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Especialistas dão dicas aos estudantes sobre a escolha do curso superior

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Muitos jovens têm dificuldade para escolher qual caminho irão seguir.

Osvaldo Junior, no Correio do Estado

Alunos de cursinho têm apenas um mês para as provas do Enem (Foto: Paulo Ribas / Correio do Estado)

Alunos de cursinho têm apenas um mês para as provas do Enem
(Foto: Paulo Ribas / Correio do Estado)

“O que você vai ser quando crescer?” Essa pergunta, feita em tom de brincadeira para as crianças, torna-se séria quando se chega ao fim da adolescência. A resposta também fica mais difícil. E esse ponto de interrogação deve estar pesando sobre as cabeças dos estudantes que, em um mês, farão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “A indecisão é muito grande”, observa o professor Henrique Esquivel Júnior, coordenador do cursinho Morenão. A dificuldade é legítima. Afinal, trata-se de decisão fundamental para a construção de uma profissão.

Para facilitar o caminho para o curso certo (ou o mais próximo disso), o professor orienta que o aluno precisa pesquisar. “Há diversos boletins, livros com informações sobre profissões. Na internet, também há muitos sites nesse sentido, como as próprias páginas das universidades”, afirma. Esquivel Júnior sugere que os alunos verifiquem, além das atividades desenvolvidas nas profissões, o campo de trabalho e o salário.

Conhecer as particularidades das diferentes profissões corresponde apenas a uma parte do processo de escolha do curso superior. O aluno deve também conhecer – e muito – a si mesmo. “Precisa saber com o que se identifica”, afirma. Nesse sentido, o estudante não deve pesar tão somente o salário da profissão, mas, sobretudo, se é, de fato, o que gostaria de fazer. “Se a escolha for errada, a chance de desistência já no começo do curso é muito grande”, adverte o professor.

Ele ressalta, ainda, que é importante o apoio da família. “O aluno tem de conversar com seus familiares sobre suas dúvidas. Os pais devem orientar, ajudar na escolha, mas não impor”, afirma.

A coordenadora da Agência do Futuro Acadêmico, da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Kelly Forest, acrescenta que é importante o jovem fazer uma sondagem vocacional. Ela observa que, na internet, há sites com testes que podem ajudar, mas o melhor é procurar auxílio de um psicólogo.

No processo de conhecimento de si mesmo e da profissão a ser escolhida, o estudante também pode conversar com pessoas que já estão no mercado e se inteirar da rotina da atividade pretendida. Na UCBD, a agência coordenada por Kelly realiza o chamado “Dia de Campo”. Nesse programa, alunos do 3º ano das escolas de Campo Grande têm a oportunidade de conhecer mais sobre a área desejada. “Eles ficam o dia inteiro na universidade, visitam os diversos cursos, conversam com profissionais”, conta Kelly. A própria UCBD disponibiliza transporte e almoço para os alunos. “A escola que quiser participar deve se inscrever. Mas, para este ano, todas os dias de visitas já estão preenchidos. Em janeiro, abrem novas inscrições”, informa.

Especialistas dão dicas aos estudantes sobre a escolha do curso superior

Com a aproximação do mercado, o aluno terá uma visão melhor da realidade das diferentes profissões. Assim, poderá evitar algumas armadilhas, como a do modismo e a do status. “O aluno tem de entender que não se trata de um curso qualquer, e sim de um curso de faculdade, que o prepará para uma profissão que, possivelmente, terá para o resto da vida”, observa Kelly. Por isso, se a pessoa se ilude pelo status, busca uma profissão da moda ou simplesmente segue apenas a vontade dos pais, poderá desistir facilmente do curso ou, caso se forme, não se realizar profissionalmente.

Não pelo status

Matheus de Jesus Bento, 18 anos, poderia muito bem ser considerado mais um entre os que escolhem um curso apenas pelo status e dinheiro. “Vou fazer Medicina. Já estou decidido”, disse, com segurança. Ele admite que a remuneração pesou na escolha do curso, mas acrescenta que esse fator foi o menos importante. “Sempre admirei o trabalho do médico, o cuidado com a saúde das pessoas”, afirmou, acrescentando que essa é a principal motivação da maioria dos que decidem, com bastante antecedência, pelo curso de Medicina.

