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Inspirado em trilogia de best sellers, “Divergente” chega hoje aos cinemas

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Inspirado em trilogia de best sellers, "Divergente" chega aos cinemas Paris Filmes/Divulgação

Zoe Kravitz e Shailene Woodley em ação no longa Foto: Paris Filmes / Divulgação

Dois primeiros volumes da série já venderam 100 mil exemplares no Brasil

Alexandre Lucchese, no Zero Hora

Ter um livro na lista dos mais vendidos é um grande feito para qualquer jovem escritor. Que dirá três best-sellers em sequência, todos já com adaptação garantida para as telas.

Essa é a história da americana Veronica Roth, 25 anos, autora do fenômeno literário da vez, a trilogia Divergente, que estreia nesta quinta-feira nos cinemas. Iniciada em 2011, a série já vendeu mais de 10 milhões de exemplares em 15 países e agora tenta repetir o sucesso com o primeiro longa-metragem da franquia. Há cerca de um mês em cartaz nos Estados Unidos, o filme dirigido por Neil Burger (de O Ilusionista) arrecadou mais de US$ 125 milhões em ingressos – o que não é um recorde, mas uma boa performance. Também no Brasil a expectativa é que o filme repita a boa trajetória de Crepúsculo e Jogos Vorazes, sagas que conquistaram jovens leitores devotados, o que acabou se refletindo nas bilheterias.

– Já esperávamos que o livro fosse um sucesso. No entanto, fomos pegos de surpresa pela intensidade da recepção do público – afirma Ana Martins Bergin, gerente do departamento infantojuvenil da Rocco, editora da saga literária no país.

A série acompanha a vida da Beatrice Prior (interpretada no cinema por Shailene Woodley, de Os Descendentes), jovem que mora nos escombros de Chicago num futuro distópico, em que as cidades foram devastadas por uma guerra global. Na busca de uma paz perene, a sociedade se dividiu em cinco facções, conforme as qualidades que deveriam cultivar: Abnegação, Amizade, Audácia, Erudição e Franqueza. Aos 16 anos, cada habitante deve escolher entre permanecer na facção dos pais ou renunciá-la. No caso de renúncia, eles jamais deverão retornar ao lar. A trama do primeiro livro, Divergente, flagra Beatrice às vésperas de fazer sua escolha.

Formada em escrita criativa na Universidade Northwestern, Veronica Roth prova que sabe combinar os ingredientes de uma boa saga para jovens adultos: distopia, ação e uma personagem frágil, que precisa aprender a fazer escolhas adultas. E, claro, não falta uma boa dose de romance, já que Beatrice se apaixona por Quatro (interpretado por Theo James, de Anjos da Noite – O Despertar), um enigmático e experiente mentor de sua facção.

Com bons cenários criados a partir das descrições do livro, o filme traz boas cenas de ação, derrapando apenas nas enfadonhas pausas para o açucarado romance.

– Não tenho dúvida de que Divergente aponta uma tendência forte no mercado, aberta com Crepúsculo e seguida com Jogos Vorazes. São livros de grande identificação com o público jovem adulto, mas que foram, de certa forma, negligenciados pelos grandes estúdios e tiveram sucesso com as produtoras independentes. Acredito que isso esteja gerando uma busca por novos autores – avalia Pedro Butcher, crítico de cinema especializado em pesquisa e análise de mercado.

A saga

Divergente (Rocco, 504 páginas, R$ 39,90) > Em um futuro distópico, a jovem Beatrice Prior vive em um mundo dividido em facções. A versão cinematográfica estreou nos EUA em 21 de março e arrecadou mais de US$ 125 milhões.

Insurgente (Rocco, 512 páginas, R$ 39,90) > Beatrice começa a melhor compreender os conflitos políticos e ideológicos na disputa pelo poder. No Brasil, os dois primeiros livros da saga já venderam mais de 100 mil exemplares.

Convergente (Rocco, 528 páginas, R$ 39,50) > Com o sistema de facções em ruínas, Beatrice precisa fazer novas escolhas. Lançado no Brasil em março, com tiragem inicial de 30 mil exemplares, o volume explica como o mundo foi devastado. Nos cinemas, Convergente será dividido em dois filmes.

