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Unesco quer educação para o desenvolvimento sustentável no currículo das escolas

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Organização incluirá o tema na agenda global 2015-2030 que a ONU vai discutir

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Demétrio Weber, no O Globo

NAGOIA, Japão – A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) quer que a chamada educação para o desenvolvimento sustentável faça parte da nova agenda de compromissos globais que será estabelecida pelas Nações Unidas no período 2015-2030. Empenhados em traçar estratégias para que escolas de todo o planeta adotem conceitos de sustentabilidade em seus currículos, 1.100 representantes de 148 países passaram os últimos três dias reunidos em Nagoia, no Japão. Eles concluíram que formar professores e mobilizar a juventude são ações urgentes.

– Não há plano B, porque não existe planeta B – resumiu o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, em mensagem de vídeo exibida aos participantes da Conferência Mundial da Unesco sobre Educação para o Desenvolvimento Sustentável.

A conferência terminou nesta quarta-feira com uma declaração que não define fontes de recursos para financiar ações nos países subdesenvolvidos, apontados como as principais vítimas dos impactos das mudanças climáticas – seja na produção de alimentos ou na intensificação de desastres naturais, incluindo enchentes e secas. A declaração limita-se a convidar os países-membros da Unesco “a alocar e mobilizar recursos substanciais para traduzir políticas em ações”.

O diretor-geral adjunto de Educação da Unesco, Qian Tang, disse que seria prematuro neste momento tratar da criação de um fundo internacional para bancar ações de Educação para o Desenvolvimento Sustentável (ESD, na sigla em inglês). Segundo ele, esse é um debate que deverá ocorrer a partir do ano que vem, na definição de uma agenda global pós-2015.

A conferência em Nagoia marcou o fim da Década das Nações Unidas de Educação para o Desenvolvimento Sustentável, iniciada em 2005. Tal como a imagem de um copo com água pela metade, um balanço dos avanços nos últimos dez anos pode destacar a metade cheia ou vazia do copo, já que 50% dos países declararam ter políticas específicas para tratar do assunto e outros 50%, não.

A realidade, porém, é mais desafiadora. Um dos obstáculos enfrentados pela ESD é o vasto desconhecimento do tema por parte da população:

– Somente 20% dos japoneses sabem o que é ESD. As pessoas pensam que é algo muito sofisticado – disse o ministro da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão, Habukun Shimomura.

A agenda global pós-2015 será definida no âmbito das Nações Unidas, dando continuidade aos chamados Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Esses objetivos foram traçados em 2000, com metas de redução de pobreza e melhoria de indicadores sociais até 2015.

Durante os três dias da conferência em Nagoia, ficou claro o vasto espectro de ações que se encaixam no conceito de ESD. Da dimensão macroeconômica que envolve padrões mundiais de consumo, transporte e produção de energia à decisão individual de um estudante que evita imprimir trabalhos escolares. Nesse sentido, quase tudo relacionado à sustentabilidade – a noção de que as atuais gerações têm o compromisso de manter o mundo habitável para as gerações futuras – pode encaixar-se no conceito de ESD. Não à toa, não havia copos descartáveis na conferência – água e café eram servidos em xícaras de vidro ou copos de plástico duro reutilizáveis.

Entre os representantes brasileiros no evento, estavam quatro estudantes e um professor do Colégio Magnum Agostiniano, de Belo Horizonte. Eles foram selecionados pela Unesco para participar de uma conferência preliminar de jovens de 33 países, em Okayama, na semana passada. Depois, seguiram para a conferência em Nagoia.

O Colégio Magnum, um escola particular que cobra mensalidades de R$ 1.080, recicla o papel usado na escola. Cada sala de aula tem uma lixeira específica para isso, e a atividade garante o sustento da pessoa responsável por recolher o papel. Batizado de Magnum Sustentável, o projeto conta com a participação de alunos.

É o caso de Nádia Eliza, de 16 anos, aluna do 2º ano do ensino médio. Ela concedeu entrevista coletiva ao lado de estudantes de outros países durante a conferência. Nádia contou que a prefeitura de Belo Horizonte não realiza coleta seletiva na área onde fica a escola, mas isso não impediu o colégio de encontrar uma solução sustentável para parte do lixo que produz.

Bernardo Nicolau, de 17 anos e também aluno do 2º ano do ensino médio, participou de uma das sessões da conferência, ao lado de especialistas em educação de diferentes países. Como representante da juventude, ele arrancou aplausos da plateia de mais de 500 pessoas e foi citado na cerimônia de encerramento.

– O que devemos aprender em nossas escolas é que podemos mudar o mundo – disse Bernardo.

Acompanhados pelo professor de geografia Leonardo Luiz Silveira da Silva, os estudantes brasileiros queriam uma declaração mais arrojada por parte dos jovens que participaram da reunião preliminar. O texto final aprovado em Okayama, segundo eles, ficou vago:

– O conteúdo desse documento é muito vago. Se a gente que quer mudanças incisivas chega lá e não consegue, fico imaginando como é quando envolve a política – disse Maria Karolina Matarelli, de 16 anos, apoiada pelo colega de escola Rodrigo de Brito Prates.

