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10 lugares que quem ama ler precisa conhecer no Brasil

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Jacob Paes, no Book4you

Quem adora ler sabe que, muitas vezes, é difícil achar aquele lugar aconchegante, silencioso e bem-iluminado para que a leitura seja excelente e dure por mais tempo. Ou ambientes em que se possa conversar sobre as últimas leituras com amigos ou pessoas que você ainda não conhece. E também está sempre à procura de dicas de novos livros para adicionar à readlist. Por isso, separamos algumas sugestões de lugares espalhados pelo Brasil para que você possa aproveitar ainda mais o ato da leitura.

Os lugares que você encontrará a seguir foram descritos por suas próprias organizações e têm muita história para contar, então não deixe de clicar no link de cada um para saber um pouco mais. Também fica mais fácil de montar um roteiro para conhecê-los pessoalmente, que tal? Os links fornecem informações como horário de funcionamento, preços e visitadas guiadas. Além disso, a programação cultural desses locais também merece ser acompanhada, e uma dica nesse sentido é seguir as páginas das instituições nas redes sociais para ficar sempre por dentro das novidades.

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1. Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro (RJ)

“A Biblioteca Nacional (BN) é o órgão responsável pela execução da política governamental de captação, guarda, preservação e difusão da produção intelectual do País. Com mais de 200 anos de história, é a mais antiga instituição cultural brasileira.

Possui um acervo de aproximadamente 9 milhões de itens e, por isso, foi considerada pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como uma das principais bibliotecas nacionais do mundo. Para garantir a manutenção desse imenso conjunto de obras, a BN possui laboratórios de restauração e conservação de papel, oficina de encadernação, centro de microfilmagem, fotografia e digitalização”.

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2. Academia Brasileira de Letras, Rio de Janeiro (RJ)

“A Academia Brasileira de Letras (ABL) é uma instituição cultural inaugurada em 20 de julho de 1897 e sediada no Rio de Janeiro, cujo objetivo é o cultivo da língua e da literatura nacionais. Compõe-se a ABL de 40 membros efetivos e perpétuos, e 20 sócios correspondentes estrangeiros”. É possível visitar a sede histórica e acompanhar “ciclos de conferências, mesas-redondas, sessões especiais, eventos relacionados à música e a teatro, e ainda, lançamentos de livros”.

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3. Real Gabinete Português de Leitura, Rio de Janeiro (RJ)

“Pelo seu prestígio nos meios intelectuais, pela beleza arquitetônica do edifício da sua sede, pela importância do acervo bibliográfico e ainda pelas atividades que desenvolve, o Real Gabinete Português de Leitura é, a todos os títulos, uma instituição notável e que muito dignifica Portugal no Brasil. Em 14 de Maio de 1837, um grupo de 43 emigrantes portugueses do Rio de Janeiro […] reuniu-se na casa do Dr. António José Coelho Lousada, na antiga rua Direita (hoje rua Primeiro de Março), nº 20, e resolveu criar uma biblioteca para ampliar os conhecimentos de seus sócios e dar oportunidade aos portugueses residentes na então capital do Império de ilustrar o seu espírito”. Desde então, essa biblioteca passou por muitas mudanças e hoje é aberta a todo o público.

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4. Casa de José de Alencar, Fortaleza (CE)

“A Casa de José de Alencar está situada no Sítio Alagadiço Novo, no bairro de Messejana, Fortaleza-CE e foi adquirido em 1825 pelo padre José Martiniano de Alencar, pai do escritor cearense José de Alencar, personagem principal da nossa história. Por nove anos, este espaço foi o lar do escritor, autor dos mais renomados títulos da Literatura Nacional, com destaque para as obras ‘Iracema’ e ‘O Guarani’, que foram fortemente influenciadas pelas belezas naturais do estado do Ceará. Em 1965, durante a gestão do reitor Antonio Martins Filho, a Universidade Federal do Ceará adquire o sítio e o mantém até hoje. Passeando pelos espaços, o visitante pode aprender sobre a obra do escritor, ver a história do livro Iracema contada por imagens e saber mais sobre escravidão e cultos afro-brasileiros. A visitação é gratuita”.

