Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged crianças

Você entende o hino brasileiro? Veja versão explicada da letra

1

Bruno Molinero, na Folha de S.Paulo

O hino brasileiro pode ser difícil de entender para adultos e crianças.

Afinal, o que é um “lábaro estrelado”? O que significa “fulguras”? Quem é o “impávido colosso”?

Veja versão explicada do hino abaixo.

hinoexplicado

Mais estudo e menos tempo ao ar livre resultam em mais gente de óculos

0

Jairo Bouer, no UOLoculos300

Um grande estudo populacional comprovou a tese de que níveis mais altos de escolaridade resultam em uma prevalência maior de miopia. Publicado na revista científica Ophthalmology, da Academia Americana de Oftalmologia, a pesquisa demonstra que, quando se trata do assunto, fatores ambientais superam a genética.

A miopia tem se tornado cada vez mais frequente no mundo, causando impacto na saúde e na economia. Os quadros mais graves são a principal causa de deficiência visual, e estão associados a risco de descolamento na retina, degeneração macular, catarata precoce e glaucoma.

Só nos EUA, 42% da população sofre de miopia. E o aumento do número de casos em países desenvolvidos da Ásia chegou a 80% nos últimos anos, o que reforça a tese de que fatores ambientais  – como hábito mais frequente de leitura e uso do computador – exercem um papel importante.

Os pesquisadores, do Centro Médico da Universidade de Mainz, avaliaram a ocorrência de miopia em mais de 4.600 alemães com idades entre 35 e 74 anos, excluindo aqueles que tiveram catarata ou passaram por cirurgia refrativa.

Os resultados do trabalho, batizado de Estudo de Gutenberg, mostram que a miopia foi mais frequente nos indivíduos com melhor nível de escolaridade:  53% dos indivíduos formados em universidades apresentaram o problema. Já entre aqueles que não chegaram a cursar faculdade, a prevalência foi de 35%. E entre os que não terminaram o colégio, de apenas 24%. A equipe também descobriu que cada ano a mais de estudo aumenta o risco de miopia.

Além disso, os autores do estudo analisaram o impacto de 45 marcadores genéticos associados à miopia na mesma população, mas concluíram que o nível de escolaridade teve um impacto mais forte na ocorrência do problema.

O antídoto para o aumento dos casos pode ser simplesmente estimular atividades ao ar livre, segundo os oftalmologistas. Nos últimos anos, estudos feitos com crianças e adultos jovens na Dinamarca e em países asiáticos mostraram que a maior exposição à luz natural foi associada a um risco menor de ter miopia. Fica a dica aos estudantes.

Aulas no hospital motivam crianças durante tratamento

0

1417355

NATÁLIA CANCIAN

Em um dos corredores da ala de internação pediátrica do Instituto do Coração, no Hospital das Clínicas da USP, uma porta de vidro esconde a sala de aula. Na parede, há um quadro escolar, letras do alfabeto e desenhos.

Ao centro, uma mesa, e nos arredores, carteiras escolares e caixas repletas de livros. Foi ali que a reportagem encontrou Isabella, 7, vestida de “uniforme” colorido e pantufas, fazendo exercícios de tabuada ao lado da professora.

Era a primeira vez que a menina, que se recuperava de uma cardiopatia, voltava ao local após uma cirurgia.

Além da sala de aula, as atividades nas 60 classes hospitalares de São Paulo podem ocorrer nos leitos e, em alguns casos, até na UTI –onde Isabella iniciou as atividades.

“Ela não comia, chorava. Só ficava feliz quando a professora aparecia”, conta a mãe, Camila Chidiquimo, 31.

Para a mãe, a iniciativa deu tão certo que a menina topou até fazer uma prova de geografia, enviada pela escola, para concluir o semestre.

Apesar de estar sem colegas em sala naquele momento, Isabella não era a única estudante do hospital.

No dia em que a reportagem visitou o local, Camille, 11, que passou por um transplante duas semanas antes, encarava atividades de interpretação de texto na UTI.

Ao lado, estava o leito de Giulia, 7, que veio do Rio após descobrir uma cardiopatia, em março. “Guerreira”, como é definida pela mãe, colocou um coração artificial até passar por um transplante. No percurso, sofreu um AVC.

