Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Cristovam Buarque

Cidades educadoras

0

Deixar a educação com as cidades é manter escolas sem recursos

1212015-122753_1a1-300x237

Cristovam Buarque, em O Globo

Faz quase seis meses que a presidente Dilma lançou o lema, mas até hoje não definiu como seria a Pátria Educadora, nem o que seu governo fará para construí-la.

Por falta de definição da presidente ou dos marqueteiros que criaram o lema, devemos imaginar como seria a Pátria Educadora e o que fazer para construí-la.

A condição fundamental, óbvia, é ter todas as suas crianças em escolas com a máxima qualidade, o que exige: professores muito bem preparados, escolhidos entre os melhores jovens da sociedade, para isso eles precisam estar entre os profissionais muito bem remunerados, todos bem selecionados e avaliados permanentemente; os prédios das escolas entre os mais bonitos, limpos e confortáveis, com os mais modernos equipamentos de tecnologia da informação, bibliotecas, ginásios poliesportivos e facilidades culturais; todas as crianças em horário integral, durante os 220 dias de aulas por ano, sem paralisações. Quando todas as suas cidades forem assim, a Pátria Educadora não terá analfabetismo de adultos e todos os seus jovens concluirão, na idade certa, o ensino médio, com a qualidade ofertada nos países mais educados do mundo.

Para isso, a Pátria Educadora precisará ter todas suas Cidades Educadoras.

A Pátria Educadora só pode ser construída escola por escola, cidade por cidade, mas cada uma necessita de esforço nacional para apoiá-la. Para fazer suas Cidades Educadoras, o Brasil precisa adotar a educação de suas crianças, independentemente da cidade onde vivem e estudam.

Isso não será possível cortando recursos do Ministério da Educação nem prometendo os simbólicos 10% do PIB ou os royalties de um pretenso pré-sal de tamanho insuficiente para as necessidades da educação brasileira. Muito menos deixando a tarefa de construir a Pátria Educadora para as pobres e desiguais prefeituras do Brasil. Deixar a educação nas mãos das cidades é manter as escolas sem os recursos humanos, financeiros e técnicos necessários e também continuar com nossas crianças em escolas desiguais, conforme a renda dos pais e o orçamento da cidade onde vivem.

A simples evolução do atual degradado sistema escolar municipal não vai permitir construir a Pátria Educadora; o Brasil precisa implantar um novo sistema educacional, substituindo as atuais escolas em um processo ao longo de anos. Uma cidade educadora custa R$ 10 mil por aluno por ano; para atender a 51,7 milhões de alunos em 2035, seriam necessários R$ 517 bilhões. Se o PIB e a receita do setor público crescerem a uma taxa de apenas 2% ao ano, em 2035 o Brasil vai precisar de 6,2% do PIB para transformar o atual sistema da pátria deseducadora no novo sistema federal da Pátria Educadora; ou seja, 0,5% acima dos 5,7% do PIB gastos atualmente, metade dos 10% determinados pela Lei do PNE.

Isso só será possível com a união de todos os brasileiros assumindo a responsabilidade pela educação de todas as crianças do Brasil, não importa a receita fiscal nem a vontade do prefeito da cidade onde elas vivam.

Cristovam Buarque : “O povo brasileiro não dá importância à educação”

0
Após concorrer à Presidência em 2006, Cristovam Buarque foi eleito para o Senado em 2010 Foto: BETO BARATA / ESTADÃO CONTEÚDO

Após concorrer à Presidência em 2006, Cristovam Buarque foi eleito para o Senado em 2010 Foto: BETO BARATA / ESTADÃO CONTEÚDO

Senador pelo PDT, o ex-ministro da Educação deu início a uma vida pública voltada ao combate do analfabetismo e da má qualidade dos colégios brasileiros

Marcelo Gonzatto, no Zero Hora

Poucos homens públicos associaram tanto seu nome a uma causa única quanto o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), 71 anos. O engenheiro mecânico nascido em Recife (PE), primeiro em sua família a alcançar o Ensino Superior, fez da defesa da educação uma pregação monotemática.

Depois do doutorado em Economia na Universidade de Sorbonne, em Paris, onde viveu nove anos exilado para escapar da ditadura militar, deu início a uma vida pública voltada ao combate do analfabetismo e da má qualidade dos colégios brasileiros.

Foi reitor da Universidade de Brasília, governador do Distrito Federal, quando criou o programa Bolsa-Escola, e um polêmico ministro da Educação entre 2003 e 2004 – chegou a pedir que jovens marchassem a Brasília para pedir mais dinheiro para o ensino. Após concorrer à Presidência em 2006, foi eleito para o Senado em 2010. Autor de duas dezenas de livros, recém lançou O Erro do Sucesso, obra em que aborda o esgotamento da civilização industrial e a necessidade do surgimento de uma nova sociedade baseada no humanismo. Na entrevista a seguir, Cristovam detalha sua visão sobre os desafios da educação brasileira.

ENTREVISTA:

Zero Hora — Como o senhor define a qualidade da educação brasileira hoje?

