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Posts tagged criatividade

Uma minilivraria na porta de casa

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Little Free Library é feita de material reaproveitado e pode ficar no quintal

Alice Sant’Anna, no O Globo

Um exemplar do projeto Little Free Library Divulgação

Um exemplar do projeto Little Free Library Divulgação

Apesar do tamanho exíguo, a ideia é grandiosa. Inaugurada em 2009 nos Estados Unidos, a intenção da Little Free Library é, como diz o nome, ser uma pequena biblioteca de graça, onde os livros circulam livremente. É uma biblioteca de bairro: pode ficar dentro de um café, por exemplo, ou no quintal de casa. A condição é que a casinha, feita com material reaproveitado, sirva como ponto de partida e de chegada de obras literárias.

O projeto, que inicialmente almejava algo em torno de 2.500 pontos, deslanchou. Se em 2011 os criadores Todd Bol e Rick Brooks festejavam a marca de cem bibliotecas, em 2013 viram o número extrapolar para seis mil, somando um total de dois milhões de livros trocados em mais de 32 países.

No Google Maps, há um mapeamento de todas as coleções registradas, incluindo três na África (bit.ly/JDzl7o). Na América do Sul, ainda não há nenhuma. A estimativa é que, seguindo esse ritmo, até o fim do ano o projeto alcance impressionantes 25 mil registros.

As pessoas que doam seus livros são encorajadas a escrever um pequeno bilhete apresentando o conteúdo. E os leitores seguintes, de preferência, devem adicionar suas impressões ao papel. A ideia é que a seleção seja formada por “títulos preferidos” — incluam-se aí romances e histórias infantis — e também por ensinamentos práticos, como manuais.

Para cadastrar uma biblioteca na Little Free Library em sua cidade, é preciso pagar uma licença no valor de US$ 35. O preço cobrado pela casinha varia, mas no site (littlefreeli brary.org.) há instruções completas para se construir uma (aí sim, de graça), usando elementos recicláveis e resistentes. A criatividade cuida do resto.

Pesquisadora afirma que crianças ociosas se tornam mais criativas

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Para Teresa Belton, que entrevistou artistas e cientistas, excesso de atividade pode minar desenvolvimento da imaginação.

Publicado por G1

Ócio pode estimular criatividade das crianças (Foto: BBC)

Ócio pode estimular criatividade das crianças
(Foto: BBC)

Crianças devem ser motivadas a ficarem ociosas e entediadas para desenvolverem sua capacidade criativa, afirma uma especialista em educação.

Para Teresa Belton, pesquisadora da Universidade East Anglia, na Grã-Bretanha, a expectativa cultural de que as crianças estejam sempre ativas pode minar o desenvolvimento de sua imaginação.

Em seu estudo, Belton ouviu a escritora Meera Syal e o artista plástico Grayson Perry sobre como o tédio os ajudou a desenvolver sua criatividade na infância.

Além de escritora e jornalista, Syal é uma famosa comediante na Grã-Bretanha. Perry é hoje um reconhecido artista que faz trabalhos em cerâmica, e suas criações já foram expostas até mesmo no Museu Britânico, em Londres.

Syal disse que o tédio fez com que ela escrevesse, enquanto Perry afirmou que isso era um estado criativo para ele.

A pesquisadora ainda entrevistou um grande número de outros escritores, artistas e cientistas, durante sua busca sobre os efeitos do tédio.

Ela estudou as memórias da infância de Syal, que cresceu numa pequena vila de mineiros, lugar sem muita coisa para fazer.

Belton disse que “a ausência de coisas para fazer motivou [a escritora Syal] a gastar horas do dia a falar com outras pessoas e a tentar outras atividades que em outras circunstâncias ela jamais teria experimentado, como interagir com os mais velhos e vizinhos e aprender a fazer bolos”.

“Tédio é frequentemente associado a solidão, e Syal gastou horas de sua infância observando pela janela o campo e as florestas, assistindo a mudança do clima e das estações”.

