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Posts tagged crowdfunding

Sem dinheiro para manter laboratório, professora da UFRJ lança crowdfunding

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Ione Aguiar, no Brasil Post

A neurocientista Suzana Herculano-Houzel lançou uma campanha de crowdfunding para tentar manter em funcionamento o Laboratório de Neuroanatomia Comparada da UFRJ, que dirige. Por enquanto, já foram arrecadados R$ 15 mil da meta de R$ 100 mil.

Suzana, que é pós-doutora em neurociência pelo Instituto Max Planck, já publicou em periódicos de ponta como a Nature e a Science.

Apesar de ser um dos maiores nomes da ciência brasileira tanto no campo da divulgação científica quanto em produção acadêmica, não está conseguindo manter seu laboratório funcionando.

Apesar de ter conseguido a aprovação, junto ao CNQq, de uma verba de R$ 50 mil — valor irrisório para pesquisas em neurociência –, a equipe do laboratório teve acesso a apenas R$ 6 mil, sem previsão para o repasse do valor restante.

Para manter o núcleo funcionando, Suzana diz ter gastado mais de R$ 15 mil do próprio bolso.

Diante do impasse financeiro, resolveu criar a campanha no site Kickante para “mostrar ao governo como valorizamos a pesquisa científica brasileira”, como informa na descrição da campanha.

As contribuições vão de R$ 20 a R$ 5 mil. Em contrapartida, quem doa ganha recompensas como uma reunião com a neurocientista em seu laboratório, palestras e artigos científicos autografados.

Senhor dos Anéis: Arquitetos lançam crowdfunding para arrecadar dinheiro e construir a cidade de Minas Tirith

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Larissa Baltazar, no Brasil Post

Um grupo de arquitetos pede ajuda da internet para para construir uma versão real da cidade de Minas Tirith, um dos principais cenários da saga O Senhor dos Anéis.

A ideia é erguer a cidade no sul da Inglaterra. Para isso, eles pedem míseros R$ 10 bilhões em menos de dois meses. No site de arrecadação, um dos arquitetos diz:

“Nós todos compartilhamos um amor pela obra de Tolkien [autor dos livros da saga], e um desejo de desafiar a percepção comum de comunidade e arquitetura. Acreditamos que, na realização de Minas Tirith, poderíamos criar não só a atração turística mais notável no planeta, mas também um lugar maravilhosamente único para viver e trabalhar.

Com doações a partir de 100 mil libras, os colaboradores podem se transformar em um Lord ou Lady em Minas Tirith. Segundo a descrição do crowdfunding, esse tipo de doação garante a você e sua família acesso exclusivo a todas as áreas da cidade e uma cadeira no comitê executivo.

É… Ser fã custa caro!

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Garoto elogia diretora de sua escola carente no Facebook e arrecada US$ 1 milhão

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O primeiro depoimento de Vidal à página, que gerou a campanha (Reprodução/Facebbok/humansofnewyork)

O primeiro depoimento de Vidal à página, que gerou a campanha (Reprodução/Facebbok/humansofnewyork)

Publicado no F5

Vidal, um garoto negro e pobre morador do Brooklyn, em Nova York, acabou mudando a vida de seus colegas de escola e da sua diretora.

Estudante da escola pública Mott Hall Bridges, em Brownsville, Vidal contou sua história à página do Facebook “Humans of New York”, que traz a cada dia mini-perfis de personagens interessantes da metrópole norte-americana.

O bairro onde ele vive e estuda tem a maior taxa de criminalidade da cidade de Nova York.

Questionado pelo autor da página sobre quem mais o influenciou na vida, Vidal disse que foi a diretora de sua escola.

“Quando nos metemos em alguma confusão, ela não nos dá suspensão. Ela nos chama à sua sala e explica como somos marginalizados da sociedade. Ela diz que cada vez que alguém falha na escola, uma nova cela de cadeia é construída. Uma vez ela fez todos nós ficarmos em pé, um de cada vez, e disse a cada um de nós que nós somos importantes”, contou o menino.

