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1 em cada 4 professores de escolas públicas brasileiras é temporário, diz Ipea

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Para especialistas, número reflete baixa atratividade da carreira e falha administrativa do governo na realização de concursos

Davi Lira, no Último Segundo

Divulgação/Apeoesp O contrato precário é um tema sempre presente nos protestos de professores

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O contrato precário é um tema sempre presente nos protestos de professores

Um quarto dos docentes que dão aulas em escolas de educação básica mantém contratos temporários com o poder público ou são terceirizados. São mais de 450 mil professores de um total de 1,8 milhão de profissionais que lecionam em unidades públicas. Quando analisado apenas o ensino médio das redes estaduais brasileiras, os temporários representam 30% do total de professores. Em algumas disciplinas, como química e física, eles preenchem 40% das funções docentes.

Os dados são do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que divulgou agora em maio um estudo sobre os desafios do magistério da educação básica no Brasil. Para o Ipea, a precarização dos contratos de trabalho na rede pública é considerado o “problema mais proeminente” do sistema educacional brasileiro. Os professores que não são efetivos chegam a receber menos, possuem pouca segurança jurídica como empregado, devem se desvincular das redes em determinado momento e não têm direitos, como por exemplo, à assistência médica, concedida aos servidores efetivos.

“Vínculos dessa natureza são admitidos para suprir carências pontuais decorrentes de afastamentos temporários de docentes efetivos. As redes públicas os têm utilizado, contudo, como maneira de postergar a contratação de professores efetivos”, afirmam os autores do estudo, liderado por Paulo Nascimento, técnico da Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais de Inovação, Regulação e Infraestrutura do Ipea.

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Source: Ipea (MEC/Inep 2013) Get the data

De acordo com José Fernandes de Lima, presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE) – órgão consultor do Ministério da Educação (MEC), a recomendação repassada para as secretarias é que o porcentual de professores temporários não ultrapasse 10% do número total de docentes das redes de ensino. “Não tenha dúvida que é muito ruim e preocupante porcentuais superiores a esse. Ultrapassar esse nível tem reflexos direitos no nível de qualidade da educação que é oferecida aos alunos”, afirma Lima.

Recentemente, o país figurou na posição 38 de um total de 40 países em um ranking internacional de educação, o The Learning Curve (Curva do Aprendizado, em inglês). O estudo, publicado semana passada, foi realizado pela The Economist Intelligence Unit e Pearson Internacional. O levantamento se baseou no cruzamento de dados de uma série de outros indicadores produzidos por instituições como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Para o professor da Faculdade de Educação da USP Ocimar Alavarse, existem duas principais razões para as redes de ensino terem tantos professores temporários. “Uma delas é a baixa atratividade da carreira docente: falta professores interessados em ir para as salas de aula. Além disso, esses números são resultado de uma falha administrativa grave dos governos que não planejam adequadamente a realização de concursos públicos”, diz Alavarse.

Ainda segundo o especialista, a situação ainda tem reflexos diretos na educação do país. “A própria imagem da profissão fica prejudicada, parece que os profissionais fazem bico. Os temporários também prejudicam o planejamento dos gestores e, claro, deixam de criar vínculos com os alunos que estão em processo de aprendizagem”, fala o professor da USP.

Tamanho do desafio

Todo esse panorama se torna ainda mais preocupante quando observada a dimensão da rede pública de ensino no país. Ela concentra mais de 80% do total de matrículas em educação básica do Brasil. São mais de 50 milhões de estudantes de escolas municipais, estaduais e federais, de acordo com informações do Censo da Educação Básica de 2013 publicadas pelo MEC no início deste ano. As particulares detém apenas 17% das matrículas nesse nível de ensino.

“Além dos professores efetivos já conviveram com uma realidade de baixos salários e violência escolar, a situação do temporário é ainda pior. Ele não tem segurança nenhuma”, diz Silvio Martins, vice-presidente do Centro do Professorado Paulista (CPP) – um dos sindicatos de docentes do Estado de São Paulo, que tem a maior rede de ensino do país. Segundo ele, tal situação torna a profissão ainda menos atrativa para o bom professor.

