo mais: a imunidade dos amigos da leitura costuma ser várias vezes mais débil do que a de seus antagonistas, porquanto as “brocas dos livros” ou “ratazanas livreiras”, como os chamam depreciativamente seus opositores, uma maior parte do tempo passam em ambientes fechados e pouco passeiam ao ar livre. Durante certas épocas, havia inclusive persecuções do público leitor. Esse hábito era considerado como nocivo, porque supostamente causava dano ao Estado, socavava a estrutura social e estragava o relacionamento com os poderes.

O que pensam os cientistas sobre o tema em questão? Especialistas franceses do Instituto Nacional da Saúde e das Pesquisas Médicas chegaram à conclusão de que a leitura, sendo um fenômeno relativamente recente na vida do gênero humano, obriga o cérebro a adaptar para seus objetivos as regiões responsáveis por controlar outros hábitos.

Os autores do experimento formaram um grupo composto por 63 portugueses e brasileiros, dos quais 11 eram analfabetos, 22 aprenderam a ler já na idade adulta e os restantes 30 frequentavam na infância a escola. Vale notar que os cientistas propositadamente não escolheram “estudantes universitários eruditos” que em pesquisas neurológicas comumente constituem o núcleo do voluntariado. O resultado obtido mostrou que os hábitos de leitura se desenvolvem a expensas da capacidade de identificar rostos humanos.

Uma outra equipe de estudiosos verificou que o intelecto, que dizer, a faculdade geral de adquirir conhecimentos e resolver problemas, a qual engloba em seres humanos todas as capacidades cognitivas – sensação, percepção, memória, representação, pensamento, imaginação – e a quantidade de livros lidos pelo indivíduo não estão relacionados de maneira alguma entre si. Com outras palavras, o indivíduo pode ler muito, porém os conhecimentos dele não se tornarão mais vastos com isso, especialmente se ele lê para se divertir ou passar o tempo.

No processo de leitura, o cérebro humano obtém informação. Todavia, esta última muito frequentemente não só é inútil para a vida e para o intelecto mas também carece de qualquer sistematização. Durante a leitura para entretenimento, a qual não pressupõe uma análise interpretativa do texto lido, o intelecto permanece inativo e, por conseguinte, não se desenvolve. A fim de manter a inteligência em estado ativo, é necessário, para além de ler, ainda resolver problemas analíticos de diversa índole, incluindo quebra-cabeças. Segue-se a seguinte conclusão: a despeito de ter lido muitos livros, o indivíduo pode ficar absolutamente inadequado para a vida real.

A excessividade, como se sabe, é nociva em qualquer assunto. Não devemos esquecer que a leitura é um dos melhores meios para obter a informação. Aliás, as formas e os objetivos para os quais utilizamos essa informação dependem plenamente de nós próprios. Como ler corretamente, com proveito para si mesmo e para a saúde? – este será o tema de nosso artigo a seguir.

Rival do Amazon Kindle, Kobo Touch é boa opção para ler e-books brasileiros

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Emerson Kimura, na Folha de S.Paulo

O mercado brasileiro de e-readers, os leitores de livros eletrônicos, carece de boas opções. A Livraria Cultura, em parceria com a Kobo, tenta mudar esse cenário.

A Kobo, que pertence à empresa japonesa Rakuten, é uma das principais marcas de e-reader do mundo. Seus aparelhos concorrem de igual para igual com os da Amazon (Kindle), os da Barnes & Noble (Nook) e os da Sony.

Na semana passada, a Cultura lançou no Brasil o Kobo Touch, modelo com tela sensível ao toque que foi anunciado nos EUA em maio do ano passado.

O Kobo Touch, leitor de livros eletrônicos (e-books) lançado no Brasil em parceria da fabricante com a Livraria Cultura, tem tela sensível ao toque

Leve (185 gramas) e compacto (11,4 x 16,5 x 1 cm), ele tem construção sólida e resistente, com uma agradável textura nas costas. O acabamento emborrachado garante uma pegada firme –o aparelho escorrega menos nas mãos. É vendido em quatro cores: preto, prata, lilás e azul.

