Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged curso

Para garantir curso em Yale, aluna de SP faz vaquinha virtual e vende brigadeiros no colégio

0
Laís da Silva, de 16 anos, ganhou uma bolsa para fazer um curso de verão na Universidade Yale (Foto: Arquivo pessoal/Laís da Silva)

Laís da Silva, de 16 anos, ganhou uma bolsa para fazer um curso de verão na Universidade Yale (Foto: Arquivo pessoal/Laís da Silva)

 

Bolsista do programa Ismart em um colégio particular de São Paulo, Laís da Silva, de 16 anos, precisa juntar cerca de R$ 10 mil para pagar a passagem e taxas.

Ana Carolina Moreno, no G1

A estudante de São Paulo Laís Gonzales da Silva, de 16 anos, descobriu, na semana passada, que foi aprovada com bolsa integral em um curso de verão da Universidade Yale, nos Estados Unidos. Como não tem condições de arcar com os gastos da passagem de avião e das taxas de visto, ela decidiu buscar ajuda pela internet e com os amigos: criou uma vaquinha virtual e começou a vender brigadeiros na escola em que estuda, o Colégio Bandeirante, como bolsista do programa Ismart.

Em uma semana, a adolescente já conseguiu juntar quase 20% do valor total que calcula ter que gastar para poder fazer o curso Explo Focus Presentes, que oferece aos estudantes um olhar sobre os bastidores dos negócios de entretenimento e comunicação.

Em entrevista ao G1, Laís explicou que o curso, para o qual ganhou bolsa de estudos integral de Yale, a atraiu for oferecer habilidades que ela gostaria de dominar melhor. “A arte e o entretenimento são super poderosos e acho que eu posso usar deles para conscientizar as pessoas sobre as mudanças ambientais, por exemplo”, explicou a jovem, que já decidiu as carreiras que quer seguir: ciências políticas e engenharia ambiental.

Motivada pela história de outros jovens bolsistas do programa do Instituto Social para Motivar, Apoiar e Reconhecer Talentos (Ismart), ela decidiu que quer fazer graduação fora do país, provavelmente nos Estados Unidos. “Quando eu estava no 9°ano eu decidi que era isso que eu queria. Eu queria ser uma inspiração para as pessoas. Além disso, o sistema para entrar nas universidades é mais holístico e isso faz toda a diferença quando comparado com o sistema de vestibulares atuais no Brasil. Lá, existe a possibilidade de fazer duas graduações, ‘major’ e ‘minor’, e como eu quero fazer dois cursos completamente diferentes, essa era uma oportunidade ótima pra mim”, disse ela, que também cogita a possibilidade de fazer o ensino superior na Holanda.

A carreira porém, ela pretende seguir no Brasil. “Por mais que eu queira fazer graduação no exterior, eu quero muito mudar e proteger o meio ambiente brasileiro, mudar as leis ambientais daqui.”

Mudança de vida

Há três anos, porém, a vida de Laís estava bem distante de todos esses planos. Em 2014, ela ainda estudava em uma escola pública no Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo. Laís conta que a mãe, professora da rede pública, lutou para que ela estudasse na melhor escola do bairro e, no 7º ano do ensino fundamental, ela foi uma de dois alunos indicados pela professora da turma para participar do processo de seleção do Ismart. Depois de cursar durante um ano as atividades online do Ismart, ela acabou selecionada para o programa.

No 9º ano, ela estudou meio período em uma escola pública e, na outra parte do tempo, fez o curso preparatório para o vestibulinho do ensino médio do Colégio Bandeirante. Acabou aprovada, com bolsa integral tanto no Bandeirante quanto em um curso de inglês extracurricular.

Desde então, ela diz ter se adaptado ao novo ritmo de vida, que inclui ir ao colégio seis vezes por semana.

“Até entrar no Band eu queria ser veterinária ou bióloga. Depois eu comecei a pensar em biologia marinha, até descobrir a engenharia ambiental. Já as ciências políticas nem passavam perto do meu plano de carreira, até que eu fiz o MONU-EM, que é um modelo das Nações Unidas. Isso aconteceu no ano passado, e eu me apaixonei pela diplomacia. Depois de muita duvida eu cheguei à conclusão de que eu poderia fazer os dois: trabalhar no governo para alterar as leis ambientais. E agora esse é meu grande sonho.”

