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Saiba como organizar a leitura dos livros cobrados nas provas da Fuvest e Unicamp

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Leitura obrigatória: lista da Fuvest e Unicamp cobra nove livros para o vestibular 2015 (Thinkstock)

Leitura obrigatória: lista da Fuvest e Unicamp cobra nove livros para o vestibular 2015 (Thinkstock)

Lista de obras vale para os dois principais vestibulares do país. Começando nesta semana, dá para ler tudo até o fim do ano sem aperto, garante especialista

Bianca Bibiano, na Veja

Os organizadores da Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest) e da Fuvest, que organizam, respectivamente, os vestibulares da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo (USP), ainda não anunciaram as datas das provas, mas já confirmaram a lista de livros obrigatórios. As nove obras exigidas nas provas de seleção para 2015 serão as mesmas do último ano.

Para ajudar os estudantes a se organizarem, o site de VEJA.com fez um guia de leitura em parceira com o Anglo Vestibulares. Começando nesta semana, os candidatos aos dois maiores processos seletivos do país terão tempo suficiente para ler — e compreender — as obras literárias.

De acordo com o professor de literatura Fernando Marcílio, é possível dividir a leitura em três grupos de livros, começando pelo romantismo, passando pelo realismo e terminando com o modernismo. “A ordem não é obrigatória, mas ajuda o estudante a compreender a relação do movimento literário com o período histórico, o que facilita a análise das obras”.

Considerando que os livros exigidos têm uma média de 200 páginas cada, a estimativa é que o estudante leia um livro por mês. “Se o candidato ler 10 páginas por dia, ele vai gastar cerca de 40 minutos com leitura, o que não é muito pesado para a rotina”, afirma Marcílio. O professor recomenda a leitura nos dias úteis, deixando o fim de semana para recuperar os possíveis atrasos.

A única exceção da lista é a obra Sentimento do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade. De acordo com Marcílio, em vez de separar um mês só para ela, o candidato pode lê-la ao longo do ano. “Por ser uma compilação de poemas, o estudante pode fazer da obra seu livro de cabeceira, lendo um ou dois poemas por semana”.

Ao final de cada livro, a sugestão é que o estudante busque fazer seus próprios resumos da obra e também procure questões de vestibulares anteriores para entender o que pode ser cobrado. “Esse material pode ser recuperado na véspera do vestibular para revisão”, explica.

A leitura de resumos das obras é completamente desaconselhável, frisa Marcílio. “O estudante que só lê o resumo não consegue entender as questões do mesmo modo que outro que leu a obra inteira, uma vez que as perguntas são interpretativas e, com frequência, com alto nível de dificuldade”.

Viagens na Minha Terra

A obra do português Almeida Garrett publicada 1846 abre a lista de leitura para os vestibulares da Fuvest e Unicamp e também inicia o bloco de três livros do romantismo que são cobrados nas questões. Com cerca de 250 páginas, pode ser lido em até cinco semanas, considerando 10 páginas por dia. A leitura é densa, por isso mantenha o ritmo e tente usar alguns finais de semana para tentar ler mais páginas, assim dá para ler tudo sem ficar mais de um mês em uma obra. A narrativa, considerada a única expoente do romantismo português, ajuda a compreender a decadência do império de Portugal. A história é composta por dois eixos narrativos: no primeiro, o narrador faz relatos de suas viagens pelo país, intercalando citações literárias, filosóficas e históricas. Já o segundo eixo, que é interposto no meio dos relatos de viagem, conta o drama amoroso que envolve cinco personagens. A trama amorosa tem como pano de fundo as lutas entre liberais e miguelistas (1830 a 1834) e as personagens funcionam na narrativa como uma visão simbólica de Portugal. Apesar se ser cronologicamente mais antiga que as outras duas obras do romantismo presentes na lista, Viagens na Minha Terra já traz traços do realismo, movimento predominante no segundo bloco de leitura.

Memórias de um Sargento de Milícias

Segunda obra do romantismo no bloco de leitura, o livro de Manuel Antônio de Almeida retrata a vida do Rio de Janeiro no início do século XIX e traz pela primeira vez na literatura nacional a figura do malandro. A trama se difere das de outros romances porque foi escrita em folhetins e por vezes os capítulos nem sempre se relacionam entre si. O romance conta a história de Leonardo, filho de Leonardo-Pataca e Maria das Hortaliças, que se conheceram em uma viagem de navio. O casal se separa após Leonardo-Pataca descobrir a traição de mulher. Leonardinho, como passa a ser chamado o filho do casal, é adotado então pelo padrinho, que deseja que o afilhado se torne padre. A vocação religiosa, porém, não faz parte dos anseios do garoto, que conforme cresce torna-se cada vez mais uma caricatura do malandro carioca: vive sem trabalho fixo e sempre em busca de aventuras amorosas. Em uma dessas andanças, encrenca-se com um major e é salvo pela madrinha, que faz um trato com o militar: Leonardinho se tornaria o sargento de milícias do título. O livro tem 192 páginas e dá para ser lido em menos de um mês.