Agora, a professora a ajuda, aos poucos, a reaprender a escrever –a menina está recuperando os movimentos. O caderno fica na mesinha colocada em cima da cama.

Emocionada, a mãe, a advogada Cíntia Paiva, comemora a volta aos estudos. “Isso nos tem ajudado a retomar as atividades, porque a vidinha dela estacionou”, relata.
cuidados

Participar das aulas na UTI e nos outros espaços, porém, depende de autorização da equipe médica, que avalia as condições da criança. Psicólogos também acompanham.

“O trabalho é feito até onde a situação clínica permite”, conta a psicóloga Denise Bachi, coordenadora das classes no Incor.

Para a professora Pâmela Priole, 27, as aulas –que no Incor vão das 13h às 17h, com duração variável– ajudam a motivar as crianças durante o tratamento. “É uma ligação com a vida deles lá fora”, diz.

O difícil, segundo ela, é adaptar-se à realidade de cada aluno –há dias em que ela planeja seis aulas diferentes.

Há ainda outras dificuldades. A principal delas, segundo a professora Giulianna Tedesco, 32, é lidar com a possibilidade da morte da criança. Já um dos maiores benefícios é ajudá-la a retomar o gosto pela escola. “É gratificante.”

Fonte: A Folha

Um livro para aprender a amar a leitura

0

O trabalho apaixonado de um designer e um escritor para ensinar crianças a gostar de ler

Danilo Venticinque, na Época

Uma das ilustrações de John Alcorn em Livros! (Pequena Zahar, 56 páginas, R$ 34,90) (Foto: Divulgação)

Uma das ilustrações de John Alcorn em Livros! (Pequena Zahar, 56 páginas, R$ 34,90) (Foto: Divulgação)

Ensinar a ler não é o suficiente para criar um país de leitores. Prova disso são os milhões de jovens e adultos alfabetizados que, por falta de hábito ou de incentivo, passam meses inteiros sem abrir um livro. Quem não conhece alguém que tenha esse comportamento, em qualquer profissão ou classe social? Pior: quem de nós nunca engrossou essas estatísticas ao deixar a leitura de lado num momento de distração e depois perceber, envergonhado, que não lê nada há dias?

A paixão pela leitura é tão importante quanto a alfabetização. Deveria ser aprendida na infância. Há, porém, algo de misterioso nela. Ensiná-la é muito mais difícil do que mostrar a um aluno como as letras se juntam. São incontáveis os pais e professores que frustram futuros leitores por oferecer o livro errado na hora errada – ou por não oferecer livro nenhum.

Ler o livro certo na idade certa é uma experiência transformadora, capaz de formar um leitor para a vida inteira. Mas o que seria um livro certo? Como transmitir, em letras e imagens, o amor pela literatura? Foi esse o desafio que uniu, em 1962, o designer americano John Alcorn e o escritor Murray McCain.

>> Mais colunas de Danilo Venticinque

Livros! (Pequena Zahar, 56 páginas, R$ 34,90), recém-lançado no Brasil, é o resultado dessa parceria. Com uma linguagem simples, ilustrações chamativas e um projeto gráfico ousado, a obra consegue explicar, em poucas páginas, tudo o que a leitura tem de fascinante. Há explicações bem-humoradas sobre o processo de edição de um livro, o caminho que ele percorre da cabeça do autor até a prateleira da livraria e o papel do leitor nisso. Outro destaque são as divertidas listas de palavras divididas em categorias: palavras difíceis, palavras alegres, palavras tristes e palavras para pensar. Entre uma brincadeira visual e outra, parágrafos curtos expõem diferentes motivos para gostar de ler. “O livro é como um outro quarto, ou outra cidade, ou outro mundo, onde alguém está querendo falar com você”, escreve McCain.