“Mas o mais importante foi que o tédio a fez escrever. Ela mantinha um diário desde pequena, que preenchia com observações, pequenas histórias, poemas e críticas. Ela atribui a esta fase seus primeiros passos como a escritora que se tornaria mais tarde”, disse Belton.

Reflexão

Syal, a comediante e escritora, disse que “a solidão imposta como uma página em branco foi um ótimo estímulo”.

Já o artista plástico Grayson Perry afirma que o tédio também pode ser benéfico para adultos: “conforme fui envelhecendo, passei a apreciar a reflexão e o tédio. O ócio é um estado muito criativo”.

A neurocientista e especialista em deterioração da mente Suzan Greenfield, que também respondeu a questões para a pesquisa de Belton, relembrou a infância em uma família com muito pouco dinheiro e sem irmãos até os 13 anos de idade.

“Ela confortavelmente divertia a si mesma, inventando histórias, desenhando figuras para suas fantasias e indo até a biblioteca”, disse Belton.

Ainda de acordo com Belton, que também é especialista no impacto das emoções no comportamento e aprendizado, o tédio pode ser um “sentimento desconfortável”. Para ela a sociedade “desenvolveu uma expectativa de ser constantemente ocupada e constantemente estimulada”.

Mas ela advertiu que a criatividade “envolve ser capaz de desenvolver um estímulo interno”.

“A natureza estimula um vácuo que tentamos preencher”, disse ela. “Alguns jovens que não têm a capacidade interior ou a resposta para lidar com o tédio criativamente. Às vezes eles terminam vandalizando abrigos de pontos de ônibus ou saindo inadvertidamente para um passeio de carro”.

Curto-circuito

Belton, que também já estudou o impacto da televisão e vídeos na escrita das crianças, afirma ainda que “quando os pequenos não têm nada para fazer, eles imediatamente ligam a TV, o computador, o celular ou algum tipo aparelho com tela. O tempo gasto com estas coisas aumentou”.

“Mas crianças precisam ter um tempo para parar e pensar, imaginando que eles possuem seus próprios processos de pensamento e assimilação, por meio de experiências com brincadeiras ou apenas observando o mundo ao seu redor”.

Este é o tipo de coisa que estimula a imaginação, ressalta a pesquisadora, enquanto a tela de alguns aparelhos “tende a criar um curto-circuito no processo de desenvolvimento da capacidade criativa”.

Syal ainda reforça: “Você começa a escrever porque não há nada para provar, nada a perder e nenhuma outra coisa para fazer”.

“É muito libertador ser criativo por nenhuma outra razão além do próprio passatempo”.

Belton conclui: “Para o bem da criatividade talvez devamos diminuir nosso ritmo e ficar offline de tempos em tempos”.

Universitários usam a criatividade para garantir os estudos, em Vilhena, RO

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Publicado por G1 Rondônia

Com opções variadas, eles atuam como manicure, garçom e até cantor.
Com a renda, estudantes compram livros e materiais para os estudos.

Sandro Vieira se apresenta em bares e casamentos para conseguir complementar a renda (Foto: Sandro Vieira/Divulgação)

Sandro Vieira se apresenta em bares e casamentos para conseguir complementar a renda (Foto: Sandro Vieira/Divulgação)

Para conseguir arcar com os gastos no período do curso universitário e complementar a renda mensal, vários estudantes da Universidade Federal de Rondônia (Unir), em Vilhena (RO), trabalham em áreas distintas ao curso de formação. Com opções variadas, os universitários atuam como manicure, garçom e até mesmo como cantor em bares e restaurantes da cidade. Com a renda, que chega a R$ 700 por mês, os jovens garantem a compra dos livros e materiais para os estudos.