Til

Publicada em 1892, o livro de José de Alencar faz parte do conjunto de obras da fase regionalista do autor, junto com O Gaúcho, O Sertanejo e Tronco do Ipê. A narrativa conta a história de Berta, que recebe o apelido Til, filha bastarda de um fazendeiro do interior de São Paulo. A personagem é a típica heroína romântica de alma bondosa que se sacrifica pelos outros. Filha de um encontro amoroso entre Besita e o fazendeiro Luis Galvão, a menina passa a ser criada por nhá Tudinha após Ribeiro, marido de Berta, descobrir que a mulher o havia traído. As personagens de Til são arquétipos da sociedade brasileira do século XIX: os escravos, os aristocratas, o povo pobre. A sociedade da época estava estruturada basicamente em duas camadas sociais: de um lado os aristocratas, grandes latifundiários e escravocratas, e de outro lado estavam os escravos e a gente humilde do campo. O livro de 250 páginas encerra a sequência de obras do romantismo.

Memórias Póstumas de Brás Cubas

A obra de Machado de Assis publicada em 1881 abre o bloco de livros do período do realismo. O livro mudou radicalmente o panorama da literatura brasileira por trazer um narrador que conta sua vida depois de morto. A história descreve a vida de Brás Cubas, herdeiro de uma rica família do Rio de Janeiro que depois de morto decide contar suas aventuras, expondo de forma irônica os privilégios da elite do fim do século XIX. Após um romance frustrado com Marcela, uma prostituta de luxo, o pai de Brás manda o jovem estudar em Coimbra. Com diploma em mãos, ele retorna ao Brasil, mas continua usufruindo dos privilégios da família sem trabalhar. Com a narração em primeira pessoa, o narrador conduz o leitor por sua visão de mundo, seus sentimentos e o que pensa da vida. A maiora das edições do livro tem 220 páginas, podendo ser encontrado também em versão de bolso.

O Cortiço

A obra de Aluísio Azevedo de 1890 também aparece na lista como um dos grandes expoentes do realismo. A história tem como cenário uma habitação coletiva e difunde as teses do naturalismo, doutrina que tinha grande prestígio na Europa à época e que explica o comportamento humano com base na influência do meio, da raça e do momento histórico. O romance é considerado uma peça-chave para entender o Brasil no final do século XIX por apresentar a ideologia e as relações sociais do período. O foco inicial da narrativa é João Romão, o dono do cortiço, um português ambicioso que explora todos a sua volta e chega até a roubar. É o protótipo do “capitalista explorador”. Paralelamente, surgem retratos dos moradores do cortiço, destacando-se Rita Baiana, Jerônimo, Capoeira Firmo e Piedade. Suas vidas são determinadas pelo dia-a-dia da moradia coletiva, um ambiente insalubre e em certa medida promíscuo. O livro com 370 páginas é o mais longo da lista, por isso, nesse fase é recomendável tentar aumentar o número de páginas diárias.

A Cidade e as Serras

Último livro de Eça de Queirós, A Cidade e as Serras foi publicado em 1901, um ano após a morte do autor português. A obra não estava inteiramente acabada, mas ainda assim é considerada uma das mais importantes do escritor, concentrando as principais características do período de sua maturidade artística. Na história, o narrador-personagem, José Fernandes, é quem conta a saga do amigo Jacinto, que vive em Paris, considerada a capital da Europa na época. Jacinto detesta a vida no campo e louva as inovações científicas e as facilidades da vida urbana. Sua vida muda, porém, quando ele volta para sua cidade natal Tormes, no interior de Portugal. No caminho, ele tem suas malas extraviadas, precisando se adaptar ao vilarejo apenas com a roupa do corpo. A obra de 240 páginas fecha o bloco de livros do realismo.

