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Antonio Candido, um dos maiores críticos literários do país, morre aos 98

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antoniocandido

Publicado no UOL

Morreu na madrugada desta sexta-feira (12), aos 98 anos, Antonio Candido de Mello e Souza, um dos maiores críticos literários do país. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas de São Paulo), que recebeu a notícia da filha do escritor.

O velório será realizado hoje das 9h às 17h, no Hospital Albert Einstein, no Morumbi, em São Paulo.
De suas obras de crítica literária, a mais importante é “Formação da Literatura Brasileira (Momentos Decisivos)”, de 1959. Seu estudo sobre o caipira paulista e sua transformação, “Os Parceiros do Rio Bonito” (1964), também é considerado um clássico dos ensaios sociológicos.

Aposentado em 1978 da cadeira de professor titular de teoria literária e literatura comparada da USP, Candido era professor-emérito da USP e da UNESP, e doutor honoris causa da Unicamp.

Nascido no Rio de Janeiro em 1918, Candido ingressou em 1939 no curso de direito da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, graduação que abandonaria no quinto ano, e de ciências sociais e filosofia da USP, que concluiu em 1942.

Em 1941, estreou como crítico literário na revista “Clima”, fundada por ele, com o crítico de teatro Décio de Almeida Prado (1917-2000), o crítico de cinema Paulo Emílio Salles Gomes (1916-1977), a ensaísta Gilda de Mello e Souza (1919-2005), entre outros.

Em 1942, mesmo ano em que concluiu o curso de filosofia, tornou-se professor assistente de sociologia na FFLCH-USP.

No período em que lecionava literatura brasileira na Faculdade de Filosofia de Assis (SP), lança sua obra mais influente: “Formação da Literatura Brasileira” (1959), na qual estuda os momentos decisivos da formação do sistema literário nacional.

Em 1964 publica outra obra de impacto, “Os Parceiros do Rio Bonito”, um ensaio sociológico sobre o caipira paulista, fruto de sua pesquisa de doutorado.

De volta à USP em 1961, onde se aposentaria em 1978, Candido também teve passagens pelas universidades de Paris (1964-1966) e Yale (1968). Após a aposentadoria, continuou ligado às atividades da universidade paulista, principalmente na orientação de trabalhos acadêmicos.

Ao lado de outros intelectuais, como Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982), participou da fundação do PT, em 1980.

Entre os prêmios que recebeu estão o Camões, em 1998, e o Prêmio Internacional Alfonso Reyes, no México, em 2005.

Candido foi casado com Gilda de Mello e Souza, professora de Estética no Departamento de FFLCH-USP, que morreu em 2005.

‘É absurdo que Machado não seja obrigatório’, diz escritor português

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Crítico literário, Pedro Mexia lança obra poética no Brasil - Divulgação

Crítico literário, Pedro Mexia lança obra poética no Brasil – Divulgação

Mariana Filgueiras, em O Globo

RIO — Crítico, apresentador de TV, dramaturgo, tradutor, o português Pedro Mexia é também poeta e fã da literatura brasileira. Jurado do Prêmio Camões, considerado o mais importante prêmio literário em língua portuguesa (e que há poucas semanas elegeu o escritor paulista Raduan Nassar como ganhador de 2016), Mexia tem um livro publicado no Brasil: a coletânea de crônicas “Queria mais é que chovesse”, pela Tinta da China.

É pela mesma editora que ele lança, nesta quarta-feira, “Contratempo”, uma coleção de cem poemas escolhidos para o público brasileiro. No país para o evento — e também para o lançamento de “Breviário do Brasil”, clássico da portuguesa Agustina Bessa-Luís que só agora chegou ao país e cujo prefácio ele assina —, Mexia conversou com O GLOBO, por e-mail, sobre a relação literária ainda tensa entre Brasil e Portugal: “Agustina é a maior escritora portuguesa que os brasileiros desconhecem”.

Pelo segundo ano consecutivo, o senhor é jurado do Prêmio Camões. Sabemos que os prêmios têm imenso peso literário, mas pouco peso comercial. Ganhadora de 2015, Helia Correia continua ausente no Brasil. Raduan Nassar, brasileiro ganhador deste ano, também é desconhecido em Portugal. Como diminuir essa distância entre as láureas e o público?

Independentemente do prestígio que o Prêmio Camões tenha ou não nos dois países e da atenção variável que os premiados recebem da mídia (dependendo da sua notoriedade, acessibilidade etc.), é notória a convivência difícil entre as duas literaturas. Parte da solução está nos currículos escolares (é absurdo que Machado não seja obrigatório nas escolas portuguesas) e na disponibilidade, a preços aceitáveis, de livros brasileiros em Portugal e de livros portugueses no Brasil. A outra parte depende um pouco de os escritores se lerem uns aos outros, se conhecerem, escreverem uns sobre os outros, como aconteceu aliás noutras décadas, quando todos os escritores portugueses sabiam bem quem eram Jorge Amado, Cecília, Bandeira ou Drummond.

Você assina o prefácio de “Breviário do Brasil”, de Agustina Bessa-Luís, um desses clássicos da língua portuguesa que nunca tinham sido editados aqui, até esta semana, quando foi lançado no país pela Tinta da China. E diz: “Amamos o Brasil porque achamos que o compreendemos”. Por que o “Breviário do Brasil” é um bom livro para os brasileiros começarem a ler Agustina?

Achamos, nas últimas décadas, que conhecíamos o Brasil, quando na verdade conhecemos apenas um Brasil de superfície, mesmo que as superfícies nem sempre sejam ilusórias: o Brasil da praia e das canções, das novelas e do futebol. Idolatramos isso, ou detestamos isso, mas não é com isso que ficamos a conhecer o Brasil tal como ele é. O Brasil é um país que tende a ser definido através de clichês. Até os amigos do Brasil cometem esse erro. O “Breviário do Brasil”, de Agustina, foge às ideias feitas e aos lugares-comuns, tratando o Brasil com seriedade, exigência e carinho, como se de fato fosse um país irmão, um gêmeo diferente. E a obra de Agustina Bessa-Luís é toda assim: idiossincrática, impertinente, implacável, brilhante. É a maior escritora portuguesa que os brasileiros desconhecem.

O que o norteou ao escolher quais poesias suas apresentaria ao público brasileiro no livro “Contratempo”?

Adaptei para a edição brasileira a antologia que publiquei há uns anos em Portugal, incluindo poemas de uma coletânea mais recente, e eliminando outros, de modo a manter um número redondo de cem poemas. São os poemas que me parecem mais conseguidos ou mais “representativos”, e que identificam uma mundividência e uma linguagem. Na seleção, evitei apenas alguns textos que têm referências “demasiado” portuguesas, e que só seriam entendidos com (indesejáveis) notas de pé de página.

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