 

Quatro (Rocco, no prelo)> Contos narrados pelo ponto de vista de Quatro, o par romântico de Beatrice. Previsto para ser lançado no Brasil em outubro, o livro configura uma trama complementar para os fãs da saga da história.

O desafio final da literatura jovem

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“Divergente” é mais um filme de ação baseado numa saga juvenil, gênero que conquistou o mundo – e começa a entrar em decadência

ADIANTADA A americana Veronica Roth (abaixo) assinou o contrato para adaptar a saga Divergente para o cinema antes da publicação do primeiro volume. O último volume, Convergente, sai agora no Brasil (Foto: Jaap Buitendijk)

ADIANTADA
A americana Veronica Roth (abaixo) assinou o contrato para adaptar a saga Divergente para o cinema antes da publicação do primeiro volume. O último volume, Convergente, sai agora no Brasil (Foto: Jaap Buitendijk)

Luís Antônio  Giron e Nina Finco, na Época

Em 2010, Veronica Roth tinha 21 anos e cursava o último ano da faculdade de letras na Northwestern University, de Chicago, quando assinou um contrato milionário com a editora HarperCollins, para publicar e adaptar para o cinema um romance que  ela ainda escrevia. “Foi chocante”, afirma Veronica. “Eu disse: ‘Vocês querem fazer isso com este livro?’. Mas vocês não sabem nem mesmo como ele vai terminar!” Nem precisava. O que Veronica produzira durante um curso de escrita criativa bastava para o agente literário encaminhar com confiança os originais – e obter a resposta imediata de um mercado sedento por produtos daquele tipo, que logo ganhariam um nicho de sucesso garantido, a literatura adulta jovem (Young Adult, ou YA), destinada ao público de faixa etária entre 15 e 25 anos. Tratava-se do primeiro volume inacabado de uma trilogia que tinha tudo para se tornar um megassucesso literário e cinematográfico: uma história ambientada no futuro sobre uma jovem, Beatrice “Tris” Prior, que se rebela contra uma sociedade controladora e hiperorganizada.

O primeiro romance, Divergente, forneceu o título à saga adolescente futurista e agourenta. Ele chegou às livrarias americanas em abril de 2011, com direito a uma enorme campanha promocional. Na semana de lançamento, o livro atingiu o sexto lugar da lista de livros mais vendidos do jornal The New York Times e se manteve nas primeiras posições por seis meses. Era o auge do sucesso de outras “sagas adultas jovens”, como Crepúsculo (2006-2008), de Stephenie Meyer, e Jogos vorazes (2008), de Suzanne Collins. Veronica foi então comparada às duas autoras que vendiam milhões de exemplares com seus romances seriados – e no caso de Stephenie atraía milhões de fãs ao cinema, com a adaptação da saga Crepúsculo, que estreara três anos antes, em 2008. Jogos vorazes chegou aos cinemas em 2012. Ambos foram sucessos de bilheteria.

Foto: Annie I. Bang/AP

Foto: Annie I. Bang/AP

Veronica seguiu as pegadas das colegas mais velhas. O segundo e o terceiro volumes de Divergente Insurgente e Convergente – viraram best-sellers nos Estados Unidos em 2012 e 2013, respectivamente. Boa parte do sucesso se deveu, segundo Veronica, às redes sociais e a centenas de blogs dedicados à saga espalhados pelo mundo – até no Brasil. A trilogia vendeu 10 milhões de exemplares nos Estados Unidos e foi lançada em 15 países. Os dois primeiros volumes atingiram 100 mil exemplares vendidos no Brasil. Agora, a saga estreia nos cinemas americanos, ao mesmo tempo que o último volume, Convergente (editora Rocco, 528 páginas, R$ 39,50, tradução de Lucas Petersen), sai em versão brasileira, com tiragem de 30 mil exemplares. O longa-metragem Divergente, dirigido por Neil Burger (de O ilusionista) e estrelado por Shailene Woodley (como Tris), está programado para entrar em cartaz no Brasil em 17 de abril.