Tocado pela história, o dono da página do Facebook resolveu criar um “crowdfunding”, uma vaquinha on-line para ajudar a escola de Vidal. A vaquinha já arrecadou mais de US$ 1 milhão (cerca de R$ 2,59 milhões).

O dinheiro será usado para pagar uma viagem para os alunos da Mott Hall Bridges conhecerem Harvard. O restante será usado para pagar a faculdade daqueles que conseguirem ser aceitos para alguma universidade.

Depois do sucesso da campanha, a foto de Vidal foi refeita e acabou angariando ainda mais fundos. A página também decidiu ouvir a diretora da escola, Sra. Lopez. Ela disse que chegou a pensar em desistir das crianças.

“Eu tenho uma coisa para admitir a todos vocês. Antes disso tudo acontecer, eu estava prestes a desistir. Eu estava arrasada. Eu estava prestes a digitar minha carta de demissão. Disse para minha mãe: ‘Mãe, acho que não consigo mais. Eu acho que meus alunos não se importam. Acho que eles não acreditam em si mesmos o suficiente para se importar. Acho que eles não pensam que são bons o suficiente’. Ela me mandou rezar, mas eu disse que estava brava demais para rezar”, contou a diretora.

“Sei que é difícil acreditar, porque vocês nunca me viram arrasada. Mas eu estava arrasada. É igual quando você vê sua mãe arrasada, você a vê chorando porque ela lutou tanto por você e ela acha que você não se importa. É isso que eu sentia. Mas aí, alguns dias depois, eu estava com minha filha em um show da Broadway e antes do início do espetáculo comecei a receber um monte de mensagens de alunos e professores. Vi a cara do Vidal nas mensagens na hora pensei que era coisa ruim, porque geralmente quando a foto de alguém aparece inesperadamente, a gente acha que é coisa ruim. E de repente vi que ele tinha dito uma coisa boa sobre mim. […] Li o que ele disse, li os comentários e lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto. Porque apesar de eu dizer para vocês que vocês são importantes, até aquele momento, eu não me sentia importante”.

Livros na mira do crowdfunding

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noticiaEber Freitas, no Administradores

O financiamento coletivo de projetos criativos e inovadores já é um sucesso inconteste no mundo e no Brasil. O Kickstarter, plataforma mais conhecida, já financiou 75 mil projetos desde a sua criação, em 2009, movimentando aproximadamente US$ 1 bilhão. No Brasil, a pegada é mais cultural — o financiamento coletivo do sétimo álbum de estúdio da banda Dead Fish se tornou, em julho deste ano, a maior campanha do Brasil em valores: R$ 260 mil de 3,2 mil apoiadores.

A próxima fronteira desse modelo de negócios no país é o engessado mercado editorial, que já enfrenta a concorrência da autopublicação. A Bookstorming e a Bookstart, plataformas que foram lançadas neste ano, já colhem frutos: livros publicados em diversas plataformas, novos autores que se tornam conhecidos e a validação do modelo de negócios concluída. O próximo passo é expandir e lucrar.

“Durante estes sete meses já foram publicadas oito obras. Nossa previsão para 2015 é que a média de uma obra por mês suba para, pelo menos dez”, afirma Bernardo Obadia, economista e sócio-diretor da Bookstart. “Aqueles livros que não seriam publicados por uma questão orçamentária ou de mercado, agora podem ser testados e publicados através do Bookstart”.

O funcionamento é semelhante: o interessado inicia a campanha de arrecadação, estabelece a meta e os benefícios para determinadas faixas de contribuições e corre atrás dos mecenas. Se o projeto for bem-sucedido, um percentual do valor arrecadado fica com a plataforma. Porém os benefícios vão além.

“Quando o projeto chega através de uma editora, atuamos como agente intermediário. As empresas ficam com a obrigação de entregar tudo o que foi prometido durante a campanha. No caso dos autores independentes, temos parceiros que prestam os serviços editoriais. O autor chega com o manuscrito e, em caso de sucesso do projeto, sai com o livro publicado”, explica. A Bookstart também oferece serviços agregados, como coaching literário e dicas de comunicação e promoção. Com o original pronto, todo o processo pode ser concluído em até vinte dias.

