Maria Júlia e William na Escola Municipal Minas Gerais, na Urca: eles vieram da rede privada - Alexandre Cassiano / Agência O Globo

Maria Júlia e William na Escola Municipal Minas Gerais, na Urca: eles vieram da rede privada – Alexandre Cassiano / Agência O Globo

 

Pelo menos 22,2% das matrículas no município são de estudantes da rede particular

Elenilce Bottari / Darlan de Azevedo, em O globo

RIO — Este ano, pelo menos 40 mil alunos do Rio não vão renovar matrícula na rede privada. Eles disputarão vaga com cerca de 280 mil estudantes de escolas públicas no município e no estado. Nos primeiros dez dias da primeira fase de matrícula para o ano letivo de 2016, 16.081 alunos vindos de unidades particulares se inscreveram em colégios da rede estadual e já representam 14% dos 109.800 inscritos até sexta-feira. No município, a proporção é ainda maior: dos 18 mil que se apresentaram no primeiro dia da pré-matrícula, 4 mil (ou 22,22%) vieram da rede particular. Na opinião de especialistas, a crise econômica, que afeta especialmente a classe média, é o principal fator de uma mudança que, nos últimos anos, vem alterando inclusive o perfil socioeconômico de pais e alunos da rede pública.

Segundo o secretário estadual de Educação, Antonio José Vieira de Paiva Neto, a migração de alunos da rede privada para o estado nos últimos anos tem crescido em torno de dois pontos percentuais ao ano. Segundo ele, além da crise, a melhoria da qualidade do ensino no estado, comprovada pelas avaliações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), tem sido um dos motivos para a mudança do perfil, que estaria impactando de forma positiva a rede pública:

— Pais de alunos de escolas privadas costumam cobrar mais das escolas, têm uma participação maior na vida escolar dos filhos, e isso é muito positivo, porque pressiona a escola a melhorar. É um desafio para a Secretaria de Educação. Também é positiva para esses alunos, que passam a conviver com a diversidade e isso é muito bom para o desenvolvimento desses jovens — afirmou o secretário.

SECRETÁRIO DIZ QUE NÃO FALTARÃO VAGAS

Paiva Neto garante que, apesar do aumento da demanda, não há risco de faltarem vagas na rede estadual de ensino:

— Temos 327 mil vagas, para 220 mil matrículas. Não faltam vagas, o que pode acontecer é uma pressão maior por determinadas escolas, como está ocorrendo hoje com a Escola José Leite Lopes, na Tijuca, onde já estão inscritos três mil alunos para 160 vagas — explicou.

A primeira fase de matrícula vai até o fim do mês. Não existe concurso. Na seleção, costumam ter preferência os alunos da rede pública.

— Mas não faltará vaga também para os alunos da rede privada. Cada aluno escolhe (mais…)