Capitães da Areia

O livro do escritor baiano Jorge Amado, publicado em 1937, inicia o grupo de obras do período do modernismo cobradas nos vestibulares. A história retrata o cotidiano de um grupo de meninos de rua, mas sem focar apenas os assaltos e as atitudes violentas, trazendo também as aspirações e os pensamentos dessas crianças. A obra tem caráter jornalístico, apresentando logo no início uma reportagem sobre um assalto feito pelos “Capitães de Areia”, grupo de crianças tido como perigoso. A história de 280 páginas pode ser dividida em três artes: a primeira, com a apresentação dos personagens através das reportagens fictícias, a segunda quando a personagem Dora entra para o grupo dos meninos de rua e a terceira, na qual o autor conta o desenrolar da vida de de cada uma das crianças.

Vidas Secas

A obra de Graciliano Ramos, de 1938, narra a trajetória de uma família de retirantes nordestinos que é obrigada a se deslocar de tempos em tempos para áreas menos afetadas pela seca. Ao longo da história, Fabiano, o chefe da família, tenta de todas as maneiras encontrar alternativas para superar as dificuldades. Em uma dessas tentativas, ele aceita trabalhar para um fazendeiro local e dividir os ganhos da produção. Ao longo da história, porém, sua mulher Sinhá Vitória, descobre que o marido está sendo explorado e tenta, em vão, alertá-lo. Quando a seca atinge a fazenda, a família se vê obrigada a novamente. A obra pertence à segunda fase modernista, conhecida como regionalista, e é qualificada como uma das mais bem-sucedidas criações da época. O estilo de Graciliano Ramos, que se expressa principalmente por meio do uso econômico dos adjetivos, parece transmitir a aridez do ambiente e seus efeitos sobre as pessoas que ali estão. A obra tem 175 páginas e pode ser lido em até três semanas.

Sentimento do Mundo

Composta por 28 poemas, a obra de Carlos Drummond de Andrade foi publicada pela primeira vez em 1940. No livro, o poeta trabalha com poesias de cunho social, refletindo o momento de instabilidade e inquietação dos anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial. Outras temáticas, porém, estão presentes, ainda que em menor proporção, como a terra natal, o indivíduo e a família. A dica do professor de literatura do Anglo Vestibulares Fernando Marcílio é ler a obra ao longo do ano, um poema ou dois por semana, paralelamente aos outros livros. “Mas sempre deixando em mente que esta é uma obra modernista e que faz parte de um contexto histórico muito específico, que envolvem a Segunda Guerra Mundial e a ascensão de regimes ditatoriais”, explica.

 

‘Brincadeira do desmaio’ alarma pais e escolas no RJ

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Aluno do colégio Liceu Franco-Brasileiro, em Laranjeiras, bateu a cabeça e sofreu escoriações após perder consciência

No YouTube, proliferam vídeos em que crianças e adolescentes usam métodos diferentes para desmaiar

A fachada do Liceu Franco-Brasileiro, que registrou um caso de desmaio em que um aluno bateu com a cabeça e sofreu escoriações (foto: Marcelo Piu)

A fachada do Liceu Franco-Brasileiro, que registrou um caso de desmaio em que um aluno bateu com a cabeça e sofreu escoriações (foto: Marcelo Piu)

Mariana Cohen, em O Globo

Um jogo perigoso está ganhando popularidade nas escolas do Rio com a divulgação de vídeos na internet. A “brincadeira (ou jogo) do desmaio” consiste em provocar a perda da consciência por meio de asfixia, o que pode ser feito com estrangulamento ou pressão no peito — “método” mais utilizado nos colégios —, sempre com a ajuda de outros colegas. No Rio, um episódio ocorrido no Liceu Franco-Brasileiro fez o colégio distribuir, esta semana, um folheto que alerta os alunos sobre o perigo da prática. Entre as possíveis consequências, segundo médicos, estão hematomas, parada cardíaca, lesões cerebrais, coma e até a morte.

Mês passado, na escola do bairro carioca das Laranjeiras, um aluno do 1º ano do ensino médio desmaiou em pleno pátio, na hora do recreio, durante a o jogo. Ainda tonto, ao tentar se levantar ele bateu com a cabeça num banco, sofrendo escoriações. O estudante de 14 anos foi encaminhado para casa, e seus pais foram chamados à coordenação. Ele e mais três alunos que participavam da “brincadeira” foram suspensos por um dia.

— Eu não sabia o que estava fazendo. Como outros meninos estavam brincando, resolvi tentar. Mas, quando fiquei tonto e percebi que ia apagar, me dei conta de que foi uma péssima ideia — afirma o garoto.

Alguns alunos relataram ter visto “sangue e convulsões”, mas, segundo o estudante, o desmaio durou poucos segundos:

— Acordei sem me lembrar de nada. Detestei a sensação. Sei que poderia ter acontecido algo grave. Pelo menos eu aprendi.

De acordo com ele, outros alunos já haviam tentado desmaiar antes no colégio, sem sucesso.