Tradicionalmente, as obras chegam às editoras através dos próprios autores — com uma chance baixíssima de serem publicados — ou de agentes literários — que dão mais um pouquinho a mais de chances ao ‘vender’ a obra. A internet já bagunçou esse mercado tanto através da pirataria quanto dos novos modelos de negócios e formatos, incluindo o eBook. Com o financiamento coletivo, livros que não teriam chance em um mercado inundado vão para as prateleiras das livrarias.

Baixo risco

A sacada é inverter a lógica da publicação ao colocar o leitor como o responsável financeiro pela sua publicação — uma contribuição de R$ 40 é equivalente ao preço de capa de um livro comum. As pequenas casas editoriais também ganham uma ferramenta de marketing e financiamento sem comprometer o sofrido caixa. A curadoria é outra característica desse tipo de serviço. “O objetivo é oferecer um serviço que fique entre a autopublicação e o trabalho de uma editora profissional. Vamos publicar com alguma qualidade e ao mesmo tempo dar capilaridade para autores independentes”, afirma Obadia.

Feira de livros de Frankfurt celebra o digital, mas segmento impresso dá sinais de vigor

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O controverso serviço de assinatura de e-books da Amazon, em que o cliente paga uma mensalidade para ter direito a acessar livros - ANDY CHEN / NYT

O controverso serviço de assinatura de e-books da Amazon, em que o cliente paga uma mensalidade para ter direito a acessar livros – ANDY CHEN / NYT

Editores mudam foco de tecnologia para o enredo das histórias

Publicado em O Globo [via Bloomberg News]

FRANKFURT – O livro do futuro poderá ser financiado por crowdfunding, ser publicado pelo próprio autor ou estar vinculado a um videogame — o leitor poderá inclusive votar numa virada do enredo. Seja como for, há uma grande chance de que ele será lido em sua versão impressa.

A tônica da versão deste ano da Feira de Livros de Frankfurt, a maior feira editorial do mundo, foi a busca por novos modelos de negócios para um setor que vem sendo confrontado pela digitalização de livros e pelo aumento da supremacia da Amazon.com. À proporção que os hábitos de leitura mudam e os e-books tomam o lugar central do palco, o apetite por boas narrativas ficcionais está mais forte do que nunca.

A Verlag Friedrich Oetinger GmbH, uma editora de livros infantis que vende a série “Hunger Games” na Alemanha, é um exemplo. Ao mesmo tempo em que investe pesadamente em produtos digitais, chegando mesmo a criar sua própria unidade de codificação, o diretor-executivo Till Weitendorf não está dando as costas ao setor impresso.

— Não importa se você tem um livro ou um iPad nas mãos — disse ele em entrevista no estande de sua editora na feira, encerrada no último domingo. — Você precisa de uma grande história. Isso não mudou; foi o mundo em volta que mudou.

À medida que a leitura das pessoas evolui, também evolui a forma como as histórias são contadas. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, 45% dos leitores já leram pelo menos parte de um e-book em seus smartphones, segundo uma pesquisa realizada pela Publishing Technology.

PROJETOS PROMISSORES

Novas tecnologias são apenas parte do quadro geral. Kladde Buchverlag, uma startup com sede Freiburg, na Alemanha, recorre ao crowdfunding para financiar a publicação de seus livros, oferecendo designs de alta qualidade, papéis de luxo e assessoria profissional para autores que querem editar seus próprios livros.

Ela pré-seleciona projetos promissores e usuários de internet decidem quais livros serão publicados por meio de suas doações. Os doadores generosos podem até ganhar o direito de opinar na forma como a trama se desenrola ou sobre o destino de uma personagem, disse Lea Nowak, uma das fundadoras da companhia.

