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Deficiente visual fã de audiolivros fará Enem para cursar história

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Florindo, de 55 anos, é o campeão de acesso a audiolivros na biblioteca.
Como não domina o braile, contará com ajuda de três pessoas no Enem.

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Publicado em G1

Sérgio Florindo, de 55 anos, nasceu totalmente cego, e há cinco anos frequenta a Biblioteca de São Paulo. Ele já prestou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para conseguir a certificação do ensino médio, e neste ano fará a prova novamente de olho em uma vaga no curso de história.

A trajetória de Florindo foi contada na edição deste sábado (17) no programa “Como Será?”, que dedicou o quadro “Hoje é dia de Estudar” ao Enem.

Florindo não domina a literatura em braile, por isso contará com a ajuda de três pessoas para fazer o Enem: uma para ler as perguntas e respostas, outra para responder e uma terceira para escrever a redação.

“Para mim, o grau de dificuldade é maior porque não leio o braile e não uso um computador adaptado. Dependo dos olhos das outras pessoas e de audiolivro”, diz.

Florindo é o campeão de acessos a audiolivros da biblioteca de São Paulo. Já ouviu três num dia só. O seu preferido é Dom Quixote. “Gosto pela mensagem que passa, de que enquanto o homem sonha, se mantém vivo.”

Os audiolivros o fazem conhecer novos lugares. “Enxergo lugares, roupas, fisionomias. O autor dá toda essa minúcia na maneira de escrever. Então para nós que não temos a visão, a gente consegue ser um pouquinho igual a vocês que enxergam neste momento.”

Com o diploma no curso de história, Florindo quer trabalhar em um museu.

Filho de ferroviário arrecada R$ 15 mil na internet para bancar estudos em Stanford, nos EUA

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O estudante Jessé Candido, de 17 anos (foto: Arquivo Pessoal)

O estudante Jessé Candido, de 17 anos (foto: Arquivo Pessoal)

Leonardo Vieira, em O Globo

Filho de um ferroviário e ex-aluno de escola pública, um jovem de 17 anos aprovado em nada menos que seis universidades americanas conseguiu arrecadar mais de R$ 15 mil em uma campanha na internet para financiar sua graduação. Assim, Jessé Leonardo Justino Cândido embarca em setembro para a conceituada Universidade de Stanford, na Califórnia. Essa é apenas mais uma história bem-sucedida de crowdfunding na educação, prática que vem crescendo segundo sites que acolhem as campanhas.

Jessé frequentou aulas em uma escola municipal até a 4ª série do ensino fundamental, quando conseguiu uma bolsa integral para estudar no Colégio Antônio, em Ourinhos (SP). Lá, o menino começou a alimentar seu sonho pela Física e pelas engenharias. Caçula de mais três irmãos, sendo dois bombeiros e uma estudante de Medicina, ele quis traçar seu caminho.

Enquanto não chegava o momento de ir para a universidade, Jessé foi colecionando conquistas em outras áreas acadêmicas. Ao longo do ensino médio, foram 17 medalhas em olimpíadas científicas estaduais e nacionais de Física, Oceanografia, Robótica, Química, Astronomia e Astronáutica. No ano passado, em época de vestibular, o menino conquistou o 1º lugar no Desafio Brasileiro de Matemática Pré-Universitária do Brilliant.

Aprovado em Física na Ufscar, em São Carlos (SP), Engenharia Mecatrônica na UFPR e Medicina na Unioeste (PR), ele foi aceito em Columbia, Universidade de Nova York, Middlebury College, Skidmore College e Universidade Minerva.

— Escolhi Stanford não só pela qualidade do ensino. Lá eu vou cursar o ciclo básico de exatas nos dois primeiros anos e, depois, poderei escolher Física ou Engenharia. Aqui eu teria que decidir agora — explica o rapaz, que participou do programa de financiamento coletivo da Fundação Estudar, que auxilia alunos do ensino médio na obtenção de vagas em instituições americanas. Ele gravou um vídeo contando seus sonhos e pedindo uma pequena ajuda para cumprir sua meta, de R$ 10 mil. Seu apelo está desde o dia 15 de março na plataforma da fundação, com prazo que deve terminar na próxima terça-feira.

OUTROS 16 APROVADOS E FINANCIADOS

Além dele, outros 16 estudantes aprovados em universidades americanas se valeram das “vaquinhas” on-line. Quatro deles conseguiram atingir as metas. Andreia Sales, de 17 anos, é uma delas. Filha de um piloto de aviação comercial e uma engenheira civil, Andreia explica que quis unir os dois conhecimentos em uma só atividade: ser astronauta da Nasa. Com uma vaga garantida na Universidade do Colorado, ela ultrapassou a meta de R$ 12 mil para financiar seus estudos iniciais nos EUA:

— Quero levar o nome do Brasil cada vez mais longe e aumentar a participação das mulheres na ciência.

O crowdfunding na educação já é praticado pela Fundação Estudar desde o ano passado, quando 14 estudantes participaram e oito atingiram as próprias metas, arrecadando mais de R$ 260 mil. Somente para este ano mais de 200 alunos participam do preparatório.

A gerente de educação da fundação, Renata Moraes, explica que as universidades americanas não exigem só boas notas. Segundo ela, o ideal é o candidato participar de projetos sociais, competições e iniciativas que demonstrem proatividade:

— Enquanto você mostra suas boas notas, tem gente que também tem notas altas e ainda dá aulas em um pré-vestibular social. É isso o que as universidades americanas querem. Ir bem nas matérias é só uma obrigação.

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