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C.S. Lewis: conheça a história do autor de ‘As Crônicas de Nárnia’

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Os irmãos Lúcia, Susana, Pedro e Edmundo com o leão Aslam (Foto: Divulgação)

Os irmãos Lúcia, Susana, Pedro e Edmundo com o leão Aslam (Foto: Divulgação)

Isabela Moreira, na Galileu

Há 67 anos, a pequena Lúcia se escondia em um guarda-roupa durante um jogo de esconde-esconde contra os irmãos. Entre jaquetas e casacos, ela acabou encontrando um novo mundo: trata-se de Nárnia, uma terra onde animais falam, um leão é a autoridade máxima e crianças humanas têm o poder de mudar a história.

O clássico faz parte da coleção As Crônicas de Nárnia, escrita pelo britânico C.S. Lewis. Foi a partir de uma adaptação animada da história, lançada em 1979, que a pesquisadora brasileira Gabriele Greggersen conheceu o trabalho do autor: “O desenho passava na época do Natal e tinha elementos que me deixavam emocionada”.

Mal sabia ela que aquele seria o início de uma parceria que levaria para o resto da vida. Mestre e doutora em História e Filosofia da Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, a pesquisadora dedicou os últimos 30 anos ao estudo e análise das obras do autor. Considerada a principal especialista em Lewis no Brasil, Greggersen recentemente traduziu cinco livros dele que estão sendo relançandos no Brasil pela editora Thomas Nelson: Cristianismo Puro e Simples, A Abolição do Homem, O Peso da Glória, Os Quatro Amores e Cartas de Um Diabo.

Conversamos com Greggersen sobre o papel da religião na obra de C.S. Lewis e a forma que As Crônicas de Nárnia impactou seus leitores. Confira abaixo:

O cristianismo é uma parte muito importante da vida e da obra dele. Há algumas obras dele, como as de fantasia, em que isso não fica tão claro. Qual foi o papel da religião na obra dele?
Entendo que ele não tinha intenção de fazer proselitismo. Encaro a forma de ele tratar a religião na obra não religiosa como um reflexo natural, porque um autor quando escreve expõe seu mundo interior. Nas entrelinhas, aparecem valores do cristianismo, principalmente questões como amor ao próximo, amizade, busca pela paz, justiça e a igualdade. Nos livros de fantasia não há uma necessidade obrigatória de ler a religião, tanto que há pessoas que não fazem associação com religião nenhuma. Para mim, as obras de fantasia dele não são religiosas: são escritas como clássicos que são respeitados no mundo todo e que têm um conteúdo implícito cristão, isso porque um autor não consegue desligar a crença dele na hora de escrever. O objetivo não era veicular nenhum valor cristão subliminarmente, mas de expressar seu tema interior.

Qual é a importância desses livros que estão ganhando novas edições no Brasil para o conjunto das obras do C.S. Lewis?
A editora foi bem feliz na escolha das obras, porque são, nas recomendações que se fazem sobre a ordem de leitura do Lewis, as primeiras que devem ser lidas. Por exemplo, Cristianismo Puro e Simples é a Bíblia do Lewis, ele trata de várias questões que depois serão tratadas em outros livros. O mesmo se aplica a O Peso da Glória, que são sermões que ele dá abordando questões que depois o inspiraram a escrever outros livros. Já em A Abolição do Homem, vemos o lado educador do Lewis porque nele, o autor trata de educação e ética.

C.S. Lewis (Foto: Wikimedia Commons)

C.S. Lewis (Foto: Wikimedia Commons)

Qual seria a ordem correta para começar a ler Lewis?
Para quem tem uma mente mais sistemática, sugiro O Cristianismo Puro e Simples, mas para quem é mais imaginativo, e não necessariamente quer ficar filosofando, sugiro começar por As Crônicas de Nárnia.

Como foi a experiência de traduzir algumas obras do autor?
Foi um privilégio. Para mim, mais fácil que para outros, pois conheço o autor e as obras todas. A maioria dos tradutores não tem esse estudo todo do autor nem de todas as obras. Ao mesmo tempo, tive uma dificuldade que foi de ficar muito emocionada e envolvida querendo refletir e pensar e fazer novas teses. Mas foi um processo bastante prazeroso.