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5. Café Coreto, Goiânia (GO)

“Uma cafeteria com com corners de produtos exclusivos”, como itens de decoração e de moda, livros e materiais de papelaria. Na cafetaria, também são servidos “vinhos, cervejas especiais e almoço de segunda à sábado”. A decoração é bucólica, com um pouco da rusticidade típica do interior. Portanto, “um espaço para reunir com amigos ou a trabalho, degustar das delícias do […] cardápio, comprar tranquilamente ou apenas tomar um ótimo café”. Acompanhado, claro, de uma ótima leitura.

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6. Livraria Arte & Letra, Curitiba (PR)

Livraria, café e editora, abriu em 2006 e “sempre teve uma seleção cuidadosa dos livros que temos em nossas estantes, pois a ideia é oferecer algo mais que apenas vender livros. Procuramos por títulos que lemos e gostamos, que temos interesse de algum dia ler ou que sejam importantes para a formação do leitor. A Arte & Letra é um lugar das ideias, da conversa e da discussão. E o melhor caminho é pela formação de leitores e incentivo à leitura. A leitura não faz ninguém melhor que o outro, mas sem dúvida faz com que (mais…)

Os tesouros escondidos nas grandes bibliotecas particulares de Curitiba

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 Miguel Kfouri: chegou a trazer 33 quilos de livros da França de uma vez só Daniel Castellano/Gazeta do Povo

Miguel Kfouri: chegou a trazer 33 quilos de livros da França de uma vez só Daniel Castellano/Gazeta do Povo

 

Elas possuem milhares de exemplares, algumas têm bibliotecária própria e outras ganharam até um apartamento exclusivo para serem abrigadas. Em comum, a imensa paixão de seus donos pelos livros

Susy Murakami, na Gazeta do Povo

O ex-presidente do Tribunal de Justiça do Paraná Miguel Kfouri Neto já chegou a trazer da França 33 quilos de livros – pagos em várias prestações – para completar sua coleção particular.

Paulo Venturelli, professor aposentado da Universidade Federal do Paraná, comprou um apartamento que é habitado por 15 mil seres fantásticos: seus livros. Ele faz questão de os separar por país de origem.

O Caderno G visitou estes templos construídos por meio de décadas de investimento e dedicação. Veja a seguir o que guardam em suas estantes e o que motiva os donos de grandes bibliotecas particulares de Curitiba a manter milhares de obras em suas casas.

Paulo Venturelli – Um apartamento só para os livros

“Quando eu era adolescente, eu tinha um professor que dizia: para ser inteligente, é preciso ler um livro por semana”. O conselho dado ao professor aposentado da Universidade Federal do Paraná Paulo Venturelli foi mais do que seguido à risca. Foi necessário para lá de um livro por semana para encher as estantes do apartamento comprado exclusivamente para abrigar sua biblioteca. Hoje já são 15 mil livros de um acervo que continua crescendo.

O primeiro exemplar ele guarda até hoje: Boitempo, de Carlos Drumond de Andrade, adquirido em 1968 com o dinheiro do almoço do dia. “Almoçar eu almoçaria no dia seguinte. Já o livro poderia não estar mais lá”, recorda.

Assim como essa obra de grande valor pessoal, qualquer outra, entre as milhares, pode ser encontrada “no escuro” pelo professor. Ele sabe onde está cada um dos livros, que ficam separados por país: Brasil, Inglaterra, França, Índia, Japão, Turquia e tantos outros. Os títulos, além de literatura, abordam história, política, futebol e tantos outros também. Tem livros que já leu dez, quinze vezes. “Cada livro que leio é uma vida nova, um universo novo. Tenho uma vida que se renova a cada dia sem o peso da mesmice”.

