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Como ajudar seu filho a ser um apaixonado pelos livros

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Se os pais gostam de ler, a tendência é a criança desenvolver esse hábito também desde cedo. Veja mais dicas

Paula Strange, na Gazeta Online

Quando a gente vê uma criança com os olhos vidrados na telinha do celular ou do tablet, imagina que deve ser difícil convencê-la a abrir um livro. Felizmente, vemos por aí uma garotada que mal aprendeu a ler e já ama literatura.

São meninos e meninas que descobriram cedo a companhia dos livros e se divertem com doces personagens, como porquinhos, lobos, princesas e dragões. Um universo que aprenderam a explorar desde bebês, graças a seus pais e professores.

A pequena Maria Clara fazendo leitura com seus pais, Letícia Nalin Lemos e Luis Gustavo Britto Vieira

Contadora de histórias há 15 anos, Dalisa Miranda garante que as páginas são capazes de encantar bebês de colo ainda. “Até os dois anos e idade, contamos historinhas com enredos bem simples e até sem enredo. Basta ter um livro com ilustrações interessantes e caprichar na entonação”, diz ela, que atua em escolas de educação infantil em Vitória.

Imaginação

Nem sempre é preciso ter um livro em mãos, segundo Dalisa, para envolver os pequenos nesse mundo de imaginação: “Os adultos podem usar histórias que já conhecem e incrementá-las como quiserem”, indica.

Não é de hoje que médicos receitam livros para os pequenos pacientes. Em 2015, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou uma campanha para divulgar a importância da leitura para o desenvolvimento infantil, divulgando evidências científicas sobre o impacto desse hábito na vida das crianças.

No ano passado, o jornal “Pediatric Academic Societies Meeting” publicou uma pesquisa que apontou que a proximidade das crianças com os livros ainda na primeira infância pode aumentar as habilidades delas com o vocabulário e a leitura nos anos seguintes.

Para o jornalista e escritor infanto-juvenil Vitor Lopes, a leitura é um exercício bom para ser praticado em família mesmo. “Crianças cujos pais leem têm de tudo para se tornarem leitoras”, afirma ele, autor de “Encolhe, tempo”, lançado em 2011 e que teve mais de 20 mil exemplares vendidos.

Os adultos, diz o autor, não devem subestimar os pequenos leitores. “Eles gostam de bons conteúdos, independente da idade. Não dá para enganar a criança, que têm que ser tratada com respeito intelectual. O livro não precisa ter um texto bobo, infantiloide. O ideal é que tenha palavras que ela não conhece. Porque é um desafio mesmo. A arte é feita para desafiar. Isso desde cedo. O livro prepara para a vida!”, destaca.

Na casa da Maria Clara, de 9 anos, os livros têm um lugar especial. “Antes de nascer ela já tinha livros! Livro de morder, de levar para o banho… E ela foi se habituando e foi uma das primeiras da turma a aprender a ler”, conta a mãe da menina, a arte-educadora Letícia Nalin Lemos, 40 anos.

Mesmo livrinhos de tecido ou borracha já ajudam a criança a descobrir o prazer de ler e ouvir histórias, segundo Lopes: “Há bons livros de banheira, com boas ilustrações, cheios de cores. Parece simplório, mas não é”.

O importante é estimular de várias formas o contato literário. “O livro tem que estar presente em casa, mesmo que seja para decoração, um objeto para ficar visível”, sugere o escritor.

Acesso

“Maria Clara sempre teve livros à disposição, tudo que a gente entendia que era importante para a vivência dela. Achamos que a leitura é importante para o lado cognitivo, ajuda na formação da cidadania, no imaginário, a ter opinião, ganhar argumentos”, comenta o pai, o servidor público Luis Gustavo Britto Vieira, 35 anos.

“Gosto muito de ler! E cada dia tem que ser uma história diferente”, diz o esperto Nycolas que, aos 6 anos, já tem uma coleção de livros em casa.

 

É uma exigência que os pais dele não hesitam em atender. Por isso, todas as noites, antes de ir dormir, tem historinha. Todas as noites mesmo! Até o último dia do ano, Nycolas terá escutado 365 histórias diferentes.