— É uma brincadeira estúpida, e, depois do que aconteceu, ninguém quis fazer mais — comentou uma das alunas do primeiro ano que testemunharam o incidente.

A decisão de suspender os alunos, segundo o coordenador pedagógico do Liceu Franco-Brasileiro, foi tomada como uma forma de reprimir o comportamento de risco.

— Não podemos de forma alguma estimular brincadeiras que comprometam a integridade física e psicológica dos alunos — ressaltou Luciano Moraes, coordenador pedagógico no Liceu. — Também nos reunimos com os pais e professores para alertá-los. Eles devem ficar atentos.

Psicólogos relatam ‘muitos casos’

O colégio ainda promoverá, na segunda-feira, uma palestra para os alunos sobre os benefícios e os riscos do conteúdo disponível na internet. A ideia de tentar o “jogo” surgiu depois que alguns deles assistiram a demonstrações em sites de compartilhamento de vídeos.

— Nem sempre os adolescentes sabem avaliar o perigo do que veem. Por isso é importante que os pais monitorem a navegação deles pela web, por mais que não gostem, e também conversem sobre os riscos — alertou Moraes.

Cardiologista do hospital Pró-Cardíaco, no Rio, Claudio Tinoco explica que as consequências da “brincadeira” podem ser graves, principalmente se o aluno tiver um problema cardíaco desconhecido.

— A brincadeira causa queda de pressão, falta de oxigenação no sangue e a síncope, conhecida como desmaio. A falta de oxigenação pode levar a uma parada cardíaca ou a uma lesão no cérebro, com sequelas permanentes. A área da memória é a primeira a ser danificada, mas o adolescente pode ainda ter parte da visão afetada. Em casos mais sérios, pode haver coma e morte cerebral — explica Tinoco. — É uma prática muito arriscada que eu não recomendo de forma alguma.

Muitos jovens têm relatado experiências com a brincadeira mortal em seu consultório, afirma o psiquiatra Fábio Barbirato, especialista em transtornos na infância e adolescência da Santa Casa da Misericórdia do Rio.

— Um menino precisou ir para o hospital recentemente porque perdeu a consciência. Os colegas não conseguiram acordá-lo — relata Barbirato, que atribui a brincadeira a duas razões. — É uma espécie de demonstração de força típica dessa fase de formação de grupo, quando os jovens fazem de tudo para serem aceitos pelos outros, expondo-se a consequências graves. Por outro lado, há relatos de que a asfixia dá uma sensação de euforia e prazer, mas não existe nenhuma comprovação médica disso.

A psicóloga Fernanda Reis, especialista no tratamento de crianças e adolescentes, é outra a ter ouvido relatos da prática no seu consultório.

— Os adolescentes buscam se destacar por meio desses desafios. Mas há riscos com os quais eles não têm capacidade para lidar. O que você vai fazer se o seu amigo tiver uma parada cardíaca ou entrar em coma? — questiona.

Mortes nos EUA e na França

Fora do Brasil, o “jogo do desmaio” já deu origem a manchetes trágicas. Na França, as terríveis consequências da prática levaram à criação de uma associação de pais de vítimas desse jogo de estrangulamento, a Apeas. Segundo a organização, dez mortes são registradas anualmente, em média, no país europeu desde 2000 devido à perigosa prática.

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), pelo menos 82 crianças e adolescentes com idades entre 9 e 16 anos morreram no país por causa da brincadeira, entre 1995 e 2007. Como as mortes geralmente são registradas como suicídio, pois acontecem mais comumente quando os adolescentes se arriscam sozinhos, é difícil computar números. Mas um caso famoso deu mais visibilidade ao problema. Em 2006, o campeão mundial de surfe Shaun Tomson perdeu o filho, Matthew, enquanto o menino de 15 anos brincava do “jogo do desmaio”. O surfista sul-africano escreveu um livro, “The code” (O código), direcionado a adolescentes, em que pede aos jovens para pensarem duas vezes antes de correr esse risco. A esperança é que relatos com o seu consigam influenciar mais os jovens do que os muitos vídeos com cenas de simulação de estrangulamento espalhadas pela internet.

William Kennedy e o filho falam sobre livro que escreveram juntos

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Ideia para criar a obra nasceu quando o pai foi colocar o filho para dormir

Bia Reis, no Estadão

O escritor norte-americano William Kennedy coleciona, aos 85 anos, uma lista invejável de textos publicados em suas mais variadas formas. São romances, reportagens, peças de teatro e roteiros de filmes, além de livros infantis – estes até agora desconhecidos do público brasileiro.

