Contando e Cantando (Volume 2)

Posts tagged críticas

Autores contam o segredo para ter mais tempo livre – sem desperdícios

0

Jake Knapp e John Zeratsky ensinam como ter mais tempo para você em novo livro. (Ilustração: Davi Augusto //VOCÊ S/A)

Para os autores Jake Knapp e John Zeratsky, deveríamos nos preocupar menos em ser produtivos e mais em reservar tempo para o que é realmente importante

Barbara Nór, na Exame

Ter mais tempo, sim, mas não necessariamente executar mais tarefas. É isso o que defendem Jake Knapp e John Zeratsky no livro Faça Tempo (Intrínseca, 44,90 reais). Os autores, que por anos trabalharam em empresas de tecnologia, ganharam fama com sua primeira obra, Sprint, que revelava o método desenvolvido por eles para testar e criar inovações em pouco tempo no Google.

De lá para cá, eles vêm trabalhando para encontrar novas formas de gerir o tempo — e descobriram que nem sempre é melhor fazer mais coisas mais rápido.

O importante, eles defendem, é que nossa rotina não seja apenas reação automática às demandas dos outros e de distrações como o celular. Só assim é possível, de fato, usar nosso tempo para as coisas que importam, tanto na carreira quanto em nossa vida pessoal.

No livro eles reúnem as táticas que encontraram para retomar o controle e ter mais energia, como cortar redes sociais, dizer “não” mais vezes e otimizar os momentos em que tomavam café ou faziam exercícios — além de escolher ao menos uma tarefa por dia para se concentrar por pelo menos 1 hora. Para os autores, o ideal é que cada um teste as dicas e encontre o que funciona melhor para si mesmo.

Vocês defendem que há uma diferença entre ter tempo e ser mais produtivo. Por que nem sempre fazer muita coisa é melhor?

Jake Knapp: Acho que a palavra “produtivo” é uma falha da língua. Nós a usamos o tempo todo para descrever a ação de completar tarefas e progredir, mas na verdade o que isso realmente significa é que você está produzindo o máximo possível, o mais rápido possível. Esse é um ótimo objetivo para uma fábrica, mas não acho que é assim que deveríamos medir a nós mesmos e a nossos dias.

No lugar disso, preferimos a ideia de ser “proposital” com seu tempo. Isso significa saber o que é importante para você — não apenas o que é importante para seus colegas ou amigos — e fazer com que você tenha tempo para atuar nessa prioridade.

No livro, há a sugestão de que a cada dia reservemos ao menos 1 hora para um projeto ou tarefa que podemos escolher livremente, chamado de “Destaque”. Por que essa rotina é importante?

John Zeratsky: Muitos de nós sentimos que passamos tempo demais em nosso celular, respondendo a e-mails, assistindo à televisão, sentados em reuniões etc. Aí pensamos: “Eu deveria passar menos tempo no Instagram, deveria comer de forma mais saudável, deveria me exercitar”.

Mas os seres humanos são muito ruins em fazer coisas só porque devem fazê-las. O “Destaque” é uma forma prática de identificar para o que você está guardando tempo. Isso faz muita diferença na capacidade de reduzir distrações e a se sentir mais satisfeito em como gasta seu tempo. Quando você encontra tempo para o seu “Destaque”, sente que o dia foi um sucesso.

Uma das críticas que vocês fazem é sobre a lista de tarefas. Qual o problema desse método?

John: Elas são enganosas e sedutoras. Quando pensamos em algo que temos de fazer, colocamos na lista. Quando temos tempo para trabalhar, riscamos um item da lista. Bum! É perfeito.

Mas as listas são um campo minado de maus comportamentos. Colocamos itens sem realmente pensar a respeito e escolhemos as coisas mais rápidas ou fáceis de fazer, não as mais importantes.

Os grandes projetos parecem intimidadores ali parados, então deixamos para depois, e aí nos sentimos mal por nunca ter tempo para eles. Enquanto isso, há muita coisa importante — como passar tempo com a família, fazer o jantar ou se exercitar — que nunca aparece na lista.

Como saber se as listas estão nos ajudando ou atrapalhando?

John: Se você nunca completa os itens de uma lista, pode ser que ela esteja o distraindo do que você realmente quer fazer, em vez de ajudar a ganhar tempo. Isso é o que funciona para mim: se quero fazer algo, coloco isso em minha agenda. Se penso em algo que talvez eu faça, tenho uma lista específica para isso.