Ao final da leitura, os jogos de palavras e as ilustrações dificilmente falharão em seu objetivo: convencer qualquer leitor, da criança recém-alfabetizada ao adulto preguiçoso, a agarrar o livro mais próximo e ler com prazer. Com sua proposta inocente e direta, Livros! é uma obra que merece ser revisitada de vez quando, sempre que a paixão pela leitura começar a fraquejar. O amor pelos livros, como qualquer outro amor, corre o risco de morrer se não for demonstrado – e, quando o perdemos, nos tornamos um pouco menos humanos. “Tudo o que sabemos dos antigos – quem eram e o que faziam e como viviam – está em um livro. Certos livros tratam de coisas que aconteceram cem anos atrás. E alguns tratam de coisas que podem acontecer depois de amanhã. De qualquer jeito, um livro lhe dirá se você quiser saber. O mundo inteiro está nos livros.” A lição de Alcorn e McCain é tão simples quanto aprender a juntar as letras. Seria ótimo se todos a aprendessem.

Cortella: ‘A escola passou a ser vista como um espaço de salvação

0

O filósofo, educador e professor Mario Sergio Cortella alerta que as famílias estão confundindo escolarização com educação; para ele, pais devem retomar seu papel

Bia Reis no Estado de S.Paulo

SÃO PAULO – As expectativas das famílias em relação às escolas e o que elas oferecem – ou são, de fato, capazes de ofertar – está em descompasso. De um lado, há adultos cada vez menos presentes, seja pelo excesso de trabalho, pelos longos deslocamentos nas megalópoles ou até pela falta de paciência, que esperam que a escola ensine o conteúdo obrigatório e eduque os seus filhos. Do outro, as instituições se desdobram para dar conta de uma infinidade de disciplinas regulares e ainda são cobradas a disciplinar os alunos e abordar temas considerados pertinentes. Tudo em quatro horas diárias.

Nunca tivemos tanta agressividade dos alunos contra docentes’, afirma Cortella - Ricardo Chicarelli/Estadão Ricardo Chicarelli/Estadão Nunca tivemos tanta agressividade dos alunos contra docentes’, afirma Cortella

Nunca tivemos tanta agressividade dos alunos contra docentes’, afirma Cortella – Ricardo Chicarelli/Estadão
Ricardo Chicarelli/Estadão
Nunca tivemos tanta agressividade dos alunos contra docentes’, afirma Cortella

As críticas são feitas pelo professor, educador e filósofo Mario Sergio Cortella, que lança nesta semana o livro Educação, Escola e Docência – Novos Tempos, Novas Atitudes. “As famílias estão confundindo escolarização com educação. É preciso lembrar que a escolarização é apenas uma parte da educação. Educar é tarefa da família. Muitas vezes, o casal não consegue, com o tempo que dispõe, formar seus filhos e passa a tarefa ao professor, responsável por 35, 40 alunos.”

Cortella, que há 16 anos não escreve livros na área educacional, fará dois lançamentos de Educação, Escola e Docência, ambos seguidos de palestras. O primeiro será para docentes, no dia 22, na feira Educar/Educador 2014, no Centro de Exposições Imigrantes. O segundo, para o público em geral, ocorrerá em 10 de junho, no Teatro Tuca, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

A seguir, Cortella fala sobre a necessidade de uma parceria entre escolas e famílias, o impacto da tecnologia e como tornar as aulas mais atraentes.

O senhor fala em métodos de ensino do século 19, docentes do século 20 e alunos do século 21. É possível resolver o descompasso?

A escola tem de ficar em estado de prontidão para acompanhar uma parcela das mudanças, que acontecem de forma extremamente veloz. Isso porque nem tudo o que vem do passado tem de ser levado adiante. A escola precisa distinguir o que vem do passado e deve ser protegido, ou seja, o que é tradicional, daquilo que precisa ser deixado para trás porque é arcaico. Autoridade docente, atenção ao conteúdo e formação de personalidade ética são valores tradicionais. A escola tem de estar atenta às mudanças tecnológicas, mas não se submeter a elas. Vou dar um exemplo. Imagine se em 2004, quando foi criado o Orkut, uma escola criasse um projeto pedagógico baseado nessa rede social. Como um projeto pedagógico demora 10, 12 anos para ser aplicado na sequência de seriação, hoje ele já estaria obsoleto. Já pensou se quando o pen drive foi lançado outra escola tivesse decidido que todos os alunos deveriam organizar seus materiais nesse formato, que, chegou-se a dizer, substituiria a mochila? Hoje, nenhum jovem usa pen drive: eles guardam tudo em nuvens. Portanto, o que digo é que a escola tem de ficar atenta ao novo, mas não ser refém.