Divulgação Imagem do livro

Divulgação
Imagem do livro

Pelas mãos da editora Cosacnaify, chega ao Brasil o primeiro infantil de Kennedy, o surreal Charlie Malarkey e a Máquina de Umbigos. A história, publicada originalmente em 1986, havia sido construída alguns anos antes, a quatro mãos – ou duas cabeças –, em uma parceria com seu filho Brendan Kennedy, hoje com 43 anos.

“Graças à imaginação de uma criança de 4 anos, terminamos a história. Eu não poderia ter feito isso sozinho”, contou Kennedy, vencedor do Prêmio Pulitzer por Ironweed, em entrevista por e-mail ao Estado, da qual também participou Brendan.

No livro, William conta a história de Charlie, um menino que um dia acorda sem seu umbigo. Com a mãe e um amigo, ele revira a casa, mas nada de encontrá-lo. Nem o médico consegue achar uma explicação. Até que toca a campainha um homem que trabalha na área de umbigos, vendendo exemplares novos e usados. É a pista para Charlie e o amigo descobrirem o paradeiro do umbigo desaparecido, e de muitos outros.

Em Charlie Malarkey e a Máquina de Umbigos, o senhor conta a história surreal de um menino que um dia acorda sem seu umbigo. Como nasceu a ideia de contar essa fantástica história?
Kennedy:
Eu contava ou lia histórias para o meu filho desde que ele tinha 2 anos. Uma noite, quando ele tinha quase 4 anos, seu umbigo estava aparecendo fora do pijama e eu tive a ideia: e se ele acordasse pela manhã e seu umbigo tivesse desaparecido? Eu comecei a história, segui o quanto pude e falei que continuaria. Voltei para ela na noite seguinte, depois na seguinte e finalmente decidi que era uma boa história, que eu deveria escrevê-la. Mas tinha sérios problemas com o enredo. Chamei o Brendan ao meu escritório e disse que precisava de sua ajuda. Nós trabalhamos por algumas semanas juntos e, graças à imaginação de uma criança de 4 anos, terminamos a história. Eu não poderia ter feito isso sozinho.

O senhor tinha a ideia de uma história na cabeça e contou com o auxílio de uma criança de 4 anos para desenvolvê-la. Imagino que esse processo de criação tenha sido completamente diferente de tudo o que o senhor já havia feito até então…
Kennedy:
Eu aprendi a pensar como um escritor e um leitor de 4 anos. A mente de Brendan era rápida e o seu pensamento, muito original.
Brendan: Grande parte do processo envolveu perguntas que ele me fazia – “E então, o que acontece?”. E eu respondia com o que vinha à minha cabeça. Nós desenvolvemos a história e à medida em que ela avançava, resolvíamos os problemas, inventávamos a linguagem e ríamos com o que aparecia.

O senhor começou a carreira como jornalista, se tornou um escritor de ficção e publicou livros para crianças. Qual tipo de texto é mais desafiador?
Kennedy:
Não importa qual gênero o escritor usa, a criação da história e dos personagens é o mais difícil. Eu também escrevi roteiros e peças para o teatro, ambos muito diferentes do romance e dos livros infantis, cada gênero com um conjunto muito complexo de ferramentas, formatos, limitações e expectativas. Pode demorar – e geralmente demora vários anos – para que o escritor domine qualquer um dos gêneros, mas o desafio, interminável, é o mesmo: alcançar uma história e personagens originais e vitais que possam surpreender o leitor.

Aqui no Brasil, é comum vermos livrarias lotadas de crianças aos fins de semana. A literatura destinada às crianças cresceu de forma expressiva nas últimas décadas, tanto em número de livros vendidos como em de bons autores. Mas, pelo menos no Brasil, ainda há parte dos escritores que a considera um gênero menor. Como os senhores veem a questão?
Kennedy:
Eu não acho que uma literatura que inclua obras de Maurice Sendak e Lewis Carroll possa ser considerada menor.
Brendan: Sempre vai existir pessoas que torcem o nariz para a ideia da literatura infantil, mas essas pessoas perdem o ponto. Se o trabalho de um autor inspira as crianças a gostarem de ler e a se desenvolver, ninguém pode golpeá-lo. J.K. Rowling recebeu críticas por seus livros da série Harry Potter, mas ela inspirou uma nova geração de jovens leitores que de outra forma poderia nunca ter pegado em um livro, muito menos uma série com mais de 500 páginas.