Entre temas atuais e de seu interesse, alguns são apenas resgate das lembranças da adolescência. Da trilogia da autora francesa Raoul de Navery, que havia lido quando estava no colégio interno, faltava o primeiro volume “Sepultada Viva” que finalmente conseguiu em um sebo. Veio com uma dedicatória datada de 1952 de uma madre para uma aluna. Esse é um dos que ainda hesita em reler. Receia que o encanto produzido pela leitura na adolescência não se repita.

Venturelli também é doutor em literatura, membro da Academia Paranaense de Letras e tem cerca de 20 obras publicadas.

Kfouri: A biblioteca chegou a ter 9 mil exemplares, contando as revistas de jurisprudência, mas hoje tem “apenas” cerca de 3 mil, incluindo outros temasDaniel Castellano/Gazeta do Povo

Kfouri: A biblioteca chegou a ter 9 mil exemplares, contando as revistas de jurisprudência, mas hoje tem “apenas” cerca de 3 mil, incluindo outros temas Daniel Castellano/Gazeta do Povo

 

Miguel Kfouri Neto – 33 quilos de livros

Grandes referências do direito nacional e internacional podem ser encontradas na biblioteca do desembargador e ex-presidente do Tribunal de Justiça do Paraná Miguel Kfouri Neto. O acervo foi sendo montado ao longo de mais de 30 anos com clássicos, lançamentos, obras esgotadas, periódicos e tudo o que poderia ser relevante para o estudo do direito. A biblioteca chegou a ter 9 mil exemplares, contando as revistas de jurisprudência, mas hoje tem “apenas” cerca de 3 mil, incluindo outros temas.

Leitor voraz, Kfouri Neto tem formação em letras e foi professor de português. Mas o vício em comprar livros começou depois de ser aprovado no concurso para magistratura, em 1984. Entre as principais aquisições estavam obras usadas como referência em acórdãos dos tribunais ou citações em petições. “Não sossegava enquanto não adquiria tal livro, se já não o tivesse, para conferir a transcrição”, revela.

Também ia colecionando exemplares para utilizar nas aulas de direito processual civil que lecionava, para o mestrado, doutorado e para os três livros que publicou relacionados ao direito médico e da saúde. Esse tema ocupa em torno de 20% do espaço da biblioteca.

A certa altura, quando ainda morava no interior, sua esposa proibiu a entrada de vendedores de livros em sua casa. “Eu tinha que ver os livros na esquina, longe dos olhos dela”, lembra.

Quando veio a Curitiba teve que ir se desfazendo de uns tantos “com dor no coração”, pois a situação ficara insustentável. Hoje eles ainda ocupam mais de um cômodo da casa, além da biblioteca, contrariando a advertência contida no primeiro livro que leu na magistratura: “De regra, nossas casas e apartamentos já não tem lugar para bibliotecas, além disso, a grande biblioteca é um luxo caro e desnecessário” – A Voz da Toga, Eliézer Rosa.

Biblioteca Roberto Campos: acervo de mais de 8 mil obras com anotações e dedicatórias que podem ser consultadas pelo públicoHenry Milleo/Gazeta do Povo

Biblioteca Roberto Campos: acervo de mais de 8 mil obras com anotações e dedicatórias que podem ser consultadas pelo públicoHenry Milleo/Gazeta do Povo

Biblioteca Roberto Campos – Homenagens de Bill Clinton e da Rainha da Inglaterra

Entrar na sala Roberto Campos, da biblioteca da Universidade Positivo, é como invadir uma parte do universo particular de um dos maiores economistas que o Brasil já teve. Roberto Campos morreu em 2001 e deixou um acervo de mais de 8 mil obras com anotações e dedicatórias que podem ser consultadas pelo público.

Sua vasta coleção de livros foi disputada por várias instituições, sendo, ao final, adquirida pelo Grupo Positivo que não revela o valor pago. O acervo está aberto para consulta pela comunidade em geral, mas não pode ser emprestado.