No livro vocês falam sobre as Piscinas Infinitas — TV, redes sociais e internet — que nos distraem. A sensação é que não sabemos mais lidar com o tempo livre nem com o tédio.

John: Não sei se já soubemos o que fazer com tempo livre e tédio. Mas, no passado, se ficávamos entediados porque não tínhamos estímulos ou distrações, isso não era uma escolha, era apenas algo que acontecia. Por milhares de anos, humanos evoluíram para prosperar com o tédio e com o silêncio. É por isso que temos ideias no chuveiro, por exemplo, quando nosso cérebro tem uma pausa de todos os ruídos e demandas do mundo.

Quais são as consequências de fugirmos do ócio?

John: Perdemos inspiração, reflexões e descanso se não temos tempo livre. Estamos tão obcecados com produtividade que, quando temos 1 minuto de calma, pensamos “o que posso fazer para usar bem esse tempo?”.

Mas, às vezes, a gente deve desperdiçar tempo. Precisamos sair para uma caminhada ou só olhar pela janela. Felizmente, podemos usar nossas ferramentas tecnológicas, nossas agendas e nossas rotinas diárias para introduzir de volta esse tempo livre em nossa vida.

Professora com Down rebate crítica de desembargadora que publicou fake news sobre Marielle: ‘Quem discrimina é criminoso’

1

Desembargadora Marília Castro Neves do RJ postou críticas a professores com síndrome de Down. Ela é a mesma que divulgou informações falsas sobre a vereadora Marielle Franco.

Publicado no G1

A professora Débora Seabra, primeira professora com síndrome de Down do país, fez uma carta em resposta a uma postagem preconceituosa da desembargadora Marília Castro Neves, do Rio de Janeiro, publicada no fim de semana. Na postagem a desembargadora questiona o que professores com síndrome de Down podem ensinar a alguém. A desembargadora é a mesma que publicou fake news sobre a vereadora Marielle.

“Ouço que o Brasil é o primeiro em alguma coisa!!! Apuro os ouvidos e ouço a pérola: o Brasil é o primeiro país a ter uma professora portadora de síndrome de Down!!! Poxa, pensei, legal, são os programas de inclusão social… Aí me perguntei: o que será que essa professora ensina a quem???? Esperem um momento que eu fui ali me matar e já volto, tá?”, escreveu a desembargadora em sua conta no Facebook.

Também nas redes sociais, a professora Débora Seabra publicou uma carta em resposta à desembargadora. “Não quero bater boca com você! Só quero dizer que tenho síndrome de Down e sou professora auxiliar de crianças em uma escola de Natal (RN). (…) Eu ensino muitas coisas para as crianças. A principal é que elas sejam educadas, tenham respeito pelas outras, aceitem as diferenças de cada uma, ajudem a quem precisa mais. (…) O que eu acho mais importante de tudo isso é ensinar a incluir as crianças e todo mundo pra acabar com o preconceito porque é crime. Quem discrimina é criminoso”, escreveu a professora.

Débora Araújo Seabra de Moura tem 36 anos e trabalha há 13 como professora auxiliar em uma escola particular de Natal. Ela é ainda autora de livro infantil chamado ‘Débora Conta Histórias’ (Alfaguara Brasil, 2013). Por ser considerada exemplo no desenvolvimento de ações educativas no país ela recebeu, em 2015, o Prêmio Darcy Ribeiro de Educação em Brasília.

A desembargadora Marília Castro Neves já havia se envolvido em uma polêmica na última semana quando postou informações falsas sobre a vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro no dia 14 de março. ‘Estava engajada com bandidos’, escreveu a magistrada. Por causa desta postagem, uma representação contra a desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio, foi protocolada no Conselho Nacional de Justiça.

Repúdio

Nesta segunda-feira (19), a Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down publicou uma carta de repúdio “à demonstração de preconceito manifestado por uma autoridade pública, a desembargadora Marília Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, em relação às pessoas com síndrome de Down”.