Cristovam Buarque — Se a gente compara a educação brasileira de hoje com a de 30 anos atrás, melhorou. Se compara com o que se exige hoje da educação, nós pioramos. É como se nós avançássemos ficando para trás, porque as exigências educacionais crescem mais rapidamente do que a educação brasileira melhora. Há 30 anos, nem tinha escola para 30% das crianças. Agora, elas estão na escola, mas em escolas muito deficientes.

ZH — O país se preocupou primeiro em aumentar o número de matrículas para depois focar na qualidade. Foi uma estratégia correta?

Cristovam Buarque — Mas esse depois não está acontecendo. A qualidade não está melhorando com a velocidade que o mundo exige. Até poucos anos atrás, uma pessoa sem saber ler tinha emprego. Hoje, é difícil ter emprego sem o Ensino Médio. Recentemente, conversei com um empresário europeu que deixou de investir em Alagoas porque não tinha mão de obra qualificada, e o ramo dele era criação de cavalos. Ele precisava de um número de veterinários que falassem inglês e lessem em inglês que ele não encontrou.

ZH — Quais as principais razões para esse cenário?

Cristovam Buarque — Duas razões. A primeira é cultural. Por algum motivo, o povo brasileiro, incluindo você, eu, sendo pobres ou não, não dá importância à educação. Ninguém é considerado rico no Brasil por ser culto. Você é considerado rico pela casa, pela conta bancária, pelo tamanho do carro, mas não pelo grau de cultura e educação. Mesmo quem gasta dinheiro para estudar não está em busca de cultura, está em busca do emprego que a educação lhe dá. E a segunda razão é social e política: o Brasil é um país dividido em duas classes bem separadas. Tudo o que é da parte rica, a gente resolve. O que é da parte pobre, a gente abandona.

ZH — Foi para forçar a aproximação dessas duas realidades que o senhor propôs que todo político fosse obrigado a matricular os filhos em colégio público?

Cristovam Buarque — Não, foi por questão ética. Se a gente cuida das coisas públicas, não deveria se esconder nas soluções privadas. Mas, voltando à segunda causa do atraso, que é política, nós melhoramos a educação dos filhos dos ricos – inclusive usando dinheiro público para isso. Aí abandonamos a educação dos pobres como abandonamos água, esgoto, transporte, segurança.

ZH — O governo aposta no dinheiro do pré-sal para financiar a educação, que deverá receber o equivalente a 10% do PIB. Esse é o caminho?

Cristovam Buarque — Não, porque não diz como é que terá de ser investido o dinheiro. Se você jogar dinheiro no quintal de uma escola, não melhora a educação. Então é preciso dizer como vai gastar o dinheiro, depois a gente diz de onde vem o dinheiro. Não se fez esse exercício. Em segundo lugar, o pré-sal é uma hipótese, e pouco provável.

ZH — O senhor acha arriscado vincular a educação brasileira ao pré-sal?

Cristovam Buarque — Não é arriscado, é absurdo. Veja bem, é certo reservar o pré-sal para a educação, mas é absurdo vincular a educação ao pré-sal. Primeiro, porque ninguém sabe se vem esse dinheiro. Segundo, ninguém sabe quanto é. Terceiro, se vier, vai demorar muito. Com o preço atual do petróleo, o pré-sal não tem possibilidade de ser explorado. Não compensa. E, com a crise atual da Petrobras, não vejo como vai se explorar o pré-sal.

ZH — Qual seria a melhor forma de financiar a educação?

Cristovam Buarque — Definir de onde se tira o dinheiro. Eu fiz um estudo em que propus 15 fontes de financiamento. Com essas fontes, nós teríamos dinheiro sobrando.

ZH — Seriam parcelas de tributos já existentes?

Cristovam Buarque — Por exemplo: o governo gastou R$ 250 bilhões em isenções fiscais. Só isso já resolveria. Provavelmente, a gente não poderia acabar com toda isenção, tiraria uma parte. Se a gente quiser mesmo fazer uma revolução, por que não cria uma CPME, do jeito que teve uma CPMF (extinta Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, que visava a financiar a saúde), para a educação?

ZH — Mas haveria aceitação no Brasil a um novo tributo?

Cristovam Buarque — Não, porque não se dá importância à educação. Outra: do dinheiro que o BNDES investe em Eike Batista e cia., se a gente pegasse uma parte disso (mais…)

Baixa qualidade no ensino é barreira para ampliar público leitor

0
Em sua biblioteca, a escritora Lucília Garcez posa com 17 obras de sua autoria. Uma delas ensina a escrever melhor redações num livro voltado para alunos que disputam o Enem

Em sua biblioteca, a escritora Lucília Garcez posa com 17 obras de sua autoria. Uma delas ensina a escrever melhor redações num livro voltado para alunos que disputam o Enem

Publicado no Senado Notícias

A escritora Lucília Garcez, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) e a pesquisadora Zoara Failla concordam: a baixa qualidade do ensino no país pode estar contribuindo para afastar os jovens dos livros. Zoara tem, inclusive, dados que mostram a tendência de queda no número de leitores. Gerente-executiva de projetos do Instituto Pró-Livro, formado pelas principais associações de livreiros do país, ela coordenou a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, último levantamento de peso feito no país sobre o assunto.