O estudante de comunicação social Sandro Vieira conta que desde o início do curso universitário se apresenta em bares, festas de casamento e aniversários com seu violão, interpretando sucessos da música brasileira. “Sempre gostei de música, desde os 16 anos. Toco violão, então quando comecei a fazer faculdade tinha que encontrar uma forma de ganhar dinheiro para complementar a renda, pois eu já trabalhava em um cartório, mas precisava de dinheiro para comprar os livros, apostilas e pagar as contas no fim do mês”, explicou o estudante, que com as apresentações garante uma renda de R$ 500 a mais.

“Se a gente quer alguma coisa, tem que se esforçar. Sei que no futuro vou ter a minha recompensa”
Valdete Coelho do Nascimento, universitária

Luciano Silva cursa ciências contábeis e complementa a renda mensal vendendo bombons e atuando como garçom. “Sempre trabalhei, pois minha família não tem condições de comprar meus livros e apostilas do curso. Além do trabalho vendo os doces feitos pela minha mãe”, diz. Com os ‘bicos’, Luciano tem uma renda de R$700 e já comprou um computador para os estudos.

Já a estudante de pedagogia Valdete Coelho do Nascimento conta que faz diversos bicos, para arcar com as despesas do curso. A universitária recebe uma bolsa no valor de R$400, mas o dinheiro não cobre as despesas. Entre as atividades, Valdete trabalha como manicure, vendedora de cupcakes e recepcionista em festas.

“Tem mês que consigo fazer mais unhas, aí o dinheiro aumenta. Mas eu já tenho uma clientela fixa, isso me ajuda. Acredito que as pessoas devem aproveitar as oportunidades que vão aparecendo na vida. Se a gente quer alguma coisa, tem que se esforçar. Sei que no futuro vou ter a minha recompensa”, conta Valdete.

A literatura na era do Twitter

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Alberto Dines, no Observatório da Imprensa

Concomitantes: impossível não relacionar a biografia de Paula Broadwell sobre o general David Petraeus, com os anúncios de Phillip Roth e Imre Kertész que deixarão de escrever livros, falar de livros, ler livros.

A biógrafa sedutora que derrubou um dos homens mais poderosos do mundo encarna a degradação de um antiquíssimo gênero literário, a arte de contar vidas. Madame Broadwell, formada em Harvard, ex-major do exército americano, não fez biografia, praticou biofagia – alimentação a base de seres vivos. Em outras palavras: comeu o seu general.

A abdicação dos dois extraordinários ficcionistas tem a ver com outro aspecto da degradação dos tempos modernos: já não faz sentido escrever. Histórias já não mudam o mundo, muito menos a humanidade. Interessam, arrebatam, vendem muito, não inspiram. E não porque tudo já tenha sido escrito, contado e recontado, mas porque a literatura torna-se inócua à medida que se agiganta a quantidade de livros impressos ou digitados.

Como Saramago

Um, americano de segunda geração, 79 anos, o outro húngaro, de 83, descendem da mesma cepa humanista europeia. O fato de serem judeus não é suficiente para igualá-los. Há escrevinhadores judeus absolutamente abjetos. Borra-papéis. Estes trazem consigo a mensagem da insatisfação e contestação.

Renunciantes, abriram mão de confortáveis situações e, sobretudo, do reconhecimento universal – preferem enfurnar-se. Mudaram de rumo não porque chegaram ao último terço de suas vidas e vislumbraram logo adiante a curva na estrada. Não são casos de bloqueio criativo, ou depressão. Ao anunciar que vão parar mostraram-se atentos ao que está acontecendo, são refuseniks, objetores de consciência – o pessimismo prova uma intensa criatividade. Agora, sim, alcançaram o apogeu.

Não são suicidas, mas batalhadores, enérgicos, têm fé em valores que poucos percebem inclusive muitos de seus leitores. Questionam não porque querem mais – ao contrário, querem menos. Suas são revoltas contra os excessos e demasias. Protestam em silêncio, esta é a forma mais altiva de criar.