“O contrato é anual. E depois ele tem que ficar em quarentena antes de assumir novamente a função para não criar vínculos empregatícios. Não tem como atrair os melhores profissionais com um regime de trabalho como esse”, afirma Martins.

Consultado sobre a postura que deveria assumir junto às redes de ensino diante desse quadro, o MEC informou que o assunto compete às próprias secretarias municipais e estaduais de ensino.

Aplicativo criado na Bahia tem função de scanner leitor para cegos

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Programa faz leitura de textos para pessoas com deficiência visual.
Estudantes da UFBA já utilizam tecnologia de maneira gratuita.

Maiana Belo, no G1

Tela inicial do aplicativo Slep (Foto: Maiana Belo / G1 Bahia)

Tela inicial do aplicativo Slep
(Foto: Maiana Belo / G1 Bahia)

Os alunos cegos da Universidade Federal da Bahia (UFBA) começaram a utilizar, este ano, um aplicativo que oferece às pessoas com deficiência visual a leitura em voz alta de textos que não foram passados para o braille.

Intitulado de Slep (Scanner Leitor Portátil), o aplicativo foi desenvolvido por uma empresa que realiza pesquisas no Parque Tecnológico da Bahia, localizado em Salvador. De acordo com o coordenador do Parque, Leandro Barreto, a desenvolvedora do Slep faz parte da “Incubadora de Empresas”.

“A ideia de um parque tecnológico é a geração de novas empresas, com bases tecnológicas. Esse modelo é um dos mais utilizados no mundo inteiro para estimular pequenas empresas tecnológicas. Nós prestamos também consultoria em gestão e assessoramento para que a empresa fique mais focada na área tecnológica”, explica Barreto.

Ainda segundo Leonardo, as empresas que passam pelo processo de incubação “sobrevivem” por mais tempo porque todo o trabalho delas é acompanhado pelo Parque.

A “Incubadora de Empresas” é voltada para micro e pequenos empreendimentos, que têm o prazo de três anos para permanecer no local. Contudo, “existem casos que acabamos postergando a permanência”, conta Leonardo.

No caso da empresa que desenvolveu o Slep, o projeto durou cerca de um ano e meio para ser concluído. Os interessados podem baixar o aplicativo por sete dias, e depois devem pagar o valor de R$150. Já os alunos da UFBA utilizam o programa gratuitamente, pois a universidade comprou diversas licenças e distribuiu para os estudantes.

Segundo Joselito Silva, engenheiro integrante da empresa que desenvolveu o programa, eles esperam fazer parcerias com outras universidades para a distribuição gratuita do aplicativo.

Como surgiu o Slep

“A ideia de criar uma empresa surgiu no laboratório da UFBA”, conta o engenheiro Joselito Silva. Segundo ele, o grupo era formado por engenheiros mestrandos, doutorandos e alunos que faziam iniciação científica.

Silva também diz que eles sempre pensaram em abrir uma empresa e no ano de 2009 o desejo se transformou em realidade. Desde o começo, o objetivo era fazer um scanner leitor.

No início do projeto, um scanner de mesa, custava em média R$ 30 mil. O alto valor do produto foi um dos fatores que fez com que os engenheiros pensassem em desenvolver um programa que levasse praticidade e acessibilidade aos cegos, em um valor mais barato. Como o Parque Tecnológico da Bahia ainda não existia, eles conseguiram uma verba da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) para desenvolver a ideia.

Quando os engenheiros começaram o projeto do scanner leitor, o objetivo era criar um programa para o sistema Symbia, utilizado por alguns fabricantes de aparelhos telefônicos móveis. Ele foi desenvolvido só até a metade de 2010, pois uma fabricante de aparelhos desistiu do sistema operacional e o aplicativo não teria como funcionar. Com isso, não fazia sentido terminar um projeto que não teria onde ser aplicado.