Admirado pela inteligência e pelo conhecimento na área econômica, Campos foi ministro, embaixador e escritor. Em sua gestão nasceram o Banco Central, o FGTS, a caderneta de poupança. Implementou reformas, elaborou programas de governo, foi também senador, deputado e deixou uma série de outros legados.

A biblioteca expõe cerca de 30 objetos que pertenceram a Campos.

Observando as prateleiras, descobrirá seu interesse pelos mais variados assuntos e grande inclinação pelas biografias. A quantidade de dicionários também impressiona. Um deles, o “Novo dicionário da língua portuguesa”, de Jânio Quadros, conserva a dedicatória do autor: “Ao embaixador Roberto Campos, mesmo sabendo que a obra lhe é supérflua”.

As obras de autoria de Campos também estão disponíveis no acervo. O economista Gustavo Franco foi um dos frequentadores assíduos do local, que serviu de fonte de pesquisa para o seu livro “A leis secretas da economia: revisitando Roberto Campos e as leis do Kafka”.

O espaço faz jus ao valor das obras, sendo elegantemente decorado com peças de artes e objetos antigosHenry Milleo/Gazeta do Povo

O espaço faz jus ao valor das obras, sendo elegantemente decorado com peças de artes e objetos antigosHenry Milleo/Gazeta do Povo

René Dotti – Bibliotecária para cuidar do acervo

Grande admirador das bibliotecas bem formadas, Renê Dotti, um dos mais respeitados juristas do Brasil mantém em casa seu próprio acervo de obras seletas. Livros não se compra por metro, sugere ele.

Não à toa, tem uma coleção de obras raras: do Código do Processo Criminal de Primeira Instância do Império do Brasil, de 1882, a uma edição italiana da ópera O Guarany, de Carlos Gomes, dedicada A sua Maestá Dom Pedro IIº, Imperatore del Brasile. Da obra poética Paraíso Perdido, de John Milton, possui quatro versões, a mais antiga é de 1789.

A bibliotecária, Mônica Catani, contratada para cuidar do acervo, registrou até o momento 5600 obras, mas estima ter mais de 15 mil. O acervo valioso ganhou seus primeiros itens nos anos 50. Em princípio, eram relacionados ao tema de interesse do então estudante de direito. “Mas sempre achei que atividade de advogado era complementada de literatura, de arte…”, ressalta Dotti, que também é membro da Academia Paraense de Letras.

Muitos dos exemplares foram adquiridos em feiras de antiguidade ou em sebos de vários cantos. Mas não é apenas às coleções antigas que Dotti dispensa atenção. Está sempre alerta aos lançamentos ou ao que “está na ordem do dia”. Uma das aquisições mais recentes é reedição de “Ópio dos Intelectuais”, de Raymond Aron, que ganhou nova tradução em 2016.

O espaço faz jus ao valor das obras, sendo elegantemente decorado com peças de artes e objetos antigos. Ao fundo, um minipalco revela que o encanto pelo teatro segue intacto. Antes do direito, Dotti fez parte de um grupo que tinha Ary Fontoura entre seus integrantes.

Todo esse arsenal de conhecimento não fica restrito às quatro paredes da biblioteca. As penitenciárias que visita é um dos destinos das doações que costuma fazer.
Marcelo Almeida – Indicações de Michel Temer

Formado em engenharia civil, Marcelo Almeida, ex-vereador e ex-deputado federal, indica que se tivesse que exercer a profissão seria a de engenheiro dos livros. “O curso de engenharia foi um erro”, aponta. “Eu deveria ter feito jornalismo, letras…”. O entusiasmo pela leitura logo entrega sua afinidade com a área de Humanas.

A relação de amor com os livros tornou-se forte na faculdade e teve como grande cupido o respeitado escritor curitibano Jamil Snege (1939-2003) de quem foi amigo pessoal. “Ele colocou uma frase que mudou minha vida: ‘você vai ser o que você ler”. Desde então, mergulhou na leitura, tendo preferência pelos romances.