Na carta, a associação ressalta a luta empreendida pela sociedade e pelo estado brasileiro pela garantia dos direitos das pessoas com deficiência e critica a postura da magistrada. “A FBASD considera que a mensagem carregada de preconceito, ofende, definitivamente, os ditames impostos aos juízes por seu Código de Ética. Textos dessa natureza claramente denigrem a magistratura e, assim, devem ser rigorosamente apurados pelos órgãos competentes, tais quais a Corregedoria do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e o Conselho Nacional de Justiça.”

Com personagens bobinhos, novo romance de John Green é ingênuo demais

0

green

Rodrigo Casarin, no Página Cinco

A clostridium difficile, chamada também de C. diff, é uma bactéria que pode atacar a parte central do intestino grosso, provocando diarreia, dor de barriga e febre. Em casos extremos, cirurgias são necessárias para sanar o problema; em casos mais extremos ainda, pode matar. Como diversas outras bactérias, a C. diff é contraída via contato com superfícies infectadas ou pela troca de secreções com uma pessoa que já a porta. Aza Holmes, uma garota de 16 anos, tem um medo perturbador de adquirir a C. diff.

Aza é a protagonista de “Tartarugas Até Lá Embaixo”, livro de John Green que acaba de sair no Brasil pela Intrínseca. Consagrado graças ao romance “A Culpa é das Estrelas”, que virou um sucesso também no cinema, o escritor norte-americano é conhecido por colocar personagens que sofrem de problemas de saúde em suas narrativas. Dessa vez, o que temos é uma adolescente que, ainda na escola, precisa tentar lidar com o Transtorno Obsessivo-Compulsivo, mais conhecido como TOC, doença mental que aflige quase 5 milhões de brasileiros – e também o próprio autor.

Junto de sua melhor amiga, Aza resolve investigar o desaparecimento de um bilionário que apostava na corrupção junto ao governo para ganhar licitações públicas e tocar obras superfaturadas – não, a narrativa não se passa no Brasil, mas em Indianápolis, capital da Indiana, no meio dos Estados Unidos. Logo que começa a apuração para descobrir onde o endinheirado foi parar, a protagonista reencontra Davis, filho do sumido e um antigo colega de escola. Quem conhece minimamente o estilo de Green, saca logo de cara que ali haverá um romance – e aviso, daqui pra frente o texto trará spoilers.

SONY DSC

“Prazer, tuatara”.

 

História tola e ingênua

Davis é órfão de mãe – Aza, por sua vez, é órfã de pai – e leva uma vida de extremo luxo e conforto graças ao dinheiro sujo conquistado pelo empresário desaparecido. Digo empresário porque, para o garoto, o homem está longe de desempenhar o papel de pai. Em um extremo caricatural, o homem inclusive ordena que, quando morrer, toda a sua imensa fortuna seja doada para uma tuatara, réptil cuja aparência lembra uma iguana, não para seus rebentos (Davis tem um irmão mais novo).

O garoto, então, passa a encarar o dinheiro como uma maldição, desconfia que as pessoas só se aproximam dele por causa da grana e, em uma cena de verossimilhança questionável, pega um pacote de comida do armário, tira 100 mil dólares de dentro dele e entrega a bolada a Aza. Aquilo era um teste: se ela aceitasse a bufunfa e ainda assim voltasse a lhe procurar, saberia que a menina estava interessada em algo além das verdinhas.

A cena dá uma ideia da ingenuidade que dita o tom de “Tartarugas Até Lá Embaixo”. Os personagens da obra são bobinhos, construídos seguindo uma mesma cartilha e sem grandes sutilezas: todos representam o estereótipo de alguém com determinado problema, mas também possuem alguma virtude exacerbada e profundo conhecimento em algo. Davis, por exemplo, que já é um chato normalmente, torna-se ainda mais insuportável quando desembesta a confabular sobre astronomia. Já Aza exige páginas e páginas para falar das paranoias que possui com as bactérias, seu corpo e a própria existência.

“Eu estou no refeitório e começo a pensar que tem um monte de organismos morando dentro de mim e comendo a minha comida por mim, e que eu meio que sou esses organismos, de certa forma… Então eu sou um ser humano tanto quanto sou esse aglomerado nojento de bactérias, e na verdade não tem nada que possa me deixar totalmente limpa, sabe? Porque a sujeira está impregnada no meu corpo inteiro. Não consigo encontrar em mim nenhuma parte, nem a mais profunda, que seja pura, ou intacta, a parte onde supostamente está minha alma. O que significa que as chances de eu ter uma alma são as mesmas que as de uma bactéria”, diz Aza para sua analista.