“Às vezes, estamos muito cansados e falamos que é para deixar pra outro dia. Mas o Nycolas vai para o quarto chorar e só para quando vamos lá fazer a leitura”, conta a mãe do menino, Sandra Canal, que é professora de educação especial e diretora de uma escola em Pedra Azul, Domingos Martins.

Sandra e o marido, o eletricista e instrutor de rapel Naudimar Fernando, se revezam na tarefa. Acontece também de os dois irem juntos para a sessão de leitura com o pequeno. “Aí, um lê a história e o outro fica ouvindo”, diz a professora.

No ano passado, eles leram 260 histórias para o filho. “Queremos bater o recorde este ano. O Nycolas é quem escolhe as histórias. Pego livros na biblioteca da escola onde trabalho. E tem que ser sempre um novo. Ele não aceita história repetida!”, conta a mãe.

Incentivo

A hora da historinha na cama é um momento especial para toda a família. “Ele ‘abraçou’ essa ideia desde pequeno, e a gente incentiva”, comenta Naudimar.

Nem ele nem a esposa tiveram esse contato íntimo com livros na infância. Oportunidade que eles se orgulham de poder dar ao filho único. “Tenho certeza que ele vai gostar de ler quando for adulto. É um hábito que está se perdendo. O que vemos hoje são as tecnologias no lugar dos livros. Há crianças viciadas. Nycolas tem tablet, adora joguinhos. Mas tem dia e hora para usar”, afirma Sandra.

 

Dicas

Colecione livros e benefícios

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, entre os benefícios da leitura na primeira infância estão:

Fortalecimento do vínculo da criança com quem lê para ela

Desenvolvimento da atenção, concentração, vocabulário, memória e o raciocínio

Estímulo à curiosidade, imaginação e criatividade

Ajuda a criança a perceber e a lidar com os sentimentos e as emoções

Auxilia na boa qualidade do sono

Estimula o desenvolvimento da linguagem oral

Solte seu lado artista

Não basta ler um livro. Ao contar uma história, capriche na entonação, na empolgação. Imite os sons dos bichos, faça vozes diferentes para cada personagem ou cada emoção nova, gesticule bastante, cante se for preciso. Invente as próprias histórias. Bebês e crianças pequenas precisam disso para se atentar na história

Tenha livros em casa

Estudos mostram que quantos mais livros a família tiver em casa, mais desenvolvida será a linguagem da criança no futuro. E não é só ter livros em casa, mas mostrar ao filho que todos leem. Ele tende a seguir o exemplo

Estimule a leitura

Pais que têm livros em casa e os lêem já dão exemplo. Mas vá além: leve a criança para visitar bibliotecas e livrarias. Leve-a para assistir uma contação de histórias com outras crianças

Menos tv, celular e tablet

Não que seu filho não possa ter contato com essas tecnologias. Mas estabeleça um limite para o uso delas, com dia e hora certos. Ofereça livros diferentes sempre que possível, mostre como eles são interessantes. Ou use a tecnologia a seu favor: o tablet pode conter e-books incríveis

Dê livros de presente

Em vez de só comprar brinquedos, que tal presentear também com livros. Uma dica legal também são os serviços de assinatura de livros para crianças, que enviam os exemplares de acordo com a faixa etária dela

Crie rotina de leitura

Mesmo que seu filho seja um bebê, crie o hábito de ler sempre para ele. À medida que for crescendo, estabeleça momentos para a leitura em família: pode ser no café da manhã, antes de ir dormir

Sem pressão

O momento da leitura tem que ser prazeroso. Não force a criança a ler um livro porque você acha que ela tem que ler. Vá com calma. Respeite o gosto dela por determinados temas ou gêneros de leitura

Menos trigonometria, mais pensamento crítico: Especialista do MIT sugere estratégias contra ‘passividade’ de alunos

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Jennifer Groff defende ensino mais baseado em habilidades e competências do que em disciplinas tradicionais (Foto: Arquivo pessoal)

Jennifer Groff defende ensino mais baseado em habilidades e competências do que em disciplinas tradicionais (Foto: Arquivo pessoal)

Jennifer Groff, pesquisadora-assistente do Laboratório de Mídias da universidade americana, defende mais flxibilidade em sala de aula para incorporar jogos, projetos e se livrar de antigas disciplinas desconectadas da realidade dos estudantes.