Agora, ela tenta juntar cerca de R$ 10 mil para garantir sua primeira viagem para fora do Brasil. Entre 15 e 29 de julho, ela ficará no campus da Universidade Yale para participar do curso. E já antecipa o que pretende tirar das atividades, além da prática do inglês e da visita aos museus e bibliotecas. “Eu sempre fui contra o fato de que a arte, no geral, é elitizada… E aprendendo o business por trás do entretenimento, eu acredito que possa tentar mudar essa realidade.”

Após ficar 9 anos sem estudar, gari surpreende ao passar em dois cursos na federal

0

gari-2

Publicado no Amo Direito

Este ano foi de conquistas para uma gari do Tocantins. Após ficar nove anos sem estudar, Solange Ribeiro Chagas, 27 anos, resolveu concluir o ensino médio na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA) e surpreendeu ao ser aprovada em dois cursos na federal: odontologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e licenciatura em computação pelo Instituto Federal do Tocantins (IFTO). Além disso, foi aprovada na primeira fase em medicina da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Em 2007, Solange decidiu parar de ir a escola. Ela estava no primeiro ano do ensino médio e morava em Peixe, região sul do estado. Com filhos para criar, a necessidade de ajudar no orçamento em casa falou mais alto. “A dificuldade era demais, chegava em casa cansada. Ficava desanimada de ir para a escola. Não consegui e parei”, contou ao G1 neste sábado (8).

Em 2015, ela e o marido decidiram fazer o concurso de gari da Prefeitura de Almas. Os dois foram aprovados e se mudaram para a cidade. Nesta época, ela era cobrada pelos irmãos, de que tinha que voltar à sala de aula para concluir o ensino médio e ter uma vida melhor.

No início de 2016, ela resolveu. Mesmo com tantas dificuldades, fez a matrícula no Colégio Estadual Abner Araújo Pacini. “Eu estava muito atrasada, três filhos menores para criar, de 9, 6 e 5 anos. Então decidir fazer pelo EJA e concluiu o ensino médio em dezembro do mesmo ano”.

gari1491908699

Neste período, a rotina ficou ainda mais apertada. Solange acordava às 4 horas, fazia o café e deixava a merenda das crianças pronta. Depois, saia para trabalhar com o marido. Voltava para casa, fazia o almoço e em pouco tempo depois já tinha que estar no trabalho novamente. Terminava o expediente às 17h, descansava e ia para o colégio.

Para ajudar nos estudos, um irmão de Solange que mora em Palmas, sempre levava apostilas e livros atualizados. Ela estudava para o vestibular depois que chegava do colégio até à 1 hora da madrugada. Muitas vezes, preciou abrir mão do sono.

Este ano, ela colheu os frutos. Primeiro, passou no processo seletivo do Instituto Federal do Tocantins, câmpus de Dianópolis, para licenciatura em computação. Fez a matrícula e começou a fazer o curso. Meses depois, outra surpresa. Foi aprovada na Universidade Federal de Santa Catarina, para o curso de odontologia, na cota para quilombola.

Solange também foi aprovada na primeira fase da Universidade Federal do Pará (UFPA) para o curso de medicina.
_________

Isso foi fruto do meu esforço, vendo as dificuldades do dia-a-dia. A única solução que eu tinha e tenho é o estudo.

Ela trancou o curso de licenciatura em computação e já fez a matrícula para o curso de odontologia. Este mês recebeu várias homenagens no colégio e na prefeitura, onde trabalha. “Está todo mundo orgulhoso”, conta ela sorrindo.

Fonte: g1 globo

Em um ano, aluno vai da reprovação na 1ª fase ao 1º lugar em direito na USP

0

joao-vitor-silva-rodrigues-18-foi-o-primeiro-colocado-no-curso-de-direito-da-usp-fuvest-2016-1454450699946_615x470

Publicado em UOL

Quando estava prestes a terminar o 3º ano do ensino médio, João Vitor Silva Rodrigues fez o mesmo que muitos jovens: prestou o vestibular. No seu caso, a única escolha foi o curso de direito na USP (Universidade de Sâo Paulo).

O vestibular é dos concorridos e com fama de difícil, elaborado pela Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular). A lista de aprovados foi divulgada nesta terça (2).

Após uma vida de estudo em escolas públicas, João Vitor não tinha muita confiança em um bom desempenho.

Na primeira tentativa, a Fuvest 2015, ele fez 46 pontos e ficou longe da 2ª fase. Naquele ano, a nota de corte foi 58. Para a seleção de 2016, os candidatos tiveram que acertar 59 das 90 questões para ir à segunda fase. A concorrência foi de 24,47 candidatos por vaga.