O senhor acha que a tecnologia vem mudando a forma como as crianças interagem com livros?
Brendan:
Minhas três filhas interagem com os livros do mesmo modo que eu. Apesar de a tecnologia oferecer oportunidades para uma experiência de leitura digital, ela nunca substituirá verdadeiramente os livros de papel. Eles são duráveis, tangíveis, trazem um senso de permanência que as obras lidas no iPad ou no Kindle ou em outros gadgets digitais falham em oferecer. E eles nunca ficam sem baterias. Uma biblioteca com livros reais é uma forma de riqueza, realização e prazer estético. Talvez menos para as novas gerações, que substituíram isso por downloads e média social, mas uma enorme quantidade de leitores ainda pensa assim. Ainda assim, o mundo dos livros está sem dúvida encolhendo e eu sinceramente temo o dia em que eles se tornarão item de colecionador.

Neil Gaiman e a importância da leitura e de sonhar acordado

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Luciano Ribeiro no Papo de Homem

A Reading Agency é uma instituição que busca trazer melhorias à vida de pessoas por meio da leitura.

Para seu evento de incentivo à leitura, convidaram Neil Gaiman para palestrar e falar um pouco dos benefícios da atividade em sua própria vida e o porque ele acha que é importante as pessoas continuarem lendo.

Mas quem é Neil Gaiman?

Todos nós – adultos e crianças, escritores e leitores – temos a obrigação de sonhar acordados. Temos a obrigação de imaginar. É fácil fingir que ninguém pode mudar coisa alguma, que estamos num mundo no qual a sociedade é enorme e que o indivíduo é menos que nada: um átomo numa parede, um grão de arroz num arrozal. Mas a verdade é que indivíduos mudam o seu próprio mundo de novo e de novo, indivíduos fazem o futuro e eles fazem isso porque imaginam que as coisas podem ser diferentes.

Neil Gaiman não só foi um escritor, como foi alguém que transitou bastante pelo mundo dos sonhos, por meio de sua obra mais famosa: Sandman. Se você ainda não viu, vale cada página.

Além de seu trabalho mais célebre, também é autor de crônicas, novelas literárias, filmes e já levou prêmios como o Hugo, Nebula e Bram Stoker.

Estudou bastante e já dissertou algumas vezes sobre a literatura e a arte de escrever, mas é a primeira vez que o vejo falar a respeito da importância da leitura como um transformador de vidas.

O vídeo e transcrição integral traduzida para o português

Abaixo a fala completa transcrita pelo site index-a-dora. É grande, mas se você tem algum apreço pela leitura, vale a pena.

Vi lá no Trabalho Sujo e trouxe pra cá.

* * *

É importante para as pessoas dizerem de que lado elas estão e porque, e se elas podem ou não ser tendenciosas. Um tipo de declaração de interesse dos membros. Então eu estarei conversando com vocês sobre leitura. Direi à vocês que as bibliotecas são importantes. Vou sugerir que ler ficção, que ler por prazer, é uma das coisas mais importantes que alguém pode fazer. Vou fazer um apelo apaixonado para que as pessoas entendam o que as bibliotecas e os bibliotecários são e para que preservem ambos.

E eu sou óbvia e enormemente tendencioso: eu sou um escritor, muitas vezes um autor de ficção. Escrevo para crianças e adultos. Por cerca de 30 anos eu tenho ganhado a minha vida através das minhas palavras, principalmente por inventar as coisas e escrevê-las. Obviamente está em meu interesse que as pessoas leiam, que elas leiam ficção, que bibliotecas e bibliotecários existam para nutrir amor pela leitura e lugares onde a leitura possa ocorrer.

Então sou tendencioso como escritor. Mas eu sou muito, muito mais tendencioso como leitor. E eu sou ainda mais tendencioso enquanto cidadão britânico.

E estou aqui dando essa palestra hoje a noite sob os auspícios da Reading Agency: uma instituição filantrópica cuja missão é dar a todos as mesmas oportunidades na vida, ajudando as pessoas a se tornarem leitores entusiasmados e confiantes. Que apoia programas de alfabetização, bibliotecas e indivíduos e arbitrária e abertamente incentiva o ato da leitura. Porque, eles nos dizem, tudo muda quando lemos.

E é sobre essa mudança e este ato de leitura que quero falar hoje a noite. Eu quero falar sobre o que a leitura faz. O porquê de ela ser boa.

Uma vez eu estava em Nova York e ouvi uma palestra sobre a construção de prisões particulares – uma ampla indústria em crescimento nos Estados Unidos. A indústria de prisões precisa planejar o seu futuro crescimento – quantas celas precisarão? Quantos prisioneiros teremos daqui 15 anos? E eles descobriram que poderiam prever isso muito facilmente, usando um algoritmo bastante simples, baseado em perguntar a porcentagem de crianças de 10 e 11 anos que não conseguiam ler. E certamente não conseguiam ler por prazer.