Roth & Kertész não se resignam, vão em frente, certamente têm projetos: o mais perceptível é enfrentar o delirante e degradante culto ao sucesso que converte os mais sublimes desafios em aviltantes assaltos.

Este mesmo culto ao triunfo empurrou Paula Broadwell para a ribalta da fama. Queria uma biografia autorizada do mais condecorado general americano e invalidou-a em seguida. Muitos biógrafos conviveram com seus biografados – o caso mais conhecido é o de James Boswell, cuja biografia de Samuel Johnson, de 1791, é considerada a mais perfeita da literatura inglesa.

Roth ou Kertész não conheciam Paula Broadwell, o que se evidencia é a recusa em tê-la como personagem e contar este tipo de história. Tal como José Saramago, rejeitam os grunhidos da era do Twitter. Macbeth, o demoníaco, vivia em outra dimensão.

Como transformar um livro em um belo esconderijo

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Publicado originalmente no HypeScience

Ladrões dificilmente roubam livros quando invadem casas. A princípio, ladrão algum vai se interessar por seus romances e trilogias ou por suas enciclopédias. Suas prateleiras podem ser os últimos lugares em que ele vai mexer. Por isso mesmo é que os livros são esconderijos perfeitos.

Se quiser guardar pertences valiosos em casa e, ao mesmo tempo, parecer inteligente, faça isso. Mas vai doer: você precisará cortar uma área vertical do capítulo 2 ao capítulo 15. Só resta decidir qual será o livro-vítima.

Materiais e ferramentas necessárias

  • um livro de capa dura
  • uma cola branca
  • uma pequena vasilha ou pote
  • um rolo de filme plástico para embalar alimentos
  • uma lâmina afiada (de preferência uma faca)
  • um pincel
  • um lápis e uma régua
  • uma furadeira
  • um objeto pesado e mais largo que a capa do livro

Dificuldade e custos
Em uma escala de 1 a 10, essa tarefa tem um nível 4 de dificuldade. E os custos giram em torno de R$ 10 a 30. Para reduzir os gastos, não use primeiras-edições, livros raros ou autografados. Fica a dica. Avisar nunca é demais!

Construindo seu esconderijo
Pegue o livro: quanto maior, melhor. Dê preferência para livros que tenham pelo menos 300 páginas e que tenham capa dura. Isso facilitará o trabalho.

Misture a cola: faça uma solução de cola branca com um pouco de água – uma parte de cola para duas partes de água – em uma vasilha. A aparência final deve ficar semelhante à viscosidade de tinta acrílica.

Isole as páginas: agrupe as primeiras 20 páginas do livro com o plástico e se certifique de que estejam bem emboladas de todos os lados. Repita o processo para as últimas 20 páginas.

Passe cola: cubra os três lados das páginas restantes com a mistura de cola. Feche o livro, coloque o objeto pesado em cima e espere secar.

Corte: depois de seco, abra o livro e as páginas revestidas pelo plástico. Utilizando a régua e o lapis, marque a primeira página – daquelas que você passou cola nas laterais – com as margens que você desejar. Coloque o livro sobre uma superfície firme, segure e utilize a furadeira para furar as intersecções do seu desenho das margens. Pare antes de atingir as páginas plastificadas.

Cave: a ideia aqui é utilizar os buracos para que sirvam de pontos de entrada para a lâmina, que tirará o volume do livro. Cave e tenha cuidado para não estragar as partes das páginas que não devem ser retiradas. Se quiser, pode utilizar uma serrinha.
Limpe e cole: termine de limpar as páginas da cavidade e pinte-as com a mistura de cola. Feche o livro, coloque o peso em cima e espere secar.

Adicione uma última camada: uma vez que esteja seco, pinte mais uma vez as páginas e as laterais com a mistura de cola. Feche o livro e espere secar.

Esconda: quando tudo estiver seco, remova os plásticos e coloque o que desejar no espaço interno, como joias, dinheiro e o que mais for possível. Agora é só pôr na prateleira.

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