Publicado no G1 [via BBC Brasil]

Disciplinas de pouca aplicação prática e ensino de conteúdo distante do contexto real são prejudiciais aos alunos por ensiná-los a pensar de um modo linear, que não os prepara para o mundo. É o que diz a especialista americana em educação Jennifer Groff, pesquisadora-assistente do Laboratório de Mídias (Media Lab) do MIT (sigla em inglês para o Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Groff é autora de estudos sobre ensino personalizado, inovações em sistemas de aprendizagem e uso de jogos e tecnologias em sala de aula.

Em entrevista à BBC Brasil em São Paulo, onde atuará como diretora pedagógica da escola Lumiar, Groff faz coro ao crescente número de especialistas internacionais que defendem um ensino mais baseado em habilidades e competências do que em disciplinas tradicionais.

Ela também defende que a mudança na base curricular brasileira (documento do Ministério da Educação atualmente em fase de consulta pública) é uma oportunidade para dar flexibilidade para que professores possam adotar jogos, brincadeiras e projetos em sala de aula.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

BBC Brasil – Uma das áreas que você estuda é aprendizagem por jogos. O que, na sua experiência, tem funcionado ou não em termos de jogos em sala de aula?

Jennifer Groff – Em nosso laboratório, buscamos jogos que envolvam (o aluno) em experiências e permitam a imersão em um conceito – em vez de um jogo que simplesmente o instrua a fazer uma tarefa.

Por exemplo, para ensinar a tabuada, brincadeiras com blocos permitem às crianças perceber que “dois blocos mais dois formam quatro”.

Não gostamos de jogos em que o aluno completa quatro perguntas de matemática para ganhar o direito de atirar em alienígenas e em seguida, “ok, a brincadeira acabou, é hora de resolver mais uns problemas de matemática”.

Tentamos ajudar os professores a verem o valor de um aprendizado mais voltado à brincadeira, explorando um tópico em vez de “encher” a cabeça dos alunos com ideias.

Videogames comerciais também podem ser usados de modo eficiente. Civilization e Diplomacy já foram usados por bons professores como ferramenta para engajar os alunos em temas como negociação, por exemplo. (…) E (é importante) deixar as crianças liderarem (o processo), deixar que elas sejam professores também.

BBC Brasil – Muito tem sido dito sobre o aprendizado não mais centrado no professor, e sim nos alunos. É a isso que você se refere?

Groff – Exatamente. Muitos dos jogos que desenvolvemos no nosso laboratório são criados para serem jogados socialmente, em grupos – somos seres sociais e não construímos conhecimento em isolamento.

Fazemos com que essa experiência individual e coletiva seja o centro (do aprendizado), e o professor (tem de) criar um ambiente dessas experiências para as crianças e, talvez depois, avaliar essas experiências – mais do que comandar um plano de aula.

BBC Brasil – O que tem sido mais eficiente nas transformações dos ambientes de aprendizagem nas escolas?

Groff – Sabemos por pesquisas e por escolas (bem-sucedidas) que o bom aprendizado é centrado no estudante, que constrói seu próprio conhecimento socialmente.

Em muitos currículos, temos aquela aula de 45 minutos de matemática, por exemplo, e (os estudantes) nem sequer sabem por que estão aprendendo matemática. Os estudantes não a recebem (o conteúdo) em contexto.

E contexto é algo poderoso – projetos, problemas, conceitos do mundo real. As escolas em que vejo um aprendizado mais robusto são as que trabalham nesses parâmetros (…) baseados em competências.

A questão é que (historicamente) não sabíamos como medir o desempenho dos alunos em grande escala, então os dividimos em séries com base em suas idades, todos aprendendo a mesma coisa ao mesmo tempo.

Hoje vemos que isso não ajuda muito. Entendemos hoje que o aprendizado é orgânico, individualizado, diversificado, e no entanto o jeito como gerenciamos nossas escolas não reflete isso.

Por isso que tem ganhado muita atenção o modelo de aprendizado baseado em competências – por exemplo, pensamento crítico e outras habilidades, em vez de dividir (as aulas) artificialmente em matérias.

BBC Brasil – E como conciliar isso com um modelo tradicional de provas e avaliações?