A preocupação da garota com os microrganismos que vivem dentro dela fazem com que entre em parafuso quando beija Davis. Em sua cabeça, o contato com a língua do menino poderia ser a porta de entrada para uma infinidade de problemas. Em crise, chega a fazer bochecho e a tomar álcool em gel para tentar matar qualquer bactéria. No entanto, já no final da obra, aceita o convite de sua amiga para visitar uma exposição de arte que se passa no esgoto da cidade. Como assim alguém que sequer beija o garoto que pensa amar por ter medo de bactérias se enfia em galerias repletas de fezes, urina, ratos e baratas sem demonstrar nenhuma repulsa?

Essa grande inconsistência é um dos problemas de “Tartarugas até lá Embaixo”. Trata-se de um livro absolutamente ruim? Claro que não. Alguns momentos têm lá sua graça e acho digno o autor tratar de um assunto como o TOC junto aos jovens, mas é uma história bem tola e ingênua. De um escritor tão lido e adorado – Green já vendeu mais de 4,5 milhões de exemplares no Brasil e seu novo livro sai por aqui com tiragem de 200 mil unidades –, deveríamos esperar muito mais.

Há pelo menos dois anos que vinha postergando convidar o quadrinista André Dahmer para conceder uma entrevista ao blog. Motivos não faltavam para o papo, mas a impressão que sempre tive de André é que seu trabalho é tão relevante que qualquer hora é uma boa hora para ouvir o que ele tem a dizer. No entanto, nas últimas semanas ele começou uma nova série de tirinhas: “Brasil Medieval”, a melhor crítica artística (na minha opinião, óbvio) para o momento tenebroso pelo qual o país vem passando. Definitivamente, levando em conta sua série sobre o avanço do fascismo por essas bandas, era a hora de falar com André.

“Não se trata mais do conservadorismo clássico da elite brasileira, que sempre existiu. O buraco é muito mais profundo. Se antes você identificava ideais fascistas apenas em pequenos grupos de lunáticos, como supremacistas brancos, agora você constata que milhões de pessoas simpatizam com ideologias de extrema-direita, como a possibilidade de uma intervenção militar. O mais triste é que a maioria desses simpatizantes estão localizados na ponta mais frágil do sistema: são pessoas pobres e de classe média. Gente que não será contemplada com nenhum benefício, econômico ou social, caso esta e outras barbaridades venham a ser implantadas de fato”, diz o artista sobre os motivos que o levaram a criar a nova série.

Vencedor de quatro HQMix, um dos prêmios mais importantes dos quadrinhos no Brasil, André publica suas tirinhas nos jornais “O Globo” e “Folha de São Paulo” e em sua conta no Twitter. Seu livro “Quadrinhos dos Anos 10”, lançado pela Companhia das Letras, é um dos finalistas do Prêmio Jabuti deste ano. Dentre os sucessos do autor, estão a série “Malvados” e os personagens Emir Saad e Terêncio Horto. O trabalho do artista é focado essencialmente em críticas políticas, sociais e comportamentais.

“Temos um país de 200 milhões de habitantes, mas apenas 75.000 pessoas detém quase 1/4 de toda riqueza do país. Não é preciso ser um gênio para saber que isso não pode dar certo, nem do ponto de vista social, nem do econômico. É um modelo de concentração de renda muito violento, e que gera aberrações enormes no sistema”, diz sobre um dos alvos de seus desenhos. Já sobre nosso momento político e social, observa um povo perplexo diante de “uma quadrilha de bandidos que não importa com a opinião pública”.

Como surgiu a ideia de fazer a série com os cavaleiros medievais que tratam de temas contemporâneos como personagens?

“Brasil Medieval” é uma série que retrata o avanço do novo fascismo no Brasil. Não se trata mais do conservadorismo clássico da elite brasileira, que sempre existiu. O buraco é muito mais profundo. Se antes você identificava ideais fascistas apenas em pequenos grupos de lunáticos, como supremacistas brancos, agora você constata que milhões de pessoas simpatizam com ideologias de extrema-direita, como a possibilidade de uma intervenção militar. O mais triste é que a maioria desses simpatizantes estão localizados na ponta mais frágil do sistema: são pessoas pobres e de classe média. Gente que não será contemplada com nenhum benefício, econômico ou social, caso esta e outras barbaridades venham a ser implantadas de fato, muito pelo contrário. Tanto radicalismo é fruto de um processo de despolitização e demonização da política, além de descrença generalizada nas instituições públicas, como a Justiça e a polícia, por exemplo.