Depois, com o surgimento do Parque, a empresa inscreveu o projeto em um edital de seleção e foram escolhidos para integrar a “Incubadora de Empresas” do Parque Tecnológico. Em 2012, eles precisaram recomeçar o mesmo projeto, só que para o sistema Android. De acordo com Silva, os engenheiros conseguiram reaproveitar algumas coisas do trabalho anterior, mas precisaram refazer a maior parte do projeto.

Para a produção do Slep, a empresa ainda contou com a participação de três consultores cegos do Instituto dos Cegos da Bahia, para ajustar o aplicativo. Este ano, a empresa está terminando um sistema que servirá para a localização dos ônibus.

Dois hambúrgueres e um e-book, por favor

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McDonald´s dá acesso gratuito a e-books a seus clientes

Leonardo Neto, no PublishNews

Divulgação

Divulgação

Depois de distribuir livros físicos aos seus clientes, o McDonalds inicia nova campanha, agora com e-books. Clientes – ou não – da rede podem acessar gratuitamente livros digitais interativos pelo www.happystudio.com, a plataforma de jogos e interação digital com os pequenos.

Os livros – por enquanto três títulos – foram produzidos pela Dorling Kindersley, da Penguin Random House e trazem temas como as estrelas e os planetas, as maravilhas da natureza e as mais espetaculares cidades do mundo.

Os pequenos podem ainda criar seus próprios livros com opções de selecionar, arrastar e inserir elementos como palavras e imagens.

Os livros podem ser lidos direto no computador ou baixando os aplicativos para as versões mobile disponíveis na AppleStore e no Google Play.

Concurso Cultural Literário (61)

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capa diário

LEIA UM TRECHO

Aos 13 anos, Isadora Faber, uma estudante de escola pública de Florianópolis (SC), indignada com os problemas de ensino e infraestrutura de seu colégio resolveu criar uma página no Facebook, o Diário de Classe, para denunciá-los. Chamou a atenção da imprensa nacional e internacional, mobilizou milhares de seguidores e conseguiu as mudanças que reivindicou.

Sua jornada, no entanto, foi árdua: sofreu críticas, ameaças, represálias, agressões e processos. Porém, não desistiu, e hoje tem mais de 625 mil seguidores, inspirou a criação de mais de cem Diários de Classe, já participou de inúmeras palestras e eventos, ganhou prêmios e fundou a ONG Isadora Faber, com a qual continua seu trabalho por uma educação pública de qualidade no Brasil.

Mais que um relato de coragem e do poder do webativismo, este livro é um retrato perturbador da situação da educação e dos serviços públicos brasileiros, que grita por cidadania e por transformações urgentes.

Vamos sortear 3 exemplares de “Diário de classe – A verdade“, superlançamento da Gutenberg.

Para participar, registre na área de comentários uma dica de como os alunos podem contribuir para melhorar a Educação no Brasil (use no máximo 3 linhas).

O resultado será divulgado no dia 19/5 às 17h30 neste post.

Se usar o Facebook, por gentileza deixe seu e-mail de contato.

Boa sorte! 🙂

***

Parabéns aos ganhadores: Gabriela RodriguesFelipe BritoLuiz Fernando Cardoso.

Por gentileza enviar seus dados completos para [email protected] em até 48 horas.

Sucesso na web com poesias em guardanapo quer lançar animações

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Página ‘Eu me chamo Antônio’ tem 700 mil seguidores no Facebook. Filho de brasileira e suíço, autor começou a falar português aos 12 anos.

