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Thais Bilenky, na Folha de S.Paulo

As férias nas creches municipais terminam nesta quarta-feira (4), mas diferentes mães que não conseguiram matricular os seus filhos tentam agora se conformar e adiar a volta ao trabalho.

A espera por uma vaga em centros de educação infantil da prefeitura chegou ao recorde de 188 mil em novembro –o dado mais atualizado da Secretaria de Educação. Outras 230 mil crianças de zero a três anos estão matriculadas na rede municipal.

O prefeito Fernando Haddad (PT) prometeu criar 150 mil novos postos no ensino infantil até o fim de 2016, mas chegou à metade do mandato com 42 mil entregues. O secretário de Educação, Gabriel Chalita, disse que a ampliação dessas vagas será a prioridade de sua gestão.

Patrícia Oliveira, 33, é auxiliar em um consultório médico. Sua licença-maternidade vence em fevereiro, mas ela não tem com quem deixar a filha Sofia, de três meses.

“A gente quer trabalhar, mas não tem como. As creches são difíceis de pegar. A família vai ficar no aperto.”

Com salário de R$ 900, Patrícia não quer matricular Sofia na creche particular próxima à sua casa, cuja mensalidade é de R$ 600.

“Não vai sobrar nada do meu salário. É melhor ficar em casa cuidando dela e rezar para ser chamada pela creche. Ou fazer o que o pessoal fala, entrar com pedido na Justiça”, afirma Patrícia.

Em 2012, mais de 7.600 crianças foram matriculadas na rede pública por decisão judicial. Em 2014, foram quase 18 mil. Com isso, a fila de espera anda mais devagar.

Renata Barbosa, 21, e o marido, Wellington Ângelo, 21, estão desempregados. Sem uma vaga em creche para Isaac, de seis meses, eles dizem que estão dando um “jeitinho”, gastando a reserva e contando com a ajuda da família.

Renata afirma que, 15 dias depois de ser contratada, foi despedida da sorveteria onde trabalhava porque o chefe soube que estava grávida.

“Vou tentar arrumar emprego e colocar ele numa creche particular.”

Se não conseguir, afirma, a saída será voltar ao Rio Grande do Norte, onde mora a família de Renata.

A creche que ela buscou para Isaac, a Claret, em Santa Cecília, no centro de São Paulo, tem mais de 150 crianças à espera de vaga; outras 122 estão matriculadas.