O governo brasileiro enviou a Nagoia técnicos do Ministério da Educação (MEC), do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação. O país tem desde 1999 uma política nacional de educação ambiental e já realizou conferências nacionais sobre o tema. Em 2012, o Conselho Nacional de Educação aprovou diretrizes curriculares. O MEC discute atualmente a criação do Programa Nacional Escolas Sustentáveis, que reuniria as ações ligadas ao tema. Uma delas, iniciada no ano passado, repassa de R$ 8 mil a R$ 14 mil para e escolas da rede pública possam desenvolver atividades ligadas à sustentabilidade.

A diretora de Programas da Secretaria-Executiva do MEC, Jaana Flávia Fernandes Nogueira, gostou do que viu em Nagoia. Ela destacou uma publicação do governo do Japão com experiências exitosas de ESD em escolas japonesas:

– A gente também quer mapear as nossas experiências exitosas. Precisamos disseminar a cultura de que a ESD começa com a atitude das pessoas. São pequenas ações – disse Jaana.

 

O currículo de 2014

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Para 46% dos gestores, dois erros de digitação já podem eliminar candidato

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Maíra Amorim, em O Globo

Em seu livro “Socialnomics”, de 2012, o consultor americano Erik Qualman prevê que, por volta de 2022, o currículo de papel estará morto. Mas, enquanto isso não acontece, o documento continua sendo a principal ferramenta utilizada para se conseguir um novo emprego, embora cada vez mais complementado por informações de redes sociais, especialmente as incluídas no LinkedIn.

E, por mais que alguns profissionais apostem na renovação do formato, elaborando currículos criativos e cheios de design, a grande maioria usa mesmo o bom e velho Word. O que não representa qualquer problema, dizem especialistas, desde que alguns aspectos sejam observados.

— O currículo é a primeira apresentação e tem que ter conteúdos básicos, que permitam ao recrutador saber se o candidato atende aos requisitos da vaga — afirma Jacqueline Resch, sócia e diretora da Resch RH, para quem erros de gramática e ortografia são imperdoáveis em um currículo.

Segundo pesquisa feita recentemente nos EUA pela consultoria Robert Half, entretanto, a tolerância dos gestores e recrutadores americanos em relação à quantidade de erros de digitação nos currículos varia. Para 46% dos entrevistados, dois erros bastam para que o candidato seja desconsiderado com base no currículo, enquanto 27% toleram até três erros e 17% só relevam um.

O curioso é que o resultado mostra que os gestores estão mais tolerantes que há cinco anos. Levantamento de 2009 revelava que um erro era o bastante para que um currículo fosse desconsiderado por 40% dos entrevistados. Outros 36% apontaram dois erros e 14%, três. Para Sócrates Melo, diretor de operações da Robert Half, no Brasil, a exigência costuma ser maior.

— Acredito que somos menos tolerantes, mas a necessidade, de fato, gera tolerância. Erros podem existir, sim. Se for grave ou se o volume for grande, eles ganham relevância. Mas se for algo que ocorreu por falta de atenção, por exemplo, eu realmente não vejo tanto problema.

Veja o que destacar e o que não precisa ser incluído no documento:

EDUCAÇÃO:

SIM: É importante destacar os cursos de graduação, pós, mestrado ou doutorado que tenham sido realizados, mas sempre de forma objetiva, indicando o ano de conclusão e, apenas se for relevante, algumas disciplinas cursadas.

NÃO: Não é necessário listar todo o histórico educacional, desde o ensino fundamental. Também não é recomendado incluir cursos que não tenham sido concluídos ou aqueles que foram feitos há muito tempo.

EXPERIÊNCIA:

SIM: Essa parte conta muitos pontos, mas o profissional deve saber resumir bem suas atividades, para o recrutador entendê-las de cara. O currículo ideal não deve ter mais de duas páginas, então longas experiências correm risco de nem serem lidas.

NÃO: Listar todas as experiências profissionais só é pertinente para um recém-formado ou universitário. Se o candidato está em um nível mais sênior no mercado, não faz diferença se ele trabalhou em loja ou deu aula particular no início da carreira.

IDIOMAS:

SIM: A fluência em língua estrangeira deve ser destacada, pois é bastante valorizada. Mas, se o inglês está enferrujado, vale a pena ser honesto e colocar, por exemplo, o ano de conclusão do curso, para indicar possível necessidade de atualização, o que nem sempre será um problema.

NÃO: Indicar que tem “espanhol básico” ou “inglês intermediário” é um dos erros mais cometidos por candidatos. Se a fluência for realmente necessária para a vaga, isso será testado, e a informação do currículo, desmentida.

OBJETIVOS:

SIM: Quem opta por incluir o campo “Objetivos profissionais” no currículo precisa ser sucinto e específico: o candidato deve listar a área de atuação pretendida e explicitar os conhecimentos em poucas linhas e com clareza.

NÃO: “Profissional pró-ativo com objetivo de atuar na área de administração e colaborar com a empresa”. Para colocar um objetivo vago e genérico, que não diz muita coisa, é melhor suprimir essa parte do currículo.

NÃO ESQUECER: Nos contatos, e-mail e celular devem estar sempre visíveis. Não é necessário incluir dados como identidade e CPF. Hoje em dia, recomenda-se também colocar no currículo links para os perfis nas redes sociais ou para blogs ou sites pessoais. Mas isso só vale para o que estiver atualizado. Se o recrutador clicar e vir que o último tweet do candidato é de 2011, poderá desconsiderá-lo. O mesmo vale para o LinkedIn, que, além de atualizado, deve ter uma foto que indique profissionalismo.

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