Uma das palestras que você dá é voltada para os significados éticos e existenciais dentro de As Crônicas de Nárnia. Pode falar sobre o assunto?
É interessante ler As Crônicas em paralelo com Cristianismo Puro e Simples, em que ele fala mais claramente da ética. Lewis fala também em A Abolição do Homem, sobre o tal, que são os valores que ele considera universais na humanidade, que não se aplicam só ao cristianismo, independente da época ou da cultura. Quais valores? Os clássicos da ética aristotélica, por exemplo, que são as virtudes cardeais, que tem a justiça, a temperança, a prudência e a moderação. Esses valores aparecem em várias cenas de As Crônicas: quando as crianças, por exemplo, decidem dar a liderança à Lúcia, apesar de ela ser a mais nova, eles foram prudentes, pois sabiam que a Lúcia conhecia o lugar e que poderia ser uma guia melhor do que o irmão mais velho. E eles também foram humildes nessa hora de reconhecer que uma criança mais nova poderia ter liderança. Tem muitas cenas que mostram coragem, justiça, sabedoria, esses valores transparecem nas cenas de ação, nos diálogos, nas atitudes que as crianças assumem durante o desenrolar da história.

O quarteto Pevensie chegando em Nárnia no filme 'As Crônicas de Nárnia', de 2005 (Foto: Divulgação)

O quarteto Pevensie chegando em Nárnia no filme ‘As Crônicas de Nárnia’, de 2005 (Foto: Divulgação)

Qual das crônicas é a sua favorita?
Sou suspeita para falar porque a minha tese foi sobre “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”. Acho que ela é a chave para entender. Tanto que re-editei o livro da minha tese como “O Leão, a Feiticeira, o Guarda-Roupa e a Bíblia”, pela editora Prisma. Mas gosto muito também de “A Cadeira de Prata”, a próxima crônica que será lançada em filme, porque a Jill recebe uma missão toda especial de resgate do mundo. Essa ideia de que temos uma missão e que existe algo a ser resgatado é uma da qual eu gosto muito. Também tem muita aventura e ação, o resgate do príncipe, que está iludido por uma feiticeira, é toda uma trama da qual eu gosto bastante.

A minha crônica favorita é a primeira, “O Sobrinho do Mago”. Acho bem emocionante a imagem do Aslam cantando e criando um novo mundo.
É que cada crônica conversa com a história de vida de cada um. Elas são bastante abrangentes e tentam apelar para estilos de pessoas diferentes. Tanto que há estudos que até comparam as crônicas com planetas diferentes do Sistema Solar — e dá também para fazer um perfil de personalidade relacionado com cada crônica. Cada uma delas apela para um tipo de pessoa diferente.

Um dos outros tópicos que você aborda nos seus estudos é o Caspian como o “herói narniano”. O que isso significa?
Na verdade, ele como herói de Nárnia foi um trabalho de Hollywood, que gosta de heróis e anti-heróis. Acho que foi mais uma coisa da produção cinematográfica de colocá-lo em destaque do que propriamente a intenção do Lewis. O herói do Lewis é, na verdade, mais parecido com o do Tolkien — que trabalha com o hobbit, o ser mais desprezível do mundo da Terra Média, baixinho, que não gosta de aventuras, meio medroso —, uma figura bizarra que não tem nada a ver com os super-heróis da Marvel. Mas acontece que a figura do herói é universal e tem apelo, tanto que o livro do Caspian é o que mais vende entre os meninos. É uma coisa meio humana de querer ver o herói e escolher um salvador. Nesse sentido que o Lewis trabalha a ideia do salvador. Mas a grande salvadora das crônicas todas, para mim, é a Lúcia.

Pedro e o Príncipe Caspian (Foto: Divulgação)

Pedro e o Príncipe Caspian (Foto: Divulgação)

Por quê?
Primeiro que ela é uma das que mais aparece nas histórias. A Susana sai no começo, o Pedro também fica logo muito velho para participar. A Lúcia também tem um papel importante, até mesmo em “O Príncipe Caspian”, é ela quem tem as visões. Ela tem uma intimidade maior com o Aslam. Essa é uma ideia muito cristã: os grandes santos são os que tiveram mais proximidade com Deus e visões mais aproximadas da divindade. Entre os personagens de Nárnia, a Lúcia é a que mais representa essa ideia do herói santo.