Um ano depois, o jovem de 18 anos atingiu seu objetivo de ser aprovado para estudar no Largo São Francisco, casa do tradicional curso de direito da USP, no Centro de São Paulo. O “detalhe” é que ele passou em primeiro lugar.

Achei que tinha coisa errada
“[O primeiro lugar] foi uma surpresa. Quando vi no site, achei que tinha alguma coisa errada. Tirei uma foto e mandei para um professor confirmar para mim. Minha ficha ainda nem caiu”, afirmou o jovem.

A frustração do ano anterior fez João Vitor obter uma rotina e uma disciplina invejáveis. Não que fosse um mau aluno. Mas, a base que adquiriu nas escolas municipais de São Caetano, na Grande São Paulo, onde estudou toda sua vida não foram suficientes.

Por isso, a primeira atitude do jovem em 2015 foi tentar uma bolsa de estudos em um cursinho. Conseguiu apenas 30% e já achou a prova para conseguir o desconto difícil. Mesmo assim, não desanimou. Encarava, diariamente, uma hora de trem e metrô até o cursinho Poliedro, na Vila Mariana, em São Paulo.

No primeiro mês, estava perdido
Chegava por lá por volta das 6h20, tomava café, e começava a aula às 7h. Ficava sentado, prestando atenção em tudo, até às 12h40, almoçava pelas redondezas, e voltava ao cursinho, de onde só saía por volta das 20h, depois de uma maratona de exercícios e de ter todas as dúvidas sanadas pelos professores. Os livros para a Fuvest, ele lia na viagem de metrô e trem para casa.

Os primeiros meses foram complicados. João Vitor tinha clara noção de que estava defasado em relação aos colegas.

“Em fevereiro, comecei a estudar. Estava perdido. Não tinha ideia do que falavam na aula. A maioria dos colegas era de escola particular com mais bagagem do que eu”, contou.

“Em um mês, entrei no ritmo deles. Por meio dos simulados, eu via qual era meu nível. Eram provas específicas para a Fuvest. Nos primeiros, eu tirava média de 3, de zero a 10. Por fim, minha média era de 7 ou 7,5. Fui vendo meu crescimento e tendo uma ideia de pontos fracos e fortes”, completou.

Em junho, com a vida dedicada ao vestibular, João Vitor passou por um baque. Em um sábado de manhã cedo, quando ia a pé para a estação de trem, foi abordado por um assaltante que levou sua mochila e, consequentemente, todas as anotações feitas em sala de aula.

“Todas as minhas anotações, folhas, cadernos e rascunhos eu perdi. Desanimei bastante. Contei para os professores e eles me deram todo o apoio. Passei as férias de julho reescrevendo tudo com base nas fotos das folhas dos cadernos dos meus colegas”, relembrou.

Música também era uma opção
Por pouco, João Vitor não optou por outro curso. Durante oito anos, o jovem estudou música em uma instituição de sua cidade. Hoje, ele é violinista e toca em uma orquestra de São Caetano. Por isso, o curso de música por muito tempo foi uma opção.

“Desde a oitava série, eu tenho a vontade de estudar direito, mas sempre ficava no impasse com música. Agora, penso em me formar em direito, passar em um concurso público, obter uma certa estabilidade e, então, voltar a estudar música”, explicou.

Claro que a música não vai ficar de lado. Em 2015, por causa do vestibular, João Vitor teve de dar um tempo com a orquestra. Mas, agora, já avisou o maestro que vai dividir o violino e as apresentações com sua vida de estudante universitário.​

‘Preta, pobre e periférica, não imaginei estar numa galeria de arte’, diz artista

0

artista

Publicado em Folha de S.Paulo

Jennifer Borges, 28, ou simplesmente J. Lo, nasceu e cresceu em Irajá, zona norte do Rio de Janeiro, querendo ser “artista de galeria”, mas achava que essa realidade estava longe de ser a sua.

Inspirada pela mãe, psicopedagoga, que abriu caminhos e foi a primeira da família a ter ensino superior, Jennifer seguiu caminhos paralelos à arte até os 27 anos: se graduou em história pela UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), onde hoje cursa letras.

A jovem resolveu se aventurar no grafite há um ano, após um empurrão de uma amiga. Acabou virando professora, mas de grafite em escolas municipais cariocas.