Groff – Esse é o problema. As avaliações são apontadas há muito tempo como o maior problema na educação, e com razão. Como muitos modelos são atados a elas, acaba sendo o rabo que balança o cão. (O ideal), em um futuro próximo, é a avaliação estar inserida no sistema de modo que as crianças nem sequer percebam (que estão sendo avaliadas).

Avaliações são essencialmente feedback, e todos precisamos de feedback.

Uma das razões pelas quais me interessei pelo aprendizado por jogos é que (…) um bom jogo consegue (via algoritmos) coletar o tempo todo dados dos usuários e se adaptar com base nisso (ou seja, compreender o que o aluno já aprendeu e sugerir-lhe conteúdo que complemente suas deficiências de ensino).

BBC Brasil – Nesse modelo, como saber o que cada criança precisa aprender até determinado estágio?

Groff – Não deveríamos colocar tais expectativas sobre as crianças, do tipo “até esta idade elas precisam saber isto”.

Provavelmente deve haver zonas de alerta – devemos nos preocupar se até determinada idade a criança não souber ler ou escrever, por exemplo.

Mas um dos problemas da educação é a expectativa de que todos os alunos (aprendam uniformemente), e não é assim que funciona.

Queremos que eles sigam seus interesses, que é de onde virá sua motivação, e temos de coletar dados para saber em que ponto eles estão em termos de competências.

Há um mapa de competências ainda em desenvolvimento (pelo MIT Media Lab). (…) São grandes áreas de domínio, como pensamento crítico, pensamento sistemático (levar em conta múltiplas opções, prever consequências e efeitos), pensamento ético, ou outras habilidades. Até mesmo matemática, línguas.

É possível medir esse desenvolvimento em crianças, assim como é possível acompanhar um bebê aprender a se mexer até ser capaz de correr.

Com essas medições, professores não precisariam (aplicar) provas, e sim permitir que os alunos tenham uma experiência de aprendizado poderosa e depois simplesmente monitorá-la.

BBC Brasil – Como avaliar matemática nesse contexto?

Groff – Passei meu ensino médio aprendendo álgebra, geometria, trigonometria, pré-cálculo e cálculo. E e não uso a maioria dessas coisas hoje. É algo totalmente inútil para a maioria dos estudantes, que acabam deixando de aprender coisas como finanças, estatística, análise de dados – e vemos dados diariamente, mas não sabemos tirar sentido deles.

A matemática é um grande exemplo de disciplina que precisamos olhar sob uma perspectiva de competência. Não precisamos de uma sociedade repleta de matemáticos, mas sim de pessoas com competência de equilibrar seu orçamento pessoal, calcular seus impostos.

BBC Brasil – Você mencionou pensamento ético. Como habilidades sociais como essa podem ser ensinadas?

Groff – De forma geral, é (levar em conta) múltiplas perspectivas sociais. Quanto mais você conseguir olhar (algo) da perspectiva de muitas pessoas e tomar decisões com base nisso, mais éticas serão suas decisões.

O MIT tem um jogo chamado Quandary (dilema, em tradução livre), que coloca as crianças em um mundo fictício com vários cenários em que não há uma resposta certa ou errada, mas sim decisões a tomar e consequências. É um exemplo desse aprendizado mais divertido e contextual.

Se entrarmos em uma escola tradicional e pedirmos ao professor que ensine pensamento ético, ele provavelmente não vai ter nem ideia de como fazer. E um jogo é perfeito para isso – brincando em cenários fictícios em vez de tendo uma aula. (…) A maioria das inovações ocorre justamente em escolas onde há liberdade para brincar.

BBC Brasil – É possível implementar esse ensino por competências em um país tão grande quanto o Brasil?

Groff – Com certeza. (…) A Finlândia, por exemplo, jogou fora seu currículo inteiro, porque quer que suas escolas sigam essa direção e viu que uma das maiores barreiras são essas estruturas rígidas do currículo.

BBC Brasil – O Brasil também está mudando sua base curricular. Quais os principais desafios e oportunidades disso?

Groff – O maior desafio é ter mais do mesmo, com uma roupagem diferente. Mas para qualquer país que reforme seu currículo há uma grande oportunidade: o documento pode moldar o dia a dia do aprendizado nas escolas. (…) Eu daria (esse documento) a professores de escolas públicas e perguntaria a eles se o modelo os convida a ensinar de um modo diferente.