Como você encara esse momento político e principalmente social que estamos vivendo?

Vejo um povo perplexo diante de uma quadrilha de bandidos. Bandidos que não se importam com a opinião pública, porque fazem parte de um governo ilegítimo e, por consequência, sem qualquer compromisso com representatividade. Ora, se sabemos agora que não houve crime de responsabilidade no governo que foi derrubado; se a perícia do Senado e o Ministério Público constataram que Dilma não cometeu tal crime, este é um governo ilegítimo, sim. Agora, além de tudo, descobrimos através de depoimentos de pessoas presas e ligações telefônicas interceptadas, que o impeachment foi construído por corruptos que queriam acabar com a Lava a Jato. Pior: sabemos agora que muitos deles receberam propina para votar pelo impeachment.

A elite econômica também costuma estar no foco de suas críticas. Acha que essa elite é um dos problemas do Brasil?

Há gente rica em todos os lugares do mundo, inclusive em países desenvolvidos. Este não é o ponto. A questão é a histórica e absurda concentração de renda no Brasil, uma das piores do planeta. Temos um país de 200 milhões de habitantes, mas apenas 75.000 pessoas detém quase 1/4 de toda riqueza do país. Não é preciso ser um gênio para saber que isso não pode dar certo, nem do ponto de vista social, nem do econômico. É um modelo de concentração de renda muito violento, e que gera aberrações enormes no sistema. Por exemplo, já temos a segunda maior população carcerária do mundo. São quase 700.000 brasileiros, a maioria negros e pobres, encarcerados. Porém, mesmo com este forte controle social do Estado sobre os mais fracos, a violência só tem aumentado. Como é possível fazer que uma nação prospere dentro de um sistema tão desigual e perverso? É simplesmente impossível.

De que maneira o público costuma reagir às suas tiras? Percebeu alguma mudança no perfil dessas reações nos últimos tempos?

Bem, tenho recebido mensagens de lunáticos em maior quantidade do que de costume. Gente que acredita realmente que há possibilidade do comunismo ser implantado no país, o que é um pensamento totalmente fantasioso e tacanho. Veja, mesmo com uma década e meia com o PT no poder, nada disso aconteceu. Muito pelo contrário: apesar do forte e necessário investimento na área social, os anos Lula também foram marcados pela prosperidade sem precedentes do sistema financeiro e dos bancos, por exemplo. Então, sentir medo da tal ameaça comunista, e através do PT, é de uma ignorância histórica muito grande. Essa obsessão doentia foi construída ao longo dos anos para que agendas extremamente conservadoras avancem, como estamos vendo agora.

No dia das crianças você postou uma mensagem com algum otimismo. O que vislumbra para um futuro? E um futuro próximo?

Como disse, acredito que tempos obscuros formam gerações mais conscientes e libertárias. As próximas gerações saberão muito bem das atrocidades que estão sendo levadas a cabo agora, e os setores responsáveis por elas. Porém, para um futuro próximo, não vejo uma situação de melhora. Assim como as instituições, o povo brasileiro também está muito adoecido e perdido nesse processo todo. O ódio e a descrença, motores do novo fascismo, estão muito entranhados na população.

Em uma época de ataque a museus, por exemplo, vejo que você é um dos artistas que se preocupa e se posiciona de maneira combativa. Na sua avaliação, a classe artística tem feito o mesmo ou tem se omitido? E especificamente os quadrinistas?

É uma questão que também está ligada ao novo fascismo brasileiro, e é claro que precisa ser combatida por todos os artistas. Porém, a onda moralista contra as artes, na minha opinião, não passa de uma cortina de fumaça para tirar o foco de questões fundamentais do atual momento brasileiro: o risco que corre o nosso sistema democrático, a impunidade arquitetada entre os Poderes para livrar corruptos e os direitos que estão sendo roubados das classes trabalhadoras todos os dias.