Mas em sua biblioteca particular, que deve passar dos 1500 livros, tem também muito de política, urbanismo, história, autoajuda. “Se eu leio autoajuda? Eu leio qualquer coisa. Tirei uma coisa muito boa daqui”, diz, antes de recitar um trecho de “Como Chegar ao Sim”, de William Ury.

Fora os livros pessoais, compra centenas de um mesmo exemplar para distribuir aos integrantes do “Conversa Entre Amigos”, clube que criou há mais de dez anos para reunir leitores e autores e promover discussão sobre as obras. A reunião é feita em torno de cinco vezes ao ano e já teve nomes internacionais e locais, como Mia Couto, J.M. Coetzee, Laurentino Gomes e Domingos Pellegrini.

De épocas de efervescência na política prefere tirar proveito apenas dos assuntos e temas discutidos, ir fundo nas leituras e aprender sobre fundamentos da democracia e governos.

Paulo José da Costa: o sebo Fígaro de Curitiba tem 20 mil livros em estoque. O acervo particular tem “mais ou menos 3 ou 4 mil obras”, calculaDaniel Castellano/Gazeta do Povo

Paulo José da Costa: o sebo Fígaro de Curitiba tem 20 mil livros em estoque. O acervo particular tem “mais ou menos 3 ou 4 mil obras”, calculaDaniel Castellano/Gazeta do Povo

Paulo José da Costa – Discoteca judaica

O gosto pela leitura e o dom para o comércio manifestaram-se desde cedo na vida de Paulo José da Costa. Na década de 50, com 6, 7 anos, já lia as célebres quadrinizações e gibis da época e participava dos eventos onde se faziam trocas de exemplares. “Eu ia com 50 gibis e voltava com 54 e a minha pilha ia sempre aumentando”, relembra.

A pilha cresceu e variou tanto que acabou virando o tradicional sebo Fígaro de Curitiba com 20 mil livros em estoque. O acervo particular tem “mais ou menos 3 ou 4 mil obras”, calcula Costa.

Assim como no estabelecimento, a coleção de casa está mais para “culturoteca”, pois além dos livros, é composta por discos, DVDs e fotografias. Começou com livros sobre música e hoje tem, basicamente, obras de história, música e arte e nada de literatura. “Perdi o gosto pela ficção. Gosto de coisas que aconteceram”, explica. Também por causa do volume prefere limitar-se ao que realmente tem interesse.

Por isso, tem sempre o trabalho de fazer um bom garimpo em bibliotecas privadas inteiras que lhe são oferecidas para compra. De cada cem livros que vão para o sebo, dois ou três ele leva para casa. Nessa de examinar acervos, se depara com fotografias antigas que para ele são valiosas narrativas revelando todo o contexto de uma época ou lugar. Os retratos acabam sendo incorporados ao material adquirido e já superaram em muito o número de livros: cerca de 30 mil.

Muitas obras são raras e algumas de valor inestimável, como um disco de Heitor Villa Lobos com assinatura e um “aprovo” escritos pelo ele. É um disco enviado pela gravadora para avaliação e aprovação do maestro e compositor na década de 1940.

Dica do Chicco Sal

Corpo é encontrado no Parque Náutico, em Curitiba, ao lado de livros de mistério

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Títulos dos livros encontrados com a vítima chamaram a atenção. Foto: Gerson Klaina

Títulos dos livros encontrados com a vítima chamaram a atenção. Foto: Gerson Klaina

 

Lucas Sarzi, no Paraná Online

Ironicamente ou não, Golpe Quase Perfeito e O Tesouro do Cemitério eram os títulos dos livros que estavam com um homem encontrado morto no Parque Náutico, no Boqueirão, em Curitiba. O corpo foi visto por algumas pessoas, que chamaram a Guarda Municipal, por volta das 10h desta sexta-feira (6).