Não é um pra um: você não pode dizer que uma sociedade alfabetizada não tenha criminalidade. Mas existem correlações bastante reais.

E eu acho que algumas destas correlações, a mais simples, vem de algo muito simples. As pessoas alfabetizadas leem ficção.

A ficção tem duas utilidades. Primeiramente, é uma droga que é uma porta para leituras. O desejo de saber o que acontece em seguida, de querer virar a página, a necessidade de continuar, mesmo que seja difícil, porque alguém está em perigo e você precisa saber como tudo vai acabar… Este é um desejo muito real. E te força a aprender novos mundos, a pensar novos pensamentos, a continuar. Descobrir que a leitura por si é prazerosa. Uma vez que você aprende isso, você está no caminho para ler de tudo. E a leitura é a chave. Houve um burburinho brevemente há alguns anos atrás sobre a ideia de que estávamos vivendo em um mundo pós-alfabetizado, no qual a habilidade de fazer sentido através de palavras escritas estava de alguma forma redundante, mas esses dias acabaram: as palavras são mais importantes do que jamais foram: nós navegamos o mundo com palavras, e uma vez que o mundo desliza para a web, precisamos seguir, comunicar e compreender o que estamos lendo. As pessoas que não podem entender umas às outras não podem trocar ideias, não podem se comunicar e apenas programas de tradução vão tão longe.

A forma mais simples de ter certeza de que educamos crianças alfabetizadas é ensiná-los a ler, e mostrarmos a eles que a leitura é uma atividade prazerosa. E isso significa, na sua forma mais simples, encontrar livros que eles gostem, dar a eles acesso a estes livros e deixar que eles os leiam.

Eu não acho que exista algo como um livro ruim para crianças. Vez e outra se torna moda entre alguns adultos escolher um subconjunto de livros para crianças, um gênero, talvez, ou um autor e declará-los livros ruins, livros que as crianças devem parar de ler. Eu já vi isso acontecer repetidamente; Enid Blyton foi declarado um autor ruim, RL Stine também, assim como dúzias de outros. Quadrinhos tem sido acusados de promover o analfabetismo.

É tosco. É arrogante e é burro. Não existem autores ruins para crianças, que as crianças gostem e querem ler e buscar, por que cada criança é diferente. Eles podem encontrar as histórias que eles precisam, e eles levam a si mesmos nas histórias. Uma ideia banal e desgastada não é banal nem desgastada para eles. Esta é a primeira vez que a criança a encontrou. Não desencoraje uma criança de ler porque você acha que o que eles estão lendo é errado. A ficção que você não gosta é uma rota para outros livros que você pode preferir. E nem todo mundo tem o mesmo gosto que você.

(mais…)

Leitura ajuda a formar cidadão, diz pedagoga de Mogi

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Literatura ajuda na construção da identidade do ser humano.
Campanha em Mogi vai presentear crianças com brinquedo e livro.

Publicado no G1

Livros ajudam a desenvolver criatividade das crianças. (Foto: Marcelo Carloni/TV Diário)Livros ajudam a desenvolver criatividade das crianças. (Foto: Marcelo Carloni/TV Diário)

“Depois de viver nas ruas por tanto tempo, o gatinho Fred tinha finalmente encontrado um lar na casa de Marina. Uma cama quentinha com um cobertor fofinho, comida farta e muita água fresca. ‘Ah,estou no paraíso’, pensou o manhoso bichano.” Para um adulto essas linhas traduzem apenas uma ideia com começo, meio e fim. Mas essa narrativa para uma criança possibilita um mundo de descobertas, cores e o desenvolvimento da imaginação.

 

O exercício da leitura ajuda os pequenos a mergulharem em um mundo particular de fantasia. “A literatura traz um mundo mágico para as crianças, o qual muitas vezes elas não têm acesso. A fantasia proporcionada por um conto de fadas, poema ou até uma trova popular são experiências fundamentais para a formação do leitor e também do cidadão. A partir do que vejo no outro me constituo enquanto ser. O que eu vejo no outro e gosto, assimilo. Já o que não gosto, descarto. E a leitura é uma possibilidade da construção do ser”, explica Denise de Almeida, pedagoga e coordenadora do curso de pedagogia de uma das universidades de Mogi das Cruzes.

