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Cursos on-line atraem centenas de milhares de brasileiros e abrem debate sobre a prática

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Preferência nacional é por aulas gratuitas; Brasil já é o quarto país com mais usuários da plataforma internacional Coursera

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Raphael Kapa, em O Globo

RIO — Quando a estudante universitária Monica Aragão, de 28 anos, teve um filho, ficou cada vez mais difícil conciliar as aulas com a maternidade. Os atrasos se tornaram constantes e o tempo para estudar não poderia ser mais o determinado pela faculdade. Foi neste momento que a moradora de Marechal Hermes, zona Norte do Rio, começou a utilizar sites de cursos on-line e passou a assistir aulas com professores das mais diferentes instituições, desde a Universidade de São Paulo (USP) até a americana Harvard.

— Sempre fui contra disciplinas on-line porque acho fundamental a presença do professor, mas passei a ver que é algo que complementa. Com as limitações de horário que tenho desde que virei mãe, eu agora posso ver a aula, parar e voltar quantas vezes eu quiser até entender a matéria — afirma Monica, que começou utilizando as plataformas para eliminar horas obrigatórias na faculdade de Administração, que frequenta, mas, por ter gostado da experiência, acabou fazendo outros cursos. — Já fiz “Gestão de Recursos Humanos”, “Nova reforma ortográfica”, “Liderança e coaching” e “Inglês”.

Em meio ao debate sobre a validade destas novas plataformas de ensino, os cursos on-line tiveram uma expansão no mercado brasileiro, chamando a atenção das principais empresas do setor. O Coursera, principal página de aulas pela web no mundo, já conta com mais de 400 mil usuários brasileiros, o que fez com que o país passasse o Reino Unido no número de inscritos no site. O Brasil fica em quarto lugar na lista, somente atrás de China, Estados Unidos e Índia. A grande presença nacional num site que não tem aulas em Português levou a página a investir mais em traduções. Além disso, o grupo passou a fazer parceria com a USP e a Unicamp para criar cursos voltados a professores brasileiros, que devem entrar no ar nos próximos meses.

— Cerca de 50% dos brasileiros que fazem o Coursera querem ganhar novas habilidades para suas carreiras — afirma Daphne Koller, presidente da empresa. — De fato, os brasileiros são três vezes mais propensos que os chineses e duas vezes mais que os americanos a conseguir as certificações emitidas pelo site, para mostrar publicamente o ganho que obtiveram.

PLATAFORMA NACIONAL EM ALTA

O crescimento não é pontual. Na plataforma Novo Ed, que reúne aulas da universidade americana de Stanford, o público brasileiro ocupa o terceiro lugar. Já no site Udacity, que reúne aulas de diversas faculdades dos Estados Unidos, os brasileiros disputam, mensalmente, a colocação entre os três principais países que usam a plataforma.

— O Brasil é um mercado estratégico para nós. Estamos concentrados em melhorar e expandir nossos esforços para atender os alunos brasileiros — afirmou a consultora da Udacity, Shernaz Daver.

Em meio à concorrência de sites do exterior, foi um site brasileiro que teve o maior crescimento nos últimos anos. O Veduca começou, em 2012, com cursos estrangeiros e atingiu 50 mil estudantes naquele ano. Dois anos depois, o grupo passou a fazer parcerias com diferentes instituições brasileiras, com o Google e com a Bovespa para empreender os mais variados tipo de curso. O resultado: 650 mil usuários em dezembro passado — um deles justamente Monica. Carlos Souza, diretor executivo do grupo, afirma que o motivo que a fez procurar o site é o principal entre os brasileiros:

— Num levantamento que fizemos, vimos que as pessoas nos procuram, primeiro, porque é de graça — explica Souza. — Em segundo lugar, elas querem fazer o curso no seu próprio ritmo e, em terceiro, consideram a qualidade do material. O fato de ser gratuito atrai muito e, no fim, as pessoas acabam querendo pagar pelo certificado.

Um outro aspecto dos cursos pela internet é que eles não são utilizados somente de forma individual. Muitos já foram incorporados dentro da realidade das escolas como forma de complementar a educação.

— Pesquisas já mostram que a maneira mais efetiva de ensino é combinar o presencial e o on-line. O aproveitamento é bem maior com o uso otimizado do tempo de estudo — afirma Souza.

Foi desta forma que o colégio D’Incao, em São Paulo, passou a utilizar o iTunesU, aplicativo de educação da Apple, em suas aulas. Os diretores da instituição enfatizam, no entanto, que a tecnologia surge como um instrumento para o professor e que nunca irá substituí-lo.

— A plataforma apoia o aluno sem retirar a presença do professor. É impossível garantir a qualidade de um curso sem a mediação. A sala de aula é o ambiente em que se garante o efetivo desenvolvimento do aluno e do conteúdo, e a tecnologia é uma ferramenta que torna este local mais atrativo e interativo — afirma o diretor Pedro D’Incao.

NECESSIDADE DE ADAPTAÇÃO

Porém, enquanto o Brasil vive um crescimento destes cursos, os Estados Unidos passam a rever a metodologia. John Henessy, presidente de Stanford e um dos mais conhecidos pesquisadores sobre o assunto, critica as plataformas por não serem atrativas o suficiente. Em estudo veiculado no ano passado, o professor afirma que menos da metade dos alunos que se inscrevem no curso terminam de assistir à primeira aula.

— Quando surgiram em 2011, os cursos on-line eram vistos como verdadeira revolução no ensino. Hoje, já conseguimos compreender que se trata de uma onda que tem que ser adaptada. Nada substituiu o professor, mas muitas coisas podem ajudá-lo. As chances de um aluno se interessar por uma aula on-line são muito maiores se ele tem uma empatia por aquele tema de alguma forma presencial — afirma Joana Sampaio, especialista em Educação Básica pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

Sonho de consumo do brasileiro é um fracasso

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Gilberto Dimenstein, na Folha de S.Paulo

Um dos fatos sociais pouco conhecidos do país é a expansão acelerada de escolas particulares de baixo custo nas periferias das grandes cidades. Em alguns lugares como Fortaleza, por exemplo, já tem mais alunos nas redes privadas do que públicas.

São mensalidades que cabem no apertado bolso da classe C, seguindo o caminho que, no passado, foi trilhado pelas mais ricos, que abandonaram a escola pública.

Essa tendência fica visível na pesquisa que o Datafolha divulgou sobre o sonho de consumo do brasileiro. O resultado reflete um fracasso.

Fracasso porque é uma resposta ao fato de que o brasileiro, se puder, paga para não depender de governos.

No ranking do Datafolha, o segundo mais importante sonho de consumo é poder pagar mensalidade para os filhos. Só perde para a casa própria. Está, inclusive, na frente da saúde.

Pesadelo consiste no seguinte. O brasileiro já paga mais de quatro meses de salário por ano apenas para manter os governo.

Ainda paga por serviços privados que deveriam ser mantidos pelo setor público.

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Aproveitando a dica, volto a falar na importância de os brasileiros conhecerem os recursos digitais gratuitos de educação. Fiz uma seleção dos cursos online gratuitos da USP, FGV, Unesp e Unicamp. Veja.

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Outra seleção que vale a pena ver. O site Universia listou 700 cursos das melhores universidades do mundo. Veja.

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Veja também uma seleção de aulas gratuitas para o Enem.

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