A sondagem, encomendada ao Ibope e lançada no início de 2012, ouviu cerca de 5 mil pessoas em 315 municípios e concluiu que a parcela de não leitores aumentou de 45%, em 2007, para 50%, em 2011. A pesquisa considerou como leitores as pessoas que declararam ter lido, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos últimos três meses.

— Tem se investido muito em livros e o que se esperava é que tivesse melhorado.

Para a escritora Lucília Garcez, doutora em linguística aplicada pela Universidade de Brasília (UnB), o interesse dos jovens e adultos pela literatura começa na escola, que não cumpre seu papel.

— A escola funciona mal como formadora de leitores. Ela não é capaz de desenvolver na criança uma leitura proficiente, a criança não sai da escola dominando a leitura e os professores não são bons formadores de leitores. Eles não levam a criança a descobrir a leitura como uma fonte de prazer, a descobrir a leitura como uma fonte de conhecimento, como uma fonte de crescimento. Então, a escola falha — diz a escritora, que possui 17 livros publicados, entre eles Técnica de Redação.

Autoajuda

Um dado que chama a atenção é a queda no índice de leitura a partir dos 25 anos de idade. Na faixa até 24 anos, 49% dos entrevistados disseram ser leitores, mas, dos 25 aos 70, o percentual de não leitores foi de 75%.

— Outra falha da nossa escola é essa: por que ela estimula a leitura durante a escolarização e essa leitura não é duradoura? Não permanece? A pessoa não cria o hábito de ler duradouro, para o resto da vida — questiona Lucília Garcez.

O senador Cristovam Buarque, que tem um mandato fortemente ligado à educação, aprofunda a crítica à qualidade do ensino.

— Dizem por aí que nós temos 95% das crianças na escola. Não são escolas. São uns prediozinhos muito ruins, feios e sujos, com algumas pessoas dedicadíssimas, que a gente chama de professor — aponta.

Cristovam Buarque

A pesquisadora Zoara Failla tem opinião semelhante:

— O perfil do professor é muito parecido com o da população como um todo. Se perguntado sobre o último livro que leu, geralmente é de autoajuda, religioso. Ele tem um repertório muito limitado e isso dificulta a indicação de livros de acordo com os interesses das crianças e jovens, que são diferentes em diferentes regiões.

Redes sociais

Lucília Garcez também aponta o Facebook como uma possível causa da queda no número de leitores no Brasil.

— A pesquisa não investigou isso, mas eu conheço pessoas que passam um tempo enorme na frente do computador — avalia.

Para Zoara Failla, o uso de novas tecnologias pode dificultar a aproximação dos livros por quem ainda não foi despertado pelo gosto da leitura. Ela até admite que as pessoas que passam muito tempo na internet têm, por exemplo, o acessso facilitado aos e-books, os livros eletrônicos. Mas, na opinião da pesquisadora, essa facilidade não leva obrigatoriamente à leitura.

Já o senador Cristovam Buarque acredita que a internet e as redes sociais não devem ser consideradas vilãs.

— Se a gente tem uma boa escola, o Facebook vai ajudar as pessoas a ler. Porque você passa a ler pelo computador. A gente tem que colocar mais livros dentro do IPad, mais livros dentro do Kindle e mais formas de educar as crianças a usarem a internet — alerta.

O jornalista e escritor José Godoy, que responde pela 2345678 Clube do Livro, na Rádio CBN, avalia que as redes sociais ajudam na divulgação dos autores e livros.

— Não podemos tratar de forma rasa, culpando a internet e as redes sociais, pois o indivíduo tem múltiplos interesses e consome a cultura de forma individual — argumenta.

Godoy lembra que, nos Estados Unidos, um levantamento feito pela empresa Nielsen, em dezembro do ano passado, mostrou que, mesmo sob forte influência das redes sociais, os jovens e as crianças leem mais por lá.

A pesquisa Children´s Book Summit revelou que o mercado norte-americano de livros infanto-juvenis aumentou 44% na última década. Também apontou que 67% dos entrevistados disseram ler por prazer e que metade afirmou preferir o livro de papel ao e-book.

Ainda de acordo com o levantamento, na faixa etária entre zero a 10 anos de idade, a principal fonte de lazer é o livro. A partir dos 11 anos, a TV e os games começam a dominar o tempo livre da criança. Godoy compara com o Brasil:

— Infelizmente, estamos num país no qual o livro não faz parte do nosso horizonte cultural. Todo mundo tem uma ligação com a música, já teve uma experiência com o cinema, mas o livro não faz parte desse horizonte — destaca.

Nas ruas, maioria das pessoas diz que está lendo

Enquete feita pelo Jornal do Senado, nas ruas de Brasília, revelou apenas uma pessoa não leitora, de acordo com os parâmetros da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. A jornalista Talita Oliveira, 24 anos, disse que o livro mais recente que leu foi (mais…)

Go to Top