O êxito da trilogia transformou Veronica em celebridade aos 25 anos. Ela nasceu em Nova York, cresceu em Hong Kong e na Alemanha e hoje mora em Chicago com o marido, o fotógrafo Nelson Fitch. Já não consegue andar pelas ruas. Sua presença é sempre notada, até porque é bonita e imponente com seu 1,82 metro de altura. Ela é a maior divulgadora da própria obra, pois mantém atualizados um blog, um Twitter e fan pages no Facebook. Ela prepara para julho um volume em e-book de contos em torno de Divergente, sob o ponto de vista do personagem Quatro, namorado de Tris. “No começo, achei difícil entregar minha obra para adaptação”, diz. “A partir do segundo volume, ela deixa de ser sua. Pertence ao leitor.”

O leitor se apossou facilmente do fenômeno. Para o estudante Claudio Silva do Carmo, de 16 anos, um dos responsáveis pelo blog e fã-clube Sagas Brasil, que abriga todos os tipos de séries de livros e filmes para jovens, o sucesso de Divergente se deve à base sólida dos fãs de fantasia, que começaram a gostar do gênero por causa da série Harry Potter, de J.K. Rowling. “Nosso objetivo é fugir do mundo real e nos transformarmos em mil mundos”, diz. “De bruxos, distópico ou qualquer outro onde possamos viver aventuras ou até mesmo nos emocionar.”

Divergente observa o modelo de estrelato iniciado com a série Harry Potter: a combinação de histórias seriadas, lançadas em vários volumes para alimentar a expectativa do público e, em seguida, repetir o ciclo no cinema, com direito a uma extensão e à participação das autoras como consultoras do filme. No caso de Harry Potter, os sete romances viraram oito filmes. Os leitores acostumados a acompanhar Potter logo abraçaram as sagas jovens. A tetralogia Crepúsculo foi filmada em cinco longas-metragens. A trilogia Jogos vorazes chegará a quatro partes no final de 2015. O mesmo deverá ocorrer com Divergente, embora Veronica não confirme: “Mesmo que estejam fazendo esse tipo de plano, fico na posição de espera para ver no que vai dar”.

Quanto ao conteúdo, as sagas jovens também são regidas pela repetição e saturação (leia no quadro abaixo). Segundo João Luis Ceccantini, especialista em literatura infantil e juvenil da Universidade Estadual Paulista (Unesp), as sagas começam bem para cair na monotonia. “O primeiro livro é mais interessante, depois os outros ficam repetitivos”, afirma. “O autor tem uma boa ideia, mas a indústria cultural quer estender o material ao máximo. Ao transformar a literatura numa fórmula, a qualidade acaba diluída.” Para Ceccantini, acontecem repetições flagrantes de saga para saga. “Todas as histórias têm narrativas lineares, seguem uma linguagem muito direta e fazem uso do personagem adolescente arquetípico – com tom heroico, mas também características transgressoras.”

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Esse tipo de trama busca envolver os adolescentes em desafios e dilemas típicos da idade: escolhas profissionais, iniciação sexual, atitudes a assumir diante da família e da vida nova na idade adulta. É diferente do romance juvenil às antigas, ingênuo e voltado para aventuras e lições rudimentares de moral. As sagas jovens abordam questões políticas e existenciais. É o caso de Tris Prior, de Divergente. Aos 16 anos, ela descobre num teste vocacional que não se enquadra em nenhuma das cinco facções em que a sociedade totalitária em que vive se divide: Abnegação, Amizade, Audácia, Erudição ou Franqueza. A divisão resultou de uma decisão governamental de eliminar a luta de classes. A única luta possível é das virtudes. Tris, como qualquer adolescente atual, se vê jogada ao mundo, tem de tomar decisões que marcarão sua vida, mesmo sem estar equipada para o desafio. Exatamente como Katniss Everdeen, de Jogos vorazes. A semelhança não passa de uma coincidência, segundo Veronica, já que ela diz que pensou em sua história sem considerar a de Suzanne Collins. “Se querem comparar com Jogos vorazes, tanto melhor, porque é uma história incrível”, afirma Veronica. “Mas não acredito que o fenômeno se repetirá com Divergente, já que Jogos vorazes era algo inesperado.”