Nicholas Sparks fala sobre carreira e novo livro, “Dois a Dois

0
Autor esteve recentemente no Brasil para lançamento da publicação | Foto: Divulgação / CP

Autor esteve recentemente no Brasil para lançamento da publicação | Foto: Divulgação / CP

Publicado no Correio do Povo

Poucos escritores se encaixam tão bem na categoria de best-seller como Nicholas Sparks. Com 51 anos – 20 de carreira -, o norte-americano já vendeu mais de 100 milhões de cópias dos 19 livros que lançou. Desses, 11 foram adaptados para o cinema, viraram sucesso de bilheteria e alguns até podem ser considerados clássicos do romance, como “Um Amor para Recordar” e “Diário de Uma Paixão”.

Agora, porém, o escritor decidiu navegar em outras águas. Em vez do romance entre jovens apaixonados, fórmula que o consagrou, ele decidiu investir no drama familiar: em “Dois a Dois”, livro que acaba de chegar ao Brasil, Sparks conta a história de Russ, um homem que vê sua vida desmoronar e que precisa assumir, sozinho, os cuidados de sua filha London, de apenas 5 anos. “É uma história sobre paternidade”, resume Sparks, que é pai de cinco filhos e que acaba de terminar um casamento de 25 anos.

No Brasil, a impressão que fica é que os fãs não se importaram com o distanciamento de Sparks do romance. Em apenas uma noite, foram mais de 1,2 mil livros autografados em São Paulo. Como resultado, um sorriso inabalável em seu rosto, apesar do cansaço. À reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, Sparks falou sobre seu novo livro, sobre as suas inspirações para escrever tantas histórias, sobre novos projetos e sobre ser tachado de escritor “água com açúcar”. A seguir, os melhores trechos da conversa:

O que o senhor espera que as pessoas sintam com a história de ‘Dois a Dois’? O que quer falar com esse livro?

É um livro sobre o amor de um homem por sua filha, com os medos naturais de um pai que tenta ser bom para ela. Mas a trama central, que inspirou o título do livro, é a ideia de que as pessoas não são feitas para percorrer caminhos sozinhas. O mundo é mais fácil quando você tem alguém do seu lado, seja sua família, um amigo ou filhos. Apenas pessoas que se importam com você. São essas duas ideias principais: a paternidade e a necessidade de ter alguém do seu lado.

A história é surpreendente para quem acompanha o seu trabalho. Ela tem um pouco de romance, mas é mais dramática. De onde veio esse desejo de escrever uma história sobre um drama familiar?

Dramas familiares sempre fizeram parte dos meus romances. É fácil pensar sobre os meus livros como sendo apenas histórias de amor, mas é muito mais do que isso. Minhas histórias são mais do que romances, e tem sido muito mais do que isso ao longo de toda a minha carreira. Para mim, é natural escrever sobre um drama familiar. Ele envolve as principais emoções que sentimos e eu acho que, se você as coloca numa história, você ecoa as emoções nos leitores. E com isso eles tendem a lembrar da história muito depois de terminar de ler.

Em “Dois a Dois”, temos duas personagens homossexuais. Mas até hoje não tivemos nenhuma obra sua com personagens principais gays. O sr. pensa em fazer algo assim?

Esses personagens refletem a realidade e eu gosto de romances que refletem a realidade. Tenho familiares que são gays, eu trabalho com homossexuais, e eles acabam nos meus livros. É um movimento natural e isso deve continuar a acontecer.

O sr. não sente vontade de escrever livros de diferentes gêneros? Tenho curiosidade de saber como seria um livro policial escrito pelo sr., ou até mesmo um conto de terror.

É interessante, mas não tenho vontade. Afinal, quando eu escrevo dramas, eu sempre coloco elementos de outros gêneros na história. Meu último livro, No Seu Olhar, se transforma em suspense em determinado momento da história. Na última metade do livro, as pessoas até se perguntam: ‘Cadê o meu romance?’. Já consegui usar suspense, elementos sobrenaturais e até mesmo faroestes em minhas histórias. Não tenho motivo para mudar completamente para um outro gênero literário.

Mas o sr. recebe críticas por ser muito ‘água com açúcar’, não é?

Eu não penso nisso.

Nunca?

Quando escrevo um livro, sei que é o melhor trabalho que posso fazer. Se a minha agente e o meu editor estão felizes com a história, sei que é o melhor resultado que poderia ter. Fico feliz com as minhas histórias, independentemente do que as pessoas digam ou das críticas que meu livro recebe.