10 escritores brasileiros negros

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Estela Santos, no Homo Literatus

Dez autores que representam a realidade vivida pelas pessoas negras em nosso país
Embora não tenha muito espaço nas grandes editoras e nos grandes eventos literários, existe literatura de boa qualidade escrita por negros e negras no Brasil. É importante haver essa literatura no país, pois ela tem como foco a representatividade, isto é, uma literatura que retrata e explicita o cotidiano, os impasses e os problemas sociais e históricos vivenciados pelas pessoas negras do país.
Esta lista busca indicar, de forma concisa, dez autores, romancistas, poetas, contistas e cronistas. Claro que existem muito mais escritores que igualmente merecem atenção e espaço no mundo literário brasileiro, ainda tão branco e elitista. Abaixo são destacados autores, alguns já muito conhecidos e outros nem tanto, altamente contemporâneos, bem como suas produções literárias. Confira:
 
1. Maria Firmina dos Reis
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A escritora Maria Firmina dos Reis, nascida em São Luís – MA, rompeu barreiras no país e na literatura brasileira. Aos 22 anos, no Maranhão, foi aprovada em um concurso público para a Cadeira de Instrução Primária e, por isso, foi a primeira professora concursada do estado. Seu romance Úrsula (1859) foi o primeiro romance abolicionista brasileiro e, além disso, o primeiro escrito por uma mulher negra no Brasil. No auge da campanha abolicionista, publicou A Escrava (1887), o que reforçou a sua postura antiescravista. Publicou ainda o romance Gupeva(1861); poemas em Parnaso maranhense (1861) e Cantos à beira-mar (1871). Além disso, publicou poemas em alguns jornais e fez algumas composições musicais. Quando se aposentou, em 1880, fundou uma escola mista e gratuita.
 
2. Carolina Maria de Jesus
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Carolina Maria de Jesus, moradora da antiga favela do Canindé, em São Paulo, é conhecida por relatos em seu diário, que registravam o cotidiano miserável de uma mulher negra, pobre, mãe, escritora e favelada. Foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, encarregado certa vez de escrever uma matéria sobre uma favela que vinha se expandindo próxima à beira do Rio Tietê, no bairro do Canindé; em meio a todo rebuliço da favela, Dantas conheceu Carolina e percebeu que ela tinha muito a dizer. Seu principal livro é Quarto de despejo (1960), no qual há relatos de seu diário. Também publicou Casa de Alvenaria (1961); Pedaços de fome (1963); Provérbios (1963); postumamente foram publicados Diário de Bitita (1982); Meu estranho diário (1996); entre outros.
 
3. Joel Rufino dos Santos
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O carioca Joel Rufino dos Santos, além de escritor, foi historiador e professor, um dos nomes de referência sobre o estudo da cultura africana no país. Foi exilado por suas ideias políticas contrárias à ditadura militar brasileira e, por isso, morou na Bolívia durante um tempo, mas foi detido quando retornou ao Brasil, em 1973. Também trabalhou como colaborador nas minisséries Abolição e República, de Walter Avancini. Além disso, já ganhou diversas vezes o Prêmio Jabuti de Literatura, o mais importante no país. Publicou os livros Bichos da Terra Tão Pequenos (2010); Claros Sussurros de Celestes (2012); Crônica De Indomáveis Delírios (1991); Na Rota dos Tubarões (2008); Quatro Dias de Rebelião (2007); além de outras publicações não literárias.
 
4. Machado de Assis
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Joaquim Maria Machado de Assis quase dispensa apresentações, pois é considerado o maior nome da literatura brasileira. Além de seus tão conhecidos romances, publicou contos, poemas, peças de teatro e foi pioneiro como cronista. Publicou em inúmeros jornais e foi o fundador da Academia Brasileira de Letras, juntamente com escritor José Veríssimo. Machado de Assis foi eleito presidente da instituição, ocupando este cargo até sua morte. Escreveu mais de 50 obras, mas está para sempre imortalizado por causa das obras Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881); Quincas Borba (1891); Dom Casmurro, (1899) e O Alienista (1882). Vale relembrar que até pouco tempo atrás, era representado como um homem branco em determinadas propagandas.

