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Posts tagged Curva

Seis vezes Nicholas Sparks

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Arqueiro e Novo Conceito choram (de alegria) com as vendas de Sparks

Cassia Carrenho, no PublishNews

Os livros de Nicholas Sparks costumam arrancar lágrimas dos olhos de seus leitores aficionados. Já para as duas editoras de Sparks no Brasil, Arqueiro e Novo Conceito, os romances trazem só alegria.
Afinal, entre a Arqueiro, que venceu o leilão em 2011 e adquiriu os direitos dos livros no Brasil, e a Novo Conceito, que detém os direitos de alguns livros anteriores, essa semana foram seis livros do autor nas listas de mais vendidos: pela Arqueiro, Uma longa jornada (estreando no 5º lugar da lista geral), O guardião e Uma curva na estrada venderam juntos 3.736; pela Novo Conceito, Um porto seguro, A escolha e A última música, 2.799. É para chorar. De alegria.

Outro destaque da semana foi o livro Getúlio 1930-1945, segundo volume escrito por Lira Neto, lançado pela Companhia das Letras, que ficou em 2º lugar da lista de não ficção.

A BestBolso, selo da Record, também se destacou com três novos livros na lista de autoajuda: O poder do subconsciente, Dalai Lama todos os dias e Meditações para a noite. Todos são da coleção Pegue & Leve Saraiva.

No ranking das editoras, a Sextante manteve a primeira posição com 14 livros, mas a 2ª colocada foi a Record, com 10, deixando a Intrínseca em 3º lugar, com 9. Vergara & Riba vem em 4º lugar, graças aos diários do banana, e, empatados em 5º lugar, Globo e Novo Conceito, com 6 livros cada.

A literatura na era do Twitter

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Alberto Dines, no Observatório da Imprensa

Concomitantes: impossível não relacionar a biografia de Paula Broadwell sobre o general David Petraeus, com os anúncios de Phillip Roth e Imre Kertész que deixarão de escrever livros, falar de livros, ler livros.

A biógrafa sedutora que derrubou um dos homens mais poderosos do mundo encarna a degradação de um antiquíssimo gênero literário, a arte de contar vidas. Madame Broadwell, formada em Harvard, ex-major do exército americano, não fez biografia, praticou biofagia – alimentação a base de seres vivos. Em outras palavras: comeu o seu general.

A abdicação dos dois extraordinários ficcionistas tem a ver com outro aspecto da degradação dos tempos modernos: já não faz sentido escrever. Histórias já não mudam o mundo, muito menos a humanidade. Interessam, arrebatam, vendem muito, não inspiram. E não porque tudo já tenha sido escrito, contado e recontado, mas porque a literatura torna-se inócua à medida que se agiganta a quantidade de livros impressos ou digitados.

Como Saramago

Um, americano de segunda geração, 79 anos, o outro húngaro, de 83, descendem da mesma cepa humanista europeia. O fato de serem judeus não é suficiente para igualá-los. Há escrevinhadores judeus absolutamente abjetos. Borra-papéis. Estes trazem consigo a mensagem da insatisfação e contestação.

Renunciantes, abriram mão de confortáveis situações e, sobretudo, do reconhecimento universal – preferem enfurnar-se. Mudaram de rumo não porque chegaram ao último terço de suas vidas e vislumbraram logo adiante a curva na estrada. Não são casos de bloqueio criativo, ou depressão. Ao anunciar que vão parar mostraram-se atentos ao que está acontecendo, são refuseniks, objetores de consciência – o pessimismo prova uma intensa criatividade. Agora, sim, alcançaram o apogeu.

Não são suicidas, mas batalhadores, enérgicos, têm fé em valores que poucos percebem inclusive muitos de seus leitores. Questionam não porque querem mais – ao contrário, querem menos. Suas são revoltas contra os excessos e demasias. Protestam em silêncio, esta é a forma mais altiva de criar.

Roth & Kertész não se resignam, vão em frente, certamente têm projetos: o mais perceptível é enfrentar o delirante e degradante culto ao sucesso que converte os mais sublimes desafios em aviltantes assaltos.

Este mesmo culto ao triunfo empurrou Paula Broadwell para a ribalta da fama. Queria uma biografia autorizada do mais condecorado general americano e invalidou-a em seguida. Muitos biógrafos conviveram com seus biografados – o caso mais conhecido é o de James Boswell, cuja biografia de Samuel Johnson, de 1791, é considerada a mais perfeita da literatura inglesa.

Roth ou Kertész não conheciam Paula Broadwell, o que se evidencia é a recusa em tê-la como personagem e contar este tipo de história. Tal como José Saramago, rejeitam os grunhidos da era do Twitter. Macbeth, o demoníaco, vivia em outra dimensão.

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