As perspectivas de sucesso para Divergente no cinema são pouco otimistas. Os números das adaptações para o cinema dos últimos dois anos de romances jovens adultos mostram que a tendência é o esgotamento do gênero (leia no quadro abaixo). “A cobrança pelo sucesso é dolorosa e injusta”, disse a produtora Lucy Fisher à revista Entertainment Weekly. “Recebemos ligações de colegas  que trabalham com material jovem adulto, que dizem: ‘É melhor vocês não ferrarem com a gente’. Se não fizermos sucesso, será terrível para o gênero, ainda que nossa pretensão seja apenas fazer um bom filme, que fuja dos lugares-comuns e das etiquetas”.

Divergente fornece material para a especulação sobre o fim do ciclo de sucesso da literatura jovem adulta. Talvez a saga seja o canto do cisne desse tipo de história. Os chavões que Divergente traz se repetiram tanto nos últimos tempos, que os fãs podem ver tudo como algo que nada tem a ver com eles: em vez do escapismo, a previsibilidade.

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Companheiros do Crepúsculo chega ao Brasil

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Fantasia e história se misturam nesse clássico da nona arte mundial

Francisco Costa no Diário da Manhã

929-zoom_20130627110448No final do ano passado, chegou às livrarias brasileiras pela editora Nemo um dos mais aclamados quadrinhos já produzidos. Trata-se da HQ, Os Companheiros do Crepúsculo, do francês François Bourgeon. A comics é uma aventura ambientada da idade média, que entrelaça em seu enredo uma boa dose de fantasia.

A trama é divida em três capítulos. São eles O Sortilégio do Bosque das Brumas, Os Olhos de Estanho da Cidade Glauca e O Último Canto das Malaterre. Além do tom fantasioso, a coletânea traz cenas cotidianas, uma pega erótica e lutas sangrentas – tudo embalado no brilhante traço detalhadíssimo e inspiradíssimo do autor.

Desde que foi lançada, Os Companheiros do Crepúsculo levaram quase 30 anos para chegar em nossas terras. A edição brasileira traz os três volumes originais no estilo formatão 24 x 32, com o total de 240 páginas. Fernando Scheibe traduziu o material, que tem preço sugerido de R$ 94.

Obra

A cada leitura, o material de Bourgeon é capaz de revelar um novo aspecto, mesmo que despercebido a princípio. A obra traz um raro realismo visto em histórias em quadrinhos – mesmo com o tom de fantasia. É possível verificar um retrato fiel do cotidiano da época, explicitado em lutas entre nobres e plebeus, além de toda a violência presente durante a chamada Guerra dos Cem Anos.

O foco da trama é retratado por meio de três personagens. A primeira delas é a jovem e bela Mariotte. A bonita moça foi criada pela avó feiticeira. Ela é sempre maltratada pelos moradores da vila onde nasceu. O segundo deles é Anicet. Ele é, também, um jovem, porém, vive a atormentar a jovem donzela.

Por fim, o terceiro personagem de destaque na trama é um misterioso cavaleiro, cujo rosto é deformado. Ele tem a consciência pesada por se sentir culpado pela morte de seu único amor e uma maldição que o torna uma marionete das três forças que regem o universo: a branca, a vermelha e a negra.

Trama

A vila de Mariotte e Anicet acaba sendo destruída por uma tropa de soldados que andavam a ermo pela floresta. Como os dois não sabem o que fazer, decidem seguir o misterioso cavaleiro, que está em sua busca contra as forças do mal.

O improvável trio acaba seguindo caminho junto. Durante sua jornada, enfrentam uma série de obstáculos, como camponeses mal informados com a destruição provocada pela guerra, pequenos duendes e servos das forças do mal.

A narrativa de Bourgeon é repleta de sinais, enigmas, simbologia, além de misterios. Mas mesmo com a pegada complexa, ele leva o leitor em uma viagem a idade média, com enredo que mistura ficção e história. O material é uma bela pedida para quem curte o tema de fantasia medieval.

Quem curte livros como O Senhor dos Anéis ou O Nome da Rosa, pode apreciar este material. Vale ressaltar, que enquanto ainda era publicada, entre 1984 e 1991, a revista rendeu ao autor prêmios no Festival d’Angoulême e na Espanha.