Cada vez mais a aprendizagem ocorre fora do espaço escolar. O que é preciso fazer para conquistar o aluno quando tudo fora da escola parece mais interessante?

Vou te dizer uma coisa que parece óbvia: Ninguém deixa de se interessar por aquilo que interessa. Nós temos de saber o que interessa ao aluno para, a partir daí, chegar ao que é necessário. É preciso conhecer o universo circunstancial dos alunos: as músicas que eles estão ouvindo, o que estão assistindo de programas e vendo de desenho animado, para chegar à seleção do conteúdo científico necessário. Temos de partir do universo vivencial que o aluno carrega para chegar até aquilo que de fato é necessário acumular como cultura produzida pela humanidade. Hoje, a escola não pode ser extremamente abstrata, como no meu tempo. O conteúdo tem de ser conectado com o dia a dia.

O que as escolas precisam fazer para encantar as crianças?

É preciso incorporar o que elas já fazem. A geração anterior, de quem já tem mais de 30 anos, só se comunicava pelo telefone. Esta geração de crianças e jovens voltou a escrever – no Facebook, no Twitter, no WhatsApp, em blogs. A escola tem de aproveitar essa produção. Alguns até dirão que eles escrevem errado. Claro, todo mundo escreve errado antes de escrever certo. Podemos partir de uma escrita que não está no padrão para chegar à norma culta.

Conversando com pais e professores, a impressão é de que estão insatisfeitos. As famílias se queixam das escolas e as escolas, dos pais. O que acontece?

Antes de mais nada, não estamos diante do crime perfeito, em que só há vítimas. Temos autor também. E essa autoria é multifacetada. A escola foi soterrada nos últimos 30 anos com uma série de ocupações que ela não dá conta – e não dará. Em uma sociedade em que os adultos passaram a se ausentar da convivência com as crianças, seja por conta do excesso de trabalho, da distância nas megalópoles ou da falta de paciência para conviver com aqueles que têm menos idade, a escola ficou soterrada de tarefas. As famílias confundem escolarização com educação. É preciso lembrar que a escolarização é apenas uma parte da educação. Educar é tarefa da família. Muitas vezes, o casal não consegue, com o tempo de que dispõe, formar seus filhos e passa a tarefa ao professor, responsável por uma classe de 35 ou 40 alunos, tendo de lidar com educação artística, religiosa, ecológica, sexual, para o trânsito, contra a droga, português, matemática, história, biologia, língua estrangeira moderna, etc, etc, etc. A escola passou a ser vista como um espaço de salvação.

E como resolver a questão?

A família precisa retomar o seu papel, porque ter filho dá trabalho. Ou será que as pessoas não sabiam? Existe tempo, aplicação, reordenamento, partilha das tarefas. A escola não tem como dar conta de tudo o que dela hoje se requisita. Quando há um linchamento, querem que a escola fale sobre linchamento. O mesmo ocorre com briga em estádios, corrupção, etc. E nem adianta o pai ou a mãe dizer: “A gente paga, a gente quer o serviço”. É preciso uma parceria entre a escola e as famílias. Uma ideia é manter, como algumas instituições fazem, uma escola de pais, com reuniões periódicas para ajudar as famílias na reflexão.

De que maneira a convivência reduzida das famílias com os filhos afeta a escola?

Nunca tivemos tanta agressividade dos alunos contra os docentes. Parte das crianças fica sozinha, come se quiser, vai de perua para a escola e quase não encontra adultos. Se é de classe média, o único adulto que ela encontra é a empregada, para quem ela dá ordem. Não há uma estrutura da disciplina. O primeiro adulto que ela encontra no dia é o professor, que pergunta cadê o uniforme, você fez a tarefa, guarde o celular. Claro que nessa hora a criança vem para cima. É uma geração que confunde desejos com direitos. É preciso uma educação que seja mais firme, mas isso exige tempo, e tempo é questão de prioridade.

 

Go to Top