Foi quando Jennifer conheceu a Rede Nami, associação feminista de grafiteiras e militantes que usam artes urbanas para promover os direitos das mulheres, fundada pela artista plástica Panmela Castro, 34, finalista do Prêmio Empreendedor Social 2015. Por meio da organização, J.Lo e sua arte chegaram à Galeria Scenarium, no centro do Rio, em setembro de 2015.

“Foi surreal. Nunca imaginei que uma menina preta, pobre, periférica e sapatão conseguiria um dia estar em uma galeria de arte”, conta.

A carioca participou do projeto Afrografiteiras, um programa de formação em arte urbana voltado para mulheres afrobrasileiras.

Leia a seguir o depoimento de Jennifer Borges à Folha.

Meu nome é Jennifer Borges, mas sou conhecida como J. Lo.

Comecei a grafitar há um ano. Uma amiga de São Paulo estava aprendendo as técnicas e fez um desenho na parede da minha sala, fiquei observando e resolvi que iria aprender.

Eu já tinha noção de desenho e arte, sou tatuadora, mas não de grafite.

Comecei a dar oficinas de grafite em uma escola municipal do Rio para crianças e jovens do ensino fundamental 1 e 2. Lá, eu não só ensinei, mas aprendi, foi onde fiz meu primeiro grafite, retratei Nelson Mandela. A paixão pelo grafite foi instantânea.

Virei arte educadora e hoje dou aula de grafite em três escolas municipais por meio do Programa Mais Educação, do governo federal.

Primeiro, ensino dentro da sala de aula aos meus alunos, que têm em média de 7 a 14 anos, técnicas e estilos de desenho de grafite. Depois, eles começam a trabalhar o desenho e quando já está maduro, passo as técnicas de ampliação e finalmente vamos para a prática na parede.

Depois das aulas de grafite, as professoras dos meus alunos falam que as notas deles subiram, que aprenderam a ter disciplina.

O grafite me traz paz, me sinto muito livre, mais do que poderia ser. A arte é uma terapia e é o que me faz feliz e me dá orgulho de mim mesma.

No final de 2014, saiu uma convocatória que selecionaria 30 meninas afrobrasileiras para fazer um curso de formação em arte urbana, empreendedorismo social, gestões de gênero e de negritude voltado ao grafite. Me inscrevi e fui selecionada.

Estava esperando por um curso no qual eu fosse aprender o beabá do grafite. No entanto, as aulas foram muito além do que imaginava.

As meninas grafiteiras, que orientaram a formação, eram muito preocupadas com o nosso aprendizado e que nós expressássemos nossa política, negritude e outras questões pessoais na arte.

A intenção da formação também era que nós soubéssemos multiplicar esse conhecimento para passar para outras pessoas.

NA GALERIA

Recebemos a notícia de que as meninas que concluíssem o curso teriam suas artes expostas em uma galeria. Eu enlouqueci. Larguei o emprego e tranquei a faculdade por um período para poder me dedicar mais.

Eu sou historiadora, com foco de pesquisa em mulheres na inquisição. Fiz um estudo sobre bruxaria. Então, quis levar esses conceitos para dentro da galeria.

Elaborei uma obra que representa as bruxas, que foram mortas pela igreja por causa de uma hiperssexualização. A arte que criei é uma vagina, feita com madeira, massa modeladora e instalações elétricas.

Essa composição é para representar a mulher que dá a vida e o único órgão que existe no corpo feminino para proporcionar prazer.

A outra obra é uma aplicação em stencil e retrata uma mulher negra espelhada com a língua para fora, que simboliza o antiamor e a lesbiandade.

Foi a coisa mais maravilhosa do mundo poder estar na galeria ao lado das outras afrografiteiras. É surreal.

Eu sempre quis ser artista desde pequena, mas nunca imaginei que uma menina preta, pobre, periférica e sapatão conseguiria um dia estar em uma galeria de arte.

Quando estreou a exposição, chorei muito. Foi uma emoção gigante. Não tenho como agradecer a Rede Nami e a Panmela Castro por causa disso.

O que eu aprendi nas aulas melhorou minha arte em tudo, no grafite, na tatuagem e na ilustração.

REPRESENTATIVIDADE NEGRA

Depois disso, tive uma oportunidade de fazer um grafite para a Anistia Internacional e retratei minha avó.

Ela foi uma mulher negra que sofreu muito, antes de morrer, em 2008. Minha avó era muito pobre e se casou com um homem branco na tentativa de embranquecer as filhas, para que elas não sofressem tanto racismo.