Incentivar a leitura e a solidariedade são os objetivos da campanha O Natal de Todos Nós. A ação é uma iniciativa da TV Diário e de uma das concessionárias do transporte coletivo de Mogi das Cruzes com o apoio do jornal O Diário. As pessoas podem doar um brinquedo novo e um livro novo ou usado, mas em bom estado, que serão entregues para crianças carentes do município.

 

A pedagoga destaca que no caso de crianças carentes os livros ganham papel de destaque. “Quando vive uma vida muito dura e difícil, a literatura permite romper com essa realidade, especialmente na infância, quando a criança tende a fantasiar mais.” Ela completa que nos contos de fada, por exemplo, os pequenos leitores entram na história e conseguem construir uma narrativa só deles. Desta forma, eles entram em contato com o instinto de liberdade, pois podem definir essa imagem da maneira que queiram. “Isso permitirá a ele no futuro fazer conexões dessas obras que ele teve contato ao longo da vida com a sua própria trajetória”, define Denise.

Mas para que a criança possa ter essa chance de ganhar mais conhecimento é preciso que ela seja seduzida para o mundo das letras. A pedagoga explica que essa é uma tarefa para pais e professores. “Nós falamos que as crianças não gostam de ler, mas não a presenteamos com livros. Não adianta os pais e os professores pedirem que ela leia um livro sem um contexto”, conclui. Ela indica que a leitura deve vir acompanhada do sabor e isso pode ser alcançado quando os pais dedicam uma parte do dia ou da noite para ler parte do livro.

 

No caso dos professores, eles podem despertar o interesse de crianças e adolescentes para obra contextualizando o texto em sala de aula, antes que eles comecem a leitura em casa. “Para as crianças de 3 a 4 anos o livro precisa ter imagens e figuras interessantes e coloridas. Já a partir dos 5 anos o assunto precisa ser de interesse desse pequeno leitor. O ideal é que quando o adulto presentear a criança com um livro, leia com ela um trecho dessa obra. Outra estratégia é presentear crianças de uma mesma família com diferentes títulos de contos clássicos, por exemplo. Depois eles poderão trocar esse livros entre si e também suas impressões sobre as histórias.”

 

Denise destaca que mesmo as famílias carentes têm a chance de incentivar o prazer pela leitura entre as crianças. Uma alternativa apontada pela pedagoga são as bibliotecas públicas ou qualquer outro lugar que possibilite o acesso gratuito aos livros. “Ir à biblioteca deve ser um evento cultural da família. Os pais devem acompanhar os filhos nesse passeio. As estantes cheias de livros apresentam uma grande diversidade de assuntos que podem atrair a todos. Atitudes como essa podem ajudar a mudar esse cenário de leitores escassos que vivemos atualmente”, observa Denise.

 

Livro na era digital
Outro desafio para cativar as crianças para a leitura é driblar o uso dos computadores e tablets. A migração de revistas, jornais e obras literárias para as telas compactas é cada mais maior. A praticidade dos meios eletrônicos aliada a correria da vida moderna permite ao leitor carregar volumes e mais volumes em apenas um aparelho.

 

No entanto, a pedagoga alerta que para o desenvolvimento da leitura entre as crianças é importante privilegiar os livros, apesar do avanço tecnológico que vivemos hoje. “Na formação inicial do leitor é importante ter o contato físico com o papel, segurar o livro e poder grifá-lo se necessário. Com as crianças isso é muito importante”, diz.  Denise reconhece a importância dos computadores e tablets, especialmente do ponto de vista da sustentabilidade. Mas destaca que essa pode ser uma etapa para o futuro.

 

Livros como Harry Potter fazem crianças se integrarem, diz pedagoga. (Foto: Fernanda Lourenço/G1)Livros como Harry Potter fazem crianças se integrarem, diz pedagoga (Foto: Fernanda Lourenço/G1)

 

Os livros também possibilitam uma experiência social. Um exemplo é a febre da saga de Harry Potter da escritora inglesa J. K.Rowling. A série composta por sete livros conta a história de Harry Potter e seu embate com o bruxo das trevas Lord Voldemort. As histórias exploram temas como amizade, preconceito, coragem, ambição, escolha, etc. O primeiro volume Harry Potter e a Pedra Filosofal foi lançado em 1997. “Livros assim são importantes porque a criança e o adolescente vivem em um mundo social. Quando eles percebem que todos ao seu redor estão comentando sobre o mesmo assunto, eles não querem ficar de fora do grupo. Foi o que aconteceu com os livros do Harry Potter. As histórias envolveram um grande número de crianças e jovens. E isso permite à criança e ao jovem conhecer o prazer da leitura. Histórias como a do bruxinho permitem que elas conheçam mundos diferentes sem sair de casa.”

 

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