O autor

O quadrinista François Bourgeon nasceu em 1945 em Paris e se formou como artista de vitrais. Porém,sua paixão por desenhos alterou o curso de sua carreira.

As primeiras ilustrações do artista foram publicadas em revistas na década de 1970. Quando a saga Os Passageiros do Vento foi serializada na revista Circus em 1979, esta se tornou reconhecida como uma das mais importantes séries em quadrinhos de sua época.

Os títulos de Bourgeon variam de temas náuticos e medievais à ficção científica, com características intensas de violência e sexualidade. Suas obras épicas giram sempre em torno de personagens femininas fortes. Isa, Mariotte e Cyann são as heroínas de cada uma de suas séries: Os Passageiros do Vento, Os Companheiros de Crepúsculo e A Saga Cyann, respectivamente.

François Bourgeon é apontado como um pesquisador minucioso e seus desenhos, desde os navios do século XVII até o vestuário do século XIV, têm a reputação de rigor histórico. Atualmente, ele vive na Cornualha, na Bretanha.

Prêmios do autor

1980: Melhor artista do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, França

1985: Prêmio FM-BD do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, França

1988: Indicado para Melhor HQ Longa e Melhor Desenhista no Prêmio Haxtur, Espanha

1991: Prêmio do Público do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême para Le dernier chant des Malaterre

1998: Prêmio Ozone, pela história em quadrinhos Le Cycle de Cyann-Six saisons sur IlO

1998: Prêmio Angoulême Alph-Art du Public pela HQ Le Cycle de Cyann-Six saisons sur IlO

“Cinquenta tons de cinza” se torna febre entre os jovens ao redor do mundo

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Nova trilogia da literatura erótica (divulgação)


Gabriel Machado, no A Crítica

Alguns o consideram uma versão mais pesada do bestseller mundial “Crepúsculo”, outros já o acham uma tentativa desesperada de emplacar a próxima sensação da literatura juvenil. Fato é que não se fala em outra coisa: o livro “Cinquenta tons de cinza” se tornou uma febre ao redor do mundo e tem tudo para seguir os passos dos gigantes “Harry Potter” e “Jogos vorazes”.

A obra, escrita pela britânica E.L. James, não possui bruxinhos, jovens revolucionários ou vampiros. Pelo contrário, ela acompanha as aventuras sadomasoquistas de Christian Grey e Anastasia Steel, um executivo e uma estudante que firmam um acordo pouco comum: ele pede à garota que assine uma espécie de contrato, no qual ela concorda em desempenhar um papel de “submissa” numa série de “atividades eróticas”.

“Eu gostei muito do livro, mas reconheço que o seu conteúdo é bastante pesado e que possui cenas de sexo desnecessárias”, comentou a arquiteta Maria Margareth Pimentel, que leu a primeira parte da trilogia – completada por “Cinquenta tons mais escuros” e “Cinquenta tons de liberdade” – logo que ela saiu nos EUA, em março.

Apesar dos comentários dos fãs, que classificam a obra como “revolucionária”, o erotismo está longe de ser novidade na literatura. Ao longo dos anos, nomes como Marquês de Sade, Nelson Rodrigues e Sidney Sheldon também já abordaram o tema em seus livros. “Na verdade, o erotismo pode estar presente em várias obras. O conto de Machado Assis ‘Uns Braços’, por exemplo, descreve um rapaz que é seduzido pelos braços desnudados de uma senhora”, exemplificou Lajosy Silva, professor de Língua Inglesa e Literatura na Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Erotismo x Pornografia

Uma das polêmicas que cerca a trajetória de “Cinquenta tons de cinza” é o excesso de cenas de sexo, apimentadas por uma grande leva de descrições detalhadas. O que nos deixa a questão: onde termina o erotismo e começa a pornografia? Existe diferença entre os dois?

Segundo Lajosy, o primeiro está ligado ao sensorial e à sugestão do desejo, enquanto o segundo é a mera exposição da sexualidade nua e crua, sem floreios. O professor, responsável por lançar uma coleção de obras eróticas no ano passado, como parte do projeto “Clube do Autor”, porém, faz uma ressalva: “O que separa esses elementos tem mais a ver com os valores morais estabelecidos pela sociedade e o senso comum que se atribui a essas duas palavras”.

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