Para mim, minha avó é uma fênix, símbolo da ressurreição e da força. Representá-la de forma artística e em lugares onde passam pessoas é muito importante.

A figura de uma mulher negra é subversiva pela representatividade. Temos uma mídia que é sempre branca. As mulheres que aparecem são sempre brancas, seguem um padrão estético, higienizado e europeu.

Quando você passa na rua e se reconhece em uma imagem, se sente mais forte e encorajada para ser quem é. Não só se assumir sua negritude, seu cabelo, mas enfrentar o racismo e se empoderar.

A simbologia de ter diversas mulheres negras em uma galeria pode ser um estímulo para outras mulheres negras.

Agora, tento não projetar muita expectativa no grafite, porque tenho medo de me decepcionar.

Quero passar uma mensagem positiva de empoderamento negro, lésbico e feminino pelas ruas e ensinar as pessoas, que não têm a oportunidade de pagar um curso, a se expressar.

O que vier é lucro, eu não esperava chegar até aqui.

Graduação fora do país oferece currículo mais flexível

0

pos-no-exterior-1

Natália Portinari, em Folha de S.Paulo

Nos últimos dez anos, o número de brasileiros em universidades norte-americanas aumentou 70%. E, entre os 13 mil estudantes do Brasil que estavam lá em 2014, 40% viajaram para cursar graduação.

Os dados são do Institute of International Education, entidade norte-americana que monitora a mudança de perfil do aluno estrangeiro.

“Hoje, nos EUA, 50% dos alunos internacionais estão na graduação. Há cinco anos, mais de 60% eram da pós”, diz Allan Goodman, presidente do instituto americano.

Para os universitários, uma das vantagens de estudar nos EUA está na flexibilidade da grade curricular. Um dos modelos, por exemplo, é o de “liberal arts”, em que o aluno não precisa escolher sua especialização até o quarto ano.

Alex Santos, 17, conciliou o interesse por computação e música num curso de “liberal arts” no Amherst College, Massachusetts. “Faço ciência da computação, matemática, alemão e música”, conta.

No Brasil, Santos fez o ensino médio numa escola federal em Natal (RN). Ele foi aceito em Amherst com bolsa integral após participar de um programa do Education USA, do governo americano.

Além de orientar estudantes nas inscrições, ou “applications”, para as instituições americanas, o Education USA seleciona 20 alunos de baixa renda por ano que têm os custos de provas e documentação totalmente cobertos. Sem esse apoio, o gasto da candidatura a uma vaga universitária atinge cerca de R$ 2.000.

Na Fundação Estudar há um programa parecido, com 50 alunos por ano. Além da orientação gratuita, há programas pagos, com workshop (R$ 225) ou curso de 30 horas sobre o processo (R$ 600).

Há ainda quem busque serviços totalmente pagos e individualizados para auxiliar no processo, como Bruno Ely, 21, que estuda engenharia na Universidade de Minnesota.

“Como minha vida estava bem bagunçada, não teria conseguido terminar minhas aplicações sem isso”, diz Ely. Ele contratou uma mentoria no STB (Student Travel Bureau). Por até R$ 12 mil, o aluno é acompanhado nas etapas da “application”.

“Indicamos livros para ler, ensinamos a montar o ‘essay’ [texto em que o aluno narra experiências]. Escolhemos de dez a 12 universidades para que eles se inscrevam”, diz Christina Bicalho, diretora do STB.

AUXÍLIO FINANCEIRO

Nos EUA, onde a graduação é paga, há possibilidade de concorrer a bolsas de estudo. É assim que Débora Queiroz, 18, cursa gestão de negócios na Universidade de Babson, em Massachusetts. “Na inscrição, você apresenta documentos financeiros, e a universidade avalia quanto você pode ter de bolsa”, diz.

Andressa Souza, 19, chegou a entrar em engenharia na USP, mas hoje trabalha no campus da Universidade de Smith para bancar seu curso nos EUA. “Você aprende a valorizar o lugar onde está.”

A média da anuidade de uma universidade americana é de US$ 31 mil (R$ 122 mil). Nas instituições de elite, como Harvard, o valor dobra.

Já na França e na Alemanha, por exemplo, quase todas as faculdades são públicas e gratuitas. Os custos se resumem a uma taxa anual.

Para João Pedro Prado, 20, que cursa cinema e filosofia na Universidade Livre de Berlim, a gratuidade pesou na escolha. “As universidades são mais acessíveis que as americanas”, diz Prado.

Go to Top