Um botão na frente do aparelho, abaixo da tela, leva o usuário à tela inicial. Outro, no topo, serve para ligar, desligar ou colocar para dormir. Na parte inferior, há uma porta micro-USB, para conexão ao computador e carregamento da bateria. Um buraco na lateral esquerda serve como leitor de cartão microSD –recurso ausente no Kindle, que não permite aumentar o espaço de armazenamento.

O Kobo não tem botões físicos para mudar a página, o que é uma pena, pois eles facilitam o manuseio do aparelho com apenas uma mão. Botões laterais, como o do Kindle Keyboard e o do Nook Touch, permitem folhear o livro com a mesma mão que segura o e-reader –basta pressioná-los com o polegar. Sem eles, é necessário deslocar o polegar até a tela para mudar a página, o que não é trabalhoso, mas exige maior cuidado e esforço ao segurar o aparelho.

A resposta ao toque na tela costuma ser rápida, mas as falhas são frequentes. Felizmente, elas raramente ocorrem ao folhear o livro –são mais comuns ao digitar, selecionar palavras no meio do texto ou tocar ícones nos cantos da tela. A borda do aparelho, alta em relação à tela (devido à tecnologia de infravermelho usada para detectar os toques), também atrapalha o acesso aos comandos nos cantos, além de causar uma pequena sombra sobre a margem da página, a depender da iluminação ambiente.

PAPEL ELETRÔNICO

A tela do Kobo usa tecnologia de papel eletrônico E Ink, presente nos principais modelos de e-reader do mercado. Ela consome pouca energia, permite a leitura mesmo sob a luz do Sol, oferece bom ângulo de visão e, teoricamente, cansa menos os olhos do que telas de LCD, por exemplo. Por outro lado, tem baixa taxa de atualização, o que deixa animações e transições lentas e travadas.

Nos próximos parágrafos, falo um pouco mais sobre o E Ink. Se o assunto não lhe interessa, pule para o infográfico, mais abaixo.

Grosso modo, a tinta eletrônica da E Ink é formada por uma camada de microcápsulas que fica entre dois elétrodos (nesse caso, placas condutoras de corrente elétrica). Cada microcápsula tem o diâmetro de um fio de cabelo e leva em seu interior um fluido claro com partículas brancas (com carga elétrica positiva) e pretas (carga negativa) que se movem conforme a carga elétrica aplicada no elétrodo inferior.

Uma carga positiva no elétrodo inferior empurra as partículas brancas para o topo da microcápsula, deixando-as visíveis através do elétrodo superior, que é transparente –assim, a tela fica branca. Do mesmo modo, a aplicação de uma carga negativa faz com que as partículas pretas subam e escureçam a superfície da tela. A combinação dessas partículas pretas e brancas forma a imagem exibida pelo papel eletrônico.

Seu consumo de energia é baixo basicamente por dois fatores: ele não tem iluminação própria, e a retenção da imagem estática na tela não gasta energia.

Diferente de telas que são iluminadas com luz traseira (backlight), como as de LCD, o papel eletrônico é reflexivo, ou seja, reflete a luz ambiente –artificial ou natural (solar). Por não emitir a própria luz, ele supostamente cansa menos os olhos do usuário e consome menos energia, mas normalmente não é legível no escuro sem o auxílio de iluminação auxiliar.

Outras características comuns do papel eletrônico são o bom ângulo de visão, que permite uma boa legibilidade mesmo a partir de uma posição não perpendicular dos olhos em relação à tela; a baixa taxa de atualização, o que torna animações e transições –como mudanças de página– um tanto lentas; e o “ghosting” –tendência a exibir “fantasmas” (resquícios de uma imagem anterior)– geralmente solucionado com uma atualização completa da tela antes de formar a nova imagem. (mais…)

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