E você faz muito sucesso no cinema com essas histórias.

Sim, tive muitos livros adaptados para o cinema. E eu não sei o motivo. Quando Uma Carta de Amor estreou, rendeu mais de US$ 50 milhões de bilheteria e logo começamos a fazer outro filme. E aí fizemos Um Amor para Recordar e foi um sucesso. Arrecadou cerca de US$ 60 milhões, enquanto gastamos US$ 6 milhões. E a partir daí, um sucesso leva a outro.

Qual o segredo para isso?

Meus filmes possuem papéis interessantes para atores, o que atrai bons nomes para minhas produções. É divertido fazer um filme de aventura ou um filme da Marvel, mas esses personagens não possuem alcance. Por isso, bons atores querem atuar em meus filmes e, talvez por isso, eles fazem tanto sucesso.

Você participa da produção dos filmes?

Sempre me envolvo muito. Fico muito envolvido durante o processo de criação, trabalhando com o diretor, me envolvendo com o elenco. E, quando o filme começa, eu deixo os diretores e os atores fazerem seus trabalhos.

Você tem planos de adaptar “Dois a Dois” para o cinema?

Esse é um tipo de história pela qual eu tenho muito interesse em adaptar para o cinema. Mas não é algo imediato.

Qual o sentimento de fazer parte da vidas das pessoas? Afinal, “Diário de Uma Paixão”, por exemplo, marcou uma geração.

É um dos melhores sentimentos do mundo. É muito honroso ter fãs de 15 anos ou 90 anos. Nos lançamentos dos meus livros, encontro mães, filhas, avós. Todas com meus livros. Fico feliz por ter sido capaz de ultrapassar gerações.

Quais são seu planos futuros?

Estou trabalhando num romance, espero terminá-lo até julho. E espero começar outro em seguida, se tiver uma ideia. Mas claro, ainda tenho vida. Tenho filhos, filmes. Não posso parar.

4 lições de vida que a universidade pode ensinar

0

licoes-de-vida-que-a-universidade-pode-ensinar-em-2016-noticias-jpg-

Publicado Universia Brasil

Quando se fala em universidade, o que costuma vir primeiramente à cabeça são provas, aulas, primeiras experiências de emprego, festas, novos amigos, entre outros assuntos. No entanto, o período de graduação podem ter um significado muito maior do que se imagina: é possível aprender lições para a vida inteira, que muitas vezes são ensinadas fora da sala de aula.

Foi pensando nisso que a seguir separamos 4 lições de vida que a universidade pode ensinar. Confira abaixo:


1 – Você nunca para de aprender

O período universitário é marcado por uma série de novos acontecimentos. É hora de conhecer novas pessoas e de ter que lidar com assuntos que antes podiam não ser da sua responsabilidade, como administrar o próprio dinheiro ou participar de projeto acadêmico, por exemplo. Trata-se de aprendizados distintos, mas que provam que há sempre um ensinamento para ser absorvido.


2 – Você deve confiar em si mesmo

A graduação pode ser um momento fundamental no processo de amadurecimento, quando o estudante tem que lidar com as primeiras experiências acadêmicas e profissionais. Em algumas situações, inclusive, será necessário saber lidar com críticas negativas e até mesmo com colegas que duvidam do seu potencial. Nessa hora, você terá que ser confiante e não se deixar abalar por comentários que não contribuam para o seu crescimento.


3 – Você deve priorizar os gastos

Muitos estudantes começam a entender o verdadeiro significado da palavra “economizar” assim que entram na faculdade, principalmente quem vai estudar em outra cidade e passa a morar sozinho, por exemplo. Nesse momento, é necessário saber priorizar os gatos, vendo o que é realmente necessário e o que não precisa ser comprado tão urgentemente. Por exemplo, imagine que você precise comprar um livro para uma prova e também queira ir à festa da faculdade, mas só tem dinheiro para uma coisa: nesse caso, é necessário ter a maturidade para decidir o que é mais urgente.


4 – O mundo acadêmico pode ser bem diferente

A entrada no mercado de trabalho costuma surpreender alguns estudantes, quando notam que existem muitas diferenças entre a vida na faculdade e a rotina da profissão escolhida. Muitas vezes o choque entre o mundo teórico e o profissional pode causar estranheza, mas essa sensação é normal.

 

Go to Top