5. Elisa Lucinda
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Elisa Lucinda dos Campos Gomes é uma poeta brasileira, jornalista, cantora e atriz brasileira. É muito conhecida por suas atuações em novelas da Rede Globo, pelo prêmio que recebeu pelo filme A Última Estação (2012), de Marcio Curi, e pelos seus inúmeros espetáculos e recitais em empresas, teatros e escolas de todo o Brasil. Publicou inúmeros livros, dentre eles A Lua que menstrua (1992); O Semelhante (1995); Eu te amo e suas estreias (1999); A Fúria da Beleza (2006); A Poesia do encontro (2008), com Rubem Alves; Fernando Pessoa, o Cavaleiro de Nada (2014). Além disso, lançou CDs de poesias.
 
6. Cruz e Sousa
cruz e sousa
João da Cruz e Sousa, também conhecido como Dante Negro ou Cisne Negro, foi o único poeta de pura raça negra, não tinha nada de mestiço, segundo Antonio Candido (grande estudioso da literatura brasileira e sociólogo). Era filho de escravos alforriados, mas recebeu a tutela e uma educação refinada de seu ex-senhor, o marechal Guilherme Xavier de Sousa – de quem adotou o nome de família, Sousa. Aprendeu línguas como francês, latim e grego. Além disso, aprendeu Matemática e Ciências Naturais. Seus poemas simbolistas são marcados pela musicalidade, pelo individualismo, pelo espiritualismo e pela obsessão pela cor branca. Publicou os livros Broquéis (1893); Missal (1893) Tropos e Fantasias (1885), com Virgílio Várzea; postumamente foram publicados Últimos Sonetos (1905); Evocações (1898); Faróis (1900); Outras evocações (1961); O livro Derradeiro (1961) e Dispersos (1961).
 
7. Mel Adún
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Mel Adún é uma escritora afro-baiana que reside em Salvador. Além disso, é pesquisadora e assessora de imprensa e comunicação do Coletivo Ogum’s Toques. Iniciou sua carreira literária no ano de 2007, escrevendo textos dos mais variados gêneros para diversas idades, sempre retratando a presença do lugar feminino na sociedade brasileira, em especial do feminino negro. Publicou o livro A lua cheia de vento (2015), participou da Coletânea Ogums Toques Negros (2014) e de alguns números da antologia Cadernos Negros.
 
8. Conceição Evaristo
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A escritora brasileira Conceição Evaristo foi criada em uma favela da zona sul de Belo Horizonte. Em sua vida teve de conciliar os estudos com a vida de empregada doméstica, formando-se somente aos 25 anos. No Rio de Janeiro, passou em um concurso público para o magistério e estudou Letras (UFRJ). É mestra em Literatura Brasileira (PUC-RJ) e doutora em Literatura Comparada (UFF). Atualmente, leciona na UFMG como professora visitante. Estreou na literatura em 1990, com obras publicadas na antologia Cadernos Negros. Suas obras abordam tanto a questão da discriminação racial quanto as questões de gênero e de classe. Publicou o romance Ponciá Vicêncio (2003), traduzido para o inglês e publicado nos Estados Unidos em 2007; Poemas da recordação e outros movimentos (2008) e Insubmissas lágrimas de mulheres (2011).
 
9. Fátima Trinchão
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A escritora baiana Fátima Trinchão, graduada em Letras – Francês, publicou seu primeiro texto literário, o poema “Contemplação”, no jornal A tarde. Desde então, várias outras publicações aconteceram. Seus poemas fazem referência a fatos vividos por povos africanos e seus descendentes brasileiros e seus poemas e crônicas estão sempre ligados às questões sociais relevantes para os afrodescendentes. Participou da antologia Hagorah (1984), da antologia Baia de Todos os Encantos (2011), da antologia Versos e Contos (2010), da antologia Versatilavra (2010) e de três números da antologia Cadernos Negros, com contos e poemas. Publicou Contos, crônicas e artigos (2009) e Ecos do passado (2010).
 
10. Elizandra Sousa
Elizandra-Sousa
Elizandra Sousa é uma escritora paulista, formada em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo (Mackenzie). É editora e jornalista responsável da Agenda Cultural da Periferia – Ação Educativa, editora do Fanzine Mjiba e poeta da Cooperifa desde 2004. Publicou o livro Águas da Cabaça (2012), com ilustrações de Salamanda Gonçalves e Renata Felinto (a obra faz parte do projeto Mjiba – Jovens Mulheres Negras em Ação) e Punga (2007), coautoria de Akins Kintê. Participou das antologias Cadernos Negros, Sarau Elo da Corrente, Negrafias; entre outras publicações.