Pedro Gabriel no Café Lamas, local de inspiração para seus desenhos e poesias (Foto: Lívia Torres / G1)

Pedro Gabriel no Café Lamas, local de inspiração para seus desenhos e poesias (Foto: Lívia Torres / G1)

Publicado por Jornal O Nortão

1Com caneta e guardanapo em punhos, no Café Lamas, tradicional bar do Flamengo, Zona Sul do Rio, Pedro Gabriel, de 29 anos, construiu um acervo de frases desenhadas. As ilustrações ganharam vida e são sucesso em várias plataformas na web — no Facebook, “Eu me chamo Antônio” tinha cerca de 700 mil seguidores nesta quinta-feira (26). A brincadeira virou um livro, publicado em novembro. Agora, além de viajar pelo Brasil para promover a obra que jura só conseguir produzir no bar, ele quer criar animações em stop motion (técnica que utiliza fotografia quadro a quadro) e postar no YouTube.

“Acho que o ambiente do bar me deixa muito à vontade para criar. Já sou amigo dos garçons e tudo. Até tentei criar em casa algumas vezes, mas não soava muito sincero. Nunca pensei que, em pouco mais de um ano, a história que nasceu no balcão de um bar fosse virar um livro. E mais, fosse virar um livro aceito por muita gente. Quero ver agora como as pessoas vão reagir com vídeo e não com fotografia.”

Pedro escreve suas poesias no Café Lamas (Foto: Lívia Torres / G1)

Pedro escreve suas poesias no Café Lamas (Foto:
Lívia Torres / G1)

Português aprendido aos 12
Nascido no Chade, país da África que fica ao sul do deserto do Saara, o publicitário filho de mãe brasileira e pai suíço aprendeu o português aos 12 anos, quando veio morar no Brasil. “A grafia das palavras em português foi crescendo junto comigo”, diz.

Tudo nasceu no final de 2012, quando ele voltava do trabalho e decidiu parar no bar para tomar um chope. A página foi batizada dessa forma pelo fato de ele sempre ser chamado de Pedro ou Gabriel — que é seu sobrenome —, mas nunca pelo nome do meio, Antônio, espécie de alter ego, como ele mesmo explica.

“Eu estava voltando do trabalho depois de um trânsito caótico que peguei num dia de chuva e resolvi parar lá, já que é um bar perto da minha casa. A única plataforma que eu tinha nas mãos era um guardanapo. Escrevi e fotografei, porque eu gostei do resultado. Depois de um tempo eu percebi que tinha bastante material guardado. Aí decidi criar uma página na internet para preservar essas criações e evitar que esse material não se deteriorasse com o tempo.”

Com portfólio de 1,5 mil guardanapos, Pedro conta que só consegue criar no balcão do Lamas e que todas as vezes que se arriscou a fazer os rabiscos em casa, não conseguiu mostrar o resultado final para ninguém.

Em um guardanapo, ele começou a desenhar suas poesias (Foto: Arquivo Pessoal / Pedro Gabriel)

Em um guardanapo, ele começou a desenhar suas poesias (Foto: Arquivo Pessoal / Pedro Gabriel)

Me inspiro em Paulo Leminski, Millôr Fernandes, Arnaldo Antunes e Mário Quintana”
Pedro Gabriel
Versos como “Todo cuidado é oco”, “O melhor lugar do mundo nunca foi um lugar”, “O horizonte é o abraço que você nunca me deu”, “As nossas falhas também poderiam cair no outono”, foram aos poucos ganhando novas formas e tipografias. Com frases curtas, Pedro busca referências literárias em poetas e escritores que usam versos impactantes.

“Hoje eu posso dizer que me inspiro em Paulo Leminski, Millôr Fernandes, Arnaldo Antunes e Mário Quintana. Geralmente são poetas que escrevem pouco, já que os poemas deles são curtos, mas traduzem tudo que eles querem dizer. A fonte que eu faço é desenhada, manuscrita e começou bem infantil. Meu primeiro guardanapo parecia até uma criança escrevendo, mas foi evoluindo depois de muita prática. Costumo dizer que é um labirinto de todas as coisas que eu sinto. São palavras desenhadas mesmo”, explica.

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