No processo de amadurecimento de sua decisão, Matheus chegou a colocar em dúvida os seus motivos. “Chegou um momento em que perguntei a mim mesmo: ‘Será que estou querendo Medicina só pelo status?’ Se fosse só por isso, eu desistiria”. Nessa época, ele buscou conhecer melhor a si mesmo. “Conversando com um psicólogo, constatei que era, de fato, o trabalho com o qual eu me identifico”, disse.

Mas não basta escolher o curso. É preciso, ainda, muitas horas sobre livros e exercícios. “Eu faço cursinho de manhã e à tarde, e estudo em casa à noite”, disse. Nem o fim de semana fica de fora. “Sábado e domingo, eu também estudo”, acrescenta.

Moradora de favela faz vaquinha para pagar universidade em Portugal

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Marcelle Souza, no UOL

Leidiane Silveira, 21, foi aprovada na Universidade de Coimbra

Leidiane Silveira, 21, foi aprovada na Universidade de Coimbra

No início deste mês, Leidiane Silveira, 21, foi surpreendida duas vezes: primeiro com a aprovação no curso de economia da Universidade de Coimbra, em Portugal, e, em seguida, ao descobrir que o valor cobrado pela instituição é bem maior do que o esperado.

Ela foi selecionada pela instituição com a sua nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). A universidade anunciou a adesão ao exame brasileiro em abril e foi a primeira instituição estrangeira a aceitá-lo como forma de ingresso. No processo de maio deste ano foram ofertadas mais de 600 vagas para estudantes do Brasil.

“Eu não estava ciente de todas as taxas quando realizei minha inscrição, imaginei que houvesse alguma taxa, mas não sabia que chegaria a ser 7.000 euros por ano [o equivalente a R$ 21 mil]”, diz Leidiane, que mora em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo.

Diante das taxas inesperadas, Leidiane foi estimulada pelos colegas a fazer uma vaquinha virtual para tentar arrecadar R$ 6.400, que corresponde a cerca de 30% da primeira anuidade, que deve ser paga já em setembro.

“Na vaquinha, eu peço inicialmente o valor para concretizar a matrícula, mas paralelamente, estou em busca de instituições ou pessoas físicas que possam me financiar durante esse período da faculdade, para que eu possa pagar tudo depois. E, simultaneamente, farei todo o possível para conseguir uma bolsa na própria universidade através de bons rendimentos”, afirma.

Leidiane foi bolsista nos três anos do ensino médio do colégio Pueri Domus e chegou a cursar um ano de economia na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) com bolsa do Prouni (Programa Universidade Para Todos). O benefício na universidade foi perdido porque a família ultrapassou a renda máxima de um salário mínimo e meio por pessoa exigido pelo programa federal.

Sem dinheiro para a mensalidade na PUC, ela decidiu tentar a seleção na Universidade de Coimbra como forma de juntar dois sonhos: fazer faculdade e estudar fora do país. “Pensava em fazer um período de intercâmbio em 2015 ou 2016. E por uma feliz coincidência, vi nessas vagas abertas na UC uma oportunidade maior ainda, pois não seria seis meses ou um ano, mas toda a graduação fora do país em uma ótima universidade, e eu acredito fielmente que é uma enorme oportunidade tanto curricular como pessoal”.

A vaquinha ficará no ar até o dia 19 de setembro, pouco antes do início das aulas. Até agora, ela arrecadou pouco mais de 20% dos R$ 6.400. Além dos 30% da anuidade, ela procura ajuda financeira para a passagem aérea, as demais taxas da universidade e as despesas para morar em Portugal.

“Não quero nada de graça nem de ‘mão beijada’. Estou atrás de alguém que possa financiar, mesmo que sob contrato e com as taxas de juros aproximadas das do mercado atual, e, assim que eu terminar os estudos e começar a trabalhar, eu pagarei tudo devidamente como o combinado”, diz.

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