As pessoas subestimam o impacto dessas estruturas, que são uma grande oportunidade de mudança. Por exemplo, em uma visita ao Reino Unido, vi que escolas da Escócia estavam adotando o ensino baseado em projetos (em que alunos realizam projetos multidisciplinares, em vez de aula tradicionais) e me disseram que isso só foi possível porque o novo currículo permitiu.

BBC Brasil – Você se aprofundou nas dificuldades do ensino brasileiro? O que vê como maiores desafios?

Groff – Não sei muito ainda, então não posso falar em termos específicos. Mas, globalmente, todos os sistemas educacionais estão tentando fazer que suas escolas sejam transformadoras – e uso essa palavra intencionalmente porque (a busca) é por um formato totalmente diferente.

No Centro para a Redefinição de Currículos (organização internacional cofundada por Groff), um dos trabalhos é ajudar os países a fazerem grandes mudanças nos documentos oficiais: tire (do currículo) aquele ano de trigonometria, você não precisa dele.

A maioria dos países tem medo de se livrar dessas antigas disciplinas e não percebe o impacto negativo que isso tem em seus alunos. Precisam pensar com mais coragem sobre a questão de habilidades e competências.

Tantas crianças nas escolas são tão passivas, absolutamente desengajadas, desmotivadas, e isso faz mal a elas. Estamos treinando-as a pensar de um modo linear e achatado, que não as prepara para o mundo. É mais crucial do que nunca pensar em como romper esse ciclo.

BBC Brasil – Vivemos em uma época em que ideias podem ser reforçadas por “fake news” e por algoritmos que conseguem expor usuários de redes sociais a conteúdos selecionados. Como ensinar pensamento crítico nesse ambiente?

Groff – É um ótimo exemplo de como, se colocamos as crianças em ambientes de aprendizado em que elas não são desafiadas a controlar suas próprias decisões, elas nunca vão refletir sobre essas questões.

Você quer que as crianças vão à escola para simplesmente obedecer e entrar na fila, ou quer um ambiente fértil em que elas floresçam como agentes no mundo?

Você não pode esperar que, em um ambiente em que as crianças têm de apenas obedecer, aprendam a ser cidadãos engajados e conscientes.

‘Como eu era antes de você’ é o livro mais vendido no Brasil em 2016

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Cena da adaptação cinematográfica de 'Como eu era antes de você' (foto: Alex Bailey/Warner Bros)

Cena da adaptação cinematográfica de ‘Como eu era antes de você’ (foto: Alex Bailey/Warner Bros)

 

Obra de Jojo Moyes vendeu mais de 350 mil exemplares. ‘O diário de Larissa Manoela’ aparece à frente de ‘Harry Potter e a criança amaldiçoada’ em ranking

Publicado no UAI

Levantamento feito pelo site PublishNews, especializado no mercado editorial brasileiro, apontou que o best-seller Como eu era antes de você, da britânica Jojo Moyes, foi o mais vendido dos livros no Brasil em 2016.

Como eu era antes de você, publicado pela editora Intrínseca, vendeu 352.330 unidades no ano passado, número fortalecido pela adaptação cinematográfica. A continuação, Depois de você, ficou com o terceiro lugar da lista com 228.073 exemplares vendidos. O segundo lugar ficou com Ruah, do Padre Marcelo Rossi, com 228.232 exemplares.

Em quarto lugar ficou a obra O diário de Larissa Manoela, da atriz mirim Larissa Manoela com 178.936 livros. O livro da saga do bruxo mais famoso do mundo, Harry Potter e a criança amaldiçoada, considerado o oitavo livro da série idealizada por J.K Rowling, ficou em quinto com pouco mais de 170 mil livros vendidos, o que pode ser considerado um tremendo sucesso já que a obra (a versão brasileira) foi lançada em outubro.