Britta Friedrich, diretora de eventos e programas da Feira de Frankfurt, afirmou que após anos correndo atrás da mais recente novidade tecnológica — de CDs a e-readers e tablets — o setor agora está focando em como explorar essas inovações.

— Os editores veem que não é preciso pular em cada novo vagão — disse ela. — Editores precisam pensar não apenas em novos equipamentos, mas igualmente em novas formas de contar histórias.

Pela primeira vez, disse ela, representantes de companhias de game, tais como Ubisoft Entertainment, estiveram presentes na feira em busca de parceiros. E a tendência já está decolando. “Endgame”, um livro do escritor americano James Frey, está sendo transformado em um game de realidade aumentada pelo Niantic Labs, do Google.

PLATAFORMA DE E-BOOKS

Enquanto publica a tradução alemã de “Endgame”, Oetinger está também tentando aliviar a passagem da leitura offline para on-line com o Tigercreate, uma plataforma para transformar livros ilustrados para crianças em e-books animados e interativos. O processo usado exige uma programação cara para cada novo livro e dispositivo, segundo Weitendorf. Cerca de 40 editores já se alinharam para usar a plataforma, disse ele.

O próximo passo é um serviço de assinatura mediante o qual as crianças poderão acessar os livros, disse Weitendorf, em meio à tentativa da Oetinger de criar um nicho de produto num mercado dominado pela Amazon.

A varejista on-line americana, qua ajudou a criar o mercado de e-book com o lançamento do seu leitor Kindle em 2007, lançou seu serviço de assinatura de e-book, o Kindle Unlimited, na Alemanha um dia antes da abertura da Feira de Frankfurt. Nos Estados Unidos, ela oferece acesso a mais de 700 mil títulos por US$ 9,99 por mês.

MODELOS DE ASSINATURA

A investida da Amazon no mercado de assinatura tornou-a alvo de críticas na feira deste ano, à medida que os autores questionaram o poder da companhia americana sobre lançamentos e preços, ao passo que os editores mostraram uma visão mais otimista.

Harper Collins, da News Corp., é uma das editoras que já colocou parte de seu catálogo disponível para assinatura digital.

— Cerca de 80% dos editores com quem falamos foram positivos — disse Len Vlahos, diretor-executivo do Book Industry Study Group. — Eles dizem que as assinaturas abriram novos mercados para eles, deram a eles nova alavancagem para seus conteúdos e acima de tudo, deram a eles dados muitos valiosos.

AMAZON DIVIDE SETOR

O domínio da Amazon foi demonstrado mais cedo este anos, em meio à disputa com a Hachette Book Group sobre os preços de e-book. Isso levou a Amazon a vetar livros e impedir pré-encomendas, atrasando a entrega e reduzindo descontos. Escritores nos Estados Unidos e na Alemanha fizeram cartas públicas protestando contra a companhia americana.

— A um risco nisso para a Amazon, à medida que as pessoas começaram a pensar: “qual é o meu valor como consumidor?” — disse Michael Norris, um consultor do setor. — Isto pode abrir um ângulo de oportunidade de concorrência.

Por outro lado, a tendência de oferecer acesso do tipo Nerflix a centenas de milhares de livros por um preço baixo cai muito bem com a publicação pelo próprio autor. A maioria dos títulos disponíveis do tipo Amazon Unlimited são do gênero ficção, de histórias policiais a romances de ficção científica.

E, embora analistas estejam descrentes com milhares de livros sendo lançados on-line a cada dia, os autores que estão publicando seus próprios livros discordam.

Nika Lubitsch, cujo romance policial “The 7th Day” (“O sétimo dia”) superou “Cinquenta tons de cinza” do topo da lista dos mais vendidos da Amazon alemã, afirmou que vender on-line permitiu a ela ganhar mais e se conectar melhor com seus leitores.

Ela vendou 470 mil exemplares de seu e-book desde que começou a usar a plataforma on-line da Amazon há dois anos. A companhia americana paga aos autores de 35% a 70% do preço de venda, consideravelmente mais do que os autores recebem tradicionalmente das editoras.

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