‘Brincava com os livros’, diz cearense vencedor de Olimpíada de Português

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Ceará teve três vencedores, o maior número entre os estados brasileiros (Foto: Iury Holanda/Arquivo pessoal)

Ceará teve três vencedores, o maior número entre os estados brasileiros (Foto: Iury Holanda/Arquivo pessoal)

Três cearenses estão entre os vinte vencedores das olimpíadas.
Eles concorreram com mais de três milhões de estudantes de todo o País.

Verônica Prado, no G1

As estudantes Ester Raquel Fereira de Araújo e Joyce Maria Almeida Correia e a professora Tárcia Maria Gomes Martins, de São Gonçalo do Amarante, e o aluno Carlos Iury Holanda da Silva e a professora Maria Helena Mesquita Martins, de Fortaleza, estão entre os 20 vencedores nacionais da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro. Joyce e Carlos foram vencedores na categoria artigo de opinião. Ester foi vencedora na categoria Crônica.

Os cearenses concorreram com mais de três milhões de alunos que participaram desta edição. A premiação correu no último dia 17, em Brasília e fizeram do estado o maior vencedor na edição 2014 da Olimpíada.

Professora diz que aluno tinha confiança em ganhar o prêmio (Foto: Helena Martins/Arquivo pessoal)

Professora diz que aluno tinha confiança em ganhar
o prêmio (Foto: Helena Martins/Arquivo pessoal)

“Não foi fácil. Foram semanas de dedicação na escrita do texto até chegar em Brasília. Entre milhões de textos do Brasil todo, ficaram 38 finalistas e dentre esses, cinco vencedores nacionais. Estar entre esses cinco textos campeões é algo que ainda não dá pra acreditar. mas a medalha de ouro está aqui no meu pescoço para lembrar que o sonho é mesmo real”, conta Carlos, que tem 17 anos e cursa o 2º ano do Ensino médio, na Escola de Ensino Fundamental e Médio Renato Braga.

Ele conta que a paixão por livros vem de muito tempo. “Quando eu era bem pequeno, os meus avós não tinham dinheiro para comprar brinquedos e me davam livros. Eu cresci ‘brincando’ com os livros”, diz. “A ficha ainda está caindo. Mas é muito bom ver o crescimento de um aluno, a paixão dele pela leitura e pela escrita. Ele acreditava mais na vitória do que eu”, diz a professora e orientadora, Maria Helena Mesquita Martins, da Escola Renato Braga.

O Ceará foi o único estado brasileiro com três vencedores na Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro e o único também onde uma professora foi vencedora em duas categorias, pela mesma escola e com dois alunos. “É uma felicidade incontida passar por essa experiência”, conta emocionada a professora Tércia Maria Gomes Martins, da Escola Adelino Cunha Alcântara, de São Gonçalo do Amarante.

Ela fala com orgulho das duas alunas vencedoras. “A Ester [Raquel Ferreira de Araújo] é uma menina fantástica, talentosa, espontânea e canta muito bem. De uma família simples, veio de Brasília morar em São Gonçalo do Amarante. Apesar das dificuldades, é muito estudiosa, muito capaz. O pai é o maior incentivador para que ela realize os sonhos”. Estudante do 1º ano do Ensino Médio, a professora conta que Ester ainda não se decidiu pela profissão. “Mas deve ser algo ligado à arte, à música”, acredita.

“A Joyce [Maria Almeida Correia] é maravilhosa, inteligente, capaz. Uma escritora nata, escreve porque tem prazer. Ela já disse que pretende cursar letras”, revela a professora. “A leitura faz parte do cotidiano das duas meninas e isso me enche de orgulho. É muito ver que com persistência e com trabalho sério a gente consegue conquistar os objetivos”, diz.

Concorrentes
Participaram alunos de 5º, 6º, 7º, 8º e 9º anos do Ensino Fundamental e 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio. Os alunos de 5º e 6º anos no gênero Poema, os de 7º e 8º anos desenvolvem textos do gênero Memórias Literárias, 9º ano do ensino Fundamental e 1º ano do Ensino Médio trabalham o gênero Crônica. Os alunos do 2º e 3º anos do Ensino Médio produzem artigos de Opinião. Em 2014, foram realizadas cinco etapas de triagem: escolar, municipal, estadual, regional e, finalmente, a nacional.