Confira a lista completa:
1 – Como eu era antes de você, Jojo Moyes (Intrínseca) – 352.330
2 – Ruah, Padre Marcelo (Principium) – 228.232
3 – Depois de você, Jojo Moyes (Intrínseca) – 228.073
4 – O diário de Larissa Manoela, Larissa Manoela (HarperCollins Brasil) – 178.936
5 – Harry Potter e a criança amaldiçoada, J.K Rowling (Rocco) – 170.130
6 – AuthenticGames, Marco Túlio (Astral Cultural) – 144.053
7 – Orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares, Ransom Riggs (LeYa) – 133.776
8 – Ansiedade, Augusto Cury (Saraiva) – 129.580
9 – A coroa, Kiera Cass (Seguinte) – 110.899
10 – Muito mais de 5inco minutos, Kéfera Buchmann (Paralela) – 104.548
11 – Dois mundos, um herói, RezendeEvil (Suma de Letras) – 101.730
12 – Segredos da Bel para meninas, Bel/Fran (Única) – 99.565
13 – Grey, E.L James (Intrínseca) – 99.008
14 – O poder da ação, Paulo Vieira (Gente) – 98.298
15 – Philia, Padre Marcelo (Principium) – 97.957
16 – O diário de Anne Frank, Mirjam Pressler/Otto H.Frank (Record) – 95.315
17 – Lava Jato, Vladimir Netto (Primeira Pessoa) – 80.931
18 – O homem mais inteligente da história, Augusto Cury (Sextante) – 78.965
19 – Herobrine: A lenda, Pac e Mike (Geração Jovem) – 78.233
20 – A garota no trem, Paula Hawkins (Record) 77.581

Ler para uma criança fortalece os vínculos afetivos com ela

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A leitura dos adultos para as crianças fortalece os vínculos e ajuda a formar a personalidade.

A leitura dos adultos para as crianças fortalece os vínculos e ajuda a formar a personalidade.

 

Estreitar o relacionamento é um dos grandes benefícios da leitura

Publicado em O Globo

Além de estimular habilidades cognitivas e intelectuais, a leitura traz benefícios sociais e emocionais para quem compartilha a história. Ouvir narrativas na primeira infância, isto é, de zero a seis anos, contribui para melhorar o relacionamento entre a criança e o adulto, estreitando vínculos fundamentais para o desenvolvimento infantil pleno e saudável.

A formação da personalidade está diretamente ligada a este relacionamento entre a criança e o adulto. Por isso, vale a participação dos pais, avós, professores e cuidadores oferecendo a leitura para as crianças e aproveitando o momento de forma alegre e prazerosa. Para a coordenadora de Mobilização Social da Fundação Itaú Social, Cláudia Sintoni, os adultos devem inclusive escolher livros pelos quais também se interessem.

“O maior benefício da leitura é esse vínculo, esse afeto, essa relação que está sendo criada mediada pelo livro”, diz Cláudia.

Para que a experiência seja realmente de troca, e não vire uma leitura automática, o adulto deve ter em mente que a disponibilidade importa mais do que o tempo. Por exemplo, passar 15 minutos todos os dias lendo com a criança é mais efetivo do que forçar um momento de leitura, ou querer ler uma história até o fim quando a criança não está disposta.

“O livro tem que estar ali fácil, e fazer parte da rotina. Tem de ser na hora que for gostoso para os dois, e os dois aproveitarem esse momento. Por isso que a gente fala que o vínculo é o mais importante”, lembra Cláudia.

Momento para relaxar

Como a leitura representa um momento de troca de afeto entre adulto e criança, é importante que aconteça naturalmente. Muitas vezes, os pais ficam preocupados por ter pouco tempo em sua rotina, e acabam criando uma barreira que desmotiva a leitura.

Para resolver isso, Cláudia dá uma dica: pais que trabalham muito o dia inteiro podem experimentar a leitura como um momento de descontração, e até mesmo antiestresse.“A gente fala para o adulto que a primeira coisa é ele ter esse pensamento, de que poder ser muito bom e muito gostoso para ele também. Pode ser um presente para o adulto”, diz Cláudia.

A importância de ler para uma criança

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Acostumada com as histórias desde bebê, Catarina fica empolgada quando a mãe pega os livros para ler - Rodrigo Oliveira Santos

Acostumada com as histórias desde bebê, Catarina fica empolgada quando a mãe pega os livros para ler – Rodrigo Oliveira Santos

 

Atividade contribui para o desenvolvimento de forma integral durante a infância, apontam estudos

Publicado em O Globo

Catarina é aquele tipo de criança que não para. Corre, dança, pula, canta e está sempre ligada. É somente na hora de ouvir uma história que a menina, às vésperas de completar três anos, desacelera. É ao lado da mãe, a advogada Caroline Andriotti, que Catarina diminui o ritmo para escutar seus contos favoritos.