Segundo apurou a Tribuna do Paraná, o homem foi jogado no mato ao lado da rua que dá acesso à Sanepar. A cabeça dele estava parcialmente enterrada na terra. A perícia do Instituto de Criminalística constatou que foram três disparos: um na cabeça, outro no peito e um no braço. Um dos disparos chegou a passar pelo outro lado do corpo.

O homem carregava consigo, nas costas, uma mochila. Além de algumas peças de roupas, um par de tênis e objetos pessoais, nenhum documento foi encontrado. Ele estava totalmente vestido, mas não usava cueca. O que chamou a atenção foram os nomes dos dois livros encontrados na mochila. “Ironia do destino”, disse uma das pessoas que acompanhava o trabalho dos policiais. Próximo aos livros, algumas gotas de sangue apontavam que o homem foi morto na rua.

Para a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o homem era morador de rua. Apesar disso, nenhuma informação sobre os autores ou como o corpo foi deixado no local foi passada aos policiais. Informações que possam ajudar no trabalho de investigação podem ser passadas através do Disque-Denúncia da DHPP, através do telefone 0800-6431-121.

Visitantes do parque acharam o corpo e chamaram a polícia. Foto: Gerson Klaina

Visitantes do parque acharam o corpo e chamaram a polícia. Foto: Gerson Klaina

Extra: homem-livro é visto no Juvevê

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Gaúcho radicado em Curitiba reúne mais de sete mil pensamentos e cria estratégia própria para divulgar livros em bares e restaurantes da cidade

Não há como ignorar Antônio Ribeiro, 62 anos, quando ele se transforma no homem-livro

Não há como ignorar Antônio Ribeiro, 62 anos, quando ele se transforma no homem-livro

Cristiano Castilho, na Gazeta do Povo

O Oil Man que se cuide. Paramentado com um colete de plástico recheado de livros, dotado de alto poder de convencimento, munido de frases feitas afiadas e com brilho natural devido à carequinha que o anuncia de longe – e que, com a ajuda dos óculos, o faz parecer com o Dr. Abobrinha –, Antônio Ribeiro, o homem-livro, está prestes a se tornar o mais novo super-herói lado B de Curitiba.

No Juvevê, é batata. Almoço ou jantar, não importa: o homem-livro sempre estará a postos, pronto para vender ou oferecer de graça seus livrinhos coloridos, coletâneas de pensamentos sobre a felicidade, o sucesso, o dinheiro, a amizade, a ajuda, o amor e o pensar. “Esse aí é alimento para a alma”, costuma dizer Antônio, ao apontar o dedo para a macarronada da sua “vítima”. “Este daqui, alimento para a mente”, completa, ao mostrar sua obra. O homem-livro já peregrinou por 35 restaurantes da região. E, dizem, ninguém reclama.

Sua história lembra a de um caixeiro-viajante moderno. Gaúcho de Porto Alegre, começou a vender livros de porta em porta quando era adolescente. Os Quitutes da Tia Marilu fizeram sucesso estrondoso entre as donas de casa que acompanhavam o programa da Ofélia. Depois, a Biblioteca Científica da Life seduziu professores. A mala que carregava a tiracolo era pesada – “hoje eu sou a mala!”, ri –, mas Antônio se orgulha dos calos que têm nas mãos.

Irmão de sete, o homem-livro ajudava a família com a grana do que vendia. “Em casa, tinha o sorteio do bife”, lembra. Mas a coisa engrenou mesmo quando começou a vender livros para dentistas, já em São Paulo, para onde se mudou aos vinte e poucos anos, depois de largar a faculdade de Agronomia. Porque livros sobre implantes em português eram a maior novidade – os poucos que existiam eram em inglês e espanhol. “Foi uma beleza. Os livros eram baratos, bons e desconhecidos.”