Os 20 vencedores nacionais, professores e alunos, receberam medalhas de ouro, um notebook e uma impressora. As escolas nas quais lecionam/estudam os selecionados também foram contempladas com laboratórios de informática, compostos por dez microcomputadores e uma impressora, além de um projetor multimídia e um telão para projeção e livros.

Olimpíada
A Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro é desenvolvida pelo Ministério da Educação e pela Fundação Itaú Social, sob a coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). O programa, que este ano alcançou 5.014 municípios brasileiros, busca aprimorar a prática dos professores em sala de aula para o ensino de leitura e escrita em escolas públicas.

Sérgio Rodrigues e Antonio Prata são finalistas do Prêmio Portugal Telecom

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Antonio Prata

O escritor Antonio Prata durante sabatina promovida pela Folha. Raquel Cunha/Folhapress

Publicado na Folha de S.Paulo

O Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa divulgou nesta quinta (25) seus 12 finalistas.

O Portugal Telecom possui três categorias (romance, poesia, contou ou crônica), cada uma com quatro indicações.

O escritor português nascido em Angola Gonçalo M. Tavares, Sérgio Rodrigues e o colunista da Folha Antonio Prata são alguns dos finalistas.

Cinco dos indicados ao Portugal Telecom (Rodrigues, Prata, Verônica Stigger, Zuca Sardan e Everardo Norões) também concorrem ao Jabuti, tradicional prêmio literário também divulgado nesta semana.

O júri que elegeu as obras foi formado pelos quatro atuais curadores —Selma Caetano (curadora-coordenadora), Cintia Moscovitch (curadora de contos/crônicas), Lourival Holanda (curador de romance) e Sérgio Medeiros (curador de poesia)— e pelos seis jurados, democraticamente eleitos pelo corpo inicial de jurados —João Cezar de Castro Rocha, José Castello, Leyla Perrone-Moisés, Luiz Costa Lima, Manuel da Costa Pinto e Regina Zilberman.
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O vencedor de cada categoria irá receber R$ 50 mil. Um dos três ganhará também o Grande Prêmio Portugal Telecom, que oferece mais R$ 50 mil.

O resultado final será divulgado entre o final de novembro e começo de dezembro.

Confira a lista completa de finalistas.

ROMANCE

“A cidade, o Inquisidor e os Ordinários” (Companhia das Letras), de Carlos de Brito e Mello

“Matteo Perdeu o Emprego” (Foz), de Gonçalo M. Tavares

“O Drible” (Companhia das Letras), de Sérgio Rodrigues

“Opsanie Swiata” (Cosac Naify), de Verônica Stigger

POESIA

“Brasa Enganosa” (Patuá), de Guilherme Gontijo Flores

“Observação de Verão Seguido de Fogo” (Móbile Editorial), de Gastão Cruz

“Ximerix” (Cosac Naify), de Zuca Sardan

“Vozes” (Iluminuras), de Ana Luísa Amaral

CONTOU OU CRÔNICA

“Asa de Sereia” (Arquipélago Editorial), de Luís Henrique Pellanda

“Entre Moscas” (Confraria do Verbo), de Everardo Norões

“Nu, de Botas” (Companhia das Letras) de Antonio Prata

“Viva o México” (Tinta da China), de Alexandra Lucas Coelho

10 livros para conhecer Moacyr Scliar

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Moacyr Scliar

Foto: Adriana Franciosi / Ver Descrição

Mistério, romance, história: Scliar escreveu sobre tantos temas que é difícil saber por onde começar a ler. Por isso, separamos 10 obras para curtir o autor

Publicado no Zero Hora

São tantas obras de Moacyr Scliar que nem contando nos dedos do pé e nos da mão você tem o número certo. Mais as crônicas, os ensaios e os livros que, por autocrítica, ele decidiu não incluir em suas antologias.

E é natural que se fique um pouco intimidado pela extensa bibliografia do mais ilustre habitante da história do Bom Fim e não se saiba por onde começar as leituras. Por isso, separamos 10 obras para você saber por onde começar a desvendar o universo múltiplo de Scliar, dos contos aos romances históricos de fôlego.