– Quando ela percebe que vou ler algum de seus livros, fica empolgadíssima. Nos momentos emocionantes da história, chega a pular na cama. E quer sempre que eu repita os trechos que mais gosta – relata Caroline.

Acostumada a ouvir histórias desde os três meses de idade, Catarina tem uma relação de amor e intimidade com os livros. Além de ‘brincar de ler’ para as bonecas, ela faz a seleção do que a mãe vai ler para ela mais tarde. Os títulos adultos e infantis ficam no mesmo móvel, o que leva a pequena a folhear obras variadas, como a coletânea do Tolstói.

Talvez esteja um pouco cedo para o escritor russo entrar no hall de livros de Catarina, mas todas as histórias são fundamentais para o seu desenvolvimento. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a leitura desde a gestação e criou até a campanha “Receite um Livro”, baseada em evidências de que o desenvolvimento cerebral é afetado positivamente por esse hábito.

Uma pesquisa recente da Academia Americana de Pediatria comprovou a estreita relação entre a leitura e o desenvolvimento pleno de habilidades como pensar, falar e aprender. O estudo testou crianças com idade de 3 a 5 anos, que ouviram uma história contada por um adulto. As crianças que já tinham o hábito da leitura em casa tiveram maior ativação de áreas do cérebro relacionadas à criação de imagens mentais e compreensão da narrativa. Em outro estudo, conduzido pela Fundação Nacional de Leitura Infantil dos Estados Unidos, comprovou-se que crianças com contato com os livros desde bebês se tornam adultos mais confiantes e preparados não apenas para os estudos, mas para a vida como um todo.

Ver o mundo

Para a consultora em educação Beatriz Gouveia, a leitura de histórias amplia a visão de mundo e afeta diretamente o comportamento da criança. Segundo Beatriz, ela pode ser realizada por professores durante o período escolar, mas tem um valor diferente quando acontece em família:

– Quando os pais escolhem um livro que liam na infância, por exemplo, compartilham também um pouco da sua experiência.

Assim, o filho tem a chance de ver o mundo pelos olhos do autor, mas também pelos olhos de seus pais. Entre os benefícios da leitura, apontados por Beatriz, está a melhora na observação e no entendimento das relações sociais vividas pela criança.

As narrativas abrem as possibilidades de dialogar com o fantástico mundo da fantasia. O livro pode ajudar, inclusive, em questões delicadas vividas na infância.

– Hoje temos livros infantis que abordam experiências mais sombrias e melancólicas. Morte, separação e até depressão estão presentes em narrativas bem construídas, que fazem sentido para os pequenos. Não são simples encomendas pedagógicas, mas boas histórias.

Ajuda na fase dos porquês

Enxergar novos mundos também influencia na construção da linguagem. Desde muito cedo, a criança já compreende a diferença na voz e expressão corporal dos pais. A voz que conta uma história tem uma entonação diferente, o rosto muda. Nessas horas, vale entrar de cabeça na experiência, que deve ser divertida para todos.

– É interessante ter uma rotina de leitura, mas precisa ser um momento em que pais e filhos estejam disponíveis para essa atividade. A gente se torna leitor aos poucos, não de um dia para o outro.

Uma vez enraizado, esse hábito rende frutos. Um deles é a expansão no vocabulário infantil, que se enriquece com novas expressões, muitas vezes características da linguagem escrita. Para Caroline Andriotti, os livros são uma ajuda e tanto na fase dos porquês, em que Catarina quer explicação para tudo:

– Outro dia estávamos lendo e surgiu a palavra “malcriada”. Ela perguntou: “mãe, o que é malcriada?”. Respondi que é uma pessoa que faz bobeira. Ela pensou um segundo e respondeu: “Então eu sou malcriada, mamãe?” – relembra.

Malcriada nada, Catarina. Sapeca, traquina, arteira e travessa são novas palavras dos livros que têm muito mais a ver com você!

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