Antônio fez um pé de meia. Até carro comprou, à vista. Pagou a faculdade de Administração no Mackenzie. E montou uma empresa que vende produtos odontológicos. Conheceu alguém. Casou-se com uma curitibana. Separou. Casou novamente. “O terceiro casamento foi com Curitiba, e continuo fiel!”, exalta-se.

Por aqui, continuou com a empresa – a Odontex existe há 35 anos. Antônio é arroz de feira odontológica. E faz questão de divulgar seus livros técnicos – estes ele mesmo escreveu – pessoalmente. Astuto, percebeu que a maioria dos potenciais interessados passava as páginas rapidamente até se deparar com um pequeno pensamento, posicionado estrategicamente no início de cada capítulo. “Toda grande ideia tem um parto”, justifica.

Além de coloridos, os livros de pensamento que vende hoje são pequenos. “Ideal para ler na sala de espera, no ônibus, no avião e no con-ges-tio-na-men-to”, avisa Antônio, irradiante. Fora que “livro grande incomoda e é caro”. Os pensamentos que recolhe são fruto de pesquisa e contribuições de amigos. Somam quase sete mil. Ousado, o homem-livro marcou presença na Bienal do Livro de São Paulo e até em Paraty, na pomposa Flip, ano passado. Ninguém deu bola. Mas ele insiste.

Nas próximas semanas sairão do forno o Livro da Vida, o Livro dos Sonhos, o Livro da Fé, o Livro da Alegria e o Livro do Sexo. “Ah, esse precisa ser vermelho, né?”.

dica do Jarbas Aragão

Escola de Curitiba transforma área abandonada em ‘Bosque da Leitura’

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Professores revitalizam terreno de 76 metros quadrados pendurando livros em árvores para beneficiar de 550 alunos

Espaço foi montado com ajuda de verba reunida em festa junina Arquivo Pessoal

Espaço foi montado com ajuda de verba reunida em festa junina Arquivo Pessoal

Eduardo Vanini em O Globo

RIO – Uma pessegueira e um pé de café estão gerando livros numa escola municipal de Curitiba. O inusitado fato começou a acontecer depois que a direção da Escola Municipal Ayrton Senna da Silva transformou uma área inutilizada de 76 metros quadrados no Bosque da Leitura. Agora, os alunos chegam ao local e “colhem” obras da literatura infanto-juvenil que são penduradas nas árvores pelos professores.

O espaço foi inaugurado na semana passada e conta com mesas e bancos de madeiras. Os livros ficam presos aos galhos por fios de náilon e os estudantes ficam à vontade para manuseá-los.

– Os alunos já estavam acostumados a ir até a biblioteca e sentar à mesa para ler um livro. Mas agora é diferente. Quando chegam ao local, eles se encantam com a ideia de colher um livro e ficam ainda mais curiosos para ler as obras. Assim que acabam, colocam de volta e pegam outro exemplar – conta a vice-diretora da escola, Greyce Serena.

A ideia é que o bosque seja usado também para atividades como rodas de leitura, leituras dramatizadas e até piquenique. A cada 15 dias, todas as turmas terão meia-hora dedicadas ao Bosque da Leitura e, às quartas-feiras, o local fica aberto a toda a escola, que atende a 550 alunos do ensino fundamental e conta com um acervo de sete mil livros.

– O espaço que ocupamos já havia sido usado como horta. Mas fazia tempo que os professores não realizavam atividades ali. Então, começamos a discutir como poderia ser aproveitado. Como fica perto do estacionamento, alguns professores chegaram a sugerir que a área fosse usada para expandir o espaço destinado aos carros, mas queríamos que fosse algo para aos alunos – relata Greyce.

E assim foi feito. Uma paisagista chegou a ser chamada para desenvolver o projeto que, no final das contas, ficou orçado em R$ 7 mil. Mas, com negociações e adaptações, a escola conseguiu chegar ao custo de R$ 5 mil, bancados, na maior parte, com a verba arrecada na última festa junina da escola, que tem 550 alunos do ensino fundamental.

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