Se você quer conhecer… o Scliar contista:

O Carnaval dos Animais (1968)

Os contos usam como ponto de partida sugestões provenientes do cotidiano e próximas das vivências do escritor e do leitor. O cenário da maioria das histórias é Porto Alegre, e as características conhecidas do espaço conferem natureza verista às narrativas.

Se você quer conhecer… o Scliar romancista

A Guerra no Bom Fim (1972)

O livro é narrado por Joel, que relembra os tempos de menino quando vivia com a família, judia, na Porto Alegre dos anos 1940… em pleno Bom Fim. É um relato da angústia de uma família de imigrantes judeus – a adaptação a uma realidade e a uma sociedade que não são suas.

A mulher que escreveu a Bíblia

O título é bastante explicativo: a história é um relato fictício sobre uma mulher anônima que, há 3 mil anos, tornou-se autora da primeira versão da Bíblia. Narrativa maliciosa que alterna a dicção bíblica com o baixo calão.

Ajudada por um ex-historiador que se converteu em “terapeuta de vidas passadas”, uma mulher descobre que, no século x a. C., foi uma das setecentas esposas do rei Salomão – a mais feia de todas, mas a única capaz de ler e escrever. Encantado com essa habilidade inusitada, o soberano a encarrega de escrever a história da humanidade – e, em particular, a do povo judeu -, tarefa a que uma junta de escribas se dedica há anos sem sucesso.

O Centauro no Jardim

No interior do Rio Grande do Sul, na pacata família Tratskovsky, nasce um centauro: um ser metade homem, metade cavalo. Seu nome é Guedali, quarto filho de um casal de imigrantes judeus russos. A partir desse evento fantástico, Scliar constrói um romance que se situa entre a fábula e o realismo, evidenciando a dualidade da vida em sociedade, em que é preciso harmonizar individualismo e coletividade.

Os Vendilhões do Templo

A expulsão dos vendilhões do Templo de Jerusalém — relatada em poucas linhas do Evangelho de São Mateus — é o ponto de partida para uma narrativa original, que se desdobra em três épocas: 33 d.C., 1635 e os nossos tempos.

As três histórias se entrelaçam e se iluminam umas às outras, desdobrando de maneira inesperada o núcleo temático do episódio bíblico, com diversas possibilidades cômicas e dramáticas e focalizando suas implicações morais. A exemplo do que fez no premiado A mulher que escreveu a Bíblia, Scliar parte da narrativa bíblica para traçar um painel muito pessoal e bem-humorado dos dilemas de nosso tempo.

Se você quer conhecer… o Scliar médico

Sonhos Tropicais

Romance sobre Oswaldo Cruz, responsável pela introdução no Brasil do controle científico das epidemias e protagonista da Revolta da Vacina. Um diagnóstico preciso de uma sociedade que, travada pela miséria e pelo atraso, abre-se com relutância para a modernidade.

Se você quer conhecer… o Scliar autor infanto-juvenil

Pra você eu conto

Em Pra você eu conto, Juca conta a seu neto a emocionante história de sua primeira paixão: Marta, uma professora que luta contra a repressão e contra os nazistas do Rio Grande do Sul.

Max e os Felinos

O alemão Max, um garoto sensível, cresceu sob a severidade de seu pai que sempre lhe incutiu medos e inseguranças. Envolve-se, mais tarde com Frida, esposa de um militar Nazista, o que faz que tenha que abandonar o país. Em meio a viagem de barco, é obrigado, graças a um naufrágio, a dividir o pequeno espaço de um barco com um imenso Jaguar, um felino que sempre lhe aterrorizou.

O livro tornou-se conhecido após o autor, Moacyr Scliar, comentar em um jornal que o Best Seller A vida de Pi seria parcialmente um plágio de seu livro Max e os Felinos.

Se você quer conhecer… o Scliar cronista

Território das Emoções

Coletânea póstuma de crônicas da Companhia das Letras, publica uma grande amostra dos 30 anos de colaboração de Scliar com Zero Hora.

Se você quer conhecer… o Scliar

O Texto, ou: A vida

Obra que mistura autobiografia com antologia, apresenta textos raros, alguns